Edição 32

Matérias Especiais

Conhecendo a amazônia Plantas

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Abricó-de-macaco
(Couroupita guianensis)

Ocorre em toda a região amazônica, principalmente nas áreas inundáveis de rios e beiras de igapós. Possui altura variando de 8 a 15 m, com tronco de 30 a 50 cm de diâmetro. As folhas da árvore ficam aglomeradas nas extremidades dos ramos e atingem 20 cm de comprimento por 14 cm de largura.

Suas flores perfumadas saem diretamente dos troncos e ramos, com período de florescimento longo, de setembro a março. A frutificação ocorre de dezembro a março, produzindo grande quantidade de sementes. Na Amazônia, a densidade populacional da abricó-de-macaco é baixa, mas a árvore também se desenvolve bem em terrenos secos do Centro-Sul do País.

Curiosidades

O florescimento da abricó-de-macaco é um espetáculo belo e curioso, pois seu tronco fica virtualmente coberto pelas flores de perfume forte e tom rosado.

É excelente para o paisagismo, mas tem, como inconveniente, o grande tamanho e peso dos frutos, que podem causar acidentes na queda, além de produzirem mau cheiro durante o apodrecimento.

Por sua densidade baixa, a madeira é empregada na fabricação de brinquedos, embalagens leves, folhas para compensados, raquetes, moldes para fundição e artefatos delicados.

Recebe esse nome porque os macacos se alimentam de suas castanhas, batendo os frutos até abri-los.

Açaizeiro
(Euterpe oleracea)

Palmeira delgada e elegante, a árvore do açaí tem altura de 20 a 25 m com tronco múltiplo de, no máximo, 25 cm de diâmetro. Uma touceira chega a ter até 25 plantas, e a freqüência da árvore no baixo Amazonas forma populações homogêneas. Encontra-se em todo o estuário do Rio Amazonas, mas a “terra do açaí” é a cidade de Codajás (AM). Produz sementes quase o ano inteiro, mas a maturação dos frutos ocorre com mais intensidade entre julho e dezembro. Em cachos, os frutos têm coloração violácea e peso médio de 1 g, sendo que cada inflorescência fornece até 6 kg de frutos. Estes são muito apreciados pela população amazônica para o fabrico do vinho de açaí e, nas camadas mais pobres, são a principal fonte de proteína alimentar.

Curiosidades

Com propriedades energéticas e antioxidantes, a polpa do açaí virou moda no Sudeste do País e nos Estados Unidos. Ainda assim, só 850 t/mês de polpa são consumidas pela Região Centro-Sul, enquanto, em Belém, o consumo de açaí fresco chega a 4,5 mil t/mês.

Na região de Belém, uma única pessoa consome até 2 l de açaí por dia, geralmente com farinha de mandioca, tapioca e açúcar, mas também com peixe assado e camarão seco.

A madeira é utilizada pelos ribeirinhos para estacas e assoalhos; e as folhas, para cobertura das cascas. As sementes fornecem um substrato orgânico muito valorizado na horticultura e no artesanato locais.

Na floresta, os coletores de açaí trabalham em família e só em tempo seco, pois os troncos ficam muito escorregadios quando chove. Eles escalam a árvore com a ajuda de uma peçonha — anel torcido em oito feito com fibras da mata —, que, passada em volta dos pés, permite melhor apoio sobre o tronco.

Andiroba
(Carapa guianensis)

Essa árvore pertence à família do mogno. Pode ser encontrada na Amazônia, em regiões alagadiças. Espécie de grande porte, sua altura varia de 20 a 30 m, com tronco de 50 até 120 cm de diâmetro, apresentando uma casca grossa. Suas folhas são compridas, variando de 85 a 115 cm; as flores são de cor creme, e os frutos, em forma de cápsula, contêm quase sempre seis sementes. Quando caem no chão, se não são germinadas rapidamente, acabam sendo devoradas por insetos ou roedores. Geralmente, a andiroba floresce de agosto a outubro e dá frutos entre janeiro e maio.

Curiosidades

Seu óleo, extraído da semente, tem propriedades medicinais e é usado para o alívio de pancadas, hematomas e inchaços. Também é utilizado como antiinflamatório e contra dor de garganta.

O óleo é também empregado como matéria-prima para a fabricação de velas e repelentes de insetos e pela indústria de cosméticos para fazer xampus, sabonetes e cremes.

A madeira é de ótima qualidade, imune ao ataque de cupins, muitas vezes comparada ao mogno. Pode ser usada na construção civil ou para fazer mastros, bancos de barcos e navios.

Quando se queima o bagaço do fruto, ele libera uma fumaça que serve como repelente de mosquitos. Também conhecida como aningaúba, aninga-demacaco, aninga-de-espinho, guimberana, imbé-da-praia.

Os ribeirinhos usam suas flores e seus frutos como iscas para pescaria, principalmente do pacu.

Atribuem-se, às folhas e raízes, diversas propriedades terapêuticas. Suas fibras também podem ser aproveitadas para fazer papel.

