Edição 52

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A origem do futebol

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No dia 23 de outubro de 1863, representantes de doze clubes e escolas se reuniram na Freemason’s Tavern, na Great Queen Street, no centro de Londres. O objetivo do encontro era definir regras comuns para aquele esporte que praticavam com uma bola de couro. Era divertido, mas cada escola insistia em jogar de um modo. Em uma, chutes na canela eram permitidos. Em outra, agarrar pelo pescoço era uma boa tática. Em suma, não era uma tarefa fácil. Desde 1848, em Cambridge, as escolas inglesas vinham tentando uniformizar as regras daquele jogo chamado de football. Mas só naquela manhã londrina de outubro haveria consenso. Nascia ali o esporte mais popular do mundo.

Não que tenha sido um bate-papo pacífico. Uma escola, Blackheath, não aceitou que o chute abaixo do joelho fosse considerado falta e abandonou a reunião. As onze escolas que ficaram em campo fundaram a primeira entidade dirigente do futebol mundial — a Football Association —, sob a direção do primeiríssimo cartola: Ebenezer Cobb Morley.
Catorze regras foram definidas para que o esporte fosse praticado. Morley e os outros ingleses reunidos naquela taverna nem imaginavam quão universal era a semente que plantavam.

Algumas disputas sobre regras persistiram até o meio da década de 1880, quando a associação inglesa fez um convite a suas irmãs britânicas — as associações galesa, escocesa e irlandesa. O convite para tornar as regras homogêneas significou o nascimento da Internacional Football Association Board (Ifab), a guardiã das regras do jogo. Até hoje, as associações britânicas têm assento cativo na Ifab.

Preservar e unificar as regras era fundamental porque o futebol não tinha mais fronteiras. Em 1872, Inglaterra e Escócia já haviam disputado, em Glasgow, um “amistoso”, que inaugurou a vocação internacional da bola (o jogo, acompanhado por cerca de 4 mil espectadores, acabou num britânico 0 X 0). Era uma época em que o sol não se punha sob a coroa da rainha. A Inglaterra era uma potência global, o que ajudava a espalhar o futebol pelo planeta.

Quando o século XX começou, o futebol não era mais patrimônio britânico. Em 1904, sete associações do continente europeu se reuniram em Paris para fundar a Fédération nternacionale de Football Association — Fifa, para os íntimos. França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Espanha, Suécia e Suíça assentaram os pilares da organização que governaria o futebol mundial.

Os britânicos até ensaiaram uma preocupação inicial ao ver uma organização internacional querendo assumir as rédeas de um jogo que eles tinham inventado. Mas, já em 1906, a FA inglesa se associou à Fifa, e o inglês Daniel Burley Woolfall se tornou presidente da chamada “entidade máxima do futebol mundial”. Em 1913, a Fifa se uniu à International Board, criando um colegiado para decidir o futuro das regras, com quatro membros da Fifa e quatro da Board — aqueles mesmos quatro: um inglês, um escocês, um irlandês e um galês. Esse colegiado persiste até hoje.

Pouco mais de cem anos depois, o futebol se tornou o mais popular esporte do planeta. A Fifa é composta de nada menos do que 208 federações associadas. Algumas não representam países — como as Ilhas Virgens americanas e Hong Kong, por exemplo. Mas, ainda assim, a marca é impressionante. Tornou-se clichê dizer que a Fifa tem mais filiados do que a ONU — mas é verdade. A ONU tem 192 países-membros.

POLI, Gustavo; CARMONA, Lédio. Almanaque do Futebol SporTV.
Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2009.

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