Edição 62

Gestão Escolar

Dados reais

Rosa Costa

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As novas perspectivas para o processo de ensino–aprendizagem apresentam uma busca constante das famílias das classes média ou emergente na escolha pela matrícula de seus filhos, egressos das escolas públicas, em escolas particulares. Hoje as pesquisas nessa área mostram que os pais passam a dar um caráter de prioridade à educação dos seus filhos, concluindo que a escola pública deixa uma grande defasagem em termos de qualidade no sentido mais amplo da Educação. Quanto à escola particular, a rigidez das disciplinas, o acompanhamento escolar, a segurança e todo o envolvimento entre família e escola são encarados como base para uma Educação de qualidade.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e também do Data Popular apresentam 5,5 milhões de crianças até 14 anos matriculadas em escolas privadas, sendo 2,7 milhões da da classe C (média), sou seja, 49,2% do total. Observa-se nas classes seguintes o aumento do número de matrículas para 3,7 milhões, ou 67% do total. Dados confirmados pela Fundação Getulio