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Invista no poder da gentileza

Confira a entrevista com Rosana Braga, uma das maiores especialistas em Relacionamento e Comunicação do País. Escritora, palestrante, jornalista, consultora em relacionamentos e graduanda em psicologia, ela é autora do livro O Poder da Gentileza e dos DVDs de treinamento O Poder da Gentileza no Atendimento e O Poder da Gentileza no Atendimento Telefônico, além de apresentadora do programa da TV UOL Cá entre Nós.

O que é ser gentil?

Gentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de enxergar o mundo. Ser gentil, portanto, é um atributo muito mais sofisticado e profundo que ser educado ou meramente cumprir regras de etiqueta, porque, embora possamos (e devamos) ser educados, a gentileza é uma característica diretamente relacionada com caráter, valores e ética; sobretudo, tem a ver com o desejo de contribuir para um mundo mais humano e eficiente para todos. Ou seja, para se tornar uma pessoa mais gentil, é preciso que cada um reflita sobre o modo como tem se relacionado consigo mesmo, com as pessoas e com o mundo.

Por que a gentileza é necessária?

Percebi, bastante entristecida, o quanto temos nos colocado numa espécie de armadilha, o quanto temos nos deixado sucumbir pelas ilusões da modernidade, o quanto temos nos perdido de nós mesmos e esquecido de nossa capacidade de agir com o coração e de valorizar aquilo que realmente nos preenche, que realmente nos faz sentir felizes e plenos. A depressão tende a ser, até 2020, a segunda causa de improdutividade das pessoas, seguida apenas das doenças cardiovasculares. Além disso, distúrbios afetivos, como ansiedade, depressão e transtorno bipolar, crescem absurdamente, sem falar em síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, entre outras doenças que se tornam cada vez mais comuns entre as pessoas. Diante da indignação que isso me causou, encontrei mais motivos ainda para investir na gentileza e insistir no fato de que é somente agindo de modo coerente com o que realmente desejamos da vida que poderemos viver de modo mais equilibrado e menos doentio.

Por que nos esquecemos de ser gentis?

A rotina nos cega, costumo dizer. Pressionados por ideias equivocadas, que nos estimulam a ter sempre mais, a cumprir prazos sem nos respeitarmos, a atingir metas que, muitas vezes, não fazem parte de nossa missão de vida e daquilo em que acreditamos, nos tornamos mais e mais insensíveis. E, nessa insensibilidade, vamos agindo e nos relacionando com as pessoas — mesmo com aquelas que amamos — de forma menos gentil, mais apressada e mais automatizada, sem nem nos darmos conta disso. É por isso que, a meu ver, ser gentil não pode depender do outro, não pode ser uma moeda de troca, tem de ser uma escolha pessoal, um entendimento de que podemos fazer a nossa parte e contribuir, sim, para um mundo melhor. Leonardo Boff tem uma frase maravilhosa que resume bem o que quero dizer: “Não serão nossos gritos a fazer a diferença, e sim a força contida em nossas mais delicadas e íntegras ações”.

Você diz, no livro, que ser gentil nada tem a ver com ser bobo e dizer “sim” a todos...

Exatamente. Ser gentil nada tem a ver com ser bobo e fazer o que todos querem que a gente faça. Muito pelo contrário: quanto mais gentil somos com as pessoas, mais gentil somos também com nossa verdade, com nossos valores. Assim, dificilmente nos aviltaremos em nome de algo que não esteja de acordo com nosso coração. Pessoas que dizem “sim” a todos estão, na realidade, reforçando uma imagem de “vítimas da vida”, alimentando um argumento de “coitadinhas”, de extremamente boas e injustiçadas. Isso não é ser gentil e demonstra mais uma dificuldade em lidar com sua própria carência do que a força ou o poder contido na gentileza. Aprender a dizer “não” nem sempre é uma tarefa simples. Nós aprendemos desde pequeninos que temos de corresponder às expectativas de quem amamos; então, quando crescemos, não sabemos dizer “não” sem nos sentirmos culpados. Daí para justificar nosso medo de dizer “não” é um pulo; afinal, é bem mais fácil transferirmos a responsabilidade de nossas limitações para o outro.

Dá para falar “não” sendo gentil? Como?

Não só dá, como é o mais inteligente. Muitas vezes, a gente associa a palavra não à raiva ou à falta de gentileza, quando, na verdade, ela é apenas uma resposta, tão cabível quanto o “sim”. Desde que seja dito com sinceridade e respeito, sabendo por que motivo você está dizendo “não”, a gentileza é absolutamente coerente. O problema é que a gente já diz com culpa e, para não demonstrar, altera o tom de voz, tenta se justificar acusando o outro ou inventando pequenas mentiras que tornam a relação pesada, tensa. Basta que sejamos honestos, que nos permitamos respeitar nossos limites, que aprendamos a nos dar o direito de dizer “não”. Além disso, vale um questionamento: será que é tão difícil dizer “não” porque, na verdade, você não consegue ouvir o “não” do outro? Será que essa dificuldade em negar ao outro não está a serviço de poder lhe cobrar sempre o “sim”? Enfim, lance mão de um tom de voz compreensivo e afetuoso, e o seu “não” será muito mais humano e aceitável do que aquele que a gente costuma dizer gritando, acompanhado de gestos agressivos.