Apuí ou Mata-pau
(Clusia insisgnis)

Na Floresta Amazônica, várias espécies recebem o nome de apuí ou mata-pau. Todas elas são do gênero Clusia ou Ficus. São hemiepífitas, pois germinam em cima de plantas e lançam suas raízes ao solo. A Clusia insisgnis prefere árvores baixas, suas flores são brancas externamente e castanho-purpúreas na parte interna. Já a Clusia grandif lora prefere árvores altas e tem flores róseo-pálidas, que exalam um forte perfume. O fruto lembra uma cebola e tem propriedades diuréticas; por isso, muitas vezes, a árvore é chamada de cebola-brava ou cebola-grande-da-mata. Da flor, é extraída uma resina que, com a manteiga de cacau, forma um creme usado para prevenir rachaduras nos bicos dos seios.

Curiosidades

Sua reprodução é feita com a ajuda de pássaros que comem seus frutos e depois expelem as sementes, que acabam caindo nas forquilhas de galhos mais altos das árvores, onde brotam; a planta, então, lança suas raízes verticalmente até o solo. Essas ramificações conseguem, rapidamente, se enraizar e se multiplicar no sentido horizontal.

Muitas vezes, abraça a árvore hospedeira, levando-a à morte. No entanto, as árvores de grande porte, como a sumaúma, dificilmente são dominadas pelo apuí e convivem sem prejuízos mútuos.

Bacaba
(Oenocarpus bacaba)

A bacaba é uma palmeira nativa da Amazônia, sendo encontrada em florestas do Pará, do Amazonas, de Goiás e de Mato Grosso. O tronco da palmeira é solitário, variando de 20 a 30 cm de diâmetro, enquanto a altura da árvore chega a 20 m. As folhas, em número de oito a dez, podem chegar a 5 m de comprimento; e os cachos, que carregam um fruto semelhante ao açaí, a 1,5 m. Surge tanto em terra firme quanto na várzea, mas é mais freqüente em áreas inundáveis, onde forma populações homogêneas de grandes extensões denominadas bacabal. Seus frutos amadurecem de janeiro a abril e têm a parte interior comestível.

Curiosidades

Os frutos da bacaba são muito utilizados pelas populações locais para o preparo de um vinho semelhante ao do açaí, porém muito mais oleoso; as amêndoas também fornecem um óleo comestível de boa qualidade.

A população indígena usa a bacaba confeccionando bolsas e abanos com as fibras de suas folhas.

A madeira é empregada localmente em construções rústicas, como vigas, ripas, lanças, bengalas, cabos de guarda-chuva e de ferramentas, mas a madeira tem durabilidade longa somente em ambientes secos.

Bacuri
(Platonia insignis)

A árvore do bacuri apresenta porte médio a grande, com altura de 15 a 25 m e tronco de até 1 m de diâmetro, com casca espessa e enegrecida. Quando cortada, de seu tronco escorre um látex amarelo. Seus galhos são orientados numa posição de 60 graus em relação ao tronco, e, neles, ficam flores hermafroditas isoladas com cerca de 7 cm. O bacurizeiro floresce entre junho e julho, seguindo-se a queda das folhas. Os frutos variam em tamanho, cor e acidez, e sua safra é entre fevereiro e março. É encontrado geralmente em vegetação aberta de transição.

Curiosidades

A polpa do bacuri é cara, podendo chegar a R$ 10,00 por quilo no Norte, pois praticamente não há cultivo comercial da fruta, e o produto consumido vem todo do extrativismo.

A árvore nativa produz apenas depois de 15 anos de idade, o que torna seu cultivo pouco comercial.

Como cada árvore adulta produz de 200 a 300 frutas por ano, um bacurizeiro rende, em média, R$ 150,00/ano.

Biribá
(Rollinia insignis)

O biribá é uma árvore pequena, de 6 a 10 m, de ramos alongados. Sua origem é da fronteira da Amazônia com o Peru, mas espalhou-se por todo o Norte e o Nordeste, chegando inclusive ao Caribe. Suas flores são solitárias ou encontradas em pares, verde-claras por fora e róseas internamente. Já o fruto apresenta casca grossa, amarela e polpa branca, mole, abundante em sementes. É muito popular, pois suas sementes germinam com facilidade, frutificando de novembro a maio e florescendo de julho a setembro.

Curiosidades

O consumo da polpa se faz essencialmente in natura, mas pode ser utilizada para suco, quando fresca, ou para vinho, quando fermentada.

Árvores com 5 anos de idade podem produzir entre 25 e 60 frutos com peso médio de 1 kg; acima de 15 anos, podem produzir mais de 150 frutos/ano.

É da família da fruta-do-conde e da graviola e, dependendo da região do Brasil, é chamada de fruta-decondessa.

Buriti
(Mauritia flexuosa)

O buriti é uma palmeira de porte elegante, podendo atingir até 35 m de altura. Possui folhas grandes, em formato de estrela. As flores estão dispostas em longos cachos de até 3 m de comprimento e possuem coloração amarelada, surgindo de dezembro a abril. Já o fruto é castanho-avermelhado, com superfície revestida por escamas brilhantes.

Sua semente é oval, e a amêndoa, comestível. Seu cultivo ocorre naturalmente, aparecendo tanto isolado como em grupo, de preferência em terrenos pantanosos.

Curiosidades

Cada planta costuma possuir de cinco a sete cachos com 400 a 500 frutos cada um.

Sua polpa é consumida na forma de doce, suco, sorvete ou vinho de buriti.

