Edição 31

Lá Vem a História

Babushka

Na noite em que o Menino Jesus nasceu em Belém, num país muito distante, uma mulher muito velha, de nome Babushka, estava sentada em seu casebre, perto do fogo que a aquecia. O vento lá fora carregava a neve e gemia na chaminé, mas só fazia o fogo de Babushka arder com mais brilho.

— Ah, como eu fico contente só de poder estar dentro de casa!, dizia Babushka, abrindo as mãos sobre o calor das chamas.

De repente, ela ouviu uma batida forte na porta. Foi abrir, e apareceram três homens de idade parados na neve, com as barbas brancas feito a própria neve a lhes caírem até o chão, de tão compridas; os olhos deles rebrilhavam gentilmente à luz da vela de Babushka, e eles levavam nos braços uma porção de coisas preciosas: caixas de jóias, óleos perfumados e ungüentos…

— Nós estamos vindo de muito longe, Babushka, e paramos para dizer a você que o Menino nasceu em Belém. Ele vem para reinar no mundo e para ensinar todas as pessoas a serem amáveis e verdadeiras. Estamos levando presentes para Ele. Vem conosco, Babushka?

Mas Babushka olhava para a neve caindo e olhava para dentro da casa, para o quarto aconchegante e o fogo estalando:

— É muito tarde para ir, meus senhores. O tempo está frio, frio demais, falou ela. Tornou a entrar e fechou a porta. E os três homens velhos rumaram para Belém, sem ela. Já ao sentar-se de novo na cadeira de balanço, perto do fogo, Babushka começou a pensar no Menino Jesus, pois ela gostava muito de todas as crianças:

— Amanhã, eu vou lá procurar por Ele; amanhã, quando o dia estiver claro, eu vou levar para Ele alguns brinquedos.

Assim, quando o dia clareou, Babushka vestiu seu casacão comprido, apanhou seu cajado e encheu um cesto com uma porção dessas coisas bonitas de que os bebês gostam: bolas douradas, brinquedos de madeira, fios e prata. E lá se foi ela, à procura do Menino Jesus.

Mas Babushka esquecera-se de perguntar o caminho aos três anciãos, e eles já deviam ter andado tanto durante a noite que ela não os poderia alcançar.

Ela ia de um lado para o outro e, a todas as pessoas que encontrava, repetia a pergunta:

— Eu estou à procura do Menino Jesus. Onde é que Ele está? Eu trouxe para ele uns brinquedos tão bonitos!

Mas ninguém sabia dizer a ela o caminho por onde deveria ir, e todos lhe diziam:

— É para lá, Babushka. É bem para lá!

E, assim, lá se foi ela, cada vez mais “para lá”, anos e anos, sem jamais encontrar o Menino Jesus.

Dizem que Babushka ainda está viajando por aí, à procura d’Ele. Quando começa a noite de Natal e as crianças já estão caindo de sono, Babushka anda pisando bem de leve pelos campos gelados e pelas cidades ermas, embrulhada em seu capotão comprido, com a cesta dela nos braços. Com o cajado, ela vai batendo nas portas, entra e levanta o lampião para ver bem os rostos dos meninos:

— Será que Ele está aqui?, pergunta. Estará por aqui o pequenino Jesus?

E, então, ela retoma o caminho, toda tristonha, repetindo:

— É mais para lá! Bem mais para lá!.

Mas, antes de seguir viagem, ela retira do cesto um brinquedo e o deixa ali, perto do travesseiro, como presente de Natal:

— É em nome d’Ele!, diz ela, toda gentil.

E aí ela sai correndo, atravessando os anos e, para sempre, à procura do Menino Jesus.

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Fonte: CAMPOS, Geir (Seleção e Tradução). As melhores Histórias do Natal.
Bonsucesso: Ediouro. p. 7-8.

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