Edição 49

Matérias Especiais

Como aproveitar seu professor

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Uma das maiores razões para a queda de rendimento dos estudantes em colégios, cursos e faculdades é o relacionamento deficiente entre professores e alunos, ou seja, um mau entrosamento ou um desequilíbrio entre as expectativas e a realidade. Quando o professor é bom, a turma aprende mais. Quando não é bom, isso exige um esforço maior de todos. A depender do professor, no mais das vezes, a turma ou o aluno passam a gostar da matéria de que não gostavam ou odiá-la, com as consequências já conhecidas.

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Contudo, visando aos objetivos finais (aprendizado, conhecimento e sucesso), não podemos nos dar ao luxo de perder tempo com uma falha de relacionamento ou comunicação entre os dois polos do processo ensino-aprendizagem. O professor é um dos pontos centrais de um sistema eficiente de aprendizagem, um elo indispensável entre o aluno e seu crescimento pessoal e profissional. Entretanto, o professor, às vezes, é depreciado em seu salário, seu status, seu aprimoramento, etc. Mas, extrapolando tal problemática, sabemos que o professor é essencial nesse processo, e isso deve ser levado em consideração.

Um professor pode motivar positivamente ou negativamente uma turma, e vice-versa. Já vi, mais de uma vez, as duas coisas acontecerem. Por ser, contudo, o professor, o mais experiente, é correto esperar-se dele a iniciativa do processo de deflagramento do aprendizado, da motivação e produtividade. Bons exemplos podem ser vistos nos filmes Ao Mestre, com Carinho; Sociedade dos Poetas Mortos; Mr. Holland, Adorável Professor; e O Clube do Imperador. Veja esses filmes. O incentivo é algo importante, encontre-o, utilize-o para ajudar a si e aos outros. Se não puder fazer isso, ao menos não desanime os outros. Como diz Ted Turner, “Lidere, siga ou saia do caminho”. Porém, este artigo não é escrito para professores, mas, sobretudo, para alunos. Desse modo, não nos adianta dizer apenas o que o professor deve fazer para melhorar essa relação, mas também o que podem fazer os alunos.

Procurando homens perfeitos

Uma das primeiras falhas cometidas pelos alunos, e que atrapalha a relação de ensino, é procurar educadores que sejam homens ou mulheres perfeitos. Muito embora nós não sejamos nem conheçamos ninguém que o seja, tendemos a querer que os nossos professores sejam perfeitos: espetaculares atores, voz inigualável, nenhuma falha de caráter ou de transmissão, gênios, comunicadores, semideuses. É claro que a vida não é assim.

Todo professor terá suas falhas e seus defeitos, assim como qualidades. Assim como gostar da matéria é indispensável para aprendê-la, um pouco de simpatia e aceitação em relação ao mestre que ensina faz muito bem para o aprendizado. Logo, se você quer aprender mais, aprenda a aceitar e a compreender seus professores.

Não dependa do professor

O pensamento acima mostra a importância de o estudante participar do processo de aprendizado e de o mestre saber trabalhar o aluno. Se o professor não é tudo o que você gostaria que ele fosse, primeiro verifique se você não está superestimando sua necessidade ou procurando homens ou mulheres perfeitos. Em segundo lugar, compense eventual falha com seu estudo pessoal, em casa.

Apenas em casos muito raros a turma precisa conversar com o professor ou com a direção do estabelecimento de ensino em busca de solução para problemas na transmissão dos conhecimentos. Via de regra, com boa vontade, resolver problemas entre professor e alunos torna-se uma tarefa fácil. Ademais, como já ensina a sabedoria popular, “Quando um não quer, dois não brigam”. Mantendo uma atitude positiva, é certo que o relacionamento professor-aluno irá bem e a produtividade das aulas aumentará.

Não dependa do professor para aprender. Se preciso, estude sozinho, aproveite ao máximo o que o professor pode transmitir, não se torne intelectualmente dependente dele ou de qualquer pessoa. “Pensai por vós mesmos”, já foi dito.

