
O Novo Dicionário Internacional de Webster define adolescência como “os anos que
estão entre os 13 e os 19 da vida de uma pessoa”. Essa declaração não explica muito,
não é mesmo? Em inglês, as pessoas dessa idade são conhecidas como teens. A palavra
vem do antigo vocábulo teona, que significa ofensa, irritação, aflição. Sim, esses
anos podem ser dolorosos tanto para os pais como para os adolescentes.
Pais e adolescentes:
o relacionamento vale a pena
vassiliki koutsothanasi
O adolescente ainda não pode ter a liberdade de uma vida
adulta, mas também já não tem os privilégios de ser criança.
Pode-se dizer que, durante sete anos, ele está preso nas
garras do tempo. Em geral, na idade de 15 anos, o jovem
sente que tudo é proibido para ele. Não pode dirigir um
carro, casar-se, pedir dinheiro emprestado, tomar suas próprias
decisões, votar ou entrar para o exército. Mas deve ir
à escola, quer queira, quer não. Todas essas negativas atrapalham
o relacionamento entre adultos e adolescentes, e
isso prevalece até que o adolescente consiga se emancipar
financeiramente.
O rádio, a televisão e outros meios de comunicação apresentam
várias estatísticas referentes à delinquência juvenil,
ao crime, às adolescentes que ficam grávidas e às drogas.
Os adolescentes do nosso tempo são piores do que fomos
quando jovens? Talvez não sejam piores, mas pode-se dizer
que são muito diferentes dos adolescentes de vinte ou trinta
anos atrás. Ainda que façam quase as mesmas coisas que fazíamos
no passado, estão agindo assim muito mais cedo. Os
sociólogos confirmam que as crianças crescem mais rápido
em nossos dias. Vão a encontros amorosos mais cedo e conhecem
aspectos da vida adulta com uma antecedência imprópria.
Têm mais dinheiro, mais meios de transporte, mais
tempo livre e menos supervisão que antes. Amadurecem sexualmente
três anos mais cedo que a geração anterior.
Os problemas do mundo adulto complicam mais a situação.
O divórcio, a inflação, a crise de energia e a corrupção política
que existem na atualidade não são quadros atraentes. Os
adultos que não podem enfrentar suas próprias dificuldades
não estão capacitados para enfrentar os problemas que surgem
na vida do adolescente. Durante a difícil fase do crescimento,
o adolescente precisa de pais que possam reconhecer
que estão acontecendo nele certas mudanças que o transformarão
num adulto; precisa de pais que o compreendam com
paciência, e não que reajam contra seu comportamento.
No começo da adolescência, o filho geralmente aceita a
autoridade dos pais, sem necessidade de muita persuasão.
Quando um pouco mais velho, o adolescente quer verificar
tudo o que você diz. A mesma criança que parecia estar contente
sob seu cuidado começa a causar problemas, fica inquieta
e se irrita com facilidade.
O método de disciplina que você usava anteriormente perdeu
sua eficácia. A autoestima do adolescente começa a
adquirir grande importância, a responsabilidade vira coisa
do passado. O companheirismo e a amizade que você sonhava
ter com seu filho parecem ter se transformado em
fumaça. Os momentos de diálogo que você planejava não
se tornaram a realidade esperada. O adolescente não quer
ficar em casa com a família. Quando fica, sua mente divaga
e não presta atenção. Age como se fosse feio ser visto
na companhia de seus pais. Seus altos e baixos emocionais,
seus ataques temperamentais e seus períodos de indolência
começam a causar confusão.
E você se pergunta se talvez esteja perdendo sua competência
como pai e o contato com seu filho. Sente-se confuso e
decide buscar ajuda para entender melhor o que acontece
com você mesmo e com seu filho. Procura se lembrar do que
acontecia em sua juventude, mas os anos passados estão
nebulosos em sua lembrança. Os lamentáveis fracassos de
seus amigos com os filhos o confundem. Com novas forças,
com a esperança de ter certo sucesso com seu adolescente,
você enfrenta o problema e faz o melhor que pode, mas logo
descobre que nuvens escuras anunciam outra tempestade.
Se essa situação descreve parcialmente sua relação com
seus filhos, acalme-se, porque está dentro do que ocorre
normalmente. Você não precisa sentir que fracassou como
pai pelo fato de ter alguns problemas de comunicação com
seu adolescente. Todos os filhos, de uma forma ou outra,
expressam sua rebeldia contra os pais.

Pontos positivos e negativos da rebeldia
Quando meu esposo e eu fazemos seminários para pais de
adolescentes, às vezes perguntamos se eles, os pais, percebem
a rebeldia como uma experiência positiva ou negativa.
Em geral, a resposta é que a rebeldia é uma experiência negativa.
É a resistência ou a rejeição à autoridade. Mas pensemos
por um momento no que aconteceria se a criança
nunca resistisse ou recusasse o controle paterno. Ela ficaria
sempre sob sua autoridade e, talvez, sob seu teto.
Durante a adolescência, o jovem começa a rejeitar alguns valores
de seus pais, suas ideias e seus controles e passa a estabelecer
seus próprios limites. Em certo sentido, esse é um processo
positivo, é o estabelecimento de sua própria individualidade,
seus princípios éticos, seus valores, suas ideias e suas crenças.
Para alguns jovens, esse processo ocorre nos primeiros anos
da adolescência; em compensação, para outros, chega mais
tarde. Para alguns, é uma transição difícil; mas, para outros, é
bastante fácil. Os pais com filhos que manifestam um pequeno
grau de rebeldia se surpreendem quando escutam histórias
de outros pais que fracassaram no relacionamento com seus
filhos, experimentando muita angústia, dissabores e desafios
diretos.
O processo de estabelecer a própria identidade é um passo necessário
para todo adolescente. Se não faz isso durante a adolescência,
que é o momento oportuno, o mais provável é que acabe
acontecendo mais tarde. Talvez durante a idade adulta. Muitas
situações críticas da vida adulta podem, na realidade, ser consideradas
períodos de rebeldia em estado latente. É muito mais
saudável quando essa experiência acontece naturalmente.
Direitos X privilégios
Com frequência, os adolescentes exigem privilégios, achando
que estes são seus direitos. Alguns ficam confusos sobre
o que é direito e o que é privilégio. E os direitos dos pais?
Tudo certo nesse aspecto? Vamos ver? Marque de acordo
com a escala
1. Definitivamente sim.
2. Provavelmente sim.
3. Talvez.
4. Provavelmente não.
5. Definitivamente não.
1. Acho que tenho o direito de impedir que meu filho
adolescente tenha más companhias.
2. Acho que tenho o direito de recusar que meu filho
dirija antes da idade recomendada.
3. Acho que tenho o direito de privar meu filho de
privilégios que ele não merece.
4. Sinto que tenho o direito de indicar parâmetros em
relação à aparência, principalmente quando questões
morais estão envolvidas.
Pontuação: Cada um dos quatro itens é um direito dos pais,
mas lembre-se de que cada direito dos pais precisa ser exercido
com sabedoria.
O adolescente, através de sua atitude rebelde, procura o reconhecimento
de sua individualidade. Não quer que seus
pais o considerem um objeto de sua propriedade, apesar
de continuar sob a responsabilidade deles. Tenta descobrir
quem na realidade é, no que crê e os princípios que defende.
Tanto a sua identidade como o respeito próprio estão em
jogo. Em sua ansiedade de encontrar a resposta para essas
inquietações, talvez reaja agressivamente contra a autoridade
dos pais, como nunca havia feito antes. É por isso que
você, como pai ou mãe, deve ter a sabedoria necessária nesse
momento para reconhecer que a reação de seu filho não
é uma atitude pessoal contra você, mas parte de um processo
normal que está se desenvolvendo no interior dele.
A rebeldia normal levará o adolescente a uma vida adulta
madura. Esse período construtivo o ajudará a se libertar de
seus traços infantis e a desenvolver sua própria independência.
Nessa fase, pode ser difícil manter os canais de comunicação
abertos. Mas, especialmente nos períodos de dificuldade,
tanto os pais como o adolescente devem manter a
comunicação e explorar os problemas persistentes. Lembre-
-se de que o adolescente não pode controlar suas emoções
sozinho e de forma racional, tampouco está equipado para
enfrentar as intensas emoções de seus pais.
Talvez a grande alteração no humor do adolescente frustre
os pais. Às vezes, ele se comporta como se fosse “o rei da
montanha”, de onde contempla a beleza e o esplendor da
vida. Mas, antes que você possa se adaptar a esse estado
de ânimo tão otimista, ele cai no abismo do desespero e
do desânimo. Todos os aspectos da vida parecem crescer
de maneira exagerada e descomunal. Todas as coisas são
boas ou feias, quentes ou frias, maravilhosas ou detestáveis.
A maturidade das ações e reações dos pais ajudará o adolescente
a reconhecer que a vida é 10% do que acontece a
uma pessoa e 90% de como essa pessoa reage diante dos
acontecimentos.
Apesar de o adolescente esquadrinhar todas as coisas, ele
não faz uma pausa suficientemente longa para deter-se em
algo particular. Um dia, pode desviar um quarteirão de seu
caminho para ver Júlia, mas, poucas semanas depois, caminha
dois quarteirões para evitá-Ia. Num dia, não consegue
parar de comer pizza, mas, no outro, não entende por que
as pessoas acham tão bom comer pizza.