Que benefícios a gentileza nos traz?

Ser gentil é extremamente benéfico quando se entende que a gentileza abre portas, muda o rumo dos conflitos, facilita negociações, transforma humores, melhora as relações, enfim, propicia inúmeras vantagens tanto na vida de quem é gentil quanto na de quem se permite receber gentilezas.

No ambiente de trabalho, por exemplo, é fato que as empresas têm preferido cada vez mais profissionais dispostos a solucionar problemas e favorecer as conciliações. Afinal de contas, competência técnica é oferecida em universidades de todo o País, mas habilidades humanas como a gentileza são características escassas e muito benquistas no mundo atual.

Como a gentileza interfere no nosso dia a dia, nas relações de trabalho, no amor, na família?

Como disse anteriormente, a gentileza facilita todas as relações. No livro, conto a comovente história de vida do Profeta Gentileza, que viveu na cidade do Rio de Janeiro pregando a paz entre as pessoas. Ele tinha uma frase que ilustra muito bem o que chamo de “poder da gentileza”: “Gentileza gera gentileza”. Do mesmo modo, o contrário também é verdadeiro. Ou seja, grosserias geram grosserias, e a gente sabe que ninguém gosta de ser tratado de forma grosseira. Em minha palestra (com o mesmo título do livro), abordo os malefícios que a falta de gentileza causa em nossa saúde física, emocional e mental. Para se ter uma pequena ideia de o quanto a gentileza interfere em nosso dia a dia, basta notar: pessoas intolerantes, briguentas e pouco ou nada gentis geralmente sofrem de enxaqueca, gastrite, ansiedade, cansaço, falta de criatividade, entre outras limitações. Sendo assim, o que podemos fazer de mais inteligente é tratar de praticar a gentileza quanto mais conseguirmos. E isso, antes de mais nada, é uma escolha.

Como nasceu a ideia do tema para escrever o livro O Poder da Gentileza?

Eu já tratava, há algum tempo, do tema Inteligência Afetiva, que tem muito a ver com essa capacidade de se relacionar harmoniosamente com as pessoas, sempre buscando compreender melhor como se comunicar, de que forma ser claro sem precisar ultrapassar os limites da boa convivência. Sempre busquei, inclusive, mostrar o quanto a afetividade tem a ver com o desenvolvimento da inteligência humana e de que forma isso contribui para nossa realização pessoal, profissional e amorosa. Certo dia, pensando em como abordar esse tema de uma forma ainda mais fácil, veio-me uma percepção muito clara: o quanto temos desaprendido a acolher o outro, a ter paciência, a compreender que cada um tem suas dificuldades, mas que todos nós desejamos apenas ser felizes... e a palavra gentileza me veio na hora! Comecei a pesquisar o tema e fui encontrando dados surpreendentes, o que me empolgou cada vez mais. Saí de “férias” por uns dias, como sempre faço quando vou escrever, e o resultado foi este — o livro O Poder da Gentileza.

No seu livro, você dá dicas práticas de como exercitar a gentileza no dia a dia? Sim, com certeza. Procurei transformar esse trabalho em algo muito prático. Quero reproduzir aqui dez dicas para facilitar a prática da gentileza. Creio que, se conseguirmos incorporar pelo menos algumas dessas ações, nossa vida já se tornará bem mais leve e gostosa.

  1. Tente se colocar no lugar do outro. Isso o ajuda a entender melhor as pessoas, seu modo de pensar e agir.
  2. Aprenda a escutar. Ouvir é muito importante para solucionar qualquer desavença ou problema.
  3. Pratique a arte da paciência. Evite julgamentos e ações precipitadas.
  4. Peça desculpas. Isso pode prevenir a violência e salvar relacionamentos.
  5. Pense positivo. Procure valorizar o que a situação e o outro têm de bom e perceba que esse hábito pode promover verdadeiros milagres.
  6. Respeite as pessoas quando elas pensarem e agirem de modo diferente de você. As diferenças são uma verdadeira riqueza para todos.
  7. Seja solidário e companheiro. Demonstre interesse pelo outro, por seus sentimentos e por sua realidade de vida.
  8. Analise a situação. Alcançar soluções pacíficas depende de se descobrir a raiz do problema.
  9. Faça justiça. Esforce-se para compreender as diferenças, e não para ganhar como se as eventuais desavenças fossem jogos ou guerras.
  10. Mude a sua maneira de ver os conflitos. A gentileza nos mostra que o conflito pode ter resultados positivos e ainda tornar a convivência mais íntima e confiável.

Fonte: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=07222 Contato para palestras: palestra@rosanabraga.com.br ou (11) 9153-7282, falar com Maria Cláudia. www.rosanabraga.com.br



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