Atitudes

Se o professor for bom, agradeça a Deus; se for espetacular,faça isso três vezes. Se o professor não for tão bom, tente descobrir alguma coisa que ele saiba ensinar, pois, se está nessa posição, certamente deve ter algo para transmitir. Às vezes, o professor sabe muito a matéria, mas tem dificuldade para passá-la aos alunos. Se, contudo, essa limitação for superada, o benefício será grande e mútuo. Se o professor for simpático, ótimo. Se não for e souber a matéria, ótimo também, pois o importante é aprender. Se o professor faltar, estude em vez de conversar.

“Quando o aluno está pronto, o mestre surge.” Aforismo

Incentive o professor

O aluno e a turma possuem um grande poder de influência sobre o ânimo e a motivação do professor. Quando a turma está interessada, quando estuda previamente as apostilas e os livros, quando participa da aula, os rendimentos do professor e da própria turma mudam para melhor.

Um exemplo de falta de reciprocidade no incentivo é o horário das aulas. Imagine uma aula das 8h às 11h. É muito comum o aluno atrasar 5 minutos, aí o professor, por uma vez, atrasa um pouco o início da aula para ajudar o aluno retardatário. Em pouco tempo, o aluno começa a chegar 10 minutos atrasado, e o professor espera 10 minutos. Não demora,a aula vai começar às 8h20 ou 8h30. O intervalo no meio da aula acaba, pelos mesmos motivos, durando 20 em vez de 10 minutos, quando não leva meia hora. Já aconteceu com você, não?

Mude isso. Em acordo com os demais colegas de sala, esteja sentado e esperando o professor no horário de início da aula. Se alguém realmente tiver que chegar atrasado, a turma deverá ajudar essa pessoa passando a matéria após a aula, mas deve solicitar ao professor que inicie a aula no horário. Ademais, respeite os horários de intervalo. Evite aquela mania de 5, 10 ou 15 minutos antes do término da aula ficar “contando os minutos” ou, pior, fechando os cadernos e livros e fazendo aquela cara de pressa.

Um dos fenômenos que influenciam professores e alunos é o princípio da expectativa. A tendência da pessoa humana é confirmar expectativas em relação a ela. O efeito Pigmalião já foi tratado por Machado (1997, p. 149):

Pigmalião, lendário rei de Chipre e escultor, enamorou–se de tal forma por uma estátua de mulher que esculpira, Galateia, que Afrodite (Vênus) deu vida à escultura, atendendo às expectativas do escultor.

O efeito Pigmalião ficou sendo usado na aprendizagem acelerativa para indicar os resultados conseguidos pela comunicação das expectativas, por exemplo, do professor em relação ao bom desempenho de seus alunos. Esse efeito pode ser conseguido, entre o médico e seu paciente, entre o chefe e seus subordinados, etc.

O efeito Pigmalião pode ser resumido nas palavras de Robert Rosenthal, o pesquisador do fenômeno: “Experimentos demonstraram que, em pesquisa comportamental com sujeitos humanos e animais, a expectativa do experimentador pode ser uma determinante significativa da resposta do sujeito”. O efeito pode ser utilizado tanto pelo professor quanto pela turma e até mesmo pelo curso ou pela instituição de ensino, para pior ou para melhor.

Outro efeito, também mencionado pelo autor citado, é o efeito placebo, do latim placere (= agradar). Placebo é, em Medicina, o nome que se dá a um medicamento fictício, por exemplo, um comprimido apenas com açúcar, que é dado ao paciente como sendo um remédio eficientíssimo, quase milagroso, etc. A pessoa o toma e, curiosamente, melhora. Ele mostra o poder de sugestão externa e interna.

