Edição 30

Reunião de Pais e Mestres

A Questão dos Limites

quest_limitesNão restam dúvidas de que hoje há insegurança sobre a educação dos filhos. Existem teses e teorias diversas que apontam direções muitas vezes opostas e que criam um dilema para os pais: Como educar? Qual é o caminho correto?

Uma coisa parece ser certa: as atitudes firmes e coerentes são fundamentais na educação dos filhos.

Limites, regras e vida em sociedade

Por mais que lhe custe ouvir falar deste assunto, não se esqueça de que os limites e as punições são uma constante nas nossas vidas. Por exemplo: um motorista que segue acima do limite máximo de velocidade permitido será multado, ou seja, punido.

quest_limites1Viver em sociedade significa obedecer a regras. Muitas vezes não percebemos, mas estamos constantemente a respeitar e a definir limites. Não seria possível viver coletivamente sem eles. Por isso, a criança precisa aprender desde cedo como se comportar em grupo.

Naturalmente que é dever dos pais atender aos pedidos dos filhos, mas sempre dentro de determinados limites impostos pela sociedade e pela educação dos próprios progenitores. É preciso saber dizer “não” de uma forma positiva e coerente. Caso contrário, vamos estar a interferir no desenvolvimento correto da criança.

Saber dizer “não”

Dizer “não” a uma criança é uma atitude, dentro do processo educativo, necessária e saudável. A criança precisa compreender que existem regras, que tudo tem um momento certo e que há horas para brincar, dormir, estudar, etc. Quando a criança tem liberdade total, tem dificuldade em apreender e aceitar regras e limites.

A falta de firmeza dos pais leva a criança a impor a sua vontade. Então, é ela que determina o que vai comer, o que vai vestir, a que programa assistir na TV, como deve ser mobiliado seu quarto, etc. Habituados a impor a sua vontade, a criança e o adolescente não aceitam ser contrariados.

quest_limites2Dizer “não” a uma criança no momento certo não é prejudicial. Muito pelo contrário. Essa pequena palavra é necessária, uma vez que a criança está ainda a construir a sua concepção do mundo. A criança precisa conhecer os limites, saber distinguir aquilo que pode ou não ser feito, para conseguir viver em sociedade.

Ao contrário do que muitos pais pensam, a criança é capaz de entender um “não”. A recusa não gera traumas, mas tem de ter uma razão e coerência. Ao proferir a negação, o adulto mostra que se preocupa com a criança, e, para ela, isso vale muito mais do que muitos brinquedos ou a realização de todas as suas vontades. Ela poderá chorar ou “fazer birra”, mas isso faz parte da sua socialização.

Assim, o adulto deve pensar no bem da criança quando tiver diante de si uma situação em que precise negar-lhe algo. Pode ser um pouco difícil dizer “não”, mas é preferível ver uma cara triste por apenas alguns momentos do que testemunhar problemas mais graves, que poderão fazer a criança sofrer mais tarde.

Os limites, os castigos e a culpa

Os limites ensinam a criança a respeitar o próximo, facilitando a socialização, por isso devem fazer parte da educação. Uma vez que vivemos em sociedade, é necessário haver respeito pelas regras pelas quais esta se rege.

Quando um limite não é respeitado, é importante que haja um “castigo”, que não deve ser físico. Pode-se, por exemplo, proibir uma brincadeira ou um passeio de que a criança goste. Mas atenção: a punição deve ser sempre equivalente à gravidade do ato cometido e aplicada de imediato.

quest_limites3É importante deixarmos claro que “limite” é diferente de “repressão”. O primeiro atua sobre a criança através dos castigos, enquanto que a repressão o faz através da culpa. O castigo age sobre o ato, e a culpa, sobre a pessoa.

Durante o desenvolvimento da criança, estabelecer e conhecer os limites é saudável quando estes se referem apenas aos atos, não desmerecendo ou desvalorizando a pessoa.

A criança não deve se sentir culpada pelos seus atos, mas é preciso ser-lhe imputada responsabilidade por estes.

Alguns limites – conselhos

Assim, aqui vão alguns conselhos para conseguir colocar limites de uma forma positiva:

quest_limites4Não autorize ou proíba conforme os seus desejos pessoais e o estado de espírito do momento.
Demonstre que os adultos também têm limites a respeitar.
Justifique os motivos do limite: “Não faças isso porque eu não quero ou porque eu não gosto” não é justificação. As razões devem ter a ver com segurança e/ou com respeito.
Não dê castigos físicos — rapidamente deixam de surtir efeito.
Diga qual punição a dar quando um limite é ultrapassado e não deixe de a executar.
Dê castigos brandos para atitudes pouco graves e castigos pesados para atitudes graves.
Deixe claro que a punição corresponde ao ato, e não à pessoa.
Repita um “não” quantas vezes for necessário.
Use a sua autoridade sem humilhar.
Use da afetividade para impor limites.

Dar o exemplo – ajustá-lo à criança / ressalvar a diferença

quest_limites5A criança precisa de parâmetros. Os adultos são responsáveis diretos no que diz respeito à sua aprendizagem, porque as crianças buscam neles um reforço, seja ele negativo ou positivo. Por isso, é preciso estar atento aos comportamentos que apresentamos.

Lembre-se de que os nossos modos são imitados pelas crianças. Dizer que uma atitude não é correta e, mesmo assim, fazê-la, com certeza, deixará a criança insegura; ela não acreditará no que lhe é dito e fará exatamente o que não deveria, já que ela aprende muito mais pelo que vê do que pelo que ouve.

* Explique sempre quando e por que as suas ações lhe são permitidas e não o são à criança. Aponte razões de capacidade, idade, segurança, adequação ou responsabilidade.
* Nunca tenha medo de dizer “não”, mas explique sempre o porquê.
* Deixe a criança colaborar, na medida do possível.
* Quando e sempre que for possível, ensine.
http://www.educacao.te.pt/pais_educadores/index.jsp?p=86&id_art=29

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