Edição 112

Em discussão

A interdisciplinaridade e as tecnologias da informação: um casamento necessário à prática pedagógica atual

Tânia Maria Machado de Carvalho | Fábio Galvão

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Introdução

Desde o surgimento da Internet, as novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) vêm ganhando espaço na rotina de jovens, crianças e adultos. Estas, por sua vez, encontram obstáculos no espaço escolar, haja vista que professores sentem dificuldades ao lidar com elas. Mas, para outros tantos profissionais da Educação, a cibercultura pode ser um complemento que veio para somar, principalmente quando se trata de projetos interdisciplinares, pois as novas tecnologias podem, de fato, propiciar um ambiente em que os conteúdos não sejam mais trabalhados separadamente, e sim em um meio em que o diálogo entre as disciplinas possa ser acirrado pelo uso das novas tecnologias.

 

A interdisciplinaridade, segundo Ivani Fazenda, implica uma tomada de atitude frente ao conhecimento, e com a tecnologia não pode ser diferente, pois o professor precisa utilizar ferramentas que são hoje consideradas básicas para a sala de aula, como o uso de slides, vídeos e outros recursos que podem vir a contribuir na busca pela interdisciplinaridade. Esses recursos podem contribuir no sentido de que devem ser utilizados na apresentação de temas com aspectos em comum entre as disciplinas, propiciando uma interação entre os saberes. Além das ferramentas citadas, que podem ser utilizadas em sala de aula, temos também outras que podem ser criadas no intuito de promover a tão sonhada interdisciplinaridade; entre essas ferramentas, podemos citar os blogs, websites, fóruns, correio eletrônico. A utilização de tais recursos de forma adequada proporciona uma incrível abundância entre esses elementos disponibilizados para o professor. Assim, só dependem dele a ação e a prática necessária para a construção de projetos interdisciplinares que realmente sejam significativos. Nesse aspecto, seria interessante a utilização de blogs para o registro de atividades que dialoguem entre si, partindo de um tema comum vivenciado em disciplinas como Língua Portuguesa, História, Filosofia, Cultura Afrodescendente e Sociologia. Uma sugestão de tema é: O negro na sociedade brasileira. Com o tema já escolhido, basta os envolvidos pensarem na produção do blog e como eles, através deste, vão estar promovendo a interdisciplinaridade utilizando as novas tecnologias.

 

É claro que salientamos que há aspectos positivos e negativos na cibercultura, mas cabe a cada um utilizar todos os recursos tecnológicos da melhor forma. Assim, fica evidente que as tecnologias, apesar de seus aspectos negativos, apresentam um grande leque de possibilidades, como nos aponta Santos (2009): “Esses recursos da Internet, quando bem explorados, tendem a ser ferramentas de grande utilidade para o ensino-aprendizagem”.

 

O blog: instrumento facilitador no processo de ensino-aprendizagem

O blog é um instrumento que deve ser usado pelo professor com o intuito de facilitar sua interação com os alunos. Além disso, ele é fundamental para cativar os discentes com um recurso diferenciado para sair da sala de aula tradicional. Assim, os professores das já citadas disciplinas acima podem partir de um tema comum utilizando as novas tecnologias para divulgá-lo entre os alunos e promover um diálogo com maior envolvimento entre os profissionais; isso porque eles podem postar suas atividades promovendo discussões e facilitando a interação e a circulação das ideias.

Além disso, o uso do blog propicia um relacionamento mais afetivo entre professores e alunos, inclusive promovendo a autonomia dos discentes, como nos aponta Manhães (2016):

O uso das mídias digitais, como exemplo o blog, proporciona um melhor relacionamento entre professores e alunos ao favorecer a troca de experiências, uma vez que permite um maior contato e afetividade entre os envolvidos, por isso propicia a construção coletiva e individual de conhecimento. Com isso, o estudante adquire a autonomia no processo de aprendizagem pelo envolvimento constante em pesquisas, sínteses e montagens acerca dos assuntos debatidos nas salas de aula e no blog.