Nas aulas, se todos consideram o professor como o melhor, muito competente, etc., existe uma boa possibilidade de os alunos melhorarem seu desempenho por causa disso. Por outro lado, existe o “placebo inverso”, que ocorre, por exemplo, quando começam a dizer que este ou aquele professor “não tem didática” ou coisa que o valha. Esses comentários são, no mais das vezes, feitos por pessoas sem habilitação para julgar tanto sobre didática quanto sobre a matéria, mas podem prejudicar o desempenho do grupo e até do professor.

Por tudo isso, em resumo, saiba que o aluno, individualmente,e a turma, como um todo, têm uma considerável parcela de responsabilidade pelo rendimento do professor e, consequentemente, do nível de produtividade a ser alcançado nesse relacionamento.

Invista em um relacionamento professor-aluno sadio

É correto dizer que, tratando-se de uma relação, é preciso ao menos duas vontades para estabelecer-se um convívio sadio e produtivo. Mais correto ainda é dizer que a iniciativa de uma das partes pode começar um processo de mudança.

Durante muito tempo, tive dificuldades de relacionamento com meu pai, e ambos tinham seu orgulho e suas próprias razões. Finalmente cheguei à conclusão de que alguém tinha que tomar a iniciativa, e eu o fiz. A partir desse dia, comecei um processo que, mesmo um pouco longo e cheio de percalços, permitiu que eu e meu pai resolvêssemos nossas diferenças.

Da mesma forma, já vi professores que “conquistaram” turmas difíceis e turmas que “disciplinaram” positivamente professores que não estavam com um desempenho tão bom quanto poderiam ter. Não me refiro aqui a expulsar o professor, mas a atitudes. Por exemplo, e como já disse antes, um professor que sempre se atrasa e, ao chegar, encontra a turma toda sentada à sua espera dificilmente não passará a chegar na hora. Outro, que não prepara suficientemente a aula, começará a fazê-lo a partir do momento em que seus alunos mostrarem interesse pela matéria, etc.

É óbvio que, se houver melhora no relacionamento aluno- -professor, a tendência é o ganho de qualidade e aprendizado. Para isso, é preciso pelo menos a vontade de uma das partes. Se houver das duas (aluno e professor ou turma e professor), fica mais fácil. Se houver apenas de uma, será preciso iniciativa e paciência, mas também dará certo mais cedo ou mais tarde. Como afirmou Voltaire, “Ninguém é tão grande que não possa aprender nem tão pequeno que não possa ensinar”.

Julgamentos e competições

• Evite julgar o professor.

Não cometa o comuníssimo erro de ficar julgando o professor para decidir se ele é “bom” ou não e, se não for “bom”, não prestar atenção nele. Muitos alunos (mesmo sem conhecer a matéria), por implicância, por ficarem ouvindo conversas de corredor ou até sem motivo, tendem a querer “crucificar” ou idolatrar um professor ou outro. Isso é muito ruim para o rendimento, em ambos os casos.

Quando se idolatra um professor, perde-se o senso crítico. Quando se “crucifica” outro, deixa-se de aproveitar aquilo que ele certamente tem para ensinar. Todo professor tem seus pontos positivos e negativos. Não existe professor perfeito e, menos ainda, professor com o qual não possamos aprender alguma coisa.

Não apenas ao julgarmos o professor, mas ao julgarmos qualquer pessoa, é preciso cuidado para aquilo que Philemon advertiu: “Julgar os outros é perigoso não pelos erros que podemos cometer a respeito deles, mas pelo que podemos revelar a respeito de nós”. Sobre julgamentos, também fala a Bíblia em Tiago 4:11, 12.

Assim, entre em sala para aprender o máximo possível com o professor, independentemente de sua opinião sobre ele.

• Evite competir com o professor.

Não é só com os colegas de classe que alguns alunos gostam de competir. Há quem prefira, por vaidade ou maior capacidade, competir com o professor. Já disse antes que é muito fácil vencer ou competir com o próximo. Muito fácil e muito fútil. A considerar todas as variantes de oportunidades — inteligência, alimentação, meios materiais, preferências, aptidões, dificuldades, etc. —, será uma tolice se comparar com o outro, com o diferente. Muitas vezes, aquele que parece fraco é o que está superando-se mais, e o que parece forte é o que mais desperdiça seus talentos.