Durante as fases normais de rebeldia, você pode esperar
que seu filho adolescente desafie sua autoridade em vários
aspectos: ao responder a você, ao argumentar, ao discutir
as regras e os limites, ao questionar sua religião e ao recusar
valores, que, por tanto tempo, fizeram parte da família.
Pode também demonstrar claramente o mesmo desafio à
sua autoridade através das roupas que usa e da música que
ouve. Muitos adolescentes demonstram a rebeldia através
do álcool, das drogas e do sexo.
Se o período de rebeldia do adolescente irá se manter nos
limites do “normal” ou se será uma coisa anormal, depende,
em grande medida, da intensidade e direção da reação dos
pais. Se você redobra seus esforços para controlar a situação
sem levar seu filho em consideração, a sementinha da rebeldia
criará fortes raízes nele. Talvez você possa controlá-lo por
algum tempo, porém o mais provável é que ele decida se distanciar
de qualquer forma. No entanto, se você tiver paciência,
enquanto seu filho busca se achar, seu relacionamento
com ele se manterá dentro dos limites saudáveis e construtivos,
o que é muito importante. O que você acha?
A rebeldia anormal
Talvez você pergunte: “Se tudo isso for normal, o que será
anormal?”. A rebeldia anormal prejudica a família quando
há constantes discussões, por exemplo, sobre o carro, os
namoros, as amizades, as regras, as limitações ou o dinheiro.
A guerra fria se estabelece no lar em que os membros da
família têm medo de falar para não aumentar a rebeldia. A
rebeldia anormal tira o jovem do caminho principal da vida
e o força a andar por um caminho estreito que o leva a uma
vida cheia de amargura e ódio.
A rebeldia anormal pode ser medida através do seu grau de
intensidade e da frequência com que ocorre. Por exemplo,
certa vez, alguns rapazes passaram com o carro nos jardins
das casas da vizinhança, destruíram plantas e flores, bateram
nos postes de luz e derrubaram paredes com machados.
O pai de um desses adolescentes frustrados, aborrecidos e
ricos disse: “Estão apenas extravasando seu ânimo”. E que
ânimo! O dano ficou em torno de 400 mil dólares.
Hoje em dia, mais da metade dos roubos em lojas são feitos
por adolescentes, e a maioria pertence à classe média. Não
roubam porque têm necessidade, mas pela emoção que essa
experiência proporciona. Duas garotas de Beverly Hills tentaram
roubar umas blusas caras. Surpreendidas pela polícia,
propuseram devolver a mercadoria às prateleiras em troca
da liberdade. Sua travessura demonstrava ser outra forma
de rebeldia ao declarar “Não vou obedecer às regras”. Às vezes,
esses adolescentes procuram desesperadamente dizer a
seus pais: “Talvez assim me deem atenção”.
A rebeldia é anormal quando o adolescente se nega a obedecer,
por qualquer razão, às regras do lar, ignora o horário de voltar
para casa, faz uso de bebidas alcoólicas e drogas, pratica sexo,
vive transgredindo as leis e se veste com roupas esquisitas. Em
poucas palavras, pode-se dizer que a rebeldia anormal carrega
consigo uma recusa total das normas estabelecidas pela família
ou das responsabilidades sociais. Quanto mais jovem é o
adolescente quando entra nesse estado de rebeldia anormal,
mais difícil será para a família controlar a situação, especialmente
se as crianças menores percebem o que está acontecendo
e procuram imitar esse comportamento.
É possível que você nunca tenha de enfrentar uma rebeldia
anormal. Mas, se tem dois ou mais filhos, a possibilidade
de se deparar com tal situação é maior, mesmo que você
tenha dito: “Quando meus filhos se tornarem adolescentes,
não se comportarão dessa maneira porque eu não vou permitir”.
É difícil para um pai de criança pequena visualizar o
que o espera nos próximos anos. Ele pode dizer a um filho
pequeno que se sente em uma cadeira até que ele retorne e
espera encontrá-lo sentado ao voltar. Isso não funciona com
o adolescente. O adolescente tem sua maneira de pensar,
sua individualidade e sua própria personalidade. Sua mentalidade
e sua personalidade não podem ser controladas todo
o tempo. Eu também me senti inclinada a culpar os pais e
os métodos inadequados de disciplina, até que experimentei
uma rebeldia anormal com um dos meus três filhos.
Como mãe jovem, fui amiga íntima de uma mãe que tinha
quatro filhos. Eu pensava que, se alguém pudesse ter filhos
perfeitos, seria ela. Ela e o esposo eram cristãos dedicados, a
família inteira participava regularmente dos cultos familiares.
Nesse lar, não se praticavam normas de duplo sentido.
A união familiar ocupava uma prioridade bem elevada. No
entanto, esses pais tiveram dificuldades sérias com um de
seus filhos durante a adolescência.
Aquela mãe, desesperada, me escreveu na ocasião:
As coisas melhoraram um pouco no que se refere a
meu filho Tim. Ele vai à igreja regularmente e terminou
o namoro com uma garota que não convinha. Trabalha
à tarde e estuda pela manhã. Passa seu tempo livre
cuidando do carro. Há muitas coisas que precisam ser
melhoradas, mas a situação já mudou muito.
Foi uma experiência muito dura para mim, mas aprendi
algo bom. Finalmente, fiz uma distinção entre minhas
responsabilidades e as de meu filho. De uma ou
de outra forma, eu tinha cometido o erro de pensar
que, se criasse meus filhos de acordo com a Bíblia, automaticamente
eles seriam bons. Mas me esqueci de
considerar a vontade humana. Só podemos fazer nossa
parte, e o filho deve decidir se lhe convém seguir nosso
exemplo e adotar nossos ensinos. Rogo a Deus que, em
seu caso, nunca passe pela mesma experiência.
Minha amiga mencionou vários pontos interessantes. Para
começar, chega o dia em que nós, os pais, não podemos nos
sentir responsáveis pelas decisões irresponsáveis de nossos filhos
adolescentes. Se eles preferem tomar decisões irresponsáveis,
apesar de nossos avisos e conselhos, devem, então,
arcar com as consequências. Em segundo lugar, as crianças
não se tornam boazinhas automaticamente quando lemos a
Bíblia para elas, quando fazemos o culto familiar e procuramos
o “melhor” para elas. O estudo da Bíblia, o culto familiar,
as escolas cristãs, a ida à igreja regularmente, o exemplo
dos pais e a disciplina coerente são valores essenciais,
mas não garantem que nossos filhos serão bons. Nenhum
pai deve tentar manter o controle absoluto do destino de seu
filho adolescente. Deus nos dá liberdade para tomar decisões.
Como Ele, devemos permitir que nossos adolescentes tenham
a liberdade de tomar suas próprias decisões.

Deus sempre nos recebe quando nos arrependemos e pedimos
perdão. Da mesma maneira, devemos estar sempre
dispostos a receber o filho que cometeu um erro. Um de
nossos filhos manifestou um alto grau de rebeldia em nosso lar. Durante esses anos críticos, ele desafiou os valores religiosos
que lhe havíamos ensinado e rejeitou os princípios
que serviam de direção para nossa vida. Ele se sentava conosco
durante o culto familiar, mas nos fazia entender que
preferia não estar ali. As sextas-feiras à noite eram nossa
“noite família”. Líamos histórias inspiradoras, cantávamos
hinos e, durante o inverno, nos sentávamos junto à lareira
para desfrutar daquele ambiente familiar. Eram momentos
destinados a unir a família, depois de uma semana de muita
agitação. Ao final, nos juntávamos em círculo e nos abraçávamos
enquanto orávamos. Isso simbolizava nossa unidade
e um relacionamento estreito que reinava entre os membros
da família.
Durante a semana, podíamos ter dificuldades com nosso filho
rebelde, mas, às sextas-feiras à noite, sempre o abraçávamos.
Queríamos que ele entendesse que o amávamos e que fazia
parte da família, apesar dos desacordos. Nesses anos críticos,
durante um tempo, ele permitia que o abraçássemos, mas se
mantinha rígido como um soldado de madeira em posição
de sentido. Entendíamos sua mensagem silenciosa: “Se não
posso fazer o que quero, vou demonstrar que estou me distanciando”.
Nunca mencionamos que ele devia corresponder
ao nosso caminho. Mas continuávamos amando-o.
Deus nunca deixa de nos amar. E, representando Deus diante
de nossos filhos, devemos demonstrar esse tipo de amor
incondicional e indestrutível mesmo em relação ao adolescente
rebelde, não importa quão difícil ele seja.
Alguns princípios poderão servir de guia para entender o
adolescente durante esse período. O primeiro é o seguinte:
aprenda a se comunicar. Abandone as guerras verbais intermináveis
que o deixam esgotado e desanimado. Os gritos
apenas enfraquecem a autoridade e fazem o adolescente levar
vantagem. Se é cada vez mais difícil controlar seu filho
de catorze anos que desobedece às regras, se ele tem uma
atitude cada vez mais desafiadora e vive de acordo com seu
próprio código de ética, é importante que você reaja logo,
porque, de outro modo, perderá completamente o controle,
e há a possibilidade de perder seu filho para sempre.
Essa situação exige que você fale seriamente com o adolescente.
Poderá fazê-lo num lugar público (por exemplo,
num restaurante), onde a situação emocional seja mais
bem controlada. Durante o diálogo, convém assinalar, sem
acusar ou julgar, a seriedade da situação. Explique-lhe que
isso acontece também a outros adolescentes. Faz parte do
processo necessário para estabelecer os valores e a identidade
do indivíduo. No entanto, mesmo que o jovem queira
mais liberdade, não deve fazer o que bem quiser. Como pai
ou mãe, você tem a sagrada responsabilidade de protegê-lo
e não deve descuidar dessa obrigação.
