Edição 81

Lá Vem a História

A fábula da ratoeira

Fábula de Esopo

246794Um ratinho, olhando pelo buraco da parede de sua toca, viu o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira, ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda para advertir todos.

Foi ao galinheiro e falou:

— Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!

A galinha disse:

— Desculpe-me, senhor rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda. — E a galinha continuou a ciscar.

O rato foi até o chiqueiro e disse ao porco:

— Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!

O porco respondeu:

— Desculpe-me, senhor rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Ratoeira é para pegar ratos. Fique tranquilo, pois o senhor será lembrado nas minhas preces. — E o porco continuou a chafurdar na lama de seu chiqueiro.

O rato dirigiu-se então à vaca. E ela lhe disse:

— O que, senhor rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não! — E ali a vaca ficou a balançar o rabo e ruminar.

Então, o rato voltou para sua toca, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro.

Eis que naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando uma vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pegado. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pegado a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra peçonhenta picou a mulher. O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital.

Ela foi medicada, mas voltou com febre. E todo mundo sabe que, para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. Assim, o fazendeiro pegou sua faca e foi providenciar o ingrediente principal: galinha.

Como a doença da mulher piorava, os amigos, parentes e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.

Mas a pobre mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca para alimentar aquele povo todo.

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A referida fábula nos leva a uma análise reflexiva sobre o ambiente escolar e o compromisso com o funcionamento do todo na prestação dos serviços educacionais de qualidade.

Considerando o ratinho como o gestor, que responde primeiramente pela imagem da instituição diante da comunidade escolar, indo além dos muros da escola, pode-se fazer uma analogia da situação presenciada na fábula, em que a ratoeira seria como uma ameaça direta ao papel de gestor, que responde por consequências de toda ordem, que levam ao sucesso ou fracasso da referida escola.

Seguindo essa linha de entendimento, podemos comparar a busca de apoio do ratinho à incansável e difícil tentativa de envolver, no ambiente escolar, todos que fazem o trabalho acontecer, o que inclui responsabilidades, cooperação, solidariedade, atenção e espírito de “time” para fazer funcionar a rotina escolar. Para isso, recorre aos professores, funcionários e profissionais que respondem pelo assessoramento técnico-pedagógico, acreditando que, sozinho, não conseguirá arcar com tamanhas responsabilidades. Mas compreende que, tanto os erros como os acertos em sintonia de “time”, serão o caminho em qualquer instituição que se propõe a prestar serviço de excelência educacional. Nesse sentido, podemos concluir que, diferentemente da fábula da ratoeira — em que o grupo de animais apenas limita-se à sua zona de conforto, embora inseridos no mesmo contexto —, alguns profissionais negligenciam as ameaças, esquecendo-se de que a instituição escolar tem seu funcionamento pautado no compromisso integrado de todos os seus atores, considerando o valor e a responsabilidade de cada um e a soma dessas partes como composição de um todo que responde pelo sucesso da instituição.

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