Essas comparações humanas foram desmascaradas pelo Deus-homem, Jesus, ao mostrar aos seus discípulos que quem mais contribuíra com ofertas na sinagoga não foram os ricos, que depositaram grandes quantias, mas uma pobre viúva, que deixou no ofertório duas pequenas moedas. Os ricos ofertaram o que lhes sobrava, ao passo que a viúva, de sua pobreza, deu tudo o quanto possuía para seu sustento. A história está em Marcos 12:41, 44 e indica como são falhos os julgamentos e as comparações humanas.

Não existe professor perfeito e, menos ainda, professor com o qual não possamos aprender alguma coisa.

Pois bem, há os que procuram competir com o professor, seja para confundi-lo, seja para divertirem-se, seja para mostrarem-se superiores a todo mundo, até mesmo ao professor (a vaidade sempre exige um adversário mais nobre ou forte…). Um exemplo disso é o aluno que faz perguntas cuja resposta já sabe para “testar” o professor. Essa atitude é tola. O tão só fato de o professor estar dando aula e de o aluno estar pretendendo passar mostra que ambos estão em estágios diferentes, com objetivos diferentes, não sendo lógico que haja entre ambos uma competição.

Muitas vezes, o aluno acha que já sabe tudo, e está um pouquinho enganado. Contudo, pode acontecer (raro, mas acontece) de o aluno saber “mais” que o professor. Nesse caso, ou ele deve deixar de ir à aula ou ao curso (sem tornar público o motivo) ou, de preferência, ir para a aula com humildade intelectual e vontade de procurar aprender um pouco mais, rever a matéria, etc. Uma dessas duas atitudes evitará que ele atrapalhe o professor e os colegas que estão ali para aprender o que o professor tem para ensinar. Quem sabe muito, mais do que todo mundo, deve mostrar isso nas provas. Se é para entrar em sala, devemos entrar para aprender, e não para competir ou atrapalhar. O professor deve estar ali para ensinar; e o aluno, para aprender, pois é assim que o sistema funciona.

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Ética e deveres do professor

Algumas coisas devem ser exigidas pela turma como boas condições para o aprendizado. Há coisas que podem ser feitas pelos professores e que auxiliarão o sistema:

• Motivar o aluno.

• Estar atento às necessidades do aluno.

• Conhecer razoavelmente o assunto.

• Preparar a aula dentro de suas possibilidades e sua capacidade.
• Ter objetivos operacionais.

• Em cada encontro, procurar transmitir algum conhecimento novo e útil, mesmo que em pequena quantidade.

• Ser justo nas avaliações.

• Respeitar o aluno.

• Acreditar na capacidade do aluno.

• Procurar ser amigo do aluno.

Um dos aspectos importantes que dizem respeito ao professor é ter flexibilidade para lidar com as dificuldades e deficiências eventuais do aluno, bem como com as eventuais habilidades especiais. O aluno deficiente em algum ponto deve receber atenção especial para se superar, e os superdotados devem ser atendidos em sua especial necessidade para que não sejam castrados ou desencorajados a desenvolverem suas habilidades. Tanto um quanto outro são merecedores de especial atenção, pois, para cima ou para baixo, diferem um pouco do grupo. Separá-los não é bom para ninguém, mas deixar de dar-lhes atenção não é produtivo nem humano.