Talvez você queira pedir desculpas a seu filho por não
ter reagido sempre de maneira positiva. Os pais que pedem
sinceras desculpas ganham um ponto com seu filho
adolescente. Essa atitude pode fortalecer o respeito
que ele tem por você e estreitar os laços que estavam
se enfraquecendo. Talvez você tenha perdido a calma,
reagido precipitadamente ou agido de forma exagerada.
Demonstre sua intenção de corrigir seu comportamento
para que haja mais entendimento no futuro. Depois, estabeleça
limites. Diga-lhe que o fato de estar crescendo
e de que logo agirá por conta própria não significa que,
agora, pode fazer o que bem entende em casa. Todos devem
respeitar regras gerais da família, necessárias para
que existam paz e harmonia. Mencione quais são as regras
das quais você não vai abrir mão. Fale calmamente
que, se ele escolher desobedecer deliberadamente, você
terá que tomar algumas medidas drásticas. (Não é preciso
enumerar as medidas que pretende adotar nessa fase
se a desobediência continuar.)
Fale com amor. Manifeste sua preocupação e o quanto o
ama. Diga-lhe que deseja ter um lar feliz durante o tempo
que ainda vão ficar juntos como família. Convide-o a viver
em paz, e não em guerra. Peça sua cooperação para que
reine a harmonia na família e peça-lhe que ajude com as
responsabilidades do lar. Se você respeitar seu filho, ele terá
mais respeito por si mesmo e por você.
Protegendo, dando sermão ou imunizando?
Como os pais podem ajudar os adolescentes a conseguirem
uma independência segura? O método mais comum usado
por pais cristãos é controlar completamente o ambiente
que rodeia o jovem. Esses pais tomam as decisões quando se
trata de entretenimento, amizades, roupas, músicas, material
de leitura, programas de televisão e filmes a que seus filhos
assistem. Colocam os filhos em colégios cristãos com a
esperança de isolá-Ios das más influências e sustentar seus
princípios. No entanto, a tentativa de controlar o ambiente
do adolescente não produz resultado positivo.
Você não pode isolar completamente seu filho adolescente
da influência da sociedade. Os mesmos problemas que existem
em escolas públicas podem ser encontrados nas escolas
particulares, em algum grau. Um dia, o adolescente terá
que abandonar esse ambiente controlado e protegido do lar
e não estará preparado para enfrentar a realidade da vida.
Outro erro comum ocorre quando os pais reagem exageradamente
em relação às influências negativas. Eles pensam
que, ao reagir com uma crítica dura e negativa contra as
normas e atividades reprováveis, o adolescente as evitará no
futuro. Por exemplo, num esforço de evitar que o filho ouça
certo tipo de música, o pai começa a fazer comentários desfavoráveis
sobre isso.
Em geral, esse método é contraproducente. Muitos adolescentes
não se impressionam nem dão atenção à reação
drástica. Talvez respeitem ou sejam indiferentes em casa,
mas, fora, voltam-se contra o que seus pais disseram. Os
filhos podem manter atividades clandestinas mesmo dentro
de sua própria casa, enquanto aparentam um bom comportamento.
Quando, finalmente, os pais descobrem a verdade,
enchem-se de culpa e aflição. Perguntam-se: “Como é
possível que meu filho siga os maus costumes dos outros se
ensinamos exatamente o contrário?”.
O recurso mais efetivo para ensinar valores e normas ao
adolescente é o “método da vacina”. Quando os pais dão
a seus filhos a oportunidade de receber pequenas doses de
agentes infectados para adquirir imunidade contra a doença,
estão preparando-os eficazmente para resistir ao mal.
Em vez de dar sermões sobre as influências negativas ou
tentar isolar os filhos, ensine os valores através do exemplo
e da discussão direta das situações a que estão expostos e
que merecem censura. Quando surgir algum problema, analise
junto com seu filho os pontos positivos e os negativos.
O jovem é exposto a pontos de vista claros e lógicos, sendo
orientado sutilmente.
Alguns pais, tão cedo quanto possível, permitem que o filho
tome sua própria decisão, mesmo que esta não seja a melhor.
É preferível que o jovem aprenda logo cedo a evitar as
decisões inadequadas. Poucos pais conseguem tolerar essa
atmosfera de franqueza, mas é a forma mais efetiva de enfrentar
a situação. A maioria dos pais se sente obrigada a decidir
por seus filhos adolescentes. No entanto, a capacidade
de tomar decisões sábias é algo que pode ser aprendido. É
como um músculo que se exercita repetidamente para que
se desenvolva.
Os pais conscientes que querem complementar o “método
da vacina” poderão ajudar o adolescente a elaborar as
normas do lar relativas a certas atividades. Algumas atividades
importantes, como dirigir o carro da família, sair
com jovens do sexo oposto e o comportamento sexual, podem
ser controladas com sucesso se forem mencionadas as
precauções. Antes do período em que o adolescente tenha
permissão para, por exemplo, namorar ou dirigir, deve ser
encorajado a sugerir normas relativas a essa atividade. Os
pais podem contribuir nessa elaboração, chegando, junto
com seu filho, a um acordo, que pode ser registrado por
escrito. Esse método é muito eficaz, porque, quando o jovem
formula uma regra e decide respeitá-Ia, faz isso com
mais fidelidade do que se fosse algo ditado apenas por seus
pais. É importante que você receba toda a comunicação que
puder da parte do adolescente e que ofereça o mínimo de
orientação parental.
Tal enfoque requer tempo, esforço e paciência, mas proporciona
grandes e ricos resultados. O adolescente que é encorajado
a tomar suas próprias decisões tende a colaborar
com os regulamentos da família, desenvolvendo uma independência
saudável e um respeito próprio positivo — duas
características indispensáveis nessa fase.
“Todo mundo faz isso”
Uma armadilha comum em que os pais caem é o argumento
apresentado pelos filhos: “Todo mundo faz isso”. Nesse
caso, os pais devem explicar que nem todo mundo faz as
coisas da mesma forma; e, portanto, não precisam saber o
que outros pais estão fazendo. Devem dar ao adolescente
a liberdade que ele deseja, mas até onde seja razoável. No
entanto, é muito importante que os pais cristãos estabeleçam
logo na vida da criança que eles, em geral, fazem
coisas diferentes dos pais não cristãos, porque seu sistema
de valores é diferente.
Dizer “não” imediatamente quando o filho adolescente pede
permissão para fazer algo pode ser um erro. Os pais sentem
que estão pisando em terreno seguro quando adiam as coisas
para o outro dia. Por isso, começam dizendo “não”, mas,
depois de ouvir os argumentos do filho, com frequência mudam
de opinião e dizem “sim”. Essa atitude ensina ao jovem
que vale a pena insistir e discutir e que um “não” significa,
na verdade, um “talvez... vou pensar”. Uma estratégia mais
inteligente seria dizer: “Explique tudo direitinho, e depois
tomarei uma decisão”. Quando o jovem lhe apresentar os
fatos, diga-lhe: “Ainda não tomei uma decisão. Preciso de
tempo para pensar. Quero falar com sua mãe (seu pai), e
depois lhe diremos o que decidimos”. Tome a decisão mais
racional possível e a cumpra a todo custo.
Castigo para os adolescentes
Os pais não devem castigar fisicamente o adolescente. Ele
se considera adulto e crê que apanhar é para as crianças.
Sua autoestima não pode ser sacrificada no altar do ressentimento.
Isso não quer dizer que o controle deva ser abandonado.
Ao contrário, o adolescente precisa de uma supervisão
firme e constante. Muitos erros e faltas do adolescente
podem ser corrigidos com diálogos, num clima de amor e
consideração. Se esse método fracassar, talvez seja conveniente
tirar-lhe alguma regalia: sair com os amigos, usar o
carro ou coisas parecidas. Reter a mesada ajuda a controlar
o comportamento, mas não use esse método para que ele
melhore as notas na escola.
As medidas disciplinares funcionam de forma mais efetiva
entre os adolescentes quando eles colaboram na elaboração
das regras e do castigo por sua desobediência. Uma
mãe, quando seu filho voltou certa noite catorze minutos
depois da hora combinada, disse: “Aplique você mesmo o
castigo que merece e faça-o agora”. “Sou um idiota!”, exclamou
o jovem em voz alta. “Se voltar a chegar tarde,
perderei o privilégio de sair à noite, coisa que não quero”.
Com um sorriso, continuou, com toda a riqueza de detalhes,
fazendo o ritual que seus pais faziam para dar-lhe
bronca quando desobedecia, incluindo as razões, e tomou
a decisão de voltar para casa antes da hora combinada.
Essa atitude ajudou sua mãe a manter a calma num momento
em que se encontrava muito cansada para agir
com justiça. Além disso, ela ficou satisfeita ao ver que ele
aprendera a agir com responsabilidade. A partir daquela
noite, o rapaz passou a chegar sempre cedo.
Responsabilidades de trabalho para o
adolescente
Antes que um astronauta esteja capacitado para viajar num
veículo espacial, ele recebe instruções muito cuidadosas sobre
a forma como o veículo deve ser operado. Quanto mais
ele aprender e praticar, melhor astronauta será. Da mesma
forma, antes que um adolescente possa assumir as responsabilidades
da vida adulta, precisa aprender sobre essa vida
e como vivê-Ia. Portanto, os pais sábios transformarão seus
lares em laboratórios, onde cada adolescente poderá praticar
a arte de viver.
