Edição 100

O livro da vez

A COMPLEXIDADE ENTRE O SABER E O FAZER PEDAGÓGICO

Celso Antunes

imagem_29PREFÁCIO

Uma homenagem à autora ou, se preferirem, um prefácio…

O salão reservado para o aniversário estava repleto. Os adultos, como os pais e parentes, recebiam convidados, enquanto outros adultos funcionários encarregavam-se dos doces e salgados. Faziam-se solícitos no fornecimento de refrigerantes. Mas os adultos quase desapareciam pela quantidade enorme de crianças que, agitadas, corriam de lá para cá, deslizavam pelo escorregador ou saltitavam com exuberante alegria pela “piscina” de bolinhas. A gritaria extravasava entusiasmo e alegria. De repente, um breve instante de silêncio.

O mágico, contratado para apresentações, acabara de chegar e se dirigia para uma sala ao lado, onde prepararia sua artilharia de truques. Causou alguma admiração, mas fugidia. Em segundos, as crianças esqueceram sua passagem e voltavam-se plenas de alegria e empolgação em suas correrias e sua festa. O breve silêncio de admiração com que saudaram sua chegada durou segundos, e a gritaria entusiasmada recrudesceu. Dez ou quinze minutos depois, outra breve pausa. Acabava de adentrar o palhaço, e seus gritos e gargalhadas de saudação despertaram surpresas e encantamentos. Depois de abraçar algumas crianças mais próximas, dirigiu-se à sala reservada onde se prepararia para seu show e suas trapalhadas. O barulho de gritos e risos voltou e parecia que agora ainda com mais entusiasmo e vigor. De repente, o silêncio.

Como que magnetizadas, as crianças arregalaram os olhos. Um frêmito de murmúrios e espanto anunciava a nova chegada. Por onde quer que estivessem, largaram tudo e acorreram à porta como que desejando um subir sobre as costas dos outros. Um momento fantástico de magia e de alegria. Os adultos assustaram-se e, confusos, não tinham como explicar o frenesi dessa nova presença. Uma diáfana entrada silenciara a turba, canalizara múltiplas afirmações em nome único.

Uma deusa em carne e osso que, abraçada e escondida pela multidão de crianças, procurava respirar e, ao mesmo tempo, distribuir beijos. O clima de festa, até então agitado e barulhento, neutraliza-se pela surpresa da presença esperada.

Para as crianças, todas elas, essa presença de mulher simbolizava figura maior que anjo, mais infinita que qualquer fada. Personalidade humana que simbolizava a essência e razão da festa, presença maior que eclipsava em sua maneira simples de ser o fulgor ilusionista da mágica e a alegria infinda da pureza infantil. Chegara à festa uma deusa viva que distribuía abraços e podia ser tocada. Para as crianças, a mais linda de todas as mulheres. Ser especial que criara o céu e inventara o mar. Dera nome aos bichos e cores à natureza. Agora a festa poderia até terminar. A professora estava entrando no salão.

Nenhuma outra profissão desperta no imaginário infantil os sonhos que sua professora sabe acordar. Sonhos dos quais este livro fala, dedicação de uma autora que é também uma grande educadora. Tentei singela homenagem à autora Sandra ou, se preferirem, um prefácio…

RESUMO

Inserir-se num processo de mudança é agir de forma consciente, espontânea e confiante, buscando harmonia entre teoria e prática. Quando se coloca a questão da interdisciplinaridade, pensa-se em procedimento integrador, articulador orgânico, de tal modo que supere a fragmentação do ensino mediante uma visão global de mundo entre totalidade e unidade, objetivando a formação integral do ser capaz de enfrentar os problemas complexos, amplos e globais da sociedade moderna. Exige uma profunda imersão nas experiências cotidianas. A interdisciplinaridade não se ensina nem se aprende, apenas se vive, exerce-se e, por isso, exige uma nova pedagogia, a da comunicação. Portanto, a análise conceitual dos níveis da multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade facilita a compreensão de elementos interpretativos da prática docente, uma referência fundamental entre o saber e o fazer pedagógico.

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