Edição 63

Professor Construir

A imortalidade da alma – A origem da doutrina

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Nenhum assunto relacionado com a vida psíquica absorve tanto a mente do homem quanto sua condição após a morte. Encyclopedia of Religion and Ethics

Um professor e erudito de 70 anos é acusado de irreverência e de corromper a mente dos jovens com o seu ensino. Embora ele faça uma defesa brilhante no seu julgamento, o júri preconceituoso o considera culpado e o sentencia à morte. Poucas horas antes da sua execução, o idoso professor fornece aos alunos em volta dele uma série de argumentos para afirmar que a alma é imortal e que não se deve temer a morte.

O homem condenado foi o próprio Sócrates, o famoso filósofo grego do quinto século AEC. Seu aluno Platão registrou esses incidentes nos ensaios Apologia e Fédon. Acredita-se que Sócrates e Platão estavam entre os primeiros a promover a ideia de que a alma é imortal. Mas eles não foram os originadores desse ensino.

Conforme veremos, as origens da ideia da imortalidade humana remontam a tempos muito mais antigos. No entanto, Sócrates e Platão retocaram esse conceito e o transformaram num ensino filosófico, tornando-o, assim, mais atraente às classes cultas dos seus dias e às seguintes.

Os gregos anteriores a Sócrates e Platão também criam que a alma continuava viva após a morte. Pitágoras, famoso matemático grego do sexto século AEC, sustentava que a alma era imortal e estava sujeita à transmigração. Antes dele, Tales de Mileto, considerado o mais antigo filósofo grego conhecido, achava que a alma imortal não existia apenas em homens, animais e plantas, mas também em objetos tais como um ímã, visto que pode mover ferro. Os antigos gregos afirmavam que as almas dos mortos eram transportadas através do Rio Estige para um vasto domínio subterrâneo chamado de o mundo dos mortos. Ali, juízes sentenciavam as almas quer ao tormento numa prisão com muros enormes, quer à bem-aventurança no Elísio.

No Irã, ou Pérsia, ao leste, um profeta chamado Zoroastro surgiu no sétimo século AEC. Ele introduziu uma forma de adoração que veio a ser conhecida como zoroastrismo. Era a religião do Império Persa, que dominou o cenário mundial antes de a Grécia se tornar uma grande potência. As escrituras zoroastrianas dizem:

Na imortalidade, a alma do justo estará sempre em alegria, mas a alma do mentiroso estará certamente em tormento. E essas leis foram decretadas por Auramazda (significando um deus sábio), pela sua autoridade suprema.

O ensino da imortalidade da alma era também parte da religião iraniana antes de Zoroastro. Por exemplo, antigas tribos do Irã cuidavam das almas dos falecidos ao oferecer-lhes comida e roupa, a fim de beneficiá-las no mundo do além.

A crença na vida após a morte era fundamental para a religião egípcia. Os egípcios sustentavam que a alma da pessoa morta seria julgada por Osíris, o deus principal do mundo do além. Por exemplo, um documento em papiro, supostamente do século XIV AEC, mostra Anúbis, deus dos mortos, levando a alma do escriba Hunefer perante Osíris. Numa balança, o coração do escriba, representando a sua consciência, é pesado contra a pena que a deusa da verdade e da justiça usa na cabeça. Tot, outro deus, registra o resultado. Visto que o coração de Hunefer não está pesado devido à culpa e pesa menos do que a pena, permite-se que Hunefer entre no domínio de Osíris e receba a imortalidade. O papiro mostra também um monstro feminino parado ao lado da balança, pronto para devorar o falecido se o coração não passar pela prova. Os egípcios também mumificavam seus mortos e preservavam os cadáveres de faraós em impressionantes pirâmides, visto que achavam que a sobrevivência da alma dependia da preservação do corpo.

Portanto, diversas civilizações antigas tinham um ensino em comum: a imortalidade da alma. Será que obtiveram esse ensino da mesma fonte?