As folhas do buriti são usadas na fabricação de cordas, e as raízes, na medicina popular; já o tronco serve para a produção de canoas.

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Bromélia
(Aechemia ferandae)

As bromélias são plantas da família das bromeliáceas, que apresentam folhas rígidas, espinhentas e serrilhadas. O mais famoso exemplar dessa família é o abacaxi, mas a variedade é muito grande; apresentam mais de mil espécies nos países de clima tropical. Todas elas acumulam água e detritos no centro das folhas em forma de funil.

Espécie endêmica da Amazônia, a Aechemia ferandae se distingue pela coloração diferenciada das folhas, verde na face superior e avermelhada na inferior. Suas flores são de forma esférica e globosa.

Curiosidades

Também chamada gravatá e caraguatá, a bromélia é muito procurada para decoração, por isso algumas espé-cies começam a correr risco de exploração descontrolada.

Ela pode ser epífita, rupícola (isto é, cresce em pedras e solos pedregosos) ou terrestre. Esta última, ao contrário das epífitas, não possui o funil central para acumularágua e nutrientes, mas, para compensar, lança raízes ao solo.

Camu-camu
(Myrciaria dúbia)

Nativo da Amazônia ocidental, esse arbusto atinge, no máximo, 3 m de altura. Seu caule é liso e ramificado, e parte dele permanece submersa ao longo do ano. Prefere regiões alagadas, como a beira de rios e lagos. Suas flores brancas formam grupos de três a quatro, exalando um forte odor. A planta jovem tem as folhas avermelhadas, que vão se tornando verdes e brilhantes à medida que envelhece. Frutifica de novembro a março, quando surge o fruto avermelhado, ácido, que vai ficando roxo-escuro quando amadurece.Sua casca é resistente, e a polpa, aquosa, envolvendo sementes esverdeadas.

Curiosidades

Também conhecido como caçari e cauari, tem um teor de vitamina C superior ao da acerola.

É usado como isca por pescadores na Amazônia, principalmente na captura do tambaqui.

O fruto e a casca são usados para fazer refrescos, sorvetes, picolés, geléias, doces e licores.

Inicia a frutificação aos 3 anos, produzindo de quinhentos a mil frutos por planta.

Carapanaúba
(Aspidosperma nitidum)

Recebe nomes populares como cabo-de-machado, canela-de-velho e peroba-de-rego. A carapanaúba é uma árvore de tronco sulcado e retilíneo, com até 25 m de altura e diâmetro de 40 a 60 cm. É encontrada em florestas, em toda a região amazônica até o sertão baiano, em Goiás e no Triângulo Mineiro, sendo praticamente indiferente às condições físicas do solo. Possui, anualmente, quantidade regular de sementes, disseminadas facilmente pelo vento. Dá frutos em agosto e setembro.

Curiosidades

O nome carapanaúba significa madeira de carapana (mosquito), por causa dos buracos em seu tronco.

É encontrada em toda a Floresta Amazônica de terra firme, mas, na mata alta inundável da região amazônica, ocorre outra espécie de características praticamente idênticas a essa, a Aspidosperma carapanauba.

O seu óleo é utilizado pelos caboclos contra a malária e como anticonceptivo.

Embora a madeira da carapanaúba seja pesada e dura, é muito pouco resistente, mas é fácil de trabalhar, servindo principalmente para a confecção de cabos e ferramentas.

Castanheira-do-pará
(Bertholletia excelsa)

A castanheira tem altura de 30 a 50 m, mas pode chegar, excepcionalmente, a 60 m. Seu fruto, chamado localmente de ouriço, pesa entre 500 e 1.500 g e contém de 15 a 24 sementes (castanhas). É característica de mata alta de terra firme, não-inundável, de toda a Amazônia. Embora ocorra em determinados locais em grande freqüência, formando os chamados castanhais, está sempre em associação com outras espécies de grande porte. Floresce entre os meses de novembro e fevereiro, e seus frutos amadurecem entre dezembro e março. As castanhas são sementes apreciadas internacionalmente, sendo bastante oleosas, de formato agudo e mais ou menos triangular. É também conhecida como castanheira-do-brasil.

Curiosidades

Os frutos da castanheira são coletados quando caem do pé, pesam mais de 1 kg e possuem um orifício cujo diâmetro não permite a passagem da quinzena de amêndoas que possui, obrigando os castanheiros a usarem um facão para liberar as sementes.

A espécie é o oitavo produto extrativista nacional e o segundo na Amazônia, depois da borracha.

Copaíba
(Copaifera multijuga)

A copaíba é uma árvore muito usada em toda a Amazônia, tanto pelo óleo como por sua madeira pesada, mas ocorre também em formações secundárias em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e no Paraná. Possui uma altura de 10 a 15 m, com tronco de 50 a 80 cm de diâmetro.

Cada árvore tem uma copa grande que fornece ótima sombra e pode ser empregada na arborização urbana ou rural. Produz, anualmente, grande quantidade de sementes, disseminadas por pássaros que comem o arilo que as envolventem. Em agosto e setembro, quando a planta está quase totalmente despida de folhagem, seus frutos amadurecem.

As flores brancas aparecem de dezembro a março.

