Edição 22

Lendo e aprendendo

Chico Mendes, o Homem da Floresta

Mensagem de Chico Mendes

“Se descesse um enviado dos céus
e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta, até que valeria a pena.
Mas a experiência nos ensina o contrário.
Então eu quero viver.
Ato público e enterro numeroso
não salvarão a Amazônia.
Quero Viver.”
Jornal do Brasil, dezembro de 1988

Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes (1944–22/12/1988), acreano, nascido no seringal Porto Rico, em Xapuri, tornou-se seringueiro ainda criança, acompanhando seu pai. Dedicou praticamente toda a sua vida à defesa dos trabalhadores e povos da floresta.
Como líder sindical, inicia-se com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, em 1975, quando é escolhido para ser secretário-geral. Em 1976, participa ativamente das lutas dos seringueiros para impedir desmatamentos através dos “empates”. Organiza também várias ações em defesa da posse da terra.
Em 1977, participa da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, além de ser eleito vereador pelo MDB à Câmara Municipal local. Nesse mesmo ano, Chico Mendes sofre as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros, ao mesmo tempo que começa a enfrentar vários problemas em seu próprio partido, o MDB, que não era solidário às suas lutas.
Em 1979, Chico Mendes transforma a Câmara Municipal num grande fórum de debates entre lideranças sindicais, populares e religiosas, sendo por isso acusado de subversão e submetido a duros interrogatórios. Em dezembro do mesmo ano, Chico é torturado secretamente. Sem ter apoio, não tem condições de denunciar o fato.
No ano seguinte, Chico Mendes assume a direção do Sindicato de Xapuri, do qual foi presidente até o momento de sua morte. Nesse mesmo ano, Chico é acusado de incitar posseiros à violência. Sendo julgado no Tribunal Militar de Manaus, consegue livrar-se da prisão preventiva.
Nas eleições de novembro de 1982, Chico Mendes candidata-se a deputado estadual pelo PT, não conseguindo eleger-se.
Em outubro de 1985, lidera o 1º Encontro Nacional dos Seringueiros, quando é criado o Conselho Nacional dos Seringueiros – CNS, do qual se torna a principal referência. A partir de então, a luta dos seringueiros, sob a liderança de Chico Mendes, começa a ganhar repercussão nacional e internacional, principalmente com o surgimento da proposta de União dos Povos da Floresta, que buscava unir os interesses de índios e seringueiros em defesa da floresta amazônica, propondo ainda a criação de reservas extrativistas que preservassem as áreas indígenas e a própria floresta, ao mesmo tempo que garantissem a reforma agrária desejada pelos seringueiros.
Em 1987, Chico Mendes recebe a visita de alguns membros da ONU, em Xapuri, onde puderam ver de perto a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros causadas por projetos financiados por bancos internacionais. Dois meses depois, Chico Mendes leva essas denúncias ao senado norte-americano e à reunião de um banco financiador, o BID. Chico é acusado por fazendeiros e políticos de prejudicar o “progresso” do Estado do Acre. Meses depois, Chico Mendes começa a receber vários prêmios e reconhecimentos, nacionais e internacionais, como uma das pessoas que mais se destacaram naquele ano em defesa da Ecologia, como, por exemplo, o prêmio Global 500, oferecido pela própria ONU.
Durante o ano de 1988, Chico Mendes, cada vez mais ameaçado e perseguido, principalmente por ações organizadas após a instalação da UDR no Acre, continua sua luta percorrendo várias regiões do Brasil, com o objetivo de denunciar a ação predatória contra a floresta e as ações violentas dos fazendeiros da região contra os trabalhadores de Xapuri. Por outro lado, Chico participa da realização de um grande sonho: a implantação das primeiras reservas extrativistas criadas no Estado do Acre, além de conseguir a desapropriação do Seringal Cachoeira, de Darly Alves da Silva, em Xapuri.
No 3º Congresso Nacional da CUT, Chico Mendes defende a tese apresentada pelo Sindicato de Xapuri, Em Defesa dos Povos da Floresta, aprovada por aclamação por cerca de seis mil delegados presentes. Ao final do Congresso, ele é eleito suplente da direção nacional da CUT.
Em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes é assassinado na porta de sua casa. Chico era casado com llzamar Mendes e deixou dois filhos, Sandino, então com dois anos, e Elenira, com quatro anos.

