Edição 13

Matérias Especiais

CAMINHOS NA BUSCA DOS DIREITOS HUMANOS…

“A promoção dos Direitos Humanos se dá no cotidiano. Afeta, profundamente, a vida de cada um de nós e de cada grupo social. Tem de ser vivenciada, em nosso dia-a-dia, em atitudes e comportamentos que transformem nossa maneira de pensar, de sentir, de agir e de viver.

Nessa perspectiva, afirmamos que a luta por estabelecer firmemente, na consciência dos indivíduos e dos povos, o compromisso com a promoção dos Direitos Humanos, passa, obrigatoriamente pela, educação.

Somos conscientes de que muitos educadores, apesar de enfrentarem situações as mais adversas, estão empenhados em construir caminhos nessa direção. Sabemos que se trata de um enorme desafio, mas acreditamos na construção coletiva, na indignação ética e no dinamismo emergente de uma cidadania ativa e comprometida.”

Educação e Ação pelos Direitos Humanos

“(….) Somos plenamente conscientes de que não existe um verdadeiro processo educativo que não seja ativo. De fato, pais de famílias, professores, educadores, animadores de grupos, militantes, etc. convertem-se em agentes pedagógicos à medida que praticam os Direitos do Homem. Eles não são aprendidos ‘de cor’, mas praticados. Caso contrário, morrem e desaparecem da consciência da humanidade.

No que diz respeito ao ensino dos Direitos Humanos, estamos persuadidos de que não há, de um lado, experts e, de outro, ignorantes. Todos somos especialistas do humano, ou indigentes, e a tarefa de humanizar deve brotar de nossas iniciativas educativas.

Nesse campo, podemos afirmar com segurança: ninguém educa ninguém. Aqui, os seres humanos educam-se em comunhão! Ninguém tem o monopólio dos elementos humanizantes. Todos temos algo que dar e algo que receber.

Este trabalho que aqui apresentamos quer refletir também a preocupação por uma informação mínima, que é a base de toda possível ação no campo dos Direitos Humanos, e nosso desejo de evitar ficar no plano do discurso teórico a respeito do assunto. Essa dupla ambição marca, também, nossa limitação. Pretendemos apenas ganhar um lugar junto a tantos outros esforços e convidar todos os seres de boa vontade a se converterem, onde quer que estejam, em entusiastas e entusiasmantes educadores dos Direitos Humanos.

Sem este entusiasmo, este ensinamento, os Direitos Humanos não impregnam o processo educativo, especialmente das novas gerações, não há progresso possível em tal campo.

Podemos educar para os Direitos Humanos? Talvez alguns respondam rapidamente que sim. Nós — com base na experiência histórica — achamos que não é impossível nem tampouco é fácil. Inicialmente, é necessário conhecer os direitos e admitir também que seu conhecimento não se limita ao mero enunciado dos trinta artigos da Declaração Universal, mas que implica o descobrimento e a prática de certas atitudes complexas e exigentes. E isto é assim porque os Direitos Humanos não são neutros, não toleram qualquer tipo de comportamento social, político ou cultural. Exigem certas atitudes ao mesmo tempo que repelem outras.

Um dos maiores obstáculos para a difusão da educação em Direitos Humanos é o abismo existente entre o discurso, as palavras e os fatos, as atitudes. Se um educador, se um sistema escolar, pretende educar para os Direitos Humanos, deve sempre começar por praticá-los. Não há educação para os Direitos Humanos, não há projeto educativo válido nesse campo sem profundo compromisso social por torná-los realidade. E isso começa ao se descobrir que o próprio educando, sobretudo ele, possui direitos inalienáveis e não manipuláveis.

Neste território pedagógico, não existe um ensino neutro. E, além disso, historicamente, todo ensino tem sido uma tarefa na qual o educador, consciente ou inconscientemente, tomou partido claramente por uns e outros valores, procurando inculcá-los nos demais. Isto é assim porque educar não se restringe nunca à mera informação. Educar é também transmitir convicções, esperanças, afetos, desilusões e compromissos… Em última análise, na origem de qualquer processo educativo, existem perguntas básicas que não podem ser eludidas: ‘Que tipo de sociedade e de pessoa devo defender e transmitir?’ ou ‘Que sistema educacional se ajusta mais a esta opção?’ E, logicamente, essas perguntas não são exclusivamente teóricas, estão unidas a uma prática e estão dirigidas tanto aos indivíduos como aos Estados. (….)

Superar o divórcio entre a teoria e a prática, no campo dos Direitos Humanos, é o maior desafio atual. Muitas vezes, a teoria educativa não chega a se arriscar e se ‘sujar’ com a prática quotidiana. Há uma tendência em eludir essa responsabilidade por parte dos educadores e dos centros com seus programas educativos.

Estabelecer relação entre a teoria e a prática implica a participação ativa dos mesmos educandos no próprio centro da ação educativa, negando a outra relação, alienante, que os considera como meros ‘depósitos’ a se encherem com determinadas informações. E isso considerando que, como disse Bakunin: ‘A liberdade só se ensina com a liberdade!’”

MOSCA, Juan José; AGUIRRE, Luíz Peréz. Direitos Humanos — pautas para uma educação libertadora. Petrópolis: Vozes, 1990. p. 19-20. Educação e ação pelos direitos humanos.

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