Os adolescentes de ambos os sexos devem aprender a cozinhar,
lavar, limpar a casa, fazer reparos simples e compras
no supermercado, equilibrar o orçamento e fazer planos
para eventos sociais.
É muito bom que os adolescentes tenham responsabilidades
e se mantenham ativos. A um jovem de 16 anos,
por exemplo, não se deve apenas deixar que lave o carro,
mas que também dê sua opinião sobre a compra de um
novo automóvel. Não se deve apenas pedir a um adolescente
que limpe as janelas e a casa, mas que tenha voz
e voto na escolha de materiais e cores que devem ser
usados na decoração.
Embora os adolescentes devam participar das tarefas domésticas,
os pais devem permitir que eles tenham tempo
livre para realizar suas próprias atividades. Se João joga basquete
nas terças-feiras à noite, não é justo que se negue esse
privilégio a ele porque nessa noite ele tem de lavar os pratos.
É bom fazer um programa adequado. Se o pai e a mãe o
ajudarem a lavar os pratos, ele também aprenderá a ajudar
os outros quando se encontrarem em necessidade.
Os pais devem dar prioridade ao adolescente que trabalha
fora parte do tempo. As tarefas do lar não devem interferir, a
menos que a situação no lar o requeira. O trabalho de meio
período oferece ao adolescente um sentido de prestígio, e
às vezes uma fonte de dinheiro pode até ajudar a definir sua
carreira. Permita que o adolescente dedique gradualmente
mais tempo ao trabalho e menos tempo às atividades do lar,
se assim o desejar.
Durante a adolescência, a escolha do momento certo ocupa
papel relevante no ensino da responsabilidade. E, de novo,
relembramos que o momento mais favorável para ensinar
responsabilidade ao jovem é quando ele demonstra interesse
definido por certa atividade. Um jovem chegou em casa todo
entusiasmado quando aprendeu a fazer um dispositivo elétrico
na aula de eletricidade. Pensou que seria capaz de fazer
um que abrisse a porta da garagem. O pai o incentivou para
que fizesse o projeto; ambos conseguiram os materiais necessários
e começaram a trabalhar na garagem durante seu
tempo livre. Como o dispositivo elétrico foi um verdadeiro sucesso,
pensaram em novos projetos que pudessem ser realizados
com as ferramentas do pai. Dessa maneira, o filho, que
nunca tinha se preocupado com o futuro, começou a pensar
na carreira de eletricista ou engenheiro elétrico.
Em um estudo recente, 88% dos jovens que estavam com
problemas com a lei responderam “nada” quando indagados
sobre o que faziam no seu tempo livre. O trabalho
caseiro, especialmente a limpeza das paredes e dos pisos,
ajuda a manter a boa forma, a desenvolver os músculos e a
canalizar as energias próprias da juventude e da vitalidade
de um corpo em desenvolvimento. Cozinhar e costurar ajuda
o jovem a se preparar para realizar os trabalhos do lar. O
trabalho é a melhor disciplina que um adolescente pode ter.
Ele ensina as virtudes da laboriosidade e da paciência; ajuda
a escolher uma profissão para os anos seguintes; mantém o
jovem ativo e livre da ociosidade e do mau comportamento;
e possibilita a integridade, a confiança e o respeito próprio.

Como motivar um adolescente
Talvez você tenha feito o melhor para ensinar a seu filho
adolescente o sentido da responsabilidade, mas, às vezes,
pode ser difícil fazer com que ele vá na direção certa. Como
esse é um período em que predomina uma atitude egocêntrica
na vida do jovem, as recompensas que interessam a
eles podem ser especialmente úteis. Nesse caso, as informações
a seguir serão de muito valor:
1. Escolha uma motivação importante para ele. Emprestar o
carro quando ele já tem a habilitação, durante duas horas por
algumas noites, pode ser um grande incentivo. Uma jovem
talvez se interesse em roupas. Se os recursos para adquirir
suas próprias coisas são colocados ao alcance do adolescente,
você tem uma boa alternativa para evitar os pedidos, a
reclamação, os gritos, as queixas e os lamentos que poderiam
ser produzidos. Você poderia dizer: “Estou disposto a
comprar a blusa que você quer, mas você tem que merecer”.
Uma vez que estejam de acordo em relação ao incentivo ou à
motivação, será necessário dar um segundo passo.
2. Formalize seu acordo. Uma excelente maneira de alcançar
esse objetivo é através de um contrato escrito que tanto o
adolescente como o pai ou a mãe tenham firmado. Meu esposo
e eu fizemos um contrato com nosso filho Mark, dando-
-lhe a oportunidade de dirigir o carro. Sim, ele poderia, mas
teria que ganhar esse privilégio comportando-se bem. Dirigir
um carro requer responsabilidade, e ele devia mostrar-se responsável
em outras áreas da vida para poder dirigir.
Uma cláusula dizia que Mark deveria acumular 25 mil pontos
num período de seis semanas, porque, caso contrário, o
contrato seria anulado. Ele também compreendeu que seu
comportamento inadequado poderia fazê-Io perder pontos.
Com o desconto dos pontos por mau comportamento, podem-
se acrescentar pontos pelo bom comportamento em
áreas não inclusas no contrato.
3. Estabeleça um método de recompensas imediatas. A maioria
de nós precisa de algo tangível para manter nosso interesse
enquanto lutamos por um objetivo. No caso de Mark, adotamos
o sistema sugerido na tabela de preparação do contrato.
Cada noite, anotávamos os pontos e, ao final de cada semana,
os somávamos.
Na primeira semana, ele ganhou apenas 750 pontos. E compreendeu
que não poderia alcançar os 25 mil de que necessitava
se continuasse naquele passo. É interessante que, na
segunda semana, ele conseguiu 7.500 pontos.
O sistema de contrato pode se adaptar a diversas situações.
O princípio é eficaz, mas talvez você tenha que fazer adaptações.
É importante que o adolescente não receba o prêmio
sem ter merecido. Da mesma maneira, não demore a
recompensá-lo se merecer.
Contrato de permissão para dirigir
Ganha pontos assim:
100 por meia hora de trabalho realizado sem que alguém
pedisse.
50 por tarefa escolar com nota máxima.
50 por se levantar quando for acordado.
50 por dizer “Claro que faço” quando alguém lhe pede
para fazer algo.
50 por arrumar a cama e o quarto cada manhã.
50 por deixar o banheiro bem limpo.
100 por meia hora gasta escutando música clássica.
150 por grupo de seis versículos da Bíblia memorizados.
100 pelo estudo diário da Bíblia.
50 por terminar rapidamente os deveres.
200 por hora de estudo em casa.
100 por hora de leitura de temas não escolares.
Perde pontos assim:
100 por perder a calma (palavras feias, mau comportamento).
50 por chegar tarde ao colégio.
50 por chegar tarde aos compromissos.
100 por advertências recebidas no colégio.
50 por discutir asperamente com pais ou irmãos.
Como você lida com os adolescentes?
Marque de acordo com a escola.
1. Concordo totalmente.
2. Concordo em parte.
3. Não estou seguro.
4. Discordo em parte.
5. Discordo totalmente.
1. Creio que os adolescentes de hoje são piores que
os de minha geração.
2. Tanto a rebeldia dos filhos como o processo de
sua independência são coisas negativas.
3. Durante as fases normais da rebeldia, espero que
meu filho adolescente desafie minha autoridade,
me conteste, ponha as regras e os limites à prova
e duvide da religião e dos valores tradicionais.
4. Sinto-me culpado e fracassado quando meu filho
adolescente faz uma escolha inadequada, como
se eu fosse o responsável direto por isso.
5. Se a atitude de desafio do meu filho adolescente
se generalizasse e se intensificasse, eu diria que
ele deve se corrigir ou sair de casa.
6. Quando surge um problema, analiso-o francamente
e ajudo meu filho adolescente a escolher o
que é correto.
7. Posso permitir que meu filho adolescente tome suas
próprias decisões, mesmo que não sejam adequadas
e estejam contra as normas e os valores da família.
8. Incentivo meu filho adolescente a participar na
elaboração de normas para o comportamento em
assuntos importantes, como dirigir o carro ou
sair com pessoas do sexo oposto.
9. Mesmo que meu filho adolescente possa manifestar
hostilidade, as portas da aceitação, do amor e
da comunicação estarão abertas.
10. Posso ver meu filho adolescente como uma pessoa
digna e valiosa, mesmo que escolha valores diferentes
dos que eu desejaria que ele escolhesse.
Analise suas respostas com seu cônjuge ou um amigo.
A tarefa dos pais
Os pais podem ajudar os adolescentes de várias maneiras.
Aja assim:
1. Respeite a privacidade. O adolescente precisa ter um lugar
próprio, e os pais não devem se sentir rejeitados se ele
fechar a porta do quarto. As coisas particulares incluem as
cartas, o diário e as chamadas telefônicas. Os pais que bisbilhotam
o quarto e os objetos pessoais do adolescente para
encontrar evidências de atividades clandestinas estão violando
o direito de privacidade do filho. Se você suspeita que
seu filho esteja usando drogas, a necessidade de procurar
e confiscar a droga é outro assunto; mas nada de prender
diários pessoais e correspondência ou procurar coisas nos
bolsos, nas carteiras e nas gavetas.
