Edição 93

A fala do mestre...

Coaching na escola

Nildo Lage

32_a_falaAntes do primeiro passo, vamos a um papo cabeça. Contestem se estão dispostos (sistema, escola, você! Você mesmo, educador!) a arrostarem mais um episódio da temporada Geração Hashtag no planeta educação. Caso contrário, não haverá mudanças atitudinais nem comportamentais, pois, sem iniciativas que atraiam o novo para a sala de aula, a educação não avança.

Para tanto, coaching educacional consiste em desenvolver habilidades, dentre elas a aptidão de ouvir. Ouvir o outro, fazer ouvir a própria voz para que o íntimo externe anseios, desejos, planos. Nesse processo, a ação do educador — que deve dominar habilidades pessoais e sociais — é essencialmente estratégica e não pode sair do foco de agenciar o desenvolvimento por meio de um aprendizado delineado nos recursos do próprio educando. O eu tem que ser mirado para que a consciência seja o eixo norteador. Não me refiro à consciência de que tudo que o educando sabe é errado. Todavia, a sua bagagem cultural, familiar, social ou religiosa deve ser alocada na plataforma para proporcionar uma aprendizagem projetada na competência, para que ambições pessoais sejam alcançadas por meio do autoconhecimento que ressignifica a ótica de si mesmo.

Essa visão é a janela que se maximiza para a consciência de que vencer, liderar, estabelecem preceitos. Ultrapassar limitações, acumular competências, robustecer estruturas requer conhecimentos intrínsecos à formação humana. Esses anseios são impelidos pelas molas propulsoras autoestima e autoconfiança, salientando que ensinar não é ajustar falhas, inserir conteúdos, decorar códigos, preencher lacunas… Ensinar agencia marcação de alvos, alinhamento de ações para conduzir o humano pelo sinuoso caminho da realização, para localizar o tesouro perdido no seu interior: encontrar a si mesmo.

Ser coach é ser resiliente; ser resiliente é ser flexível, forte para competir, ser destaque… O melhor, mesmo que todos à sua volta digam que não vai dar certo.

Essa estrutura abre caminhos, incentiva a recomeçar a cada fracasso, e você terá a grande surpresa: descobrirá que cada educando é um diferencial com iniciativa independente para delinear o próprio caminho. Lembre-se: ser educador coach é ser resiliente, e ser resiliente é recomeçar a cada tropeço, para realizar o propósito de se posicionar entre os bem-sucedidos.

33_a_falaImpetrar essa meta é sinal de que o próximo passo não pode ser contido, pois este conduz ao marco, ao interior, ao eu… A sua missão é cumprir o papel mais importante do coaching: transformar realidades, vidas… Olhar para trás é improvável nesse estágio… Educador, educando e escola têm que firmar nos mesmos propósitos para entreverem o coaching como processo que harmoniza o crescimento e promove a aprendizagem.

Nesse exercício, a energia do coaching — a ousadia — fluirá, elevará a rotação para exercitar o próximo degrau, uma vez que o potencial está apurado e se torna bússola para conduzir o educando ao portal de suas conquistas. Alcançar o sucesso é o degrau definitivo, pois o alocará na plataforma das realizações.

Ufa! Progredimos! Agora, abra os olhos! Vamos afrontar a realidade. Quanto mais nos esquivarmos para contemporizar decisões, mais a educação sofrerá retrocessos. Novas tecnologias germinam como erva daninha. Conhecimento, informações abrolham em tempo real, convertendo práticas docentes em futilidades, pois a escola não aproveita essas ferramentas, e o pior: o educando tornou-se dependente desses instrumentos.

Se, como educadores, não nos familiarizarmos com as inovações, não estamos preparados para reger uma sala de aula. Falta-nos tudo, inclusive comprometimento para aprendermos a aprender e, assim, ensinar melhor, e ensinar melhor é projetar o educando para o próprio universo e, por meio dele, experimentar o conhecer para ser.

