Busca:
MATÉRIAS ESPECIAIS
LETRAS E TINTAS
Lendo e aprendendo
O livro da vez
Dicas de leitura
Pintando o 7
Músicas
PEDAGOGIA
A fala do mestre...
Professor Construir
Espaço Pedagógico
Em discussão
CIDADANIA
Ambiente-se
Direito tem,
   quem direito anda

ESPAÇO INTERATIVIDADE
Ajude a Construir!

Notícias


A utilização da música como ferramenta no ensino-aprendizagem

Shirley Correia Alencar

A utilização da música


No presente artigo, desenvolve-se uma análise informativa da maneira como todo ser humano pode se beneficiar de

atividades lúdicas, tanto pelo aspecto da diversão e do prazer quanto pelo aspecto do ensino-aprendizagem. Dessa
forma, pretendo explorar a utilização da música como principal ferramenta metodológica que contribui para inúmeras

aprendizagens e, sobretudo, para a ampliação da rede de significados construtivos no ensino de Ciências Naturais
para crianças e jovens do Ensino Fundamental (do 1º ao 9º ano). Com exemplos e demonstrações de etapas a serem

seguidas pelo educador, mostrarei o caminho, que descobri através de pesquisas, para obtermos sucesso com a

utilização da música nas aulas de Ciências Naturais.

Foi nesse contexto, de interação entre os seres, que surgiu a utilização da música na sala de aula — a Biomúsica, de
paródias com temas das diversas ciências, composições próprias de alunos e professores — e também aulas envolvendo
outras disciplinas, como a Geologia e a Língua Portuguesa.

Contexto histórico da utilização da música no ensino-aprendizagem

Nos anos 1970, Georgi Losanov, médico e psicoterapeuta da Universidade de Sófia, na Bulgária, descobriu que a música
barroca incentiva o lado direito do cérebro, permitindo uma maior disponibilidade para a aprendizagem de novos

conhecimentos, principalmente para cursos de línguas (cérebro X aprendizagem). Os alemães intensificaram esses

estudos e criaram um curso chamado Superlearning (Superaprendizagem). Esse curso, composto de 24 lições gravadas e

em livro, prometia ensinar inglês com apenas 25 minutos de dedicação por dia, mas sempre com a utilização da música
barroca de fundo.

A Audi (empresa de automóveis) e a Sony (empresa de eletroeletrônicos), por exemplo, utilizam esse método para

ensinar inglês, espanhol e alemão aos seus funcionários. Dessa maneira, eles afirmam estimular o lado direito do

cérebro e acelerar a aprendizagem.

Nos anos 1990 (década do cérebro), a necessidade de conhecimento sobre o sistema nervoso cresceu fantasticamente,
levando estudiosos, pesquisadores, psicólogos, psiquiatras, pedagogos e educadores a refletirem sobre as diversas

formas de aprendizagem de acordo com a forma como o cérebro humano funciona. Nessa época, Johnson & Myklebust
(1991) descobriram que o cérebro funciona de forma semiautônoma, ou seja, um sistema pode funcionar sozinho,
com dois ou mais sistemas ou, ainda, de forma integrada.


A utilização da música


Se o ensinante toma conhecimento desse funcionamento cerebral, pode ressignificar sua prática docente, adotando
uma didática que caminhe na forma sensório-motora ao funcionamento operatório formal (SOARES, 2003).

Nesse contexto que está sendo abordado, utilizar o tipo de sistema ensino-aprendizagem interneurossensorial (de
sensações) é o que mais interessa aos educadores. Estudos mostram que certa aprendizagem ocorre quando dois ou
mais sistemas funcionam de forma inter-relacionada. Fazer uso da música em atividades escolares é um recurso

valioso, pois há a possibilidade de trabalhar simultaneamente os sistemas auditivo, visual e até mesmo o sistema

tátil (caso a música seja dramatizada).

Por que utilizar a música na sala de aula?

A música não é apenas uma combinação de sons, de notas dentro de uma escala, com melodia, acordes, ritmo, tempo
e contratempo, mas também ruído de passos; sons que saem dos diversos instrumentos existentes ou que são inventados;
sons eletrônicos; ou ainda sons que se articulam com a cultura — na forma de se vestir e de gesticular, no cotidiano
de determinados indivíduos de um país, que gostam de um tipo de som que poderá ser igual ou diferente do som
de que gostamos. Cada pessoa tem o seu próprio gosto musical, e este pode ou não influenciá-la na maneira de pensar,
vestir-se e comportar-se.