Curiosidades

A madeira da copaíba, de superfície lustrosa e lisa ao tato, é usada no batente de portas e janelas na Amazônia e na confecção de móveis e peças torneadas.

De furos feitos no tronco da copaíba, escorre um líquido transparente e terapêutico, que é o óleo ou o bálsamo da copaíba; seus fins são inúmeros: infecções de garganta, bronquite, problemas respiratórios, limpeza de feridas e arranhões, diarréias e infecções urinárias, sendo vendido em cápsulas e líquido nos centros urbanos.

O óleo puro de copaíba, tirado diretamente do tronco, pode substituir o óleo diesel; seu uso também serve para a indústria de tintas, vernizes, de cosméticos e fotográfica; só os Estados Unidos compraram 84 t de óleo em 1995.

Cupuaçu
(Theobroma grandiflorum)

Da mesma família do cacau, tem origem amazônica e dá em árvores pequenas de até 10 m de altura, se forem cultivadas, e cerca de 18 m se forem silvestres. As folhas são simples e inteiras, longas — de até 35 cm de comprimento —, de coloração ferrugem numa das faces. As flores vermelho-escuras prendem-se diretamente no tronco. O frutoé oval, com até 25 cm de comprimento, de casca dura e lisa e cor castanho-escura. A polpa é branca, ácida e aromática. Frutifica de janeiro a maio, com menos intensidade nos meses de fevereiro a abril.

Curiosidades

O cupuaçu é saboroso e pode pesar mais de 2 kg; uma árvore produz, em média, 20 frutas por ano. O suco, sorvete e doce são muito populares em toda a região amazônica.

A Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu é uma das maiores produtoras de cupuaçu do País, com mais de 600 hectares plantados, onde antes os japoneses tentaram cultivar pimenta.

Um quilo de cupuaçu custa, em média, R$ 0,50. Negócio mais lucrativo que vender in natura é produzir a polpa, cujo quilo vale R$ 2,00.

O suco das folhas do cupuaçu é usado no tratamento de bronquites e infecções renais.

Da semente do cupuaçu, pode-se extrair um excelente óleo usado tanto para o fabrico do cupulate (chocolate de cupuaçu) quanto para a indústria de cosméticos.

Dendê
(Elaeis oleifera)

Nativa da África, essa palmeira pode alcançar até 15 m de altura, apresentando estipe ereto, escuro e anelado. As suas folhas são grandes, de até 1 m de comprimento, com as bases recobertas de espinhos. As flores são creme-amareladas e aglomeram-se em cachos. Já os frutos possuem forma ovóide, de coloração amarela ou laranja, com a semente ocupando totalmente sua cavidade. Desenvolve-se em vários tipos de solo de regiões de clima tropical, de preferência bem drenados.

Curiosidades

O dendê é uma cultura perene, cujas árvores produzem por 30 a 40 anos.

O Pará é o maior produtor de dendê do País, com uma área plantada em torno de 30 mil hectares e responsável por 85% das 93 mil t anuais de óleo bruto.

A única refinaria de dendê está instalada às margens da Baía de Guajará, em Belém.

Graviola
(Annona muricata)

Árvore pequena, de 4 a 8 m, tronco reto e copa reduzida com folhas largas estão entre as características da espécie que fornece a graviola. As folhas são amareladas e dispostas ao longo dos ramos ou nos troncos; já os frutos medem de 15 a 30 cm de comprimento.

Sua casca é verde, mesmo quando madura, e a polpa é branca e agridoce com sementes negras. Embora seja uma planta tropical americana, atualmente é cultivada em várias partes do mundo, preferindo sempre o solo argiloso. É muito suscetível ao ataque dos insetos conhecidos como brocas. Frutifica de janeiro a março.

Curiosidades

É considerada a maior, a mais perfumada e a mais importante entre as frutas conhecidas por araticuns, como se nomeiam as da família da fruta-do-conde ou do biribá.

Possui falsos espinhos em seu corpo, recurvados e curtos, porém moles, com a forma de um coração verde alongado.

Embora uma graviola pese entre 1 e 4 kg, contam-se casos de árvores que chegam a produzir frutos de 10 kg; mas, em virtude de seu peso, logo caem e são esmagados.

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Guaraná
(Paullinia cupana)

O guaraná é uma planta nativa da Amazônia, em forma de arbusto ou cipó lenhoso. É composta de flores brancas, masculinas e femininas, que surgem de julho a setembro. O fruto possui cerca de 2,5 cm de diâmetro, com tom vermelho-alaranjado quando maduro. As sementes são negro-brilhosas, com a metade inferior recoberta por um arilo branco, que lhe dá a aparência de um olho humano. Frutifica de janeiro a março.

Curiosidades

Foram os índios sateré-maués (AM) que descobriram as propriedades do guaraná na Amazônia; fora da região, é a Bahia o estado pioneiro na cultura desse fruto.

A cada dia, amplia-se a cultura do guaraná devido ao aumento da demanda para fabricação de bebidas e fármacos, que servem, principalmente, como antitérmicos, antineurálgicos, antidiarréicos e estimulantes poderosos.