2. Torne o lar atrativo. Alguns pequenos cuidados, como uma
aparência pessoal bem cuidada, arrumar as camas e manter
a cozinha limpa, podem salvar o adolescente de se sentir envergonhado
quando seus amigos o visitam. O adolescente é
muito sensível à opinião que seus companheiros possam ter
de seus pais, mesmo que ele próprio ande de qualquer jeito.
Nunca deixe de fazer coisas em família. Muitos jovens têm bons
pais, mas não os conhecem de verdade, porque só os veem
quando estão dando broncas, criticando ou dizendo o que devem
fazer. Uma das coisas que mais influenciam na felicidade
da família é o sentimento de companheirismo e compreensão.
Muitos dos contatos dos pais com seus filhos adolescentes são
de necessidade, para a rotina e com finalidade de controlar.
Por isso, é importante que também haja contatos menos sérios
e mutuamente satisfatórios. As brincadeiras em família,
as viagens ao campo, as férias, as caminhadas pelo bosque,
os projetos de construção e os debates amigáveis criam uma
atmosfera agradável que atrai os filhos.
3. Supervisione sutilmente. O adolescente não responde
quando enfrenta uma série de situações negativas; no entanto,
quer ser dirigido. Por um lado, prefere pais que manifestem
firmeza; mas, por outro lado, se revolta quando lhe
negam a liberdade a que tem direito. Nesse caso, pode ameaçar:
“Deem-me liberdade ou eu vou embora desta casa”.
Entretanto, a disciplina de modo nenhum cessa ou diminui na
adolescência. O adolescente precisa que a âncora da disciplina
parental (termo atual relativo ao pai e à mãe) o sustenha durante
esse período da vida. A disciplina, como se sabe, deve ser justa
e sem divisão. Não se deve permitir a nenhum filho indispor o
pai contra a mãe; quando for preciso tomar uma decisão, o chefe
da unidade familiar deve assumir essa responsabilidade.
4. Respeite o grito de independência. O adolescente precisa dos
laços familiares, mas não quer estar preso, e os pais devem reconhecer
essa diferença. Às vezes, os pais temem dar independência
ao adolescente porque pensam que ele não tem idade
suficiente para usá-Ia de forma responsável. O adolescente quer
ser livre, mas não está pronto para ser independente e não entenderá
mesmo que você o lembre disso a cada momento.
Quando o adolescente lhe pedir mais liberdade, permita-lhe
tomar suas próprias decisões, desde que seja responsável
pelo resultado de seus próprios atos. Em geral, quando o
jovem não está pronto para enfrentar essa nova liberdade, o
mais seguro é que volte a você em busca de orientação.
5. Mantenha o bom humor. Para lidar satisfatoriamente
com um adolescente, é preciso que haja equilíbrio entre o
amor e a disciplina na escala do bom humor. O adolescente
— e até mesmo o adulto — faz qualquer coisa razoável se alguém
lhe pede de forma agradável. O bom humor é um antídoto
contra a tendência de considerar a adolescência com
muita seriedade. O riso produz uma atmosfera de aceitação
e alegria no lar, e o adolescente precisa aprender a desfrutar
da vida familiar e rir com os outros e sozinho.
6. Discuta as mudanças que podem ocorrer. Comente com o
seu filho as mudanças que ocorrem durante a adolescência, as
mudanças nas regras do lar e as pressões que enfrentarão no futuro.
Com certeza, você já deve ter falado com ele sobre as mudanças
que acontecerão em seu corpo, mas agora é o momento
oportuno para repassar essas coisas; quando se trata do desenvolvimento
sexual, é preciso fazê-lo com clareza e sem vacilar.
7. Promova o entendimento. Fale em particular com os membros
mais jovens da família sobre certos problemas que precisam
de mais compreensão da parte deles, mostrando como
poderiam ajudar a aliviar a carga. Ao dar-lhes a oportunidade
de participar de certos assuntos, os pais podem ajudá-los a entender
melhor a adolescência antes de chegarem a essa fase.
8. Ouça o adolescente. Muitos pais não ouvem seus filhos
adolescentes — pelo menos não com mente aberta. Alguns
se importam pouco com as ideias e os sentimentos deles:
“Além de tudo, é apenas uma criança. Eu o ouvirei quando
aprender a dizer o que tem para dizer”.
Em uma pesquisa feita entre adolescentes, fizeram-se estas
perguntas: “Quando você tiver seu próprio lar, gostaria
que ele fosse como o seu agora ou preferiria fazer mudanças?
Se pretende fazer mudanças, quais seriam elas?”.
A maioria respondeu que a mudança seria dedicar mais
tempo para ouvir os filhos. Um deles respondeu: “Se procuro
minha mãe com algum problema, ela se escandaliza
com o que eu digo e pede que eu tire da minha mente
essas bobagens. Se procuro meu pai, ele me passa um
sermão de uma hora”.
Os jovens de hoje são uma nova geração e devem sentir que
nos preocupamos com eles, ouvindo o que nos dizem sem
nos aborrecermos, sem culpar ninguém, sem os julgar e sem
os podar. Ouvir os jovens com atenção é um fator muito importante;
cria uma ponte sobre o abismo entre as gerações.
9. Dê segurança, amor e aceitação. O adolescente precisa
de segurança num relacionamento que não muda com as
circunstâncias. Ele precisa saber que, mesmo que haja mal-
-entendidos e diferenças, sua relação com os pais não será
interrompida.
Para o adolescente, um amor maduro significa que tanto
o pai como a mãe estão dispostos a participar na sua
vida e no seu crescimento e a liberar essa pessoa em
desenvolvimento para esferas cada vez mais amplas da
existência. Os pais devem dar aos filhos grande quantidade
de afeto físico. O adolescente que na infância foi
consolado por seus pais depois de um tombo ou de um
machucado não se envergonhará do afeto deles nem se
sentirá tão inclinado a buscar uma compensação nas relações
sexuais prematuras.
10. Dê o modelo de um casamento feliz. Os adolescentes
precisam ver que seus pais expressam amor mútuo a cada
dia. Estudos cuidadosos indicam que as boas relações entre
o casal podem ser profundamente afetadas quando os filhos
estão na adolescência. Um dos fatores que contribuem para
isso é a tensão emocional que se produz. Outros problemas
têm pouco a ver com os filhos, mas surgem das necessidades
não satisfeitas do esposo e da esposa.
Nos primeiros anos de vida da criança, a mãe pode satisfazer
sozinha sua necessidade de segurança, mas, durante os
tumultuados anos da adolescência, o jovem precisa da atenção
tanto do pai como da mãe. Se ambos resolverem os problemas
que impedem uma relação matrimonial satisfatória,
a maioria dos problemas da adolescência também desaparecerão.
A segurança do adolescente é reforçada quando a
segurança em família é evidente.
Os direitos dos pais e os privilégios dos
adolescentes
As necessidades e os privilégios dos filhos têm recebido tanta
atenção nos últimos tempos que as necessidades básicas
e os direitos dos pais às vezes são ignorados. Consequentemente,
muitos pais estão confusos porque não sabem qual
é a diferença entre os direitos e os privilégios da família. Às
vezes, os adolescentes exigem privilégios porque os entendem
como seus direitos. A lista parcial que aparece a seguir
inclui certos assuntos que precisam ser esclarecidos na
maioria das famílias.
1. Os pais têm o direito de dissuadir o adolescente para
que não se associe com amigos de reputação duvidosa.
A seleção das amizades é um problema comum. Muitos
pais pensam que certo jovem não é apropriado para sua
filha ou que certos companheiros estão levando seu filho
para o mau caminho. A reação comum nesses casos é
proibir a amizade. O resultado é ressentimento, amargura
e mal-entendidos, que acabam tornando mais desejáveis
essas amizades. A desaprovação apenas faz com que o
adolescente esconda suas amizades. Por que você não incentiva
seu filho a levar seus amigos para casa? É através
dos laços de aceitação que ele vai poder fazer comparações.
O adolescente deve se sentir livre para escolher suas
amizades. No entanto, é dever dos pais intervir em casos
extremos. Às vezes, a mudança para outra cidade pode
ajudar na solução de problemas.
2. Os pais têm o direito de impedir que o adolescente dirija
o automóvel da família quando precisam dele, ou quando
existe uma razão lógica para essa proibição. O adolescente
terá direitos exclusivos apenas quando comprar seu próprio
carro. O uso do carro da família pode ser um privilégio do
adolescente, desde que associado a certas responsabilidades.
Em nossa família, cada filho era responsável por pagar
a parcela do seguro quando começava a usar o carro.
Além disso, usávamos o “Contrato de Permissão para Dirigir”,
mencionado antes. Tanto os pais como os filhos devem
estar de acordo quanto ao que cada um deve pagar se
acontecer algum acidente. O privilégio de usar o automóvel
familiar é um incentivo poderoso para induzir o jovem a se
comportar bem, e tirar isso dele é aplicar um castigo muito
eficaz. É preciso ser justo.
3. Os pais têm o direito de controlar todas as chamadas
telefônicas que entram e saem dos telefones instalados
e mantidos por eles. Alguém já disse que os problemas
chegam quando há três adolescentes em casa e apenas
um telefone. Possivelmente, o uso do telefone causa mais
atritos entre pais e adolescentes do que qualquer outra
coisa. Portanto, as famílias precisam estabelecer claramente
e colocar em vigência as regras concernentes ao
uso do aparelho. Antes de tudo, limite o tempo das chamadas
a um período razoável. Esse limite se aplicará inclusive
a diálogos com namorados. Se o adolescente não
pode dizer o que tem que dizer em 20 minutos, talvez não
valha a pena dizê-Io por telefone.