A música é uma expressão de linguagem. A partir dela, podemos interagir com o meio, reviver lembranças e emoções.
A música e os efeitos sonoros servem como evocação — de situações passadas e de ilustrações associadas a personagens
do presente, como nas telenovelas — e criação de expectativa, antecipando reações e informações, como, por exemplo,

a trilha sonora num filme de suspense (MORAN, 2000).

O uso correto da música pode dar bons resultados na sala de aula, ajudando tanto na concentração quanto no

relaxamento da mente e do corpo antes, durante e depois da realização de alguma atividade escolar.

A música pode ser uma atividade divertida, que ajuda na construção do caráter, da consciência e da inteligência do
indivíduo. Os sons harmoniosos fazem com que os alunos se divirtam, aprendendo naturalmente, sem pressões.

Entretanto é fundamental manter um ambiente de alegria e de ludicidade na classe. Sem humor, o educador não

experimenta o encontro existencial com o educando e bloqueia o próprio processo de ensino-aprendizagem. A educação

tradicional considerou virtudes como atenção, dedicação e responsabilidade incompatíveis com a alegria e a

descontração (CARDOSO, 1995).

Como utilizar a música na sala de aula

A música é uma excelente fonte de trabalho escolar porque, além de ser utilizada como terapia psíquica para o

desenvolvimento cognitivo, é uma forma de transmitir ideias e informações, fazendo parte da comunicação social.

Recomenda-se às crianças em idades iniciais do desenvolvimento cerebral (0 a 6 anos) ouvir músicas eruditas, a

exemplo das clássicas, por serem ricas em expressões sonoras propícias ao desenvolvimento da acuidade cerebral

auditiva, característica que é de grande importância para a aprendizagem de idiomas.

No Ensino Fundamental I e II, usa-se a música há muito tempo em sala de aula, mas, normalmente, de uma forma
apenas lúdica, sem cobrança pedagógica do conteúdo aos alunos, salvo algumas exceções.

No Ensino Médio (do 10º ao 12º ano), a música é raramente utilizada, mas, ao professor interessado em enriquecer a
sua prática pedagógica com música, cabe estar atento à pertinência do tema musical e ao assunto da matéria lecionada
e fazer um planejamento que permita ao aluno desenvolver análise e interpretação da letra, defendendo-a, rebatendo-a
e/ou lhe acrescentando algo.

[...] é preciso selecionar, para as aulas, textos que, por suas características e usos, favoreçam a reflexão

crítica, o exercício de formas de pensamento mais elaboradas e abstratas, bem como a fruição estética dos usos
artísticos da linguagem, ou seja, os mais vitais para a plena participação numa sociedade letrada
(MATTOS, in BRITO, 2001).

Podemos utilizar todas as vantagens da música na sala de aula. Ela poderá assumir o papel de prêmio para uma classe
participativa e disciplinada. Mas jamais deverá ser utilizada como punição, visto que esse não é o objetivo.

Pode-se, sim, deixar uma turma sem aulas com música, se tiverem ocorrido problemas de indisciplina na aula anterior.

Para utilizar a música na sala de aula, veremos algumas sugestões de etapas a seguir:

1. Conseguir um aparelho de som portátil (para ser fácil de transportar e utilizar).

2. Utilizar CD, pendrive ou fita cassete com a música previamente selecionada.

3. Criar expositores com a letra da música (cartazes, retroprojetor ou datashow).

4. Providenciar fotocópias da letra da música para entregar aos alunos.

5. Elaborar um questionário abordando os vários temas citados na música.

6. Reescrever a música em outro tipo de texto ou representação plástica (desenho, pintura, escultura, etc.) ou,

ainda, construir um painel ilustrativo ou uma dramatização da música escolhida — uma boa maneira de verificar se o
conteúdo foi bem compreendido pelo aluno.

Produzir músicas também é muito útil, porque o aluno estará em contato direto com tudo o que é necessário para se

fazer música. Essa atividade faz com que ele pense em instrumentos, letra, arranjos, entonação de voz, etc., tudo de

uma vez só. Portanto, estará pensando globalmente e criando.