O ponto de partida

“No mundo antigo”, diz o livro The Religion of Babylonia and Assyria (A Religião da Babilônia e Assíria), “o Egito, a Pérsia e a Grécia sentiram a influência da religião babilônica”. O livro prossegue explicando:

Em vista do anterior contato entre o Egito e a Babilônia, conforme revelam as tabuinhas El-Amarna, certamente havia muitas oportunidades para a infusão de conceitos e costumes babilônicos nos cultos egípcios. Na Pérsia, o culto de Mitra revela a inconfundível inf luência de conceitos babilônicos… A forte mistura de elementos semíticos, tanto na primitiva mitologia grega como nos cultos gregos, é agora tão geralmente admitida pelos eruditos que dispensa comentário adicional. Tais elementos semíticos são, em grande parte, especificamente babilônicos.

Mas será que o conceito babilônico sobre o que acontece após a morte não difere consideravelmente daquele dos egípcios, dos persas e dos gregos? Por exemplo, considere a babilônica Epopeia de Gilgamesh. Seu herói idoso, Gilgamesh, sentindo-se amedrontado pela realidade da morte, sai em busca da imortalidade, mas não consegue encontrá-la. Uma moça que servia vinho, que ele encontra durante a viagem, até mesmo o incentiva a aproveitar a vida ao máximo, porque não irá encontrar a vida infindável que procura. A mensagem de toda a epopeia é que a morte é inevitável e que a esperança da imortalidade é uma ilusão. Significa isso que os babilônios não acreditavam num além?

O professor Morris Jastrow Jr., da Universidade de Pensilvânia, EUA, escreveu:

Nem o povo nem os líderes do pensamento religioso (na Babilônia) jamais encararam a possibilidade de aniquilamento total daquilo que uma vez veio a existir. A morte (no conceito deles) era uma passagem para outra espécie de vida, e negar a imortalidade apenas enfatizava a impossibilidade de se escapar da mudança na existência causada pela morte.

Deveras, os babilônios também acreditavam que alguma espécie de vida, em alguma forma, continuava após a morte. Expressavam isso por enterrar objetos junto com os mortos para o uso deles no além.

É evidente que o ensino da imortalidade da alma remonta à antiga Babilônia. Segundo a Bíblia, que conta a história, a cidade de Babel, ou Babilônia, foi fundada por Ninrode, bisneto de Noé. Após o dilúvio global dos dias de Noé, havia uma só língua e uma só religião. Pela fundação da cidade e pela construção de uma torre nela, Ninrode iniciou outra religião. O registro bíblico mostra que, depois da confusão de línguas em Babel, os malogrados construtores da torre se espalharam e empreenderam novos começos, levando consigo a sua religião (Gênesis 10: 6–10; 11: 4–9). O ensino religioso babilônico espalhou-se, assim, sobre a face da Terra.

Segundo a tradição, Ninrode teve uma morte violenta. Depois disso, é razoável pensar que os babilônios estivessem inclinados a tê-lo em alta estima como fundador, construtor e primeiro rei da sua cidade. Visto que o deus Marduque (Merodaque) era considerado o fundador da Babilônia, alguns eruditos sugeriram que ele representasse o deificado Ninrode. Nesse caso, a ideia de que a pessoa tem uma alma que sobrevive à morte deve ter sido comum pelo menos na época do falecimento de Ninrode. De qualquer modo, as páginas da História revelam que, depois do dilúvio, o lugar de origem do ensino da imortalidade da alma foi Babel, ou Babilônia.

No entanto, como essa doutrina se tornou fundamental na maioria das religiões do nosso tempo? A próxima seção examinará como ela se introduziu nas religiões orientais.

shutterstock_82523008_k_optA ideia se introduz nas religiões orientais

Como se introduziu a ideia de que o homem tem uma alma imortal no hinduísmo e em outras religiões orientais? Essa pergunta interessa até mesmo os do Ocidente, que talvez não conheçam bem essas religiões, já que a crença afeta o conceito de todos sobre o futuro. Visto que o ensino da imortalidade humana é hoje um denominador comum na maioria das religiões, saber como esse conceito se desenvolveu pode deveras promover melhor entendimento e comunicação.

Ninian Smart, professor de Estudos Religiosos na Universidade de Lancaster, na Grã-Bretanha, menciona:

O centro mais importante de inf luência religiosa na Ásia tem sido a Índia. Isso se dá não apenas porque a própria Índia deu origem avárias crenças — hinduísmo, budismo, jainismo, siquismo, etc. —, mas também porque uma delas, o budismo, passou a influenciar virtualmente e profundamente a cultura de toda a Ásia Oriental.

