Edição 72

Como mãe, como educadora, como cidadã

À mestra Ir. Imaculada Barbosa – OSB, com carinho

Zeneide Silva

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15 de Outubro: Dia do Professor

Queridos Educadores e Educadoras,

Vou tentar passar para vocês um pouco da minha trajetória como professora.

Comecei muito cedo, com 16 anos. Fui aluna de escola pública no Colégio Estadual de Olinda. Sempre quis ser professora, herança deixada por minha mãe, Zélia, uma grande mestra.

Naquela época, as melhores alunas das escolas públicas eram escolhidas para trabalhar nas escolas particulares da cidade. Fui escolhida justamente para o colégio que, quando criança, ficava observando a elegância das mães, dos alunos, dos motoristas. Todas as vezes que estava voltando para casa, do Grupo Escolar Pintor Manoel Bandeira, que ficava uma esquina depois desse colégio, parava e ficava observando do portão, pois na entrada do colégio existia uma escadaria que fechava a vista do corredor que daria para dentro do Ginásio Imaculada Conceição de Maria, como era chamado antigamente, hoje Colégio Imaculado Coração de Maria. A entrada seria pelas laterais dessa escadaria.

Queria descobrir o que existia lá dentro. Foi preciso esperar 10 anos para descobrir. Fiquei super feliz quando fui convidada para fazer o teste e passei — e também preocupada pensando que roupa usar num colégio de classe A.

Fui muito bem acolhida por todos, principalmente por uma grande mestra, Irmã Imaculada, uma pessoa sensível e exigente, carinhosa e durona, que me orientou e me fez uma profissional diferente. Estava sempre presente no prédio infantil onde trabalhávamos, orientando a nós professores, coordenadores, psicólogos, mocinhas e mocinhos (como eram chamados a equipe de limpeza), crianças e pais. Aprendi muito.

Foram meus primeiros anos como professora que marcaram muito minha profissão. Nunca me esqueço de uma de suas palavras quando passei um ano fora do colégio para aventurar outros horizontes que não deram certo, e voltei humildemente pedindo que me aceitasse de volta. Suas palavras foram as seguintes: “O bom filho à casa retorna!”. Obrigada, Ir. Imaculada.

Neste colégio, fui professora de Alfabetização, Ensino Religioso, além de auxiliar de coordenação e cheguei a ser coordenadora. Foram anos de muito crescimento.

Trabalhei em outras escolas: Reino da Alegria, com Valdemira; Dom Bosco de Olinda, com Geraldo Maranhão; e na Academia Santa Gertrudes, com Ir. Aparecida Mascarenhas, todos importantes, que contribuíram muito para minha vida com gente que gosta de gente.

Hoje, sinto falta da sala de aula e digo que, se voltasse para a escola seria uma professora bem melhor, com certeza.

Não falaria muito (escutaria mais as crianças, suas alegrias, tristezas, seus medos e seus sonhos).

Não passaria um caderno com 30 folhas para ser feito nas férias (diria que eles brincassem muito, passeassem e amassem muito).

Não seria muito exigente (deixaria que eles conversassem com seus colegas por 10 minutos na entrada, passaria a mão nas suas cabeças e sussurraria palavras bonitas em seus ouvidos).

Não faria tantas reclamações aos pais (chamaria o aluno e pediria que ele mesmo falasse para seus pais como está seu desempenho na escola).

Não traria muitos conteúdos sem explicar qual a sua verdadeira função (usaria a fala de Paulo Freire, quando diz: “Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”).

Não ameaçaria os alunos com ficha de leitura para nota (mas despertava neles o prazer de ler dizendo que a leitura desperta nossos sonhos e nos fazem pessoas melhores).

Enfim, seria mais humana, mais carinhosa e assumiria minha profissão com respeito e dignidade para que, no futuro, eles pudessem dizer: “Obrigado, professora!”. Como hoje tenho a alegria de dizer com um coração agradecido e agraciado: Obrigada, Ir. Imaculada, por ter sido essa pessoa tão especial em minha vida.

Que Deus continue iluminando todos os Educadores e Educadoras.

Um grande beijo.

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