Edição 01

Projeto Didático

Contos de fadas: um projeto encantador

Este é um projeto na área de Língua Portuguesa, a ser desenvolvido em qualquer série da educação infantil e do ensino fundamental. “Um projeto é uma macro-situação de ensino no decorrer da qual o docente organiza e propõe as situações de aula que permitirão às crianças uma aproximação a um tipo de texto para se apropriarem de suas características constituivas” (Mirta Castedo, 1997).

Nesse projeto, combinamos com a classe, que o trabalho final será a “edição” de um livro, individual ou em dupla, a ser dado de presente aos pais, às crianças de outras turmas, de outra escola ou para enriquecer a própria biblioteca da sala.Pronto, estará criado o desejo; estão definidos os “nossos leitores”.

Nosso objetivo é, sem dúvida, levar o aluno a ler, escrever e contar esses contos tradicionais infantis, apropriando-se da linguagem literária do autor e da estrutura desse gênero de narrativa. “O objetivo das atividades com textos é o desenvolvimento da textualidade, isto é, das construções lingüísticas que constituem a linguagem que se escreve” (Teberosky, 1995)

Como primeiro passo, levantamos os conhecimentos prévios dos alunos: organizamos com eles a lista dos contos que conhecem e propomos que cada um conte aquele que desejar.

Paralelamente, começamos a ler para eles os contos que temos em nossa biblioteca. Ler saboreando cada palavra e sendo capaz de repeti-la, exatamente como fazemos com nossos filhos. E todo dia, vira dia de conto de fada. História que sai sempre de um livro-objeto do mundo e sujeito da nossa imaginação.

O professor precisa estar atento ao fato de que, para uns, o livro faz parte da vida e, para outros, é um ilustre desconhecido. É preciso, então, abri-lo, em todos os sentidos da palavra. Capa, contracapa, folha de rosto, texto, ilustração. Descobrir onde está o título, o nome do autor, do ilustrador, levantar as hipóteses sobre a história, discutir, comparar, concluir o que para nós é tão lógico.

As respostas dadas sempre serão diferentes nas classes de alfabetização, de 1ª à 4ª séries, dependendo do acesso que tiveram a esses materiais. Faz parte de nossa prática o(a) leitor(a) ler a “orelha” do livro, ler sobre o autor, o ilustrador. Por que agir diferente em sala? Afinal, estamos trabalhando, como escreve Tolchinsky (1995), “não com atividades preparatórias para a leitura e a escrita, nem atividades de pré-leitura ou pré-escrita, mas atividades de escrita e de desenvolvimento da linguagem escrita”.

É preciso entrar no clima de encantamento, porque o próxima passo será a classe, num processo democrático, escolher uma única história para ser reescrita por todos em seus livros e para ser contada para os menores, de outras turmas. Eles serão os contadores de histórias, o que revestirá o ato de um real significado.
É interessante notar como alguns se lançam rapidamente, mesmo que ainda não tenham memorizado a história, o que vai contagiando e facilitando a memorização pelos colegas – uns facilitando a aprendizagem de outros, numa perfeita interação.

Devemos conversar bastante sobre as histórias, dando tempo para cada um reelaborar suas questões psicológicas. Analisamos as diferentes formas que os autores usam para dar início a elas, que final têm qual trama, que “provas” o herói precisava vencer… Aos poucos, passa-se a compreender essa estrutura narrativa.

Ler, ouvir e contar. Reescrever fica mais fácil quando se sabe o texto de cor, o que vai também facilitar a elaboração de construções sintáticas mais complexas, o uso de um vocabulário rico e o detalhamento de ações na criação de qualquer outra história.

É preciso criar o hábito do rascunho: nenhum texto sai pronto, há que se burilar, ler, reler, acrescentar, tirar, corrigir, ações praticadas por escritores. Nesses momentos, os intercâmbios sociais, incluindo as intervenções do professor, são da maior importância.

Finalmente, começamos a confecção do livro: pela capa, com todas as discussões pertinentes sobre como é uma capa (o que há escrito e como é seu projeto gráfico). Depois vem o texto propriamente dito, mais do que escrito, tecido lentamente, parte por parte, dia-a-dia. Quando a obra fica pronta, tão simples e tão significativa, um misto de felicidade e de orgulho toma conta de todos: “É a nossa obra-prima. Valeu a pena!”.

Se queremos formar leitores, precisamos investir na leitura. Numa palestra de Emilia Ferreiro, ouvi-a concluir dizendo: “Contem muitas histórias para as crianças, desde pequeninas”. Bill Gates, o “papa” da computação, em entrevista ao Jornal do Brasil, de 15 de dezembro de 1996, revelou: “Computadores não substituem livros”.

Para melhor trabalhar com a classe é fundamental que o professor compreenda bem essa estrutura narrativa.

 

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