Edição 80

Matérias Especiais

18/02: Início da Quaresma e da Campanha da Fraternidade 2015

Pe. Luiz Carlos Dias

fraternidade_1A Campanha da Fraternidade (CF) é um grande projeto evangelizador da Igreja no Brasil. Ela foi gestada no espírito quaresmal de conversão à qual são chamados os discípulos missionários em caminhada rumo à Páscoa de Jesus Cristo. Na Quarta-feira de Cinzas, a Igreja proclama a todos: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Além disso, exorta os batizados aos sempre atuais exercícios quaresmais da oração, do jejum e da esmola. A oração deve ter a tônica da humildade de quem espera pela misericórdia de Deus; o jejum ajuda no esvaziamento humano para que a vida nova em Cristo se torne realidade; a esmola suscita abertura amorosa ao outro e às suas interpelações. A CF nos auxilia na vivência quaresmal.

A Campanha da Fraternidade de 2015 será realizada com o tema Fraternidade: Igreja e Sociedade e o lema Eu Vim para Servir (Mc 10.45). Esse tema foi escolhido pelos bispos do Consep, na CNBB, com o objetivo de inserir na CF comemorações do jubileu de encerramento do Concílio Vaticano II. O Concílio — celebrado no início da década de 1960, anos de gestação e nascimento da CF — refletiu-se nos primeiros temas da Campanha, contribuindo para que a Igreja no Brasil conhecesse melhor e implantasse as principais propostas conciliares. No ano de 2015, o Concílio Vaticano II e a Campanha da Fraternidade reeditarão o encontro, que no passado produziu muitos frutos para nossas comunidades.

Uma das grandes fontes do documento-base da CF 2015 é denominada Constituição Dogmática Lumen Gentium (Luz dos Povos). Esse título denota a nova perspectiva apresentada pelos padres conciliares para a compreensão da Igreja e da sua missão numa sociedade que experimentava rápidas transformações em todas as áreas da vida humana: “A Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (LG n. 1). Essa nova compreensão da Igreja, em sua relação com a sociedade, também exigia outro olhar em sua estrutura interna, sintetizada na expressão Povo de Deus, que levou a uma releitura dos ministérios ordenados e da participação dos leigos e das leigas na vida e missão da Igreja.

fraternidade_2Outra fonte do texto da CF 2015 é a Constituição Pastoral Gaudium et Spes (Alegria e Esperança), que aborda especificamente o tema da CF 2015: Igreja e Sociedade. O título dessa Constituição Pastoral denota o otimismo do olhar dos padres conciliares sobre aquela realidade que passava por profundas transformações em todos os seus setores. Nada de condenação ou estranhamento, esse documento conciliar segue a perspectiva da encarnação do Verbo de Deus, a proximidade e assunção da realidade humana tal como ela se apresenta, para transformá-la por meio do serviço e cuidado aos necessitados como expressão do amor de Deus a toda família humana.

O lema proposto para a Campanha de 2015, Eu Vim para Servir (Mc 10.45), é oportuno e iluminador. O objetivo desta Campanha, que se volta às sábias palavras e diretrizes do Concílio Vaticano II, é aprofundar a relação entre a Igreja e a sociedade no contexto atual. A sociedade, com seu dinamismo e pujança, continua a proporcionar nas pessoas alegrias e tristezas, interrogações e apreensões. Essas pessoas precisam ser conduzidas pelo processo de evangelização. A Igreja experimenta igualmente novo dinamismo e é instada pelo Papa Francisco, segundo o exemplo de Jesus Cristo, a se revigorar e a se empenhar em sua missão de servir à vida, que muitas vezes vem sendo sistematicamente descartada. Aquele que se entrega a Jesus totalmente faz nascer uma esperança inquebrantável.

Essa etapa da Campanha da Fraternidade finaliza-se no Domingo de Ramos, com a realização da Coleta Nacional da Solidariedade, pelo gesto concreto da Igreja no Brasil, que gera fraternidade. Esse momento propicia o exercício da solidariedade para com irmãos e irmãs necessitados, mediante a partilha dos bens. O resultado dessa coleta é destinado integralmente, pelas dioceses e pela CNBB, a atender a projetos que contribuam para a superação da realidade apresentada pela CF. A Coleta Nacional da Solidariedade é parte integrante da CF e deve ser feita em todas as comunidades cristãs, paróquias e dioceses. Por isso, somos exortados a tomar parte desse momento tão sublime com nossas doações.

Padre Luiz Carlos Dias é secretário-executivo da Campanha da Fraternidade – CNBB.

cubos