Edição 19

É dia...

A origem das notas musicais

Na Antiguidade, não havia notação para a expressão musical. A música só podia ser transmitida oralmente: era a tradição oral. Assim foi até por volta do ano 1000 d.C.

Depois escreveram-se os neumas, ou “sinais de respiração”, acima da letra para que o cantor pudesse entoar a melodia.

Passando-se a usar várias vozes — a polifonia —, os neumas tornaram-se insuficientes, e foram acrescentadas letras. Mas esse era um método de notação complicado e pouco satisfatório.

Mais tarde, um verdadeiro gênio, porém desconhecido, traçou uma linha reta horizontal para representar uma nota fixa, escrevendo os neumas abaixo e acima dessa linha colorida.

O monge Hucbaldo (840-930) faz uma verdadeira revolução na notação musical: estabelece a pauta de quatro linhas.

Nos séculos XI e XII, os neumas deixaram de parecer uns rabiscos e tomaram formas mais definidas, quadradas e angulares.

Mais tarde, outra pessoa criou uns traços verticais para dividir as linhas horizontais em partes de duração exatamente iguais.

Finalmente, a partir do século XVII, foi acrescida a quinta linha, constituindo-se o que chamamos de pentagrama, que é a pauta que ainda usamos. Os neumas se arredondaram, tornando-se as notas musicais. Estava completa a notação musical.

O batismo das notas coube ao monge beneditino Guido D’Arezzo (955-1050), que utilizou para isso as sílabas iniciais da primeira estrofe do hino da oração da tarde na véspera da festa do nascimento de São João Batista:

ORIGINAL TRADUÇÃO LIVRE TRADUÇÃO LITERAL
Utqueant laxis DOce, sonoro Para que os servos
REsonare fibris REssoe o canto Possam fazer ressoar com
MIra gestorum MInha garganta As fibras cansadas as
FAmuli tuorum FAça o pregão Coisas maravilhosas dos
SOLve polluti SOLta-me a língua Teus gestos, dissolve a
LAbii reatum LAva-me a culpa Condenação do lábio
Sancte Ioannes Ó São João! Manchado, ó São João!

 

Daí temos as setes notas representando os sete sons naturais: ut – ré – mi – fá – sol – lá – si (as duas primeiras letras do nome Sancte Ioannes). No século XVII, o ut passou a ser dó por sugestão de Giovanni Battista Doni.

É preciso chamar a atenção para o fato de que existe outra notação, segundo a qual o nome das notas é indicado por letras. É usado por alguns povos, principalmente os de origem anglo-saxônica (Alemanha, Inglaterra, EUA). Assim, a primeira letra que aparece é “A” que corresponde ao lá. Seguem-se “B” (si), “C” (dó), “D” (ré), “E” (mi), “F” (fá) e “G” (sol).

Informativo Página Cultural Sociedade Cultural Azambuja Brusque/SC. In: Almanaque Santo Antonio, 1996. Organizado por Frei Edrian Josué Pasini, O.F.M. Vozes: Petrópolis, 1995. p. 198 e 199.

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