Segundo, limite o número de chamadas noturnas. Na maioria
dos casos, duas ligações seriam suficientes. No entanto,
deve haver certa elasticidade quando o adolescente participa
de funções na igreja, na escola ou em outra instituição.
Se a conversa durar mais de cinco minutos, conte como se
fossem duas chamadas. Estabeleça uma espera de quinze
minutos entre uma ligação e outra.
4. Os pais têm o direito de privar o adolescente dos privilégios
que ele não merece ter. Um adolescente já é bem
grandinho para ter um castigo físico, mesmo que às vezes
pareça necessário. Mas os pais podem encontrar um meio
efetivo ao privá-lo de certos privilégios. Ele cumpriu sua
promessa de voltar para casa na hora combinada? Cumpriu
com suas obrigações sem ter que ser lembrado? Está conseguindo
boas notas nos estudos? Se ele desperdiça o tempo,
não deve esperar privilégios.
5. Os pais têm direito de esperar que o adolescente faça o
melhor na escola e também insistir para que termine o Ensino
Médio. Suas expectativas quanto às notas de seu filho
são justas? Lembre-se de que o conhecimento em si não é
tão importante como saber se comportar com os outros e
se adaptar ao ambiente. Incentive seus filhos a continuarem
com os estudos universitários.
Oito semanas antes da formatura de nosso filho Mark,
ele nos informou que queria deixar o Ensino Médio. Em
vez de reagir violentamente diante daquela notícia, sugerimos
cautelosamente que ele escrevesse as razões
negativas e as positivas dessa decisão. Depois de muito
pensar, Mark decidiu terminar o ano. Quando, mais tarde,
recebeu uma bolsa completa para estudar na universidade,
nossas expectativas cresceram. Mas veio a
decepção quando ele fracassou no primeiro trimestre e
preferiu não fazer outra tentativa. Depois de trabalhar
em um lugar ou outro por três anos, ele decidiu voltar à
universidade. Enquanto eu preparava este livro, recebemos
uma carta que dizia: “Estou aproveitando totalmente
minha estada na faculdade. Outro dia, contra a minha
vontade, faltei a uma aula e me irritei comigo mesmo...
Creio que a razão de minha felicidade se deva a vários fatores:
quero estar aqui e tenho novamente planos sérios
para minha vida. Cansei de vagar de um lado para outro
sem finalidade e sem conseguir qualquer progresso.
Obrigado por terem me dado outra oportunidade. Desta
vez, vou até o fim”.
Se tivéssemos reagido bruscamente anos antes, nosso filho
não estaria onde está agora.

Adolescentes e o celular
A telefonia celular representa hoje uma verdadeira revolução
na vida das pessoas. Esses aparelhinhos com cores e
design da moda, que agregam máquinas fotográficas, MP3
player e tantos outros recursos variados, já pertencem à
categoria de itens de consumo essenciais para os adolescentes.
E, agora, crianças pequenas, de 5, 6 anos, pedem
de presente de aniversário não mais bonecas ou bicicletas,
mas, sim, seu próprio celular. Dez anos atrás, os telefones
móveis eram artigos de luxo, caros, e poucas pessoas tinham
um. Hoje, um em cada dois brasileiros possui um em
uso (de acordo com pesquisa da TNS InterScience, 2005).
O celular mudou radicalmente a relação entre pais e filhos.
Com o celular, os pais podem monitorar os filhos em qualquer
lugar e horário (podem, inclusive, localizá-Ios através
de serviços já disponíveis no mercado), o que também acaba
dando mais autonomia aos filhos, já que os pais ficam mais
tranquilos em relação às saídas deles.
Para os adolescentes, como os adultos não têm acesso às ligações
recebidas ou aos torpedos enviados pelos seus amigos, o
celular aumenta sua privacidade. O celular também atende à
necessidade de os jovens estarem ligados a alguém. Com o aparelho,
eles estão sempre disponíveis, permitindo que os amigos
e os parceiros possam ligar a qualquer hora do dia e da noite.
O celular também dá status no grupo, pois, quanto mais
avançado o modelo, quanto mais cheio de novidades e possibilidades,
mais interessante é seu proprietário.
Quando é a hora de dar um celular ao seu filho? Muitas famílias
acham que dar celulares para crianças com menos de
10 anos de idade é inapropriado, uma vez que a criança pode
ainda não ter responsabilidade ou não saber usar direito o
aparelho, podendo quebrá-Io ou perdê-lo. Por outro lado,
para as famílias em que pai e mãe trabalham fora, é uma
maneira de encontrar e se comunicar com os filhos.
Então, tudo depende da função do celular para a família. O
fundamental é que a criança e o adolescente saibam ser responsáveis
pelo seu uso e isso deve ser estipulado e desenvolvido
pela família. Junto com a sensação de incremento na independência
representada por carregar seu próprio celular, não
podemos esquecer que, como em tudo, há os dois lados da
moeda. Veja o exemplo do problema já detectado em muitas
escolas das colas via torpedo! E mais: como controlar os gastos
de contas de filhos que podem chegar facilmente ao valor
de um salário mínimo e meio por mês?
É indispensável uma boa conversa com os filhos sobre direitos
e responsabilidades e, principalmente, que eles arquem com
seus gastos. Estipular um valor que o pai se comprometa a
pagar para o filho se ele for responsável é uma maneira de
lidar com o uso do celular. Apesar de o custo por minuto ser
mais elevado, há outras modalidades de planos, além das tradicionais
versões pré-pagas, que podem ajudar a controlar a
conta. Destinar parte da mesada do próprio filho para pagar
a conta também funciona, pois ele sente no bolso o valor de
seus gastos e, assim, se controla mais, em geral pedindo que
os amigos liguem para ele ao invés de ele fazer as ligações.
5. Os pais têm o direito de estabelecer normas definidas
quanto à aparência do adolescente. Você deve saber que
seus esforços para conseguir que o jovem se vista de forma
adequada nem sempre produzirão o resultado esperado. O
adolescente muda sua aparência e seu modo de vestir para
não se parecer com seus pais, para ser diferente e para estar
na moda como os colegas.
Se a sua paciência é posta à prova por seu filho, que adota
qualquer moda do momento com entusiasmo fanático,
você deve ter muito cuidado. Quanto mais se opuser a seus
caprichos, mais ele insistirá em fazer sua própria vontade.
Por isso, você deve permitir que ele escolha sua roupa e sua
maneira de agir. Ele precisa usar o que lhe convém para ser
aceito no grupo. Se a roupa é muito extravagante, isso significa
que a pressão dos companheiros tem sido mais forte
do que a sua influência.
Contudo, se há um princípio importante envolvido, adote
medidas firmes. Nunca seja fraco com as coisas que considera
moralmente duvidosas. É muito difícil explicar às
adolescentes por que não é conveniente usar certo tipo de
roupa. Muitas não têm o conhecimento nem a experiência
para entender como a roupa feminina afeta os homens.
Como a aparência dos homens não as estimula muito, não
se dão conta de o quanto a maneira de vestir das mulheres
os afeta. As filhas precisam de muita orientação durante a
adolescência, mas não permita que os valores e as normas
se interponham arbitrariamente entre você e a adolescente,
que cresce num mundo diferente. Em outras palavras, se é
apenas um capricho da moda, deixe que a jovem se vista
como as amigas.
O adolescente gasta muita energia para se igualar à maneira
de ser dos amigos, mas ele está disposto a fazer modificações
se sentir que é aceito no lar. Em seu desejo de ser aceito
pelos companheiros, adota certos tipos de roupa, penteados
e outras coisas que aborrecem os pais. Se não tiver a aceitação
que busca desesperadamente por parte da família,
imitará os membros de seu grupo mais próximo com estilos
extravagantes.
6. Os pais têm o direito de controlar o tipo de música que
é tocada em casa. Note a palavra controlar. Se você proibir
o adolescente de ouvir a música do grupo dele, o mais provável
é que não lhe dê atenção e continue ouvindo. Em um
seminário para pais, foi apresentado um tema: rock. Um dos
pais comentou: “Por que discutir esse tema? Todos aqui somos
cristãos. A única coisa que devemos fazer é proibir esse
tipo de música”. Os pais de filhos pequenos têm dificuldade
para compreender que algum dia terão que lhes dar liberdade
de escolha. Como pais, naturalmente, devem afirmar os
princípios que definem qual é a música que aprovam.
Mesmo que você possa controlar a música que os adolescentes
escutam em casa, não pode controlar a que escutam
quando estão sozinhos ou com seus amigos. Algumas coisas
escapam ao controle dos pais, e a música é uma delas. Os
pais devem realizar todo esforço possível para estabelecer
valores apropriados durante os primeiros anos, com o objetivo
de que eles sirvam de guia para seus filhos em tempos
difíceis, quando a pressão social for muito grande. Poucos
adolescentes são suficientemente fortes para recusar por
completo a música que seus amigos escutam. Os pais devem
oferecer novamente orientação oportuna aos filhos
sem parecer arbitrários. Naturalmente, você não é obrigado
a ouvir música de que não gosta; por isso, exerça controle
sobre o volume.
