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O coordenador pedagógico e as reuniões pedagógicas: possibilidades e caminhos

Amanda Gonçalves dos Santos Cláudia Ribeiro Shirley Cristina Lacerda Malta

Resumo

O referido artigo é fruto de uma pesquisa bibliográfica e de experiências vividas enquanto graduanda do curso Licenciatura Plena em Pedagogia e tem por objetivo principal mostrar a importância das reuniões pedagógicas para a atuação do coordenador pedagógico no ambiente escolar. Sabe-se que muito se tem abordado sobre as diversas funções do coordenador, entre elas a de mediar as relações dentro do ambiente escolar e a de dar suporte na formação continuada dos educadores. Tomando como base o amplo campo de atuação dos coordenadores, faz-se necessário uma constante avaliação da prática pedagógica, pois, só através da reflexão, é possível traçar caminhos e procurar meios para a melhoria do processo de ensino. Desse modo, as reuniões pedagógicas tornam-se um espaço privilegiado para essa reflexão e um ambiente propício para a discussão de questões relacionadas ao cotidiano escolar. Portanto, para que essas reuniões possam ser aproveitadas da melhor forma possível, alguns princípios, como o esclarecimento da importância dessas reuniões, a função do coordenador nesses espaços e a organização de uma rotina para esses encontros, precisam ser respeitados e discutidos na busca pela excelência da atuação dos coordenadores pedagógicos e, consequentemente, pela formação de professores reflexivos, responsáveis e epistemologicamente competentes.

Palavras-chave: Coordenador pedagógico.
Reuniões pedagógicas. Professores. Educação.

Abstract

This article is the result of a literature and experiences as graduate Course in Full Degree in Education and has as main objective to show the importance of meeting educational coordinator for the work of teaching in schools. We know that much has been discussed about the various functions of the coordinator between them to mediate relationships within the school environment and to support the continuous training of educators. Building on the broad field of expertise of engineers, it is necessary a constant assessment of teaching practice, because only through reflection we can trace paths and seek ways to improve the teaching process. Thus, the pedagogical meetings become a privileged space for this reflection and a supportive environment for discussing issues related to school daily. Therefore, for these meetings can be exploited in the best possible way, some principles such as clarifying the importance of these meetings, the coordinator’s role in these spaces and the organization of a routine for these meetings need to be respected and discussed, in the pursuit of excellence in performance Coordinators teaching and consequently the formation of reflective teachers, and epistemologically responsible authorities.
Keywords: Pedagogical coordinator. Educational meetings. Teachers. Education.

Introdução

A ideia que muitos têm do coordenador pedagógico é aquela ainda imbricada em valores puramente burocráticos: um profissional que existe para solucionar pequenos problemas que surgem na escola e que nem sempre está pronto para atender a todas as demandas e necessidades da comunidade escolar. Essa visão deixa de existir quando se começa a enxergar o coordenador por diferentes ângulos.

Para que os coordenadores consigam realizar seu trabalho com competência, eficácia e eficiência, um conjunto de valores e situações deve ser levado em consideração a fim de que sua atuação seja veementemente completa ou que alcance o máximo possível de êxito.

Em primeira instância, é preciso reconhecer a importância dos saberes entre os coordenadores. Tardif (2002, p. 11) afirma que “o saber é sempre o saber de alguém que trabalha alguma coisa no intuito de realizar um objetivo qualquer”. Desse modo, para que as ações se concretizem e os objetivos sejam alcançados, o conhecimento é indispensável. A forma como esses saberes são integrados, sua diversidade, a evolução ao longo do tempo, os saberes adquiridos pela experiência, os saberes sociais e humanos, a reflexão sobre a prática e a mudança de atitude favorecem sua atuação nas diferentes áreas em que sua presença se faz necessária.

Assim, as reuniões pedagógicas constituem-se como um dos principais espaços em que o coordenador poderá atuar em sua totalidade e representam para este um leque de oportunidades para o trabalho de formação continuada e para o desenvolvimento das relações interpessoais, que, se bem planejadas, podem ser uma forte aliada no trabalho do coordenador junto aos professores no ambiente escolar.

1. O coordenador e as funções da reunião pedagógica

Pensando nas reuniões pedagógicas, surgem indagações: “Reunir para quê?”, “Qual é a intenção do coordenador quando diz ser necessário realizar reuniões?”. Muitos educadores dizem que as reuniões pedagógicas não ajudam na prática de sala de aula e não aproveitam essas reuniões por desconhecerem o seu valor. Isso acontece porque nem sempre essas reuniões são bem elaboradas.

As reuniões pedagógicas, em primeira instância, precisam ser organizadas, e, para isso, o coordenador deve deixar claro quais são as vantagens da reunião, conforme explicita Torres:

As reuniões pedagógicas vêm sendo apontadas como espaço privilegiado para as ações partilhadas do coordenador pedagógico com os professores, nas quais ambos se debruçam sobre as questões que emergem da prática, refletindo sobre elas, buscando-lhes novas respostas e novos saberes, ao mesmo tempo (2007, p. 45).

Desse modo, as reuniões pedagógicas são um espaço privilegiado para a discussão da prática pedagógica, bem como um ambiente propício para a reflexão, para a busca de soluções dos problemas que surgem e para o compartilhamento de novas metodologias de ensino.

Entretanto, as reuniões não alcançam de fato seus objetivos quando os seus envolvidos cumprem um papel meramente formal. Ou seja, participam dessas reuniões por obrigação, e não porque veem nelas um espaço para crescimento enquanto educadores/coordenadores.

Um outro fator que dificulta o andamento das reuniões é que estas são, em sua maioria, centradas em quem as conduz — o coordenador pedagógico. Este precisa se policiar para que suas ações não se tornem egocêntricas, pois o alvo das reuniões precisa ser o educador.

Além do espaço para reflexão, as reuniões pedagógicas devem ser um encontro

para se darem avisos, distribuir materiais, informar diretrizes da empresa, discutir materiais, discutir problemas de caráter geral ou mesmo do prédio da escola
(TORRES, 2007, p. 47).

Essas discussões não devem ser impostas; antes, devem surgir como fruto de situações do dia a dia, superando o cotidiano e contando com a participação efetiva dos professores e coordenadores. Pois essas reuniões também assumem uma função importantíssima de interação pessoal nas relações professor-professor, coordenador-professor.

2. Planejamento das reuniões – disponibilidade e preparação epistemológica

A organização da rotina nas reuniões pedagógicas é algo a ser analisado e deve ser feito de acordo com a realidade de cada comunidade. Isso implica dizer que não existe um modelo certo de rotina para a realização dessas reuniões; antes, estas devem ter como base a necessidade da reflexão e os anseios dos professores. As reuniões devem variar de acordo com os objetivos que se pretendem atingir, e isso é o que diferencia uma reunião da outra.

É preciso lembrar que os professores devem dispor de tempo para participar dessas reuniões e que estas não devem ser um empecilho para o professor, mas, antes, um espaço de conversa. Para que isso ocorra, os professores precisam estar juntos, precisam dispor de tempo juntos, para que, de fato, se possa trabalhar em equipe. Bruno e Chistov afirmam que

Trata-se da possibilidade de se contar com alunos estagiários, que seriam preparados para assumir a orientação das classes durante um período de três ou quatro horas, uma vez por semana, favorecendo o encontro dos professores em reuniões de maior duração. Esses estagiários podem ser oriundos de cursos de licenciatura nas áreas do Ensino Fundamental: Português, História, Geografia, Ciências, Matemática ou de cursos de Magistério (1999, p. 57).

Desse modo, seria proveitoso tanto para os alunos estagiários, por poderem assumir uma liderança na sala de aula e adquirir experiência, quanto para os professores, que teriam o tempo “livre” para participar ativamente das reuniões. Essas reuniões, precisam ser remuneradas, pois constituem-se em um espaço de estudo e trabalho direcionado, voltado para a ação docente.

O coordenador necessita saber previamente o que será tratado na reunião. Isso implica dizer que ele deve preparar-se de acordo com os objetivos propostos — não se pode coordenar uma reunião do mesmo modo quando em uma delas se pretende desenvolver habilidades pessoais importantes ao educador e na outra o objetivo é aprofundar um tema relevante e de interesse de um grupo de professores.

Pensando desse modo, o coordenador necessita desenvolver uma metodologia de organização que o ajude nesse sentido. Os professores muitas vezes chegam às reuniões permeados por dúvidas e anseios e depositam sua confiança no coordenador, que precisa estar atento e disponível.

A conquista de um clima de confiança para discussão de acertos e erros deve ser enriquecida com a possibilidade de registro dos saberes elaborados por diferentes grupos de educadores, em diferentes espaços educacionais (BRUNO; CHRISTOV, 2009, p. 60).

Nesse sentido, a ressignificação desses espaços exige uma metodologia própria e adequada a cada reunião.

A transformação das reuniões que acontecem na escola em espaços de reflexão e produção de saberes sobre a docência exige uma metodologia proposta e dirigida pelo coordenador pedagógico, cuja liderança é essencial para que tais reuniões não assumam a condição de “horário de trabalho perdido” (BRUNO; CHRISTOV, 2009, p. 61).

Faz-se necessário que os coordenadores estejam totalmente envolvidos nas reuniões, preparados para lidar com os professores e atuar com competência e firmeza. Portanto, o planejamento das ações é indispensável.

3. As funções específicas do coordenador nas reuniões pedagógicas

O coordenador é peça fundamental nas reuniões pedagógicas. Sua principal função, que é a de oferecer uma formação continuada ao educador, deve ser exercida com veemência nas reuniões pedagógicas, pois estas constituem um espaço privilegiado para tal. Para isso, ele precisa, antes, planejar-se, de modo a atender às expectativas dos professores nas reuniões.

O coordenador deve organizar uma pauta considerando o tempo do encontro e distribuindo as atividades de acordo com ele (SOUZA, 2007, p. 30).

Essa pauta deve estar aberta a sugestões e mudanças, sendo adequada à realidade de cada reunião. Cabe ao coordenador planejar o tema a ser estudado (com base nas necessidades dos professores) e uma tarefa a ser desenvolvida. O coordenador ainda precisa assumir um caráter de responsabilidade na reunião, devendo fazer intervenções quando necessário.

Na coordenação da reunião, o(a) coordenador(a) deverá fazer intervenções constantes, visando estabelecer vínculos. É preciso garantir que todos falem, é preciso intervir nas falas em defesa do professor que possa estar sendo “atacado” pelo colega, é preciso favorecer a construção do grupo (SOUZA, 2007, p. 30).

Os coordenadores assumem o papel de mediadores entre o saber e os professores. Eles devem estar preparados para dar suporte pedagógico e epistemológico aos educadores, mas sem esquecer que a chave fundamental das reuniões é o próprio professor, que confia no coordenador para que este lhe ajude apontando caminhos e dando apoio no que se refere a problemas, dúvidas e necessidades.

Considerações finais

O coordenador pedagógico constitui-se uma peça fundamental na organização das reuniões, pois estas são um dos principais espaços para atuação dele. Para isso, uma série de cuidados prévios deve ser tomadas, como o planejamento das reuniões e o conteúdo a ser discutido nesses espaços.
Portanto, nas reuniões, o coordenador precisa valorizar — cuidar — dos conhecimentos já adquiridos pelos professores para que, das vivências, novos conceitos sejam elaborados. Conceitos esses que possam, através dos alunos, perpassar os arquétipos da escola e atingir a sociedade no intuito de refletir-agir-mudar, ajudando a desenvolver aquilo que ela denomina valores éticos.

Isso requer do coordenador um olhar aguçado, ativo e sagaz o suficiente para perceber as mudanças e atuar sobre elas. Um olhar amplo, que contemple as partes sem esquecer o todo. Requer também que ouça o que o outro tem a dizer, os problemas, os anseios, as dificuldades dos professores, só assim será possível traçar metas e solucionar os impasses que surgirem. O coordenador precisa colocar-se no lugar do outro, precisa ter ciência da necessidade de se ter uma boa relação interpessoal.

Por outro lado, não se pode esquecer que essa articulação não é função apenas do coordenador pedagógico. É preciso que haja um bom convívio e cumplicidade entre os membros da equipe que compõe a direção da escola e que, de fato, essa ligação não tenha falhas ou emendas; que cada um exerça sua função pensando no resultado em grupo e na conquista em conjunto e, acima de tudo, na melhoria da qualidade do ensino.

Referências bibliográficas

ALMEIDA, Laurinda R.; PLACO, Vera M. N. S. (Orgs.). O Coordenador Pedagógico e o Espaço de Mudança. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2007.

O Coordenador Pedagógico e Questões da Contemporaneidade. 3 ed. São Paulo: Loyola, 2009.

BRUNO, Eliane Bambini Gorgueira; CHRISTOV, Luiza Helena da Silva. Reuniões na Escola: Oportunidade de Comunicação e Saber. In: BRUNO, Eliane. B. G.; ALMEIDA, Laurinda R.; CHISTOV, Luiza H. S. (Orgs.). O Coordenador Pedagógico e a Formação Docente. 10. ed. São Paulo: Loyola, 2009.

IBERNÓN, Francisco. Formação Docente e Profissional: Forma-se para a Mudança e a Incerteza. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

Revista Nova Escola. Gestão Escolar. Um Trio Coeso e Bem Articulado. São Paulo, Ano I, nº 06, p. 22 a 28, fevereiro/março 2010.

SOUZA, Vera Lúcia Trevisan de. O Coordenador Pedagógico e a Constituição do Grupo de Professores. In: ALMEIDA, Laurinda R.; PLACCO, Vera. M. N. S. (Orgs.). O Coordenador Pedagógico e o Espaço de Mudança. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2007.

TORRES, Suzana Rodrigues. Reuniões Pedagógicas: Espaço de Encontro entre Coordenadores e Professores ou Exigência Burocrática? In: ALMEIDA, Laurinda R.; PLACCO, Vera. M. N. S. (Orgs.). O Coordenador Pedagógico e o Espaço de Mudança. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2007.

 

Amanda Gonçalves dos Santos é estudante do 8º período do curso de Pedagogia da UPE – Câmpus Nazaré da Mata.

Cláudia Ribeiro é professora da UPE – Câmpus Nazaré da Mata.

Shirley Cristina Lacerda Malta é psicóloga do Colégio Militar do Recife e professora da UPE – Câmpus Nazaré da Mata.





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