Edição 24

Projeto Didático

Brincando de Aprender Inglês com o Teatro (Manoel Messias Rodrigues Leite*)

A língua inglesa está cada vez mais presente em nosso dia-a-dia. Na Internet, nas revistas, na música, na TV, nos jogos e em várias outras atividades da nossa rotina, nos deparamos com essa língua que, aos poucos, se torna um importante ícone de comunicação.

É interessante, portanto, iniciar o ensino dessa segunda língua nas escolas desde a Educação Infantil, pois a criança está mais receptiva e tem mais vontade de aprender o novo. Mas que métodos utilizar para que o processo de aquisição se torne mais dinâmico e interessante? Como desinibir as crianças mais tímidas de forma a envolvê-las no processo de aprendizagem da língua inglesa? Foi pensando nessas e em outras indagações que surgiu a idéia de trabalhar o inglês na Educação Infantil usando o teatro como recurso pedagógico, para levar às crianças o lúdico através da arte, de uma forma humana, alegre e divertida. O trabalho que será relatado está sendo desenvolvido no Colégio Sete de Setembro, com a Educação Infantil, na cidade de Paulo Afonso (Bahia).

1. O teatro como estratégia de ensino

No Colégio Sete de Setembro, na Educação Infantil, um dos procedimentos mais eficazes que estão servindo de influência para o aprendizado da língua inglesa é o uso do teatro como recurso pedagógico para o ensino do inglês, principalmente com a participação de um personagem superengraçado chamado Juquinha (pelo qual as crianças têm muito carinho). Juquinha é um personagem caricato, de minha autoria, tendo como característica principal os dentes superiores bem projetados para a frente. O personagem tenta convencer as crianças de que é um professor, um super-herói da língua inglesa e sabe todas as palavras em inglês (quando, na verdade, não sabe nenhuma). As aulas são sempre iniciadas com exercícios corporais ou alguma outra atividade, como exercícios teatrais que trabalhem a psicomotricidade da criança e que tornem o ambiente mais acolhedor, fazendo uma breve revisão da aula anterior de uma forma bem envolvente e descontraída. Após a explicação do assunto estudado durante a aula, Juquinha entra em cena e chama a atenção de todas as crianças — inclusive das mais tímidas — e conta uma história de sua família, cujos nomes são: Jupira, Potira das Neves e Rambotríudes. À medida que o enredo vai sendo narrado, as crianças começam a rir diante dos absurdos contados por ele. Nesse momento, percebe-se que as crianças começam a se desinibir e, no momento seguinte, parecem ficar mais receptivas e motivadas para o aprendizado do novo idioma. Depois da história narrada de forma distorcida pelo personagem, ele diz que é lindo e “sabidão” (em inglês) e conhece todas as palavras da língua. As crianças sentem-se desafiadas e ficam com vontade de corrigi-lo quando erra. Juquinha diz, por exemplo, que pink é azul e que orange significa jacaré, em inglês. As crianças adoram quando ele erra, para, então, corrigi-lo. “É não, Juquinha, pink, em inglês, significa rosa e orange é laranja.” O personagem é o ponto-chave para estimular o aprendizado da língua inglesa.

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Os exercícios teatrais ajudam as crianças a se sentirem mais seguras de si e do outro.

2. Motivação na dose certa

A estratégia do uso do teatro está dando certo nas salas da Educação Infantil: as crianças sentem-se mais estimuladas para o aprendizado dessa segunda língua. Quando saímos do personagem, as crianças querem saber mais e mais palavras em inglês, para que, na próxima aula, elas, provocadas por Juquinha, saibam mais vocábulos do que ele — não para subestimá-lo, mas para ensinar corretamente a pronúncia e o significado das palavras. Essa constante motivação levada pelo teatro também é capaz de favorecer um melhor relacionamento entre as crianças: elas ficam mais receptivas para o novo. São essas relações interpessoais que mais tarde constituirão o centro da vida adulta da criança de hoje. Quando as crianças estão motivadas, elas exploram mais os sentimentos e entram na atmosfera do prazer em aprender, o que facilita ainda mais o processo de aquisição da língua inglesa.

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O primeiro contato de Juquinha com as crianças.

3. A influência dos estudos de Jean Piaget e Vigotsky nas aulas

O fator lúdico, nas aulas, é trabalhado com fundamento nos estudos de Jean Piaget, que defende a idéia de que os produtos das deduções lógicas são necessários e frutos de uma construção psicológica na qual se vê que as raízes desta construção encontram-se já presentes na criança bem pequena.

A questão da afetividade, da socialização dos alunos nas aulas e da internalização dos vocábulos ingleses estudados é baseada na teoria proposta por Vigostsky, ao afirmar que, no processo de aquisição de uma segunda língua, a criança primeiramente utiliza a fala socializada, com a função de um contato social; em fases mais avançadas de sua aquisição, porém, a linguagem utilizada passa a servir ao próprio indivíduo. Isto é, ao longo do desenvolvimento de uma segunda língua, a pessoa passa a ser capaz de utilizar a linguagem como instrumento de pensamento, com a função de adaptação pessoal.

4. O processo de avaliação

O processo de avaliação (no caso, a fala) é feito cotidianamente. Ensinamos os vocábulos para as crianças, e, no momento em que o Juquinha está na sala, a garotada corrige os erros cometidos por ele, aprendendo, sem perceber, os vocábulos ingleses, demonstrando total satisfação. Observamos também o empenho, a criatividade e o desenvolvimento dos alunos nas tarefas propostas em sala de aula.

5. A educação brasileira cresce mais conhecendo outras culturas

Ficamos felizes em saber que a língua inglesa está sendo estudada, em alguns colégios particulares, desde a Educação Infantil. Essa visão mais completa e integradora, orientada para a transformação da educação brasileira e sua incorporação ao mundo globalizado, enfrenta ainda algumas limitações: nas escolas públicas, muitos alunos só vêem inglês a partir da 5ª série do Ensino Fundamental. A educação brasileira, como um todo, precisa investir mais no setor educacional, incluindo a língua inglesa no currículo da Educação Infantil, favorecendo, assim, um contato antecipado que permita inserir a criança como cidadã de um mundo mais crítico e globalizado.

Informações pessoais

Eu sou Manoel Messias Rodrigues Leite, professor de inglês do 1º período da Educação Infantil à 8ª série do Ensino Fundamental. Tenho 23 anos e leciono inglês desde os 20. Faço o 6º período do curso de Letras e, atualmente, trabalho no Colégio Sete de Setembro, na cidade de Paulo Afonso, Estado da Bahia, onde desenvolvo um trabalho na Educação Infantil com uma proposta bem interessante, que utiliza o teatro como recurso pedagógico no processo de aquisição da língua inglesa.

O Colégio Sete de Setembro faz parte da rede particular de ensino, do Maternal ao Ensino Médio, sendo referência na cidade e região pela qualidade e credibilidade na educação. O colégio tem exatamente 40 anos, e um dos seus objetivos é oportunizar condições para uma formação integral que proporcione ao aluno sua auto-realização, para que participe efetivamente na construção de uma sociedade de convivência harmônica e solidária.

Acredito que este trabalho seja divulgado a fim de incentivar os nossos colegas da área de Educação que buscam, assim como eu, encontrar saídas para estimular o aluno a ter prazer em aprender e ampliar suas potencialidades, sejam elas lingüísticas, artísticas, socioculturais, espaço-temporais, humanas ou ambientais (pois o homem também é natureza).

Manoel Messias Rodrigues Leite
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