7. Os pais têm o direito de estabelecer regras para o namoro.
Você pode dar a seus filhos a liberdade de sair com
jovens do sexo oposto depois de ter analisado fatores como
a idade, a seriedade, a disposição para aceitar responsabilidades
e a maturidade do comportamento.
Durante os primeiros anos da adolescência, não convém deixar
que os casais saiam sozinhos. Você pode facilmente controlar
as saídas de seus filhos com pessoas do sexo oposto
ao transformar o lar num lugar agradável, onde ele se sinta
à vontade com seu amigo ou sua amiga. As famílias que têm
adolescentes podem planejar atividades para dar aos filhos
a oportunidade de estabelecer relações saudáveis, sem ter
que estar sempre sozinhos. Várias famílias podem se reunir
em casa, fazer planos para escalar uma montanha, passear
no campo ou na praia ou praticar diversas atividades que
permitam que os jovens ajam em grupos supervisionados.
As atividades da igreja e da escola complementam os planos
que os pais fizerem.
Adolescentes e disciplina
Faça um círculo na resposta correta em cada um destas situações:
1. Um adolescente de 14 anos tem uma explosão emocional
de raiva, decepção e desânimo.
a. Deixe-o sofrer as consequências naturais.
b. Ignore-o.
c. Ouça-o atentamente.
d. (Pessoal.)
e. Isole-o temporariamente.
2. Um adolescente de 16 anos quer ficar acordado e ver programas
de TV até mais tarde todas as noites.
a. Restrinja privilégios.
b. Deixe-o sofrer as consequências naturais.
c. Ouça-o atentamente.
d. Argumente com ele.
e. Proíba-o.
3. Um adolescente de 17 anos quer escolher más companhias.
a. Ouça-o atentamente.
b. Repreenda-o.
c. Restrinja privilégios.
d. Proíba a amizade.
e. Convide essas más companhias para irem à sua casa.
4. Um adolescente de 16 anos que sabe dirigir quer pegar o
carro mesmo sem ter a idade recomendada para isso.
a. Repreenda-o.
b. Proíba o uso do carro.
c. Ouça-o atentamente.
d. Argumente com ele.
e. Isole-o temporariamente.
5. Um adolescente de 16 anos tem notas baixas e muitos
problemas de comportamento na escola.
a. Repreenda-o.
b. Humilhe-o.
c. Procure ajuda profissional.
d. Ouça-o atentamente.
e. Faça um contrato para motivá-Io.
6. Um adolescente de 14 anos passa horas ao telefone toda
tarde.
a. Formule um acordo para o uso do telefone.
b. Repreenda-o.
c. Restrinja os telefonemas.
d. Ouça-o atentamente.
e. Deixe-o sofrer as consequências naturais.
7. Um adolescente de 17 anos só quer saber de roupa da
moda.
a. Critique-o.
b. Dê seu ponto de vista.
c. Proíba-o.
d. Aceite como inevitável e tente não fazer disso um caso
importante.
e. Restrinja os privilégios.
8. Um adolescente de 15 anos não age com responsabilidade
ao limpar seu quarto ou coordenar sua parte nas tarefas
domésticas.
a. Tente um contrato para motivá-Io.
b. Deixe-o sofrer as consequências naturais.
c. Repreenda-o.
d. Dê uma boa surra para resolver o problema.
e. Restrinja os privilégios.
9. Um adolescente de 17 anos escuta músicas que não lhe
agradam.
a. Proíba-o.
b. Aceite normalmente.
c. Restrinja privilégios.
d. Discuta o assunto.
e. Tire o aparelho de som dele.
No início da adolescência, os jovens começam a sair em pares.
As jovenzinhas acham que estão prontas para sair com
seus amigos aos 13 ou 14 anos. Mas os pais sábios não permitem
isso até que elas completem 15 ou 16. As estatísticas
indicam que, quanto mais cedo os adolescentes começam a
namorar, mais propensos estão a se casar prematuramente.
Da mesma maneira, quanto mais cedo se casarem, mais
provável será o divórcio.
O namoro entre os adolescentes não é aconselhável até
terem terminado o Ensino Fundamental. Devemos reconhecer
que é possível impedir que o adolescente se comprometa
seriamente numa relação amorosa quando ele
tem 13 ou 14 anos, mas é muito diferente quando ele está
com 17 ou 18. Os pais inteligentes não proíbem o jovem ou
a garota que está terminando o Ensino Médio de ter relacionamento
com certa pessoa. Mantenha os canais de comunicação
abertos. Tanto você como o adolescente devem
reconhecer que os namoros precoces podem ser refúgios
para a insegurança. Ajude seu jovem a buscar a raiz do
problema, para resolvê-Io. Isso é mais efetivo do que lidar
com o sintoma do namoro precoce.
Fixar uma hora para voltar para casa, o lugar aonde se pode ir,
o que o casal deve fazer quando sai e com quem deve sair são
assuntos muito delicados e que causam grande preocupação.
Os relacionamentos entre as pessoas de raças e religiões diferentes
são problemas sérios nos lares religiosos. Os jovens
que vêm de lares cristãos e felizes preferem, em geral, seguir
os ensinamentos e o exemplo de seus pais quando começam
a sair com pessoas do sexo oposto. No entanto, os pais podem
se deparar com grandes amarguras se não estiverem preparados
para enfrentar esse difícil período da vida dos filhos.


O namoro e o comportamento sexual
Talvez os pais tenham menos influência e controle quando
o tema é namoro e sexo do que em qualquer outro assunto
da vida do adolescente. Sem perceber, muitos pais colocam
empecilhos no caminho dos filhos, de modo que eles não
sentem confiança para conversar sobre sexo e amor no período
mais difícil de sua vida. Poucos pais estão cientes do
comportamento e das normas de seus próprios filhos em
relação ao namoro e ao comportamento sexual.
Por uma razão simples: há boas intenções, mas métodos
falhos. Ao não querer comentar esse tema, os pais pensam
que desestimularão o filho a namorar. Mais tarde,
quando já não podem ignorar o assunto, tornam-se ditadores
e dominadores em relação à hora em que deve
voltar para casa e às suas atividades. Além disso, reagem
violentamente, com frequência zombam do namoro do
filho, de modo que o adolescente prefere escondê-lo para
não cair no ridículo.
Há um caminho melhor. O assunto namoro deve ser tratado
nos momentos familiares, durante os primeiros anos
da adolescência. Os filhos devem se sentir livres para fazer
comentários e perguntas, não importando quão estranhos
ou surpreendentes possam ser. Os pais devem evitar responder
com senões, comentários maldosos ou represálias. Você
não gostaria que seu filho recebesse informação de sua parte
em vez de recebê-Ia de seus amigos? Lembre-se também
de que, nessas ocasiões, ele está aprendendo e crescendo.
Através de orientação paciente e sábia e graças a uma franca
aceitação dos pais, os valores do adolescente surgirão
gradualmente.
Depois de ter preparado o caminho com conversas francas,
você poderá estabelecer as regras necessárias. Num acordo
sobre os namoros, é preciso estabelecer a idade de começar
o relacionamento, quantas vezes por semana serão os encontros,
a hora de chegar em casa, as saídas com pessoas
desconhecidas e outras coisas parecidas. Tudo isso deve ser
esclarecido antes que o adolescente comece a sair com pessoas
do sexo oposto.
Uma das coisas mais difíceis de discutir, mas talvez a mais
necessária, é o comportamento sexual. Muitos pais preferem
fechar a porta da discussão sobre o tema, agindo de
forma arbitrária. Sua reação exagerada fará com que o adolescente
se empenhe em defender suas crenças ou o levará
a agir “por baixo do pano”.
Muitos pais se surpreenderiam ao ver com quanta liberdade
os jovens de hoje expressam seu afeto físico. Prepare-se para
escutar seus filhos e esteja pronto para dar conselhos sem
se tornar juiz. Assim, poderá ajudá-los a estabelecer suas
próprias normas.
A independência do filho
Um estudante universitário entra no escritório de um professor
levando seu cordão umbilical na mão e lhe pergunta: “Professor,
onde posso conectar isto?”. Nós achamos engraçado. No entanto,
provavelmente, o trabalho mais difícil dos pais durante a adolescência
seja deixar seus filhos em liberdade quando chegar o
momento. Os pais cristãos têm ainda mais dificuldade para fazer
isso. Acham difícil pensar que o filho possa viver por conta própria
em um mundo que permite relações sexuais pré-matrimoniais,
casamento com pessoas de outra religião e rejeição dos valores
espirituais. Portanto, tornam-se superzelosos e tentam forçar o
adolescente a tomar decisões “corretas”.
Ficar é diferente de namorar
O “ficar” é um fenômeno que os jovens e os não tão jovens
de hoje acreditam ter inventado, mas, na verdade, ele é muito
antigo, tendo, através dos tempos, recebido outros nomes. O
“ficar” é um encontro entre duas pessoas que sentem atração
física uma pela outra e decidem ficar juntas por alguns
minutos ou horas, durante uma festa, no shopping, na escola,
no acampamento, na praia ou em qualquer outro local onde
tenham se encontrado. É “olhou, gostou, ficou”. Não tem
nada a ver com namoro, com amor e, muito menos, com
compromisso. Depois de “ficar”, os dois podem até voltar a
se encontrar e não acontecer mais nada ou podem querer se
encontrar novamente, ficar de novo e até resolver namorar e
desenvolver um relacionamento com compromisso.
