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Entrevista: Hugo Monteiro

Educação Jovens e Adultos - CONCEITO DE ALFABETIZAÇÃO




Texto elaborado originalmente para o projeto SESC – LER do Serviço Social do Comércio – Departamento Nacional.

1. Conceito de alfabetização

Nas últimas décadas, o conceito de alfabetização vem mudando radicalmente. Durante muito tempo, considerou-se que uma pessoa estava alfabetizada quando sabia ler e escrever, ainda que num nível muito rudimentar. Foi essa a concepção que orientou a maioria das campanhas de alfabetização de jovens e adultos em todo o mundo. Acreditava-se que, num par de meses, se pudesse ensinar os princípios básicos da codificação dos sons em letras e, a partir de então, os jovens e adultos já estariam aptos a empregar esse conhecimento em proveito próprio. Essa concepção levou a maioria das campanhas de alfabetização de adultos ao fracasso. Encerrada a campanha, os jovens e adultos simplesmente retomavam a suas vidas cotidianas, num ambiente em que a linguagem escrita estava praticamente ausente. Resultado: bastava um par de meses mais para que a maioria esquecesse o que tinha aprendido; ocorria o fenômeno conhecido como regressão ao analfabetismo. Atualmente, os educadores trabalham com um conceito mais abrangente, que alguns designam como alfabetismo, outros como letramento. Esse conceito refere-se não apenas ao saber ler e escrever, mas principalmente ao saber usar a leitura e a escrita. Para passar da condição de analfabeta para a condição de alfabetizada, portanto, a pessoa precisa transformar em alguma medida sua condição, incorporando a linguagem escrita em sua vida.

Essa concepção mais abrangente de analfabetismo sugere uma revisão dos objetivos da alfabetização de adultos. A meta não é simplesmente ensinar o “bê-a-bá”, ou seja, a decodificação das letras, mas também, ensinar para que serve a linguagem escrita e como podemos usá-la.

Nessa perspectiva, o processo de alfabetização deve compreender , não apenas a memorização das relações entre as letras e os sons, mas também a vivência da linguagem escrita em ação.

Em nossa sociedade, a linguagem escrita é utilizada para diversos fins. Serve para nos comunicarmos com pessoas próximas, como quando deixamos um recado antes de sair de casa ou quando escrevemos uma carta a um parente distante. Serve também para nos comunicarmos com pessoas que não conhecemos, como quando escrevemos uma carta para um jornal ou para a seção de reclamações de uma empresa. A escrita serve também como apoio à memória, como quando fazemos uma lista do que precisamos comprar no mercado ou marcamos no calendário o dia de pagar o crediário. Podemos ler para encontrar um número de telefone, para saber o horário de funcionamento de uma repartição pública ou para preparar uma receita de bolo. Podemos usar a escrita para controlar nosso orçamento doméstico ou para registrar quantas peças produziram os operários de uma seção da fábrica.

