Edição 60

Lendo e aprendendo

Consumo, logo existo

Kelly Aparecida de Andrade Silva

Certo dia, deparei-me com o seguinte e-mail: “Experimente a vida. Você já parou para pensar no quanto a gente deixa de aproveitá-la?”.

Confesso que até fiquei interessada pela sedutora proposta, quando me dei conta de que se tratava de uma propaganda de viagem para Fernando de Noronha.

Mesmo um pouco espantada, percebi que também faço parte dessa pós-modernidade e me senti quase uma hedonista.

Essa busca constante pelo prazer pode ser claramente percebida através dos veículos midiáticos: na TV, com programas como Big Brother Brasil; e, no cinema, com filmes como Click, com o ator Adam Sandler.

E o mais espantoso é que uma das características mais presentes desse hedonismo pós-moderno é que ele procura satisfazer sua sede de prazer através do consumo. Essa é a lei do homem pós-moderno. O consumo tornou-se uma nova religião, em que os shoppings e as vitrines são as igrejas.

Percebi também algo muito curioso: até o silêncio foi banido do mundo pós-moderno. Para o indivíduo hedonista, o silêncio tornou-se sinônimo de tédio, então ele preenche esse vazio com os novos recursos da tecnologia — MP3, iPhone, celular, jogos, Internet — e sempre está se entretendo de alguma forma. Isso, por sua vez, faz com que o indivíduo não tenha tempo para refletir sobre as coisas, e sua vida vai se tornando superficial e material, baseada apenas no consumo.

A sociedade pós-moderna é mediada pelas falsas necessidades, e o estilo é mais importante que o produto. Como já disse Baudrillard, “já não consumimos coisas, mas somente signos”. Vivemos no niilismo de comprar significados menores que preencham o nosso grande vazio temporariamente.

Hoje, tudo em nossa vida está relacionado ao consumo: família, lazer, educação, casamento, viagem, etc. Esse consumismo passa a moldar as relações do indivíduo na pós-modernidade.

Estilos e modos de vida são diretamente ligados ao consumo, e isso ocorre através do intenso incentivo da publicidade, que promete ao indivíduo ser quem ele quiser através do consumo.

Portanto, o ritmo de consumo na pós-modernidade não está mais focado nas necessidades básicas como era na modernidade, e sim nos valores agregados ao produto.

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/
29042/1/Consumologoexisto/pagina1.html.

cubos