MEMORIAL CHICO MENDES

A Embaixada dos Povos da Floresta

A Embaixada dos Povos da Floresta é uma organização civil sem fins lucrativos, com atuação em todo o território nacional, originária das idéias de Chico Mendes pela preservação das florestas, dos biomas e ecossistemas brasileiros e das comunidades que nelas vivem e trabalham.
Seu objetivo maior é colocar em prática ações de melhoria da qualidade de vida das comunidades de base, apoiando a implantação de projetos e serviços de defesa do meio ambiente, da habitação, saúde e educação e de valorização de manifestações culturais e artesanato. Contribui, ainda, para a educação ambiental da sociedade, desenvolvendo atividades práticas e demonstrativas, objetivando a inclusão de conteúdos sobre meio ambiente e práticas agrícolas no currículo das escolas urbanas e rurais.

O que encontrar no Memorial Chico Mendes

O Memorial Chico Mendes tem sua sede em Brasília/DF e está aberto ao público em geral, para consultas e pesquisas.
O acervo do Memorial possui relatórios, estudos, livros, revistas ambientais e outras publicações, biblioteca interativa, fotos, CD-ROM, etc. Sua infra-estrutura permite a realização de palestras e treinamentos, feitos por técnicos em Educação Ambiental.
O Memorial abriga o Centro Demonstrativo de Produtos Agroextrativistas, cujo objetivo é a divulgação e a inserção dos produtos da floresta em novos mercados, viabilizando assim a permanência dos povos tradicionais na floresta. No Centro Demonstrativo, além dos coeficientes técnicos, podem ser encontrados e degustados produtos extrativistas da região amazônica (castanha-do-pará, polpas de frutas diversas, etc.), além de artesanato típico, disponíveis para venda.
O Memorial promove eventos de música, dança e artes plásticas, valorizando a cultura dos trabalhadores agroextrativistas.
Visando manter viva a cultura dos povos da floresta e aproximá-la da população urbana, o Memorial construiu a Casa dos Seringueiros, no Parque da Cidade de Brasília, Distrito Federal.
Essa demonstração da arquitetura simples e funcional desses habitantes das florestas estará completa com a futura construção da Casa de Farinha, do Defumador e da Casa de Óleo de Coco-babaçu.

Objetivos do Memorial Chico Mendes

· Valorizar e difundir as iniciativas em defesa do meio ambiente.
· Pôr em prática ações de melhoria da qualidade de vida das comunidades de base.
· Apoiar projetos de desenvolvimento das manifestações culturais.
· Contribuir para a educação ambiental da sociedade.
· Promover atividades voltadas à proteção das florestas.
· Divulgar, em nível nacional e internacional, a luta e os objetivos das comunidades tradicionais e as idéias de Chico Mendes.
· Realizar, patrocinar e promover eventos (cursos, seminários, encontros locais, regionais, nacionais e internacionais) nos campos de estudos e pesquisas das florestas, dos biomas e ecossistemas (preservação, desenvolvimento sustentável, etc).
· Constituir-se em um fórum permanente de debate sobre temas relacionados a florestas e seus habitantes.
· Realizar treinamentos e capacitação dos recursos humanos na perspectiva do desenvolvimento sustentável, assim como da transferência de tecnologia.
· Coordenar e apoiar pesquisas para o melhoramento dos produtos agroextrativistas das florestas.

 

Memorial Chico Mendes – Embaixada dos Povos das Florestas
Parque da Cidade – Estacionamento nº 12
CEP: 70610-300 – Brasília/DF – Telefone: (61) 322-9291
Telefax: +55 (61) 323-4600 – Celular: (61) 981-8848
Extraído do site: http://www.chicomendes.com.br/ no dia 16/12/2004.

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