Segundo a lenda da origem do guaraná dos sateré-maués, havia três irmãos, dois rapazes e uma moça, sendo os dois primeiros muito preguiçosos e dependentes da irmã. Esta ficou grávida e deu à luz um menino de belos olhos negros, que foi assassinado aos 5 anos pelos tios invejosos. A mãe retirou-lhe então os olhos e plantou-os como sementes, pedindo a Tupã que lhe devolvesse a vida em forma vegetal.

Ingá-cipó
(Ingá edulis)

O ingá-cipó tem origem na América Latina, mas distribui-se por toda a Amazônia, a América Central e pelas Índias Ocidentais. Tem altura média de 10 a 15 m e copa aberta e bastante ramificada. As folhas são compostas e uniformemente paralelas. O fruto é uma vagem cilíndrica, verde-oliva, que mede entre 50 e 100 cm de comprimento. Dentro dela, estão as sementes, em número de dez a vinte, envoltas em polpa macia de sabor adocicado. A frutificação inicia-se a partir de dois anos, com as sementes propagando-se facilmente.

Curiosidades

A polpa do ingá é consumida in natura, tem 70% de umidade e é composta em grande parte de açúcar e fibra.

As sementes podem ser usadas para alimentação animal e possuem 17% de proteína.

A árvore do ingá cresce com muita rapidez e, com uma altura média de 10 m, já produz de quarenta a cem vagens, duas vezes ao ano.

Jatobá
(Hymenaea courbril)

O jatobá tem altura de 20 m, mas pode chegar a 30 m, e seu tronco alcança até 1 m de diâmetro. A copa é aberta, e as flores são vistosas e hermafroditas.

É uma planta pouco exigente em fertilidade e umidade do solo, ocorrendo em terrenos bem drenados do norte ao sul do País. O fruto é uma vagem oblonga e subcilíndrica, onde estão as sementes de cor parda, achatadas, em número de um a oito. São envolparda, achatadas, em número de um a oito. São envoltas por uma polpa fresca, farinácea, adocicada, de cor creme, com sabor e cheiro peculiares. A frutificação ocorre quando a planta já está com 8 anos de idade, com os frutos amadurecendo em julho.

Curiosidades

Na língua guarani, jatobá quer dizer folha dura.

A semente e a seiva do jatobá são ótimos fortificantes; a resina extraída dos frutos é medicinal e também usada para verniz.

A madeira do jatobá, muito dura ao corte e resistente ao ataque de insetos, é empregada em construções pesadas, postes e embarcações.

Jenipapo
(Genipa americana)

O jenipapo ocorre em todo o País, sempre em terrenos muito úmidos, como a várzea amazônica. A árvore é pequena, com altura entre 5 e 15 m, e o tronco é reto, de casca lisa, verde-acizentado. As flores, ligeiramente perfumadas, têm a corola branca ou amarelada e surgem entre julho e setembro. O fruto é uma baga ovóide de 10 por 8 cm, pesando até 500 g, e deve ser consumido bem maduro, pois é bastante ácido. Amadurece sempre entre outubro e abril na Amazônia. O jenipapeiro produz grande quantidade de sementes, que proliferam em matas primárias e em formações secundárias.

Curiosidades

Embora o fruto do jenipapo seja tradicionalmente usado para o preparo de licores, refrescos, compotas e doces, sempre foi cultivado pelos índios devido à tinta, muito usada nas pinturas do corpo, como, por exemplo, pelos índios caiapós.

O fruto, ainda verde, fornece um suco amarelado que vai gradativamente escurecendo até se tornar azul-escuro ou quase preto.

A madeira do jenipapeiro é branca-marfim, de fácil manuseio, e serve para produção de utensílios domésticos e, até mesmo, na construção naval.

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Manga
(Mangifera indica)

A mangueira tem grande porte, atingindo os 30 m de altura com copa densa e larga. O tronco é baixo e ramificado desde os 2 ou 3 m de altura. As folhas têm coloração avermelhada quando jovens e verde-escura posteriormente, enquanto as flores são pequenas e róseas. A semente do fruto é achatada, ocupando metade de sua dimensão; já a polpa é carnosa e suculenta. Aceita qualquer tipo de solo, mas adapta-se melhor a regiões de clima quente e chuvoso.

Curiosidades

A manga é fruta nativa da Ásia, mais precisamente da Índia, sendo um dos frutos de origem tropical mais aproveitados no mundo.

A viagem das mangas pelo mundo iniciou-se apenas com a descoberta das rotas comerciais marítimas no século 16, e foram os portugueses que as trouxeram para a América.

Belém é a cidade das mangueiras, famosa pela abundância da fruta.

Existem entre 500 e 1.000 variedades de mangas.

Mogno
(Swietenia macrophylla)

O mogno é uma árvore que pode atingir até 30 m de altura, ocorrendo em toda a região amazônica, mas é característica da floresta de terra firme, sobretudo as de solos mais argilosos. Seu tronco varia de 50 a 80 cm de diâmetro, e as folhas são compostas. Floresce durante os meses de novembro e janeiro, e os frutos iniciam a maturação no mês de setembro, prolongando-se até meados de novembro. É muito ornamental quando usada na arborização de parques e jardins.

Curiosidades

O mogno está em extinção devido ao excesso de exploração da espécie para uso em mobiliário de luxo, objetos de adorno, painéis, acabamentos internos, entre outros.

A madeira possui altíssima resistência ao ataque de cupins.

