Edição 56

Lá Vem a História

A casa de janelas de ouro

img-1699-01O início de um ano é marcado por cumprimentos e, particularmente, por sonhos e desejos.

Por isso, é oportuno recordar a história do garoto que vivia no interior e que gostava de olhar o trigo plantado perto de sua casa, de ouvir os passarinhos e, principalmente, de ver o horizonte tão misterioso.

Numa manhã, enquanto brincava, teve uma grata surpresa: viu, numa colina distante, uma casa que nunca havia notado antes. Não era uma casa qualquer: era linda, muito linda, porque tinha janelas de ouro. Se já era tão bonita de longe, quanto mais não seria de perto?

No dia seguinte, resolveu ir até aquele lugar para conhecer melhor a casa. Ao chegar, pensando ter-se enganado, perguntou a uma senhora que o atendeu se ela não conhecia uma casa de janelas de ouro, que deveria ficar ali por perto… De início, a boa senhora ficou surpresa, mas logo entendeu tudo; respondeu ao garoto que tal casa não existia e que sua imaginação é que a havia criado. Atenciosa, convidou-o a entrar para conhecer seu filho, pois poderiam brincar juntos e tomar café com bolo.

Quando os dois garotos ficaram sozinhos, o menino da casa disse a seu novo amigo: “Sabe, acho que a minha mãe nunca viu, mas eu conheço uma casa como aquela de que tu falaste. Vem, eu vou mostrá-la para ti”.

Levando o amiguinho para fora, apontou uma colina onde havia uma casa que tinha janelas de ouro. “Veja como é bonita! Como eu gostaria de morar numa casa assim!” O visitante ficou admirado pela beleza e, ao mesmo tempo, surpreso com o fato de a casa ficar ainda tão longe. Não demorou muito, contudo, para perceber que aquela era a sua casa. Sim, lá estavam a figueira, o rancho que seu pai acabara de construir e a estrada em curva, na qual costumava descer de bicicleta. Feita a descoberta, voltou decepcionado. Preocupada com a demora do filho, a mãe foi logo perguntando onde estivera, pois demorara muito. A tristeza do garoto fazia-lhe ver que algo de sério havia acontecido. Ele contou a ela o que ocorrera naquela manhã. Com um sorriso, a mãe lhe respondeu: “Penso que não há motivo para você ficar aborrecido. Ao contrário, devemos estar muito contentes, pois moramos realmente numa casa com janelas de ouro. Temos muitos amigos e podemos colaborar com nosso trabalho para melhorar a vida ao nosso redor. Papai e eu já percebemos o quanto nossa casa é privilegiada, e tu serás muito feliz quando o compreenderes também.

Revista Mensageiro. V. 103. n. 1.147. Janeiro/fevereiro 1997. São Paulo: Loyola.

Nos primeiros dias deste ano da graça de 2011, talvez também você se surpreenda ao olhar inúmeras colinas ao seu redor, nas quais vê belíssimas casas de janelas de ouro. É possível que fique imaginando a felicidade que teria se pudesse morar em uma casa assim. E, lá no fundo de seu coração, talvez até sonhe com a possibilidade de alcançar, finalmente, essa alegria.

Você será feliz se descobrir que a casa de janelas de ouro existe e está em sua própria colina. Saber vê-la é uma arte e um dom.

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