Edição 85

Matérias Especiais

A terceirização dos pais hoje

Aldenora Cavalcante

menino_mandando_no_pai__optO maior desafio hoje para os pais é escolher uma escola adequada para seus filhos, pois desejam uma instituição que os tornem cidadãos críticos, criativos e que apoiem seu desenvolvimento segundo os valores desejados pela família.

Sabemos que o mercado de trabalho é muito exigente e o empenho para uma vida digna é sempre muito grande por parte do pai e da mãe. O tempo dedicado para estar com os filhos é cada vez menor, e muitos acabam terceirizando o trabalho de educar. Porém, percebe-se que alguns pais trabalham não só para criar e educar seus filhos, mas também para manter os caprichos deles e atender ao modismo do momento; acabam, assim, não sendo mais respeitados.

Pode-se fazer uma analogia da família com a construção de uma ponte: quando não há uma boa estrutura, com o passar do tempo ela desaba. Diante disso, procuram terceirizar a educação de seus filhos para a escola que melhor atenda às suas necessidades. Porém, muitas vezes não pensam que eles serão alunos por um tempo na vida, mas serão filhos para sempre; e aí começa a desabar a estrutura familiar. Assim, os pais esquecem que a responsabilidade de educar é da família; e a de ensinar, da escola.

Atualmente, devido à distorção da responsabilidade direcionada para a escola — que vem assumindo um papel que é da família —, ela está sobrecarregada, o que acaba provocando um baixo rendimento escolar nos alunos. Quando isso acontece, pais e mães reclamam da escola, dos professores e da metodologia de ensino. Esquecem que a escola tem a função de informar, de passar o conteúdo das matérias, as técnicas de aprendizado e de desenvolver intelectualmente os alunos. Por outro lado, existem pais que lutam tanto pela sobrevivência como pela educação de seus filhos. Portanto, a presença dos pais na educação é insubstituível. Resta aos pais reverem a divisão do tempo entre o trabalho e a família. Sabemos também que o uso do nosso tempo, como o de qualquer outro recurso de que dispomos, é uma questão de preferência, de decisão própria.

Sendo assim, delegar a terceiros a formação humana de valores, de princípios e de virtudes dos filhos é uma grande causa de desestruturação da família.

Hoje, a formação do caráter na maioria dos jovens é eletrônica. Eles procuram imitar a TV e se vestem e agem de acordo com os jogos eletrônicos. Percebem-se ainda muitas meninas imitando toda a sensualidade das animadoras de auditório; maquiagem demasiada e cantadas nos meninos já são comuns. Os meninos falam e se portam seguindo os modelos que têm de violência e desrespeito.

Aldenora Cavalcante é pedagoga pela Universidade Potiguar (UnP) e Especialista em Ensino Fundamental.

Contato: aldenora_fernandes@yahoo.com.br

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