Uma das experiências que tenho feito e que se tem revelado positiva é exigir mais dos alunos mais capacitados. Algumas vezes, um desses alunos trouxe-me uma questão bem elaborada e obteve nota 0,5 (em dois pontos possíveis), e um colega com uma resposta menos elaborada obteve nota 1,0 ou 1,5. Minha resposta era simples: seu colega tinha se superado e feito o seu melhor, ou o melhor que pôde com seu esforço, e merecia a nota. Ele, que tivera uma nota menor, a recebera porque podia (tendo em vista suas habilidades) ter feito um trabalho melhor. Essa espécie de “desvio-padrão” servia para incentivar os melhores a não “descansarem” sobre sua facilidade de aprender, exigindo mais deles sem prejudicar o rendimento ou desenvolvimento dos alunos normais e até, eventualmente, temporariamente inferiores em capacidade de rendimento.

Também citada pelo professor Luiz Machado (Introdução à Aprendizagem Acelerativa, pp. 51–52), há uma relação de fatores que, por desgastarem a imagem do professor, prejudicam a aprendizagem dos alunos e, portanto, devem ser evitados.

São fatores desgastadores de imagem:

1. O professor ficar conversando nos intervalos com alguns alunos.

2. O professor encontrar-se com alguns alunos após a aula.

3. O professor se queixar de sua profissão em sala de aula (salário, muito trabalho, etc. — tudo isso transforma o professor
num coitado que precisa, ele próprio, de ajuda).

4. O professor perder tempo da aula com assuntos alheios à disciplina.

5. O professor não se manter dinâmico em aula.

6. O professor chegar atrasado.

7. O professor ficar ansioso para que chegue o término da aula (por exemplo, olhar constantemente o relógio).

8. O professor não acreditar no que está fazendo.

9. O professor não estar em perfeita harmonia com o método
que está usando.

10. (O professor pode continuar a enumeração.)

Com exceção da conversa com os alunos durante os intervalos ou após a aula, prática que não considero nociva, entendo como muito úteis os tópicos citados. Quanto a não se tratar de assuntos alheios à matéria durante a aula, o conselho é correto, mas deve ser interpretado com cautela, pois o professor deve, tanto quanto possível, relacionar ao máximo o assunto particular da aula com o resto da realidade e da vida cotidiana.

“Ensina-me a vencer, se puder; se não puder, ensina-me a perder bem.” Lin Yutang

Ética e deveres dos alunos

Os alunos, por seu turno, podem evitar diversas falhas que prejudicam a aula:

• Julgar quem é um “bom professor” e um “mau professor”, aplicando “prêmios” e “penalidades”.
• Endeusar ou menosprezar um professor.
• Pretender escolher o tema, a forma, o ritmo, etc. da aula, usurpando função que é do professor.
• Competir com o professor.
• Querer ser “estrela”. Perguntar o que já sabe no lugar daquilo
que ainda não sabe.
• Tentar estabelecer uma relação de plena igualdade com o professor, esquecendo-se de que este, necessariamente, deve exercer autoridade e disciplina na turma.
• Não estudar nem realizar as tarefas determinadas pelo professor.
• Não prestar atenção à aula (por exemplo, divagando, lendo
jornal, ouvindo música, usando o celular, etc.).
• Levar os colegas a não prestarem atenção à aula.
• Usar de meios escusos para fazer trabalhos ou provas (cola, ajuda de terceiros, etc.).

Lidando com colegas portadores de necessidades especiais

Tanto quanto o professor, os alunos também precisam de sensibilidade e boa vontade para lidar com os colegas mais ou menos dotados. A discriminação, a rejeição, o escárnio e a falta de consideração com os mais fracos e a inveja e perseguição aos mais fortes são fraquezas de caráter prejudiciais ao bom desenvolvimento pessoal e do grupo. O aluno e a turma, como um todo, devem evitar esse tipo de comportamento prejudicial e danoso a todos. Deve haver mais compreensão entre os colegas e um senso de solidariedade e auxílio àqueles que eventualmente tenham maior dificuldade para aprender ou alguma necessidade especial.

Críticas

Todos dizem que as críticas devem ser construtivas, mas poucos dizem como identificá-las. O que é crítica construtiva?