“Assim, muitas culturas influenciadas ainda consideram a Índia como sua pátria espiritual”, diz o erudito hindu Nikhilananda. Mas como se introduziu esse ensino da imortalidade na Índia e em outras partes da Ásia?

O ensino da reencarnação pelo hinduísmo

No sexto século AEC, enquanto Pitágoras e seus seguidores, na Grécia, promoviam a teoria da transmigração da alma, alguns sábios hindus, que viviam à margem dos rios Indo e Ganges, na Índia, desenvolviam o mesmo conceito. “O surgimento simultâneo dessa crença no mundo grego e na Índia dificilmente pode ter sido acidental”, diz o historiador Arnold Toynbee. “Uma possível fonte comum (de influência)”, salienta Toynbee, “é a sociedade nômade eurásica, que, no oitavo e no sétimo séculos AEC, invadiu a Índia, o sudoeste da Ásia e as estepes ao longo da margem setentrional do Mar Negro e as penínsulas Balcânica e Anatólia”. As tribos eurásicas, migratórias, evidentemente trouxeram consigo à Índia a ideia da transmigração.

O hinduísmo tivera seu princípio na Índia muito antes, com a chegada dos arianos por volta de 1.500 AEC. Desde o começo, adotou a crença de que a alma diferia do corpo e de que ela sobreviveria à morte. Os hindus praticavam, assim, o culto dos antepassados e ofereciam alimentos às almas dos seus mortos. Séculos mais tarde, quando a ideia da transmigração da alma chegou à Índia, deve ter agradado aos sábios hindus, que lutavam com o problema universal do mal e do sofrimento entre os humanos. Combinando-a com o que é chamado de lei do carma, a lei de causa e efeito, os sábios hindus criaram a teoria da reencarnação, pela qual os méritos e deméritos em uma vida são recompensados ou punidos na próxima.

No entanto, havia mais outro conceito que influenciaria o ensino do hinduísmo sobre a alma. “Parece ser verdade que na própria época em que se desenvolveu a teoria da transmigração e do carma, ou mesmo antes”, diz a Encyclopedia of Religion and Ethics (Enciclopédia da Religião e Ética), “outro conceito [...] aos poucos tomava forma num pequeno círculo intelectual no norte da Índia — o conceito filosófico de Brahman-Atman [o brâmane supremo e eterno, a suprema realidade]”. Essa ideia foi combinada com a teoria da reencarnação para definir o derradeiro objetivo dos hindus — ficar livre do ciclo da transmigração, a fim de unir-se com a suprema realidade. Os hindus acreditam que isso é conseguido pelo esforço em prol de um comportamento socialmente aceitável e um conhecimento hindu especial.

Os sábios hindus transformaram, assim, a ideia da transmigração da alma na doutrina da reencarnação por combiná-la com a lei do carma e o conceito do brâmane. Octavio Paz, poeta ganhador do Prêmio Nobel e ex-embaixador mexicano na Índia, escreve:

Com a expansão do hinduísmo, também se expandiu uma ideia [...] que é básica para o bramanismo e para outras religiões asiáticas: a metempsicose, a transmigração da alma através de existências sucessivas.

A doutrina da reencarnação é o suporte principal do hinduísmo atual. Nikhilananda, filósofo hindu, diz: “Alcançar a imortalidade não é prerrogativa de uns poucos escolhidos, mas o direito inato de todos, é a convicção de todo bom hindu”.

O ciclo de renascimentos no budismo

O budismo foi fundado na Índia por volta de 500 AEC. Segundo a tradição budista, um príncipe indiano de nome Sidarta Gautama, que passou a ser conhecido como Buda depois de receber a Iluminação, fundou o budismo. Visto que este se originou do hinduísmo, seus ensinos são de certa forma similares. De acordo com o budismo, a existência é um ciclo contínuo de renascimentos e mortes e, como no hinduísmo, a condição de cada pessoa na vida atual é determinada pelo seu comportamento na vida anterior.