Observações relevantes sobre a utilização da música na sala de aula

A partir da análise de respostas dadas por vários professores a um questionário aplicado por estudantes de uma

universidade no Brasil (acadêmicos do 4° semestre do Curso de Letras com habilitação em Línguas Portuguesa e Inglesa

e Respectivas Literaturas, Área de Ciências Humanas, Unifra,

Rio Grande do Sul), a sugestão para trabalhar com a música em sala de aula é introduzi-la no conteúdo como um
suporte de autocontrole, um instrumento que possibilita uma aula dinâmica e descontraída. Para esses educadores,
o trabalho com a linguagem musical deve ser interessante tanto para os professores como para os alunos. No entanto,
isso só acontecerá se existir uma conscientização da expressividade individual do aluno e o respeito pela capacidade

de criar, de dinamizar com esse instrumento em sala de aula.

A utilização da música

A utilização da música


Essa mesma pesquisa também fez com que se chegasse à conclusão de que, frente à música, a criança torna-se mais
espontânea, porquanto esse é um excelente material de desenvolvimento motor, afetivo e cognitivo. Porém, no trabalho
com os jovens do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, torna-se mais complicada a utilização desse instrumento,
pois os professores entrevistados nessa pesquisa colocaram como principal entrave a escolha das músicas a
serem abordadas: “Quanto mais antigas as músicas forem, mais difícil será despertar a curiosidade do aluno para o
conteúdo que a ela foi adicionado”.

Como solução para essa questão, proponho que o professor escolha os mais variados temas a serem abordados, mas
que, em vez de ser ele a escolher o som a ser tocado, deixe que seus alunos o façam em conjunto, criando ainda a

possibilidade da construção de uma nova letra para a melodia¹ escolhida. Daí o aprendizado partirá primeiro do

aluno, e o professor será apenas um suporte para o fechamento e a conclusão dos conceitos abordados.

Considerações finais

Percebemos, então, que é muito importante o professor utilizar a música em sala de aula, procurando compreendê-la
em sua plenitude, com todos os fatores que a constroem — instrumentos, letra e seus sentidos, sonoridade —, buscando
desenvolver o prazeroso trabalho de escutar os mais diversos sons e as suas composições. Mas, para que isso se
torne um trabalho determinante em qualidade, o professor

deve dedicar-se, atualizar-se e fundamentar-se nesse instrumento. Os alunos também devem fazer suas lições de casa
com um CD ou até com um rádio ligado ao lado. Se a música escolhida pelo aluno não for adequada e ideal para o

momento, não podemos definir apenas isso como motivo do baixo rendimento escolar.

A música na sala de aula não deve ser utilizada apenas como atividade lúdica, mas, sim, como um instrumento de

disciplina e de combate às dificuldades de aprendizagem e de memorização de conteúdo ou como um recurso para atenuar
a violência. Nessa interação entre professores e alunos, a música como mediadora deve agir com o propósito de

intensificar algumas características humanas, como a sensibilidade auditiva, a imaginação, a criação de músicas e

letras, a comunicação, a interpretação, entre outras.

[…] mas a música, em sala de aula, pode ir além de apenas um instrumento; ela é capaz de promover o
desenvolvimento do ser humano, torná-lo capaz de conhecer os elementos de seu mundo para intervir nele,
transformando-o no sentido de ampliar a comunicação, a colaboração e a liberdade entre os seres
(LOUREIRO, 2007).

Referências bibliográficas

CARDOSO, C. M. A Canção da Inteireza: uma Visão Holística da Educação. São Paulo: Summus, 1995.

LOUREIRO, A. M. A. O Ensino de Música na Escola Fundamental. Papirus, 2007.

MATTOS, J. M. O Texto Escrito no Contexto Escolar. In: BRITO, E. V.(Org.). PCNs de Língua Portuguesa: a Prática em

Sala de Aula. São Paulo: Arte & Ciência, 2001.

MORAN, J. M. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. Campinas: Papirus, 2000.

¹ Conjunto de sons sucessivos que forma uma ou mais frases musicais.

SOARES, D. Os Vínculos como Passaporte da Aprendizagem: um Encontro D’EUS. Rio de Janeiro: Caravansarai, 2003.





imprimir
enviar
por e-mail

comentar



Escolha a Edição pelo número ou clique aqui para ver uma lista completa

Digite seu e-mail abaixo e receba


Fone: (81) 3447-1178 | Fax: (81) 3442-3638 - E-mail: atendimento@editoraconstruir.com.br

Copyright © 2007. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido e gerenciado pela Nativ - Seu site na medida certa.