Para atingirmos a excelência, é preciso conhecimento mútuo. Educador e educando terão que originar um encontro para proporcionarem o autoentendimento, para que o processo de ensinar e aprender ocorram sob um clima de harmonia. A aprendizagem só sobrevirá com discussão, orientação, trocas… Se ambos — educador e educando — se entenderem, incidirá o tão sonhado aprendizado.

Afinal, coaching educacional opera no humano como um carregador da bateria que energiza e alça o potencial do educando, o destacando como único construtor de seus próprios sonhos. Coaching, de tão hábil, possibilita o que a educação mais ambiciona: o crescimento humano, e, quando proporcionamos esse desenvolvimento, não apenas projetamos o indivíduo, mas oferecemos subsídios que lhe servirão de norte por toda a vida. Uma vez atingidos os objetivos elementares, expande-se a plataforma que o alocará frente a frente com os propósitos maiores, com a realização pessoal e profissional ao atingir o clímax: ter foco, um propósito a ser alcançado e ciência de quais ações o conduzirá a esse ponto.

Se ambicionarmos humanos vitoriosos, é sucinto investirmos na qualidade. Embora responsáveis por nossas escolhas, não necessitamos de governo de manobras políticas para ostentar o poder… Governo que anuncia “marolinha” e aborda tsunami; prega esperança e espargia descaso… Acorda, governo! Não podemos apreciar os fracassos de nossos filhos devido a precariedade do ensino e ouvi-lo nos horários nobres: “ Sou inocente… Fiz a minha parte!”.

O que é isso, sistema? Apresenta uma educação que prega formação do cidadão autônomo, crítico… Consciente… E mal oferece subsídios para desenvolver competências das quatro operações matemáticas e ler, pois escrever — corretamente — é luxo para poucos. O resultado do retrocesso de duas décadas é estampado dia após dia, anos a fio, nas páginas dos principais jornais do planeta: presídios superlotados, farras regadas a drogas, fugas em massa, rebeliões e massacres sangrentos. Se não temos uma educação capaz de proporcionar formação, não temos horizontes… Não temos perspectivas para o futuro.

Se acredita que autonomia se adquire sem crítica, senhor Sistema de Ensino, certamente necessita conhecer a fórmula do sucesso. Vitória estabelece valentia para não temer desafios; audácia, por acreditar no potencial para suplantar barreiras… Sucesso é ter capacidade para abrir caminhos entre a concorrência… Ser racional, prudente. Para chegar ao sucesso, é imprescindível ousadia para quebrar o existente e reconstruir com estrutura para ostentar conquistas… Se o novo o intimida, não tem capacidade para administrar uma nação que não suporta ouvir falar de corrupção, Lava Jato, delação premiada, e, no frigir dos ovos, serve-se a tradicional pizza à la propina.

O que ainda mantém o brasileiro de pé é o frágil fio da esperança que faz de cada cidadão resiliente o bastante para sobrepujar as cadências de escândalos, abusos e vergonhas… Vergonhas que atiraram o País na lista dos mais corruptos… É sofrência, senhor governo, viver num país sem saúde, educação, segurança… Para falar a verdade, é a treva, como diz o futuro — os nossos jovens, que dependem dos seus “valiosos” préstimos para ser alguém. Se não tem ousadia, pelo menos, seja coerente e reflita: a esperança ganha força à medida que as oportunidades surgem.

