Edição 52

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A Copa do Mundo

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A Copa do Mundo é como o Oscar, os melhores jogadores do mundo estão lá. O gramado, sempre impecável, substitui o tapete vermelho. As bolas são especiais. As mascotes cativam crianças e adultos e vendem como água. Os ingressos para cada partida valem uma pequena fortuna. Jogos comuns viram epopeias. Histórias normais se transformam em lendas. Novos ídolos nascem. Velhas figuras se apresentam. Todos querem jogar, ir, estar na Copa do Mundo. O encanto do evento é indescritível.

A ideia geral

O primeiro passo para a criação da Copa do Mundo foi a criação da Fifa, no dia 21 de maio de 1904, em Paris. Eleito primeiro presidente, o francês Robert Guérin definiu como missão número um criar um campeonato mundial. A ideia inicial era fazer o primeiro evento em 1906, na Suíça. Mas o tenso clima político da época (que culminaria, em 1914, na Primeira Guerra Mundial) sufocou a iniciativa. Só na gestão de Jules Rimet, a partir de 1921, o projeto voltou a ser estudado, principalmente após os Jogos Olímpicos de Paris, em 1924, ocasião em que o torneio de futebol se tornou um sucesso de público. Empolgado com o êxito daquela competição entre países, Rimet foi à luta.

Finalmente, no dia 5 de fevereiro de 1927, a proposta foi apresentada à comunidade do futebol pelo francês Henry Delaunay, espécie de braço direito de Rimet. O que mais atraía no projeto era que, diferentemente dos Jogos Olímpicos, em que apenas jogadores amadores poderiam participar, a Copa seria aberta à participação de profissionais. De pronto, houve a aprovação. E seis países apresentaram suas candidaturas para sediar o evento: Suécia, Itália, Espanha, Hungria, Holanda e Uruguai.

Prestigiado pela grande fase da Celeste Olímpica, bicampeão nos jogos de 1924 e 1928, o país sul-americano levou a melhor. Até porque seus dirigentes se comprometeram a custear passagens e hospedagem para as seleções que aceitassem o convite. Com lugar garantido como novidade no calendário e beneficiado por essa facilidade econômica, a Copa do Mundo estava viabilizada. Era o início da trajetória da mais importante competição da história do futebol.

Jules Rimet

Jules Rimet nasceu no dia 24 de outubro de 1873, na cidade francesa de Theuley-les-Lavoncourt, e morreu em 1956, aos 82 anos. Conheceu o futebol no colégio, em Paris, e se apaixonou. Adorava jogar, ver, estudar e pensar o esporte. Mas teve de servir a seu país na guerra como membro do exército. Após o conflito, fundou o Red Star, um tradicional clube francês naquela época. Em seguida, já era presidente da Federação Francesa de Futebol. Sua eleição para presidente da Fifa, cargo que ocupou durante 33 anos, aconteceu em 1921.

A vida rofissional jules Rimet foi toda ligada ao futebol.

Depois de organizar o torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de 1924, decidiu brigar pela criação da Copa do Mundo. Em 1930, a bola rolou para o primeiro Mundial graças a Jules Rimet, o homem que deu forma e vida ao torneio de futebol mais importante do planeta. Um amante da bola que “virou” taça. Coisa de vencedor.

Eliminatórias da Copa

A partir da Copa de 1934, a Fifa instituiu o sistema de eliminatórias para escolher as seleções que disputariam o Mundial. A entidade já alcançara a marca de 45 afiliados e precisava de algum tipo de depuração. A disputa reliminar ainda era simples e consistia em jogos eliminatórios, no sistema de mata-mata. Naquela ocasião, o Brasil teria de disputar uma vaga com o Peru, mas foi beneficiado pela desistência do vizinho de continente. Embora anfitriã, a Itália também teve de correr atrás de um lugar ao sol. E se garantiu
ao vencer a Grécia em Milão. O país-sede só passou a ter direito adquirido a uma vaga a partir de 1938.

Em tempo: a estreia do Brasil em eliminatórias só aconteceu na seletiva para a Copa de 1954, na Suíça. Em 1938, a seleção foi beneficiada pela desistência em massa dos países sul-americanos, em protesto contra o fato de a Fifa ter marcado mais uma Copa na Europa, dessa vez na França. E, em 1950, foi anfitrião.

Os primeiros adversários do Brasil em eliminatórias foram o Chile e o Paraguai. Quatro jogos: dois contra cada. E a seleção ganhou todos. Por sinal, o País jamais deixou de participar de uma Copa. Nada mais natural para quem sempre teve o melhor futebol do mundo.

As taças

Taça do Mundo/Taça Jules Rimet

O mais cobiçado dos troféus já mudou de nome três vezes. Nas duas primeiras Copas, em 1930 e 1934, atendia por Taça do Mundo. A partir de 1938, foi rebatizada com o nome de Taça Jules Rimet. Ela foi concebida em 1930, e seu “pai” foi o artista francês Abel Lafleur, funcionário do Museu de Belas Artes de Rodez, na França. Com apenas 55 cm e 1,8 kg, era a imagem de uma mulher com os braços erguidos, que representava uma Vitória Alada, e com dois suportes, que representavam suas asas.

Ficou decidido que o país que a conquistasse três vezes ficaria com sua posse em definitivo. O Brasil, campeão em 1958, 1962 e 1970, teve a honra. Em 1983, para tristeza e constrangimento dos brasileiros, ladrões roubaram a Taça Jules Rimet no Rio de Janeiro, derreteram e venderam seus restos. Em seu lugar, está uma réplica.

Taça Fifa

Desde 1974, a Copa do Mundo oferece outro troféu a seus campeões. A diferença é que ele não ficará mais em definitivo com ninguém. Sua posse é transitória. Ele fica com o atual campeão mundial até o ano anterior à Copa seguinte. Trata-se de uma obra do escultor italiano Silvio Gazzaniga. Seu projeto foi escolhido para a Taça Fifa entre outros 52 trabalhos de especialistas de sete países. A Taça Fifa, que teve a Alemanha Ocidental, campeã em 1974, como sua primeira guardiã, tem 36 cm de altura, pesa 4,970 kg e é feita com ouro maciço de 18 quilates. Custou 20 mil dólares, e, em sua base, composta de duas camadas de malaquita, há um espaço reservado para a gravação do nome dos países campeões mundiais até 2038.

O que vem depois? Talvez nem a própria Fifa tenha parado para pensar a respeito…

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