Também para nos informar dos acontecimentos que afetam a vida nacional e para fundamentar nossas opções políticas, podemos recorrer à leitura. Ou então, podemos ler ou escrever para nos distrair, para desabafar, para sentir emoção ou então para confirmar nossa fé. Em cada uma dessas práticas acima mencionadas estão envolvidos diferentes tipos de texto e diferentes operações mentais relacionadas à leitura e à escrita. Certamente é muito diferente ler em voz alta um trecho da Bíblia na igreja e consultar uma lista de preços numa loja de ferragens. É diferente escrever uma carta para a namorada ou o orçamento de um serviço de pedreiro. Alfabetizar-se em nossa sociedade significa introduzir-se nessa diversidade de práticas de leitura e escrita, significa ser apresentado a essa variedade de textos e não simplesmente à “carta do ABC”. Diversos estudos comprovam que, para se tornar de fato um usuário da língua escrita, um alfabetizando necessita mais que um conhecimento rudimentar do código escrito. Ele precisa experimentar um conjunto relativamente amplo de práticas de leitura e escrita, pelo menos aquelas que correspondem aos usos mais comuns dessas habilidades na nossa sociedade. Precisa sedimentar atitudes favoráveis ao uso da linguagem escrita em contextos diversos, o interesse pela busca de informações, pela aprendizagem, pela ampliação de seu universo comunicativo, por novas formas de planejar e controlar a própria atividade individual ou coletiva. Tem-se indicado um, dois ou mesmo três anos como período mínimo para que se atinja um nível básico de escrita autônoma e leitura compreensiva. Por esse motivo, os programas de alfabetização de adultos vieram evoluindo nas últimas décadas, no sentido de se constituírem como programas de educação básica. Para minorar o risco da regressão ao analfabetismo, é preciso que o programa possa apontar aos seus egressos, perspectivas de continuidade; seja por meio de inserção no sistema de Ensino Fundamental, seja por meio de novas oportunidades de educação continuada. Tais oportunidades podem estar vinculadas a diversos campos de interesse dos jovens e adultos: a qualificação profissional, a ação comunitária, o desenvolvimento cultural ou a participação cidadã. Enfim, podemos afirmar que a alfabetização só ganha sentido na vida dos jovens e adultos se eles puderem aprender algo mais que juntar letras. Eles precisam desenvolver junto com o aprendizado da escrita novas habilidades cognitivas de compreensão, elaboração e controle da própria atividade, precisam também criar novas motivações para transformarem a si mesmos e o meio onde vivem.

1.1. A questão do método

A metodologia proposta para um programa de alfabetização de jovens e adultos deve ser coerente com os objetivos a que se propõe. Se o objetivo se restringe à aprendizagem dos rudimentos da linguagem escrita, os tradicionais métodos alfabéticos e silábicos são suficientes e já provaram sua eficácia. Se o objetivo é formar usuários da linguagem escrita, capazes de utilizá-la para diversos fins, é essencial que os alfabetizandos tenham a oportunidade de entrar em contato com textos reais e com práticas que demandam a leitura e a escrita significativa desde o início do processo de aprendizagem. Desse modo, eles poderão aprender, concomitantemente, como funciona o sistema de representação alfabético, como são organizados os diversos tipos de texto e quais as marcas linguísticas que caracterizam cada um deles. Ganhando familiaridade com textos reais e variados desde o início da alfabetização, os jovens e adultos terão mais disposição para recorrer a eles depois de encerrado o programa, exercitando e desenvolvendo autonomamente suas habilidades de leitura e escrita ao longo da vida. Durante muito tempo, acreditou-se que era necessário criar textos artificiais –- o das cartilhas – para poder alfabetizar, pois só num segundo momento o aprendiz estaria em condições de ler textos de verdade. O que os estudos atuais mostram é que, longe de ser um benefício, a artificialidade de enunciados do tipo “Dói o dedo do Dida” ou “Caco comeu o coco” acaba por dificultar a aprendizagem. Tanto as crianças como os jovens e adultos já trazem um conhecimento do mundo e da própria escrita que não pode ser desconsiderado. Uma proposta didática atualizada, que leve em conta as capacidades dos alfabetizandos, deve propiciar desde o início do processo oportunidades para que eles mostrem o que já sabem e aquilo que precisam ou desejam saber; deve propor lhes desafios e ampliar os recursos disponíveis para que possam superá-los. Cabe-nos perguntar também o que se espera que os jovens e adultos façam com suas habilidades de leitura e escrita recém-adquiridas. Se esperamos que apenas repitam mecanicamente um conjunto limitado de textos, mais uma vez podemos recorrer aos exercícios de recitação de sílabas e frases de qualquer cartilha. Se desejamos que desenvolvam novas formas de raciocínio, que se interessem pelos fato do mundo, que transformem algo de si, melhorando a sua vida e a da comunidade, então devemos pensar num novo modo de alfabetizar. Devemos pensar uma alfabetização que incentive a criatividade, o raciocínio, o desejo de aprender e a responsabilidade com o autodesenvolvimento e com o desenvolvimento social.

B823p Brasil. Secretaria de Educação Fundamental.

Programa de desenvolvimento profissional continuado / Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: A Secretaria, 1999.




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