Crítica construtiva é aquela com as seguintes características:

• Despida de inveja, orgulho, egoísmo, inconsequência e/ou interesses escusos.

• Feita de modo educado, gentil, amável e respeitando a dignidade
da pessoa criticada.

• Realizada de maneira a agregar valor a alguém, isto é, indicando
alguma falha que pode ser corrigida e, de preferência, com sugestões sobre como seria possível melhorar.

Uma forma indevida de crítica é aquela que procura moldar a pessoa exatamente às nossas predileções. Às vezes, uma pessoa tenta tratar outra como uma espécie de fantoche ou ser teleguiado. Cada pessoa tem seu jeito, suas particularidades, que devem ser respeitados. Até porque, como já disse o poeta, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Eventuais mudanças podem até ser propostas por terceiros, mas devem pressupor a vontade e concordância do sujeito.

Se você for criticar outrem, faça-o apenas se a crítica for construtiva, ou seja, se atender aos requisitos citados. Se não for o caso, é melhor ficar calado.

Depois de duas ou três tentativas para que o professor ou aluno melhorem, e não acontecendo isso, adapte-se. Não deixe que uma falha de terceiros prejudique seu desempenho e sucesso. É claro que o professor, tendo em vista sua responsabilidade de avaliar, eventualmente será obrigado a deferir ao aluno aquilo que o desempenho do próprio aluno exige.

Duas observações são necessárias nesse relacionamento. De regra, o professor não reprova o aluno: o aluno é que se reprova por não estar apto na hora da avaliação. Se a nota mínima para passar é 5, e o aluno tira 4,9, ele não ficou reprovado por um décimo (0,1), mas por 5,1, já que a nota máxima possível é 10.

Ao tratarmos das críticas, devemos saber que as palavras e os gestos possuem uma enorme capacidade de magoar e machucar as pessoas. E as feridas na alma, no respeito e na consideração são muito mais dolorosas e de cura muito mais difícil do que as feridas na carne. Portanto, devemos ser muito prudentes e comedidos ao criticarmos alguém.

Além do mais, nunca faz falta um pouco de qualidades como condescendência, misericórdia, paciência, tolerância e benevolência, se não por algum motivo, ao menos para se fazer jus ao tratamento igual (“Não julgueis para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão a vós. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? [...] Tira, primeiro, a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.” – Mateus 7: 1, 5).

Em resumo: Se sua palavra vai agregar valor a alguém, fale. Se não, cale-se.

Conclusão

Este artigo, repito, é dirigido, sobretudo, aos alunos, propondo uma maior atenção ao relacionamento e consideração com os professores. É claro que não pretendemos esgotar um assunto de tão magna importância em umas poucas páginas, mas certamente podemos notar que o relacionamento professor-aluno não é tema secundário quando tratamos da otimização de estudo e aprendizado.

Esse é mais um dos desafios que devemos aceitar em prol de nossa evolução e nosso desenvolvimento. Um desafio que, se superado, será gratificante para todos.

Ao tratarmos das críticas, devemos saber que as palavras e os gestos possuem uma enorme capacidade de magoar as pessoas.

Ao terminar a leitura deste artigo, seu relacionamento e suas aulas serão melhores se você fizer o seguinte:

1. Entre em sala para aprender a matéria, e não para julgar as pessoas, seja o professor, seja o colega.

2. Considere o professor um ser humano comum, com qualidades e defeitos. Não o idolatre nem o subestime.

3. O professor está em sala para ajudá-lo a crescer. Procure ter um bom relacionamento com ele. A relação deve ser de ajuda mútua, e não de competição.

4. Não dependa do professor: ele auxilia, mas é nossa a responsabilidade maior pelo aprendizado.

5. Zele pelo cumprimento de seus deveres como aluno.

“A palavra branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” Provérbios 15:1

Fonte: DOUGLAS, William. Como Passar em Provas e Concursos: Tudo que Você Precisa Saber e Nunca Teve a Quem Perguntar. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

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