“Ficar” pode significar apenas “selinhos” ou chegar a carícias
mais avançadas. Tudo depende da ousadia do rapaz e do
consentimento da moça ou vice-versa. O “ficar” é diferente
do “transar”, que implica ter relações sexuais completas.
Quando “ficam” várias vezes com a mesma pessoa, costumam
dizer que “estão de rolo”, o que ainda não é namoro.
O “ficar” pode ser uma forma de treinar e desenvolver segurança
em relação ao sexo oposto. Não há cobranças, cada
um faz o que quer, sem dar satisfação.
Uma grande preocupação em relação a esse fenômeno é
que muitos jovens só “ficam”, nunca namoram. Com isso,
não aprendem a desenvolver um relacionamento a dois, a
ter conflitos e diferenças e a resolvê-Ios, o que pode atrapalhar
muito quando resolverem escolher alguém para casar.
O namoro é uma etapa fundamental no desenvolvimento do
jovem, pois desenvolve a personalidade, ensina a conhecer
o sexo oposto e a aprender a lidar com as diferenças. Preenche
a necessidade que todos temos de ser amados, propicia
atividades de divertimento e lazer e é o caminho para encontrar
o futuro parceiro para o casamento.
Quem só “fica” pode estar fugindo do envolvimento e da
intimidade; pode ficar superexigente na busca de alguém
perfeito que, provavelmente, nunca vai encontrar; pode ter
baixa autoestima; pode só gostar de desafios, precisando
testar constantemente sua capacidade de atração; pode ter
medo de se sentir sufocado em um relacionamento.
Assim, quem só conhece o “ficar” está muito mais propenso
a viver relacionamentos descartáveis também no casamento,
pois nunca passou pelo aprendizado de relação a
dois que o namoro proporciona. Cabe aos pais levantar essa
questão junto aos filhos e orientá-Ios sobre a importância
do namoro e como conviver com o “ficar” sem os riscos de
tornar fútil essa etapa tão importante na vida dos adolescentes
e jovens adultos.
Meu marido e eu procuramos segurar ao máximo nossa filha
mais velha. Um dia, no meio de seu desespero, incapaz
de se comunicar verbalmente com o pai, ela escreveu uma
carta na qual, em resumo, havia este patético pedido: “Papai,
por favor, deixe-me ser eu mesma!”.
Não podíamos continuar segurando-a à força. Agora, descobriríamos
se tínhamos cumprido ou não nosso dever como
pais. Não era possível voltar ao passado para remendar o
que tínhamos feito mal. Tínhamos suscitado nela sentimentos
de rebeldia e ressentimento. Já era tempo de permitir
que continuasse seu próprio caminho.
Os pais têm apenas de 18 a 20 anos para estar com seus
filhos e estabelecer os valores adequados para eles. Logo,
vem o tempo de não mais intervir, embora seja difícil perceber
que aquela carne de nossa carne e osso de nossos ossos
comete erros que afetarão seu futuro e talvez até sua salvação
eterna. Meu esposo e eu sabemos muito bem, porque
passamos por isso. Mas confiamos que Deus nos ajudaria
nas coisas futuras. A possibilidade de que seu filho tome a
decisão correta é maior quando ele não tem que lutar com
você para conseguir ser adulto e independente.
Uma palavra aos pais desanimados
Muitos pais de adolescentes têm sentimentos de insuficiência
própria. Perguntas como “Será que fiz a coisa certa?” os
atormentam. Você sentiu esse drama alguma vez? Se continua
fazendo a mesma pergunta, tenha a certeza de que está
agindo como deveria. Às vezes, as coisas parecem irremediáveis,
mas talvez sejam melhores do que você imagina.
Durante o período em que você conviveu com adolescentes
em casa, a tensão e os desentendimentos podem tê-lo confundido
e magoado. Os desentendimentos podem não ter
sido agradáveis, mas indicam que os canais de comunicação
se mantiveram abertos. Um conflito aberto é melhor do que
uma guerra fria, em que os membros da família se escondem
na hostilidade e indiferença silenciosa.
Por mais difíceis que sejam os anos da adolescência, os pais
devem manter as portas da aceitação, do amor e da comunicação
abertas. Sejam firmes e amorosos. O adolescente
pode se mostrar hostil, ressentido, rebelde, mal-humorado
e retraído. Você pode sentir que sua paciência se esgotou
e querer abandonar tudo, distanciar-se ou pedir ao seu filho
que saia de casa. No entanto, lembre-se de que, quanto
mais difícil for seu filho, mais necessidade de amor e aceitação
ele tem. Mesmo que ele reprove tudo o que você fizer,
jamais o rejeite. Você é uma pessoa madura; seu filho ainda
está amadurecendo.
Você pode agir com juízo durante o momento de dificuldade,
mesmo quando ele não pode. Ao se comportar com
firmeza, mas com amor, você terá sua recompensa se ele,
no futuro, imitar seu comportamento sensato. Procure agir
de tal maneira que, quando seu filho sair de casa, mantenha
as melhores relações com você.
A culpa que uma pessoa sente pelo que fez ou deixou de fazer
apenas piora a situação. O medo de fracassar, às vezes, atrapalha
nosso pensamento até o ponto em que não podemos
distinguir entre a culpa real e a culpa irracional. Cada novo
problema que surge traz novos temores diante da possibilidade
de agir de forma inadequada. A opressão da culpa fica tão
intensa que ameaça nos alienar. Se não pudermos enfrentar
nossos sentimentos de culpa de forma aberta e honesta, eles
estragarão as relações com nosso cônjuge, nossos filhos, nossos
familiares e os companheiros de trabalho. A culpa é como
um ladrão e nos rouba o prazer de viver.
Estudos recentes sobre o desenvolvimento infantil indicam
que o temperamento da criança tem mais influência sobre
seu desenvolvimento do que se supunha. Com frequência,
chama-se a atenção para o grande poder dos pais e a debilidade
da criança. Todos reconhecemos a profunda influência
que os pais exercem, mas subestimamos o papel do filho
em seu próprio desenvolvimento. Os pais devem estabelecer
uma distinção entre influência e controle. Ambos podem ser
exercidos durante os primeiros anos, mas os pais têm de diminuir
o controle quando os filhos chegam à adolescência.
Mesmo com os menores, deve-se evitar o excesso de controle.
Cada criança é um indivíduo particular, com sua própria
vontade e capacidade de tomar decisões.
A Bíblia nos mostra que Deus valoriza as pessoas, apesar de
seus fracassos. Nosso valor e nossa identidade não dependem
do que realizamos ou deixamos de realizar como pais.
Aceitemos nosso próprio valor! Se fizermos isso, poderemos
enfrentar a culpa e ajudar nossos filhos durante os traumáticos
anos da adolescência. O filho é uma pessoa valiosa,
mesmo que escolha valores diferentes daqueles que você
gostaria que escolhesse. Ele deve ser capaz de desenvolver
seus próprios valores e viver a vida que escolheu. Quanto
mais velho ele for, menos você poderá controlá-lo.
Os pais precisam se lembrar de que os filhos são pessoas
valiosas, independentemente do seu comportamento. Meu
esposo e eu gostaríamos de ter podido ver além do comportamento
de nossos filhos para discernir seus verdadeiros motivos.
O comportamento é apenas um sintoma manifestado
por um adolescente com problemas e incapaz de enfrentar
as pressões da vida. O que aconteceria se nossa relação com
Deus dependesse de nosso comportamento? Um dia, desfrutaríamos
do amor de Deus e, no dia seguinte, experimentaríamos
seu castigo, por causa de nosso comportamento. Deus
não ignora nossa má conduta, mas nem por isso nos rejeita.
Seu amor incondicional é um modelo para nós.
Pode ser que chegue o dia em que você se sinta ferido, sem
encontrar remédio para sua dor. Somente um filho consegue
nos ferir dessa maneira. O que um pai pode fazer numa
situação assim? O que aconteceu com a promessa de Provérbios
22:6, segundo a qual, se fizermos um trabalho consciente
com a criança, ela vai continuar no bom caminho?
Passamos por momentos de muita culpa. Esperamos e oramos,
mas até quando?
Não é possível eliminar a dor, mas você pode se concentrar
na esperança para o futuro. Faça um esforço para não se
fixar no lado negativo da vida. Fortaleça a esperança, confiando
que, no futuro, a situação será mais positiva. Além
disso, lembre-se de que os filhos adolescentes têm direito
de tomar certas decisões concernentes a seu futuro. Eles
devem ser responsáveis por suas decisões, seu comportamento
e pelos resultados de sua maneira de ser.
Finalmente, confie em Deus. Talvez a reflexão do Salmo 37
possa ajudá-lo a sobreviver quando se sentir abandonado.
Você encontrará grande consolo durante o difícil período
da adolescência de seus filhos se puder confiar num poder
superior. Mas não se esqueça de que não é a quantidade de
orações feitas que fará com que o filho se comporte de forma
diferente, embora isso definitivamente ajude. O que realmente
comove o coração de nossos filhos é a mudança de atitude
que manifestamos como resposta a nossas orações. Deus
ama nossos filhos adolescentes com amor eterno. Seu Filho
morreu para salvá-los. Eles podem captar o amor de Deus
através de nós?
O impacto que isso provoca tem consequências eternas.

Fonte: PELT, Nancy Van. Como Formar Filhos Vencedores:
Desenvolvendo o Caráter e a Personalidade. São Paulo: Casa Publicadora
Brasileira, 2006.