Edição 77

Como mãe, como educadora, como cidadã

A dona da festa

Zeneide silva

Recebi, recentemente, um texto de um grande amigo e irmão chamado Tião, e gostaria de compartilhá-lo com você, educador e educadora. Fiquei emocionada e muito feliz com suas palavras, principalmente quando referia-se ao servir.

Vivemos em um mundo onde grande parte das pessoas quer ser servida, e não servir. Lembro de um fato que aconteceu lá em casa. Estávamos fazendo a mudança, e, enquanto alguns funcionários organizavam os móveis, fiquei organizando a mesa do almoço. Todos se serviram, menos um deles, que ficou parado, observando. Cheguei perto dele e disse para se servir, e ele olhou para mim e respondeu: “Olhe, dona, eu não gosto de me servir, espero sempre que venham e me sirvam”. Imaginei de início que era vergonha, mas seus companheiros disseram que não, que aquele era o jeito dele. Não o questionei, simplesmente peguei um prato e coloquei seu almoço e tive a alegria de dizer-lhe: “Pois eu tenho o maior prazer de servi-lo”.

Espero que você, educador e educadora, assim como eu, tente não esquecer o quanto é gratificante servir ao outro, sempre com alegria.

A dona da festa
Tião

Estava tudo muito bem encaminhado. Os dias que antecederam aquela festa tinham sido corridos com tanta coisa pra arrumar. Festa é sempre assim, na hora H acaba ficando algum detalhe que foi esquecido, alguém que devia ter sido chamado e que não foi lembrado, aquela bebida que poderia fazer a diferença, mas… quem teve cabeça para pensar? As despesas, estas então… acabam sobrando em maior parte, quando não é lembrado o rateio, para um felizardo!

Noventa anos, meu Deus! Idade bonita, boa de ser celebrada, apesar de toda limitação que todos esses anos representam. O padre Arnaldo fizera uma aliança de vida com Deus que já durava 90 anos — bodas de álamo! E nós, os seus amigos e amigas, estávamos preparando-lhe uma festa: celebração da Missa, comida, bebida, bolo para partilhar e muitos abraços e beijos carinhosos no aniversariante. Muitos vivas para ele!

O buffet havia sido contratado: garçons atentos para que todos fossem servidos de comida e bebida. Alguns convidados preferiam ser servidos à mesa; outros, enquanto batiam papo, petiscavam as guloseimas que desfilavam pelo salão. Havia de dar tudo certo, afinal de contas o carinho e os cuidados que foram investidos não foram poucos, sem contar o gasto financeiro.

O tocador parecia adivinhar o gosto musical dos convivas. A música dos instrumentos e o som das vozes enchiam de alegria os espaços da casa e também do coração das pessoas. A alegria reinava! Todas as pessoas presentes pareciam desfrutar com entusiasmo da celebração.

Olhando direitinho para o salão, minha estatura me permitiu ter uma visão do todo, e percebi uma mulher que parecia mais inquieta do que as demais. Ela olhava se as bandejas estavam circulando, se os convidados estavam sendo servidos, se a comida seria suficiente… agia como se fosse a pessoa responsável pelo bom andamento da festa. Seria a anfitriã?

Estava curioso para saber se outras pessoas também percebiam a preocupação e o desempenho daquela figura tão envolvida com o bom andamento da festa. Fingindo não conhecer de quem se tratava, digiri-me a alguém que, tinha certeza, não a conhecia. Elogiei a festa e o desempenho do pessoal contratado para servir; em seguida, perguntei: “Quem será a pessoa responsável por esse buffet?”. Aí veio a resposta: “Deve ser aquela senhora, ela corre o tempo todo para ver se está tudo direitinho, com certeza é ela a responsável!”.

A pessoa para quem ele apontou foi você, Zeneide. Ele nem sabia que você foi quem tinha promovido quase toda aquela festa. Você, pelo jeito de servir, não parecia uma convidada… Era a anfitriã!

Outro dia, na casa de Severina, você servia à mesa com o pano de prato no ombro, parecia a dona da casa ou alguém que havia sido contratado para ajudar a servir. Esse tipo de atitude me faz lembrar alguém, que eu sei que você também conhece… Você faz da sua presença, seja onde for, um serviço. Você não é a anfitriã, você é a dona da festa!

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