Mas o budismo não define a existência em termos de uma alma pessoal que sobrevive à morte. “[Buda] via na psique humana apenas uma transitória série de condições psicológicas descontínuas, mantidas unidas apenas pelo desejo”, observou Arnold Toynbee. No entanto, Buda acreditava que algo — alguma condição ou força — é transmitido de uma vida para outra. O Dr. Walpola Rahula, erudito budista, explica:

Um ser nada mais é do que uma combinação de forças ou energias físicas e mentais. O que chamamos de morte é o total não funcionamento do corpo físico. Será que todas essas forças e energias cessam completamente com o não funcionamento do corpo? O budismo diz: ‘Não’. Vontade, volição, desejo, ânsia de existir, de continuar, de tornar-se sempre mais importante, é uma tremenda força que move inteiras vidas, inteiras existências, que move até mesmo o mundo inteiro. Esta é a maior força, a maior energia do mundo. Segundo o budismo, essa força não cessa com o não funcionamento do corpo, que é a morte, mas continua a manifestar-se em outra forma, produzindo a reexistência, chamada de renascimento.

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O conceito budista sobre o além é o seguinte: a existência é eterna, a menos que a pessoa alcance o objetivo final do nirvana, estar livre do ciclo de renascimentos. O nirvana não é nem um estado de eterna felicidade nem de ficar unido com a suprema realidade. É simplesmente um estado de inexistência — o “lugar sem morte” além da existência individual. O Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary define nirvana como “lugar ou estado de desligamento da preocupação, da dor ou da realidade externa”. Os budistas, em vez de procurarem a imortalidade, são incentivados a transcendê-la para alcançar o nirvana.

Ao passo que o budismo se espalhou por vários lugares na Ásia, modificaram-se seus ensinos para ajustarem-se às crenças locais. Por exemplo, o budismo maaiana, a forma predominante na China e no Japão, sustenta a crença em bodisatvas celestiais ou Budas futuros. Os bodisatvas adiam seu nirvana durante inúmeras vidas, a fim de servir outros e ajudá-los a alcançá-lo, de modo que se pode escolher continuar no ciclo de renascimentos mesmo depois de alcançar o nirvana.

Outro ajuste que se tornou especialmente influente na China e no Japão foi a doutrina da Terra Pura ao Oeste, criada pelo Buda Amitabha, ou Amida. Aqueles que invocam o nome de Buda em fé renascem na Terra Pura, ou paraíso, onde as condições são mais propícias para se alcançar a iluminação final. O que se desenvolveu à base desse ensino? O professor Smart, já mencionado, explica: “Como era de se esperar, os esplendores do paraíso, descritos vividamente em algumas das escrituras maaianas, passaram a substituir o nirvana como objetivo derradeiro na imaginação popular”.

O budismo tibetano incorpora outros elementos locais. Por exemplo, O Livro Tibetano dos Mortos descreve a sorte da pessoa no estado intermediário antes de renascer. Diz-se que os mortos ficam expostos à luz forte da suprema realidade, e aqueles que não conseguem suportar essa luz não ganham a liberação, mas renascem. É evidente que o budismo, nas suas diversas formas, transmite a ideia da imortalidade.

shutterstock_60676297_l_optO culto dos antepassados no xintoísmo do Japão

Havia religião no Japão antes da chegada do budismo no sexto século AEC. Era uma religião sem nome e consistia em crenças associadas com a moral e os costumes do povo. No entanto, com a introdução do budismo, surgiu a necessidade de diferenciar a religião do Japão da estrangeira. E assim surgiu a designação xintó, que significa caminho dos deuses.

Qual era a crença do xintoísmo original a respeito do além? Com o advento do cultivo do arroz em terras pantaneiras, “a cultura da terra pantanosa necessitava de comunidades bem organizadas e estáveis”, explica a Kodansha Encyclopedia of Japan, “e os ritos agrícolas — que mais tarde desempenharam um papel importante no xintoísmo — se desenvolveram.” O medo das almas que partiam levou esse povo antigo a conceber ritos para apaziguá- -las. Isso se desenvolveu num culto dos espíritos de antepassados.

