Edição 26

O livro da vez

Contos e lendas

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES
Christian Grenier – Cia. das Letras

livro_dozetrabalhosHércules é, provavelmente, o mais conhecido herói da mitologia grega. Todo mundo já ouviu falar em suas histórias, na sua vida de aventuras, nos seus famosos doze trabalhos. Mas que trabalhos foram esses? Por que ele teve de realizar tais proezas? De onde veio Hércules, aliás?
Esse livro responde a essas e outras perguntas e acompanha, desde o início, a trajetória do grande herói. Christian Grenier parece saber tudo sobre ele e nos apresenta cada detalhe numa narrativa gostosa, completada por um rico apêndice informativo. Ficamos sabendo, por exemplo, que Hércules é fruto de uma “escapada” divina, quando Júpiter namorou uma mortal. Também descobrimos que grande parte dos percalços que ele teve de enfrentar ao longo da vida provém da ira de Juno, a vingativa esposa de Júpiter, que ficou furiosa com a traição. A vida de Hércules será eternamente marcada pela rivalidade entre esses dois deuses.
Para expiar suas origens, Hércules é obrigado a realizar doze trabalhos designados por seu primo Euristeus, protegido de Juno. E assim ele parte para enfrentar animais fabulosos, como o leão de Neméia, ou Cérbero, o terrível cão-de-guarda dos infernos. Mas os desafios não se resumem a enfrentar feras; incluem também missões igualmente difíceis, como limpar os imundos estábulos do Rei Áugias ou colher os frutos do jardim das Hespérides, que ninguém sabe onde fica.
Pouco a pouco, vamos percebendo que os doze trabalhos equivalem ao período de formação e amadurecimento do jovem Hércules. Ao superar os obstáculos que lhe são impostos, ele descobre que a força, sozinha, não possui valor algum — é preciso enriquecê-la com diplomacia, astúcia e, principalmente, inteligência.
Nascido em Paris, em 1945, Christian Grenier é autor de romances, contos, peças teatrais e roteiros de história em quadrinhos. Grande parte de sua produção está ligada à ficção científica, sua maior paixão.
OS DOZE TRABALHOS DE HÉRACLES
(Na mitologia romana é conhecido como Hércules)

hercules02Hércules era filho de Júpiter e Alcmena. Sua mãe era neta de Perseu, o que faz de Hércules bisneto do grande lutador. Como Juno era sempre hostil com os filhos de seu marido com mortais, declarou guerra a Hércules desde seu nascimento. Mandou duas serpentes matarem-no ainda no berço, mas a precoce criança estrangulou-as com as próprias mãos. Pelas artes de Juno, ele ficou sujeito a Euristeus, que lhe impôs a realização de façanhas bastante perigosas, conhecidas mais tarde como Os Doze Trabalhos de Hércules. Elas foram:

1. Leão de Neméia: trazer a pele do animal que devastava aquele vale — Hércules estrangulou com as mãos e voltou com o leão nos ombros.

2. Hidra de Lerna: matar um monstro que devastava a região de Argos e habitava um pântano. O monstro tinha nove cabeças e a do meio era imortal, e, quando Hércules esmagava uma delas com sua clava, duas novas cabeças surgiam no lugar. Ele venceu o monstro com a ajuda de seu fiel servo, lolaus, queimando as cabeças da hidra e enterrando-a sob um enorme rochedo.

3. Corça dos Pés de Bronze: considerada irmã gêmea de Apolo, essa corça era uma das cinco que Ártemis encontrou no Monte Liceu. Quatro, a deusa atrelou a seu carro, e, a quinta, a poderosa Hera conduziu ao Monte Cerinia, para continuar os trabalhos de Hércules. Ela tinha a marca do sagrado e, portanto, não poderia ser morta. Hércules a perseguiu por um ano e, exausto, o animal tentou atravessar o Rio Ládon onde se feriu. Foi então que o herói pegou a corça e seguiu até o destino.

4. Javali de Erimanto: trazer vivo o temido javali de Erimanto. Para isso, Hércules gritou para atrair o javali para uma caverna coberta de neve e cansou-o até ser possível levá-lo ao rei, segurando-o pelo dorso.