 

Nesse sentido, percebe-se a importância do uso das novas tecnologias em sala de aula, pois elas são uma mola propulsora do conhecimento que precisa ser explorada. No entanto, nos deparamos com um grande obstáculo, que é a dificuldade de professores em manusear os recursos tecnológicos que nos são ofertados. Apesar da presença de programas que, desde o início da inserção das tecnologias na educação, tentaram preparar os docentes para tal manuseio, muitos ainda têm muita dificuldade ou mesmo não sabem sequer fazer um slide ou digitar uma prova. Com isso, é necessário que o Governo Federal continue investindo em programas como o ProInfo, que trouxeram um suporte maior para os profissionais da Educação. Segundo Ribas (2007):

A tecnologia tem transformado os processos e as práticas tradicionais da educação e da socialização do conhecimento mediante inovações que têm modificado as formas de produção, distribuição, apropriação, representação, significação e interpretação da informação e do conhecimento.

 

Dessa forma, é evidente que as novas tecnologias se tornaram uma ferramenta indispensável à sala de aula, já que também aproximam o docente de seus discentes. Os alunos já estão totalmente imersos nesse mundo tecnológico com tantas possibilidades, por isso é compreensível que conteúdos trabalhados tradicionalmente não consigam prender a atenção deles.

 

O uso do WhatsApp no fazer pedagógico

Há 30 anos, surgia o primeiro celular com pouquíssimas funções. No entanto, com o passar do tempo, esse aparelho, hoje inseparável de muitos seres humanos, evoluiu e agora possui inúmeras funções e aplicativos que nos são de muita valia. Recentemente, alguns profissionais da Educação estão conseguindo aliar esse aparelho móvel à sua prática pedagógica, principalmente com o uso do aplicativo WhatsApp.

 

Mas de que forma o uso do WhatsApp pode contribuir com propostas interdisciplinares, como a já citada aqui, em que professores deveriam trabalhar com temas em comum para a interação entre as disciplinas e os professores envolvidos? Ora, esse aplicativo é de fácil aquisição, permitindo ao aluno estudar com tranquilidade na tela do seu celular, já que vários documentos podem ser compartilhados em grupos e lidos pelos participantes, promovendo discussões em que haja a troca de informações e consequentemente o diálogo entre os saberes.

Ademais, o aplicativo, assim como o blog, contribui para a autonomia do aluno; isso ocorre porque ele pode estudar em qualquer momento livre usando o celular. Segundo Feliciano (2016):

[...] o aplicativo permite autonomia, ou seja, permite que o aluno organize o próprio momento de estudar, inclusive para fazer pesquisas online no horário e no local que quiser; permite a facilidade de compreensão e de interação entre o seu grupo de estudo; e também, devido à flexibilidade, permite uma aproximação maior entre o professor e o aluno.

 

Mas sabemos que, apesar desses atrativos, o uso do celular em sala de aula ainda pode ser malvisto por alguns professores, já que muitos alunos aproveitam o uso do Wi-fi em algumas escolas para conversar com amigos nas redes sociais ou mesmo no WhatsApp. É óbvio que isso acontece. No entanto, cabe ao professor orientá-los no sentido de também aproveitarem o aplicativo para os estudos, em grupos, compartilhando informações entre colegas e professores, e, assim, mais uma vez, percebe-se a presença da interdisciplinaridade associada às novas tecnologias, já que nesses grupos circulam diversos conteúdos sobre os quais os professores podem incitar discussões maiores fortalecendo o diálogo entre os saberes.

 

Conclusão

O ser humano está sempre à procura de algo, e isso não é diferente com os professores, que, na maioria das vezes, estão insatisfeitos com sua prática e, por conta disso, buscam novas alternativas para entreter seus alunos, já que os conteúdos ministrados tradicionalmente não estão mais conseguindo prender a atenção dos discentes. Dessa forma, as novas tecnologias devem ser utilizadas a nosso favor, inserindo-as na vivência escolar, e, assim, estaríamos nos aproximando da realidade de jovens. Para isso, o professor deve se aperfeiçoar para estar apto a utilizar todos os recursos disponíveis na escola, haja vista a importância desses recursos no fazer pedagógico.

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