Coaching na escola, blended learning são introduções à escola do futuro. Nas próximas décadas a tecnologia ruirá paredes, demolirá tendências… Dará um basta no educador… Tudo que subsistirá é um espaço com a placa: “Escola X” na fachada, onde educandos itinerantes passarão de tempo em tempo — no máximo, duas vezes por ano — para cumprirem protocolos administrativos — pois as aulas com conteúdos interdisciplinares serão administradas online numa insurrecionária plataforma de ensino… Provas serão processos do passado, pois os novos gestores do planeta — os educandos — dominarão competências para gerirem a trajetória de buscas, construírem com eficácia o próprio conhecimento. Educador? Não… Eficiente mediador, um robô, cuja inteligência artificial evolutiva atingirá um QI acima de 300 para desenvolver profissionais aptos a enfrentarem os desafios de um mundo que ordena líderes capazes de encontrar soluções para superar os desafios mundiais.

Vitória estabelece valentia para não temer desafios; audácia, por acreditar no potencial para suplantar barreiras…

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Esse é o ponto, a pedra fundamental da educação do amanhã. Sinal de que o coaching educacional atingiu a sua meta, e você — educador —, se não evoluir, perderá espaço na escola do amanhã. Tudo que restará serão lamentos. Lamentará com pesar o tempo perdido… Tempo que evadiu entrelaçado aos ranços, às picuinhas… A resistência ao novo… Quando poderia ter aplicado em si mesmo, investindo na própria carreira, aprendendo mais… Aprendendo que ensinar é potencializar o humano para superar desafios… e experimentado que a ação de ensinar está agregada ao ato de errar… Errar para fundamentar o processo de aprender e, assim, suplantar dificuldades.

Se tem pretensões de permanecer na profissão, seja coerente, seja eficaz, seja coach… Não permita ser suplantado pela máquina por ausência de ação… Levante… Transite entre o fato e a ilusão… Ser educador coach não é ficção, é acreditar no potencial do educando e motivá-lo a explorar o desconhecido, a conquistar o mundo… Tornar-se um vitorioso… Portanto, assuma coaching como modus operandi para revolucionar a sua metodologia de ensinar. Desempenho sobrevém com motivação, e coaching educacional proporciona subsídios que facilitam o entendimento, promove a mutação da consciência com o rompimento de barreiras, abre leques que ampliam a visão, aguça a ambição de atingir ideais ousados. Estacionar no tradicional é puxar o freio de mão do veículo educando, que necessita de estremeção para construir a plataforma do pensar lógico, para atuar com autonomia, independência para transitar pela autoestrada do próprio existir, sem se perder na direção.

35_a_falaSe não compreendeu a importância do coaching na escola, estará descartando uma metodologia que oferece técnicas e ferramentas que expandem a aprendizagem e harmonizam a cadência de “autos”: autodesenvolvimento, autoconfiança, autoconhecimento… Autocontrole… até conduzir ao “auto” mais importante: autonomia. Autonomia para perpetrar escolhas, enfrentar situações adversas, para se converter num agente facilitador, capaz de assumir deliberações para realizar planos pessoais e profissionais.

Caro educador, aprenda a aprender exclusivamente com aquele que acredita ensinar. Assim, o seu cliente aprenderá com suas atitudes, com o seu aprender a buscar, o crescimento por meio do conhecimento… Aprender mais auxilia nas buscas, amplia a ótica para vermos além do horizonte, e, quando conseguimos visualizar a vida de desafios e conquistas, aprendemos a lição mais importante: não desistir de sonhos e propósitos.

Não é anedota. A desinformação docente é abissal. Educador não lê — nem as informações do mural; educador não pesquisa — exceto na busca das atividades prontas; educador não se capacita — não me refiro a pós-graduação, mestrado, e sim à absorção das novidades que abrolham à sua volta. Essas disparidades expõem muitos a situações embaraçosas, como o ocorrido em Vai-Com-as-Outras, uma cidade conceituada, cravada no calcanhar do descaso. Um Educador de Biologia — que acreditava ser o cara — sentou na primeira fila do Ginásio de Esportes, onde acontecia uma palestra oferecida pela Secretaria da Educação num congresso municipal sobre educação para o futuro.