Os índios xicrin do catete, no sudeste do Pará, foram os primeiros a plantar mogno de forma manejada, em projeto do Instituto Socioambiental, cortando as primeiras árvores para venda no ano 2000.

Murici
(Byrsonima crassifólia)

É um arbusto de 2 a 6 m de altura, de tronco tortuoso, casca áspera e copa estreita. Os ramos crescem tocando o solo em sentido horizontal. As flores são hermafroditas, formadas por cinco pétalas amarelas ou alaranjadas. O fruto é pequeno, e sua parte comestível, pastosa e amarela tem só 5 mm de espessura. Abrange toda a Amazônia, o Mato Grosso e Minas Gerais, embora seja típica de áreas campestres, savanas e capoeiras. Frutifica de dezembro a abril.

Curiosidades

O murici é da mesma família que a acerola.

É conhecido por suas cores: há o murici-amarelo, o murici-branco, o murici-vermelho, o murici-de-flor-branca, o murici-de-flor-vermelha, além do murici-da-chapada, o murici-da-mata e o murici-do-brejo.

Nos mercados da Amazônia, o murici ocupa o mesmo espaço destinado a frutas tão importantes quanto a graviola, o jambo e o caju.

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Ninféia ou Jacinto-d’água
(Nymphaea sp.)

Essa planta da família das ninfeáceas é tipicamente aquática e perene, com folhas redondas e flutuantes, com diâmetro de quase 25 cm. Prefere águas calmas de lagos e rios, especialmente aqueles com boa oxigenação. Suas flores são branco-amareladas, flutuantes e com mais de 10 cm de diâmetro, formadas por quatro a seis conjuntos de sépalas. No centro, há uma espécie de coroa, formada basicamente por pétalas. Quando encontra águas adequadas, sua multiplicação é espantosamente rápida.

Curiosidades

Também conhecida como nenúfar, jacinto-d’água, lírio-d’água, bandeja-d’água.

É utilizada como alimento por homens e animais.

Seu nome vem da deusa grega da primavera Nynphea, a ninfa das águas. Ela é cercada de lendas que a relacionam com poderes místicos e afrodisíacos.

Cientificamente, sabe-se que tem alcalóides com propriedades sedativas.

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Orquídea-vermelha
(Cattleya violacea)

A família das orquidáceas é uma das mais numerosas da flora mundial, são 2 mil gêneros, com cerca de 35 mil espécies naturais e outras 50 mil híbridas, feitas em laboratório. Cerca de 90% das espécies são hermafroditas, pois o aparelho reprodutivo inclui tanto órgãos femininos como masculinos. A polinização é feita geralmente por insetos, atraídos pela coluna carnosa que fica na pétala mais colorida das três que formam a flor. Essa espécie apresenta flores avermelhadas ou arroxeadas.

Curiosidades

Por sua beleza, é muito coletada na Amazônia, o que ameaça a espécie.

Apesar de serem consideradas plantas “novas” no reino vegetal, as orquídeas são conhecidas do homem há muito tempo. Foram catalogadas pelos chineses há cerca de 4 mil anos.

Pau-d’arco-amarelo
(Tabebuia serratifolia)

É muito freqüente na região amazônica e esparso desde o Ceará até São Paulo. Possui altura de 8 a 20 m e tronco de 60 a 80 cm de diâmetro. É uma árvore característica da floresta tropical; embora exista em áreas de floresta secundária, prefere solos bem drenados situados nas encostas. A dispersão de suas sementes é geralmente uniforme e sempre muito esparsa. Durante os meses de agosto e novembro, quando as flores amarelas caem, a árvore fica totalmente despida de folhagem. Os frutos amadurecem entre outubro e dezembro.

Curiosidades

Essa árvore é típica da Amazônia, mas, como a Tabebuia umbellata, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul; a Tabebuia vellosoi, de São Paulo, de Mato Grosso do Sul, de Goiás e do Rio de Janeiro; a Tabebuia chrysotricha, do Espírito Santo a Santa Catarina; e outras como Tabebuia ochracea e Tabebuia caraíba, apresentam, todas, o nome popular de ipê-amarelo, tendo poucas diferenças entre si.

A beleza da árvore, quando em flor, é vista facilmente na Floresta Amazônica em sobrevôos de agosto a novembro.

O ipê-amarelo é a árvore-símbolo do Brasil.

Pau-rosa
(Aniba rosaeodora)

O pau-rosa é uma bela árvore da floresta de terra firme que pode atingir 30 m de altura, e seu tronco, mais de 2 m de diâmetro. Floresce de maneira irregular, e a floração nem sempre é seguida de frutificação.

É encontrado em toda a Amazônia, mas observam-se variações entre as populações das Guianas e do Amapá e as do sul da região amazônica. Árvores com um diâmetro superior a 10 cm encontram-se em densidade inferior a uma unidade por hectare.

É difícil o acesso ao pau-rosa, e os que se encontram próximos aos rios já foram explorados há muito tempo por servir como ingrediente de produtos da indústria cosmética e perfumaria.

Curiosidades

É também conhecido como pau-rosa-do-oiapoque.

A exploração do pau-rosa, para obtenção de uma essência conhecida como linalol, acarreta o seu desaparecimento. Mas hoje existem pesquisas que demonstram ser possível extrair o óleo do pau-rosa a partir de galhos e folhas, o que pode indicar uma forma de seu extrativismo sustentável em um futuro próximo.

