Edição 71

Gestão Escolar

A gestão educacional e a tomada de decisões

Augusto França

drazenAtualmente, discutir tomada de decisões é uma necessidade cada vez mais emergente, não apenas na gestão educacional, como também em todas as outras empresas institucionais. Por mais variados que sejam os objetivos das empresas, a prática da tomada de decisão obedece a estruturas similares, como afirma Hora (2004) quando diz que os princípios administrativos, desde que sejam devidamente adaptados à realidade da organização, podem tomar como base uma estrutura organizacional. Compreendemos o modelo de gestão dos processos de produção fabril como alicerce das teorias e práticas da gestão educacional.

Nessa discussão, a tomada de decisão traz à tona os modelos de gestão discutidos na atualidade. Antes de atribuirmos aos modelos de gestão as formas de tomada de decisão, é importante que reconheçamos quais são os quatro grandes tipos dessas tomadas, presentes em qualquer situação do dia a dia.

Na primeira situação, destacamos as decisões individuais, ou intrapessoais. Nessas, o resultado da decisão influi direta e exclusivamente sobre o agente. Como exemplo, podemos apontar a escolha de um melhor horário no dia para relaxar.

Em escolhas interpessoais, tomamos decisões as quais os resultados influenciam outras pessoas. Podemos exemplificar esse conceito em uma situação na qual um gestor de determinada instituição decidiu se mudar para uma sala maior. Nessa mudança, sua nova sala, antes ocupada por uma equipe de três pessoas, ofereceu-lhe mais comodidade, porém isso fez com que essas três pessoas disputassem o espaço menor, antes ocupado pelo agente da decisão.

Também temos as decisões em grupo e as organizacionais. Na primeira, destacamos situações em que a decisão influencia não apenas um indivíduo, mas toda uma equipe. Cabe reforçar que esse tipo está diretamente ligado à descentralização da decisão. Assim, todos de um grupo participam na escolha. No caso das decisões organizacionais, os interesses são voltados exclusivamente para o crescimento da instituição. Pode ser realizada por uma pessoa ou por um grupo, desde que os objetivos da tomada estejam claramente voltados para os resultados da empresa no dia a dia.

Conhecendo um pouco esses tipos de decisão, podemos utilizar o exemplo citado no 4º parágrafo. Voltando a situação para um modelo de gestão centralizado, vemos uma circunstância na qual uma tomada de decisão influenciou a qualidade de trabalho de outras pessoas, além da do gestor. Evidentemente, mais pessoas precisam de mais espaço para trabalhar em um ambiente fisicamente confortável. Dessa forma, percebemos uma tomada de decisão positivamente individual e negativamente interpessoal.

São, esses exemplos, tão comuns na realidade de muitas escolas que nos fazem refletir sobre a postura do gestor. Sabemos que ele não pode perder o foco da instituição. As tomadas de decisão devem estar voltadas ao bem coletivo e institucional. Essas intermediações devem ser muito bem pensadas, em todos os aspectos, para que haja um melhor funcionamento a partir das decisões estabelecidas.

Os modelos de gestão democrática propõem a quebra das decisões centralizadas em uma figura. Evidentemente, sabemos que, em situações em que não haja consenso entre o pessoal envolvido, o gestor tem autonomia para resolver questões “empatadas”. Alerto sobre a necessidade de uma maior atenção nessas situações, pois, em casos de opiniões divididas, a palavra final deve ser firme e, principalmente, explicada. Assim, mesmo os que não estão a favor da decisão podem dar um voto de confiança, desde que os motivos do gestor favoreçam vantagens coletivas.

A gestão educacional lida diariamente com situações de impasse. Além da administração escolar, a intermediação entre pessoas é a principal ferramenta para assegurar, ao menos, um ambiente de trabalho confortável, onde subordinados, por mais que tenham pontos de vista diferentes do que está sendo exposto em determinada tomada de decisão, possam, acima de tudo, confiar no que está sendo sugerido.

Confiança é um dos principais pilares na condução de uma boa gestão.

é pedagogo, especialista em Gestão Educacional com ênfase em Recursos Humanos pela Faculdade Osman Lins (Facol), Vitória de Santo Antão – PE. Endereço eletrônico:

augusto_de_franca@hotmail.com

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