Segundo a crença xintoísta, a alma “que partiu” ainda conserva a sua personalidade, mas fica manchada por causa da morte. Quando os enlutados realizam ritos em memória do falecido, a alma é purificada a ponto de remover toda a maldade e ela assume um caráter pacífico e benevolente. Com o tempo, o espírito ancestral alcança a posição de deidade ou guardião ancestral. Na coexistência com o budismo, o xintoísmo incorporou certos ensinos budistas, inclusive a doutrina do paraíso.

Verificamos, assim, que a crença na imortalidade é fundamental no xintoísmo.

A imortalidade no taoísmo, o culto dos antepassados no confucionismo

O taoísmo foi fundado por Lao-Tsé (ou Lao-Tzu), que supostamente viveu na China, no sexto século AEC. O objetivo da vida, segundo o taoísmo, é harmonizar a atividade humana com o Tao — o caminho da natureza. O modo de pensar taoísta a respeito da imortalidade pode ser resumido da seguinte forma: Tao é o princípio governante do Universo. Tao não teve princípio nem terá fim. Por viver segundo Tao, a pessoa participa nele e se torna eterna.

Na sua tentativa de estar em união com a natureza, os taoístas, com o tempo, ficaram especialmente interessados na sua perenidade e resiliência. Especulavam que, por se viver em harmonia com Tao, podia-se, de algum modo, descobrir os segredos da natureza e tornar-se imune ao dano físico, a doenças e até mesmo à morte.

Os taoístas passaram a fazer experiências com meditação, exercícios respiratórios e dieta, que supostamente podiam retardar a degeneração física e a morte. Logo começaram a circular lendas a respeito de imortais que podiam voar sobre nuvens e aparecer e desaparecer a seu bel-prazer e que viviam em montanhas sagradas ou em ilhas remotas por incontáveis anos, sustentados pelo orvalho ou por frutas mágicas. A história chinesa conta que, em 219 AEC, o imperador Ch’in Shih Huang Ti enviou uma frota de navios com 3 mil meninos e meninas para encontrar a lendária ilha de P’eng-lai, a morada dos imortais, para trazer de volta a erva da imortalidade. É desnecessário dizer que eles não retornaram com o elixir.

A busca da vida eterna levou os taoístas a experimentarem a produção de pílulas de imortalidade pela alquimia. No conceito taoísta, a vida resulta da combinação das forças opostas yin e yang (feminina e masculina). Assim, fundindo chumbo (escuro, ou yin) com mercúrio (claro, ou yang), os alquimistas estavam imitando o processo da natureza e pensavam que o produto seria uma pílula de imortalidade.

No sétimo século AEC, o budismo já tinha se introduzido na vida religiosa chinesa. O resultado foi uma fusão que abrangia elementos do budismo, do espiritismo e do culto dos antepassados. “Tanto o budismo como o taoísmo”, diz o professor Smart, “deram forma e substância às crenças a respeito da vida após a morte, que eram um tanto superficiais no antigo culto chinês dos antepassados”.

Confúcio, outro eminente sábio chinês do sexto século AEC, cuja filosofia tornou-se a base do confucionismo, não comentava muito sobre o além. Em vez disso, enfatizava a importância da retidão moral e do comportamento socialmente aceitável. Mas ele tinha uma atitude favorável para com o culto dos antepassados e dava muita ênfase à observância dos ritos e das cerimônias relacionados com os espíritos dos antepassados falecidos.

Outras religiões orientais

O jainismo foi fundado na Índia no sexto século AEC. Seu fundador, Mahavira, ensinava que todas as coisas vivas têm alma eterna e que salvar a alma dos laços do carma só é possível pela extrema abnegação e autodisciplina e pela rígida aplicação da não violência para com todas as criaturas. Os jainistas sustentam essas crenças até hoje.

A Índia é também o berço do siquismo, religião praticada por 19 milhões de pessoas. Essa religião teve seu começo no século XVI, quando o guru Nanaque decidiu juntar o melhor do hinduísmo e do islamismo e formar uma religião unificada. O siquismo adotou as crenças hindus da imortalidade da alma, da reencarnação e do carma.

É evidente que a crença de que a vida continua após a morte do corpo constitui uma parte importante da maioria das religiões orientais. No entanto, que dizer da cristandade, do judaísmo e do islamismo?

Que Acontece Quando Morremos. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. São Paulo.

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