Ao ouvir o palestrante pronunciar “coaching”, o referido educador se levantou, voltou-se para os colegas, estufou o peito, dilatou a veia do pescoço e principiou o seu discurso, proferindo sobre a orquestra de sapos que coaxava numa lagoa próxima à casa de sua mãe cada vez que chovia, e, com o semblante consternado, finalizou: “O concerto emudeceu, pois a lagoa foi drenada e aterrada para se transformar num loteamento residencial!”.

Educador, coaching é mudança de mentalidade. Mudança que atrai ideias inovadoras para educar o emocional, ponderar situações e adotar decisões coerentes… Essa estrutura eleva a potencialidade para alcançar propósitos pessoais e profissionais… posiciona-se nesse cruzamento, altera a direção. Coach é uma vereda cujas margens abrolham ingredientes que fortalecem o eu, ampliam as oportunidades de vitória por meio do aprender com as adversidades. Essa resiliência desenvolve competências que se tornam roteiros para novas conquistas.

Se conservarmos na escola o exército que se preocupa com coaxos e não lê, não capacita, não absorve conhecimento, tampouco compartilha informações para ministrar aulas atraentes, será complicado aplicar coaching como metodologia de metamorfose humana, e muitos continuarão coaxando, zoando com a galera, crentes de que estão surfando na onda do coaching na escola.

Resistir à inovação distancia a escola da sociedade, e a educação se aproximará cada vez mais do submundo do descaso, para fortalecer as bases do sindicato do crime. A metodologia de coaching, pode não resolver os problemas de uma educação sem tendência definida. Todavia, mune de subsídios a prática docente que promove o desenvolvimento discente, desafiando as partes a aprenderem por meio do compartilhamento de conhecimentos… Educador coach maximiza os horizontes da educação, pois, obrigatoriamente, assumirá nortes definidos por adotar metodologias que atuam com eficácia no processo de aprendizagem, uma vez que o envolvimento é inevitável, e, quando advém essa justaposição, o ambiente da escola, da sala de aula, converte-se em espaços deleitosos, onde educador e educando sentirão prazer em frequentar, uma vez que a essência do coach fluirá, pois o trabalho desempenhado pelo educando obedecerá cadências.

Tempo e consciência tornam-se paralelos que conduzem a um desenvolvimento homogêneo, uma vez que o crescimento humano converter-se-á num paradigma a ser exercido como meta delineada pelo maior interessado — o educando — e executado com eficiência pelo responsável de interceder no seu desenvolvimento — o educador. Pensou que passaria desapercebido, senhor gestor? Claro que não! Encara a realidade, convida a sua equipe técnica para uma conversa e deixa evidente que coaching educacional na gestão da “sua” escola vai além de ações pedagógicas… Auxílio profissional delineia ações, dilata visão, projeta para o universo dos desafios, e o mais extraordinário: os desafios, tornam-se impulsos, convites para assumirem compromissos com o próprio crescimento pessoal. E, quando o alvo é o crescimento pessoal, profissional e humano, dar o melhor de si passa ser o desafio maior. Desafio conduzido pela consciência de quem sabe aonde quer chegar, por ter estrutura para fazer escolhas e perpetrar mudanças.

Gestor, se realmente ambiciona desenvolver potenciais líderes, é preciso rever seus preceitos, revisar as engrenagens para atender à demanda com uma educação contemporânea… Na mesma chama que aquece o educando para a maturação por meio do autoconhecimento, deverá assar sua batata para agenciar o desenvolvimento da sua equipe. É desafio para titãs… Coaching educacional não aceita imprecisões… Inermes… Gestor coach tem que ter fibra, deliberação, ser um líder nato… Do contrário, não gerenciará crises, tampouco atingirá metas, por tropeçar nas dificuldades para inserir valores intrínsecos à formação do indivíduo à base de competências que suplantem colapsos, gerencia problemas sem gerar novos problemas, ou seja, raciocinar com perceptibilidade para atuar com coerência.

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