Os frutos são muito apreciados por papagaios e araras, sendo, muitas vezes, devorados antes da maturação, sobrando poucos para a reprodução da árvore.

Atualmente, são cortadas mais de 3 mil árvores para a extração do óleo essencial. Apesar da síntese do linalol já existir há trinta anos, a indústria, principalmente a cosmética, prefere o produto natural ao sintetizado.

Piquiá
(Caryocar villosum)

A árvore do piquiá é muito alta, chegando a 50 m, com tronco de até 2,5 m de diâmetro, algumas vezes ultrapassando os 5 m. As flores são amarelas, com cinco pétalas e 2,5 cm de comprimento. O fruto é de formato variável em função do número de sementes, que pode ser de um a três. Ocorre desde o noroeste do Maranhão até o alto Amazonas, disperso na mata de terra firme. O fruto, com polpa endurecida, oleosa e amarelada, só é consumido depois de cozido, chegando a fornecer 76% de gordura branca e comestível.

Curiosidades

Os caçadores adoram o piquiazeiro: suas flores, que formam um tapete no chão, atraem grande número de pacas, veados, tatus e cutias.

Cerca de 14 mil unidades de flores por dia caem do piquiazeiro, o que equivale a 120 mil por estação.

Um fruto de piquiá vale R$ 0,50 no mercado Ver-o-Peso, em Belém, e cada árvore produz uma média de 500 frutos/ano.

Três dúzias de piquiás podem render mais de 2 l de óleo bom para cozinhar e fritar peixe; já a casca da fruta é aproveitada para fazer sabão, enquanto a madeira compacta é boa para confecção de canoas e fundos de embarcações maiores. Seus frutos, cozidos, são muito apreciados pela população em geral.

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Pupunha
(Bactris gasipaes)

Palmeira que pode chegar a 20 m de altura e 15 a 25 cm de diâmetro no tronco, apresenta, aproximadamente, vinte folhas de 3 a 4 m de comprimento. As flores possuem um cheiro característico que atrai milhares de insetos polinizadores. Os frutos podem ter a casca vermelha, amarela, alaranjada ou verde, e a parte comestível é espessa e carnosa.

Na Amazônia, após serem cozidos com sal, são consumidos junto com café, sendo ricos em proteínas, cálcio e ferro. A frutificação é longa, indo de novembro a junho. A árvore ocorre em toda a Amazônia, no Nordeste, no norte da América do Sul e na América Central.

Curiosidades

A pupunha é considerada a alternativa ecológica para o palmito, pois a árvore não morre com seu corte e, diferentemente do palmito juçara da Mata Atlântica, o palmito da pupunha quase não tem fibras.

A pupunha é uma cultura permanente que permite o corte ao longo do ano todo por um período de vinte anos, sendo que cada hectare plantado rende até 2,2 t de palmito de boa qualidade.

Os grandes produtores de palmito de pupunha são a Costa Rica e o Peru; o Brasil produz, oficialmente, 20 mil t/ano.

A pupunha é rica em vitamina A e tem taxa zero de colesterol, mas nunca se deve comer uma pupunha crua devido à presença de ácido oxálico, que inibe a digestão e pica a língua; deve ser cozida por 50 a 80 minutos e depois descascada.

Seringueira
(Hevea brasiliensis)

A seringueira aparece nas margens dos rios e em lugares inundáveis da mata de terra firme, em toda a região amazônica. Chega a 30 m de altura com tronco de 30 a 60 cm de diâmetro. Na Floresta Amazônica, há mais de onze espécies de seringueiras, todas do gênero Hevea e muito parecidas com a H. brasiliensis. Florescem a partir de agosto, prolongando-se até o início de novembro. Já os frutos começam a amadurecer no período de abril a maio. Suas amêndoas fornecem um óleo secativo usado pela indústria de tintas, mas o maior valor da árvore é o látex, extraído de seu tronco, que é transformado em borracha.

Curiosidades

A resina extraída dessa árvore foi usada primeiro para fazer seringas, daí o nome de seringueira.

Sua exploração representou a maior atividade econômica da região amazônica entre os anos de 1870 e 1910, principalmente pela descoberta da borracha vulcanizada (que não amolece com o calor), em 1844, por Charles Goodyear, e pela invenção do pneu, em 1888, por John Boyd Dunlop.

Atualmente, a borracha nacional vem retomando forças. O governo do Acre tem investido em tornar as alternativas de coleta de borracha e castanha sustentáveis do ponto de vista social, econômico, político e ambiental. O látex produzido em alguns locais é vendido para a fabricação de preservativos no Sul do País.

Sumaúma
(Ceiba pentandra)

Também conhecida como árvore-da-seda, árvore-da-lã e paina-lisa, a sumaúma é a maior árvore da Amazônia e tem como característica uma pluma que envolve suas sementes. Apresenta uma altura média de 30 a 40 m e tronco de até 160 cm de diâmetro, dotado de sapopemas basais, raízes escoras que aumentam a estabilidade de troncos tão grandes que têm espinhos em quase toda a sua extensão. Está em toda a bacia amazônica, em terrenos muito úmidos e pantanosos da mata primária de várzea, embora ocorra também em formações secundárias, comportando-se como planta pioneira. Suas flores aparecem nos meses de agosto e setembro, com a árvore quase totalmente despida de folhagem. Em outubro e novembro, os frutos amadurecem.

