Edição 15

Projeto Didático

A poesia imita o som das coisas

Neste grupo de poemas, destacam-se os vários elementos sonoros como forma de concretização do motivo poético.
Personagem:
— A poesia imita o som das coisas…
Personagem:
— Isso quer dizer que ela tem sonoridade,
não é?
Personagem:
— Hum! Hum! Olhe essas aqui!

Música: O Pato
Vinicius de Moraes, Toquinho e Paulo Soledade

Segredo
Henriqueta Lisboa

Andorinha no fio
Escutou um segredo.
Foi à torre da Igreja.
Cochichou com o sino.

E o sino bem alto
delém-dem
delém-dem
delém-dem
delém-dem!

Toda a cidade
Ficou sabendo.

Rômulo rema
Cecília Meireles

Rômulo rema no rio.

A romã dorme no ramo,
a romã rubra. (E o céu.)

O remo abre o rio.
O rio murmura.

A romã rubra dorme
cheia de rubis. (E o céu.)

Rômulo rema no rio.

Abre-se a romã.
Abre-se a manhã.

Rolam rubis rubros do céu.

No rio,
Rômulo rema.

Personagem: — Ah! É isso que se chama aliteração!… Roma, rubra, rio, remo, romã… não é?
Personagem: — É sim! E o “delém-dem”, “delém-dem” é onomatopéia. Aquela figura que representa o som das coisas.
Personagem: — Que beleza! Vejam essas agora!

Trem de ferro
Manuel Bandeira

Café com pão
Café com pão
Café com pão

Virge Maria, que foi isso maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
A,i seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força

Oô…
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
De ingazeira

Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!

Oô…
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô…
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Oô…
Vou mimbora, vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô…

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente…

A estrada e o cavalinho
Sérgio Caparelli

O cavalinho na estrada,
pacatá, pacatá,
com sua sombra mais atrás,
pacatá, pacatá.

Pára ao lado de um riacho,
pacatá, pacatá,
e se vê no espelho d’água,
pacatá, pacatá.

Que água limpa e fresca,
pacatá, pacatá,
corre aqui, corre acolá,
pacatá, pacatá,
e uma sombra tão boa,
pacatá, pacatá,
não vi noutro lugar,
pacatá, pacatá,
mas a estrada já me chama,
pacatá, pacatá,
sempre está a me chamar,
pacatá, pacatá.

O cavalinho volta à estrada,
pacatá, pacatá,
com sua sombra mais atrás,
pacatá, pacatá.

O relógio
Vinicius de Moraes

Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa hora.
Chega logo, tic-tac,
Tic-tac e vai embora.
Passa o tempo
Bem depressa,
Não atrasa,
Não demora,
Que já estou
Muito cansado.
Já perdi
Toda a alegria
De fazer meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac…

Personagem: — Puxa! É muito interessante! É uma verdadeira brincadeira com as palavras.
Personagem: — Por falar em brincadeira, essa é demais!

Música: A Foca – Toquinho e Vinicius de Moraes

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