5. Cavalariças de Áugias: o rei de Élida possuía um rebanho de 3 mil bois e seus estábulos, que não eram limpos há 30 anos. Para isso, Hércules desviou o curso dos rios Alfeu e Peneu e fez a limpeza em um dia.

hercules016. Aves do Lago Erimanto: matar as aves que devastavam a região em que viviam, uma espessa e escura floresta, e cujo vôo obscurecia o sol. Elas eram centenas, de porte giganteco, e a dificuldade era fazê-las sair de seus escuros abrigos. Hefesto, a pedido de Atena, fabricou para Hércules castanholas de bronze e o barulho ensurdecedor fez as aves levantarem vôo. Ele, então, matou-as com flechas envenenadas com o sangue da Hidra de Lerna.

7. Touro de Creta: levar o bravo touro de Creta vivo a Micenas. Minos, o rei de Creta, prometeu a Poseidon sacrificar tudo quanto de especial saísse do mar. O deus fez surgir das espumas um touro maravilhoso e, encantado com a beleza do animal, levou-o ao seu rebanho e sacrificou a Posseidon um outro. Irritado, o deus enfureceu o animal e fez com que saísse fogo de suas narinas. Hércules, então, amansou o animal, segurando-o pelos chifres e, sobre o dorso, o levou ao Rei Eristeu.

8. Éguas de Diomedes: trazer as éguas para Argos e pôr fim à prática selvagem que seu dono impunha. Diomedes era o filho de Ares e Pirene, o cruel rei da Trácia. Possuía quatro éguas, Podargo, Lâmpon, Xanto e Dino e estas eram alimentadas com as carnes de estrangeiros que as tempestades lançavam ao mar. Hércules teve de lutar com Diomedes que, vencido, foi lançado aos animais. As éguas amansaram após devorar o rei e Hércules as levou a Euristeu.

9. Cinto de Hipólita: buscar o cinto da rainha das amazonas para dar-lhe à Admeta, filha de Euristeu. As amazonas criavam apenas as crianças do sexo feminino, e os meninos eram enviados para os países vizinhos ou eram mortos. Com alguns voluntários, Hércules chegou ao país das amazonas e convenceu Hipólita, a rainha, a entregrar-lhe o cinto. Hera tomou forma de uma amazona e convenceu as demais que a rainha estava sendo raptada; elas atacaram o barco. Hércules achou que Hipólita agiu traiçoeiramente e a matou, levando o cinto.

10. Bois de Gerião: pegar os bois de Gerião, um monstro de três corpos que vivia na Ilha de Eritéia (talvez hoje a Espanha), para Euristeus. Após atravessar diversas nações, Hércules chegou à fronteira da Líbia com a Europa, onde, segundo outros filósofos e poetas, abriu uma montanha pelo meio e formou o Estreito de Gilbraltar. Os bois, guardados pelo gigante Eurítio e seu cão de duas cabeças, foram pegos após a morte dos guardiões.

11. Pomos das Hespérides: a tarefa mais difícil, pois Hércules não sabia onde encontrar os frutos de ouro que, na verdade, eram as maçãs que Hera recebeu em seu casamento. Hércules passou por diversas provações até chegar ao Monte Atlas (o ex-titã), na África. Como Atlas era tio das Hespérides, Hércules achou que ele poderia ajudá-lo e então o semideus segurou o peso dos céus em seus ombros e mandou que Atlas procurasse as maçãs. E ele voltou com os frutos de ouro e reassumiu seu posto, com certa relutância.

12. Cérbero: trazê-lo do mundo dos mortos para a terra foi uma tarefa e tanto para Hércules. Ele desceu ao Hades, acompanhado de Hermes e Atena, e obteve a licença de Hades para levar Cérbero ao mundo superior sem usar nenhuma arma. Como o monstro resistiu, Hércules agarrou-o e levou-o até Euristeus, conduzindo-o de volta na seqüência.

Fonte: Revista Mitologia Grega, São Paulo: Editora Arte Antiga, ano 1, nº 10, p. 29.

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