Curiosidades

É comum ver muitas plumas contendo sementes no chão ao redor da árvore.

A pluma que envolve essas sementes é denominada kapok, sendo muito utilizada industrialmente para a confecção de bóias e salva-vidas, para enchimento de colchões e travesseiros e como isolante térmico.

Das sementes, extrai-se um óleo comestível que serve também para iluminação e fabrico de sabão.

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Taperebá ou Cajá
(Spondias mombin)

Árvore de 25 m de altura, com galhos a partir de 3 a 5 m do solo, formando uma copa espraiada de até 15 m de diâmetro. O tronco possui uma casca rugosa e fissurada, e as folhas chegam a 70 cm de comprimento. Os frutos têm casca fina, lisa e polpa doce de sabor e cheiro muito agradáveis. Já o caroço é espesso e lenhoso. Frutifica de dezembro a junho. Encontra-se em quase todo o Brasil e na América até a Flórida, mas prefere as matas de terra firme e de várzea da Amazônia.

Curiosidades

Fazem-se suco, sorvete, geléia e compota com a polpa do taperebá, enquanto do tronco se obtém madeira branca e elástica, usada na fabricação de caixas.

Seus frutos são encontrados nas feiras da Amazônia o ano todo, mas, durante a estação chuvosa, de janeiro a abril, aparecem em maior quantidade.

Cada árvore produz cerca de mil frutos por ano.

Tucumã
(Astrocaryum aculeatum)

É uma palmeira solitária de estipe ereto que alcança de 10 a 15 m de altura, sendo repleta de espinhos negros, longos e dispostos em anéis que se adensam na metade superior do tronco. As folhas também têm espinhos por toda a extensão. Os frutos podem pesar até 75 gramas e surgem de janeiro a abril. Esse tipo de tucumã é nativo do Amazonas, onde é muito freqüente. É comum na vegetação secundária ou nos descampados em solos pobres e degradados.

Curiosidades

O consumo normal do fruto é in natura e na forma de sorvete, licor e doce. Sua parte carnosa e alaranjada é muito apreciada em sanduíches com queijo e também com tapioca de mandioca.

Das folhas, retiram-se as fibras empregadas no preparo de redes de pescar e de dormir, linhas para arco-e-flecha, cestos e balaios; os índios usam o endocarpo da planta para confeccionar brincos, anéis, pulseiras e colares.

O tucumã oferece uma remuneração de trabalho maior que a do açaí, pois essa atividade não requer deslocamentos pela floresta.

Urucum
(Bixa orellana)

É uma espécie de arbusto que chega, no máximo, a 5 m, com tronco de 15 a 25 cm de diâmetro. Ocorre em toda a floresta da região amazônica até a Bahia, mas preferencialmente em solos férteis e úmidos de beira de rios. As sementes são produzidas em grande quantidade o ano todo e disseminadas tanto pelo homem como por animais que se alimentam de seus frutos. Floresce durante a primavera e o início do verão, e os frutos amadurecem no final do verão e início do outono. É também conhecida como uma planta medicinal, já que suas sementes são utilizadas contra bronquite e febre, e também como cosmético.

Curiosidades

As matérias de cores amarela e vermelha, conhecidas como colorau pela população, são extraídas da polpa que envolve as sementes, sendo empregadas na culinária e na indústria alimentar, além das indústrias de impressão e de tecidos.

É empregada pelos índios amazônicos para tingir a pele, como repelente de insetos e para rituais religiosos.

É cultivada em muitas regiões do País para exploração de suas sementes e como planta ornamental, principalmente pela rapidez de seu crescimento em ambientes abertos.

Vitória-régia
(Victoria amazonica)

É uma planta aquática com folhas com cerca de 40 cm de diâmetro e margens sinuosas. Pode chegar, no entanto, a até 1,2 m de diâmetro. As flores possuem de 8 a 15 cm de diâmetro e contêm de 12 a 23 pétalas muito perfumadas. Possui um fruto carnoso endurecido, com numerosas sementes. No interior das folhas flutuantes, há uma rede de nervuras e compartimentos cheios de ar, recobertos com espinhos.

Curiosidades

Seu nome foi uma homenagem de seu descobridor, Lindley, à rainha Victoria da Inglaterra.

Quando as lagoas onde vive secam, as cápsulas de sementes ficam enterradas na lama até o retorno da água, na próxima cheia, para então germinar.

O pecíolo que fixa a planta ao fundo prolonga-se por mais de 5 m em alguns locais.

Existem muitas espécies de animais aquáticos que utilizam as raízes dessa planta para se abrigar, se alimentar e se reproduzir.

É polinizada por somente uma espécie de besouro, que é atraído pelo forte cheiro que suas belas flores brancas exalam.

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Extraído do Guia Philips Amazônia Brasil
Esse guia faz parte do Projeto Philips Brasilis, que tem por objetivo incentivar a cultura e a arte e preservar os patrimônios histórico e ambiental brasileiros.
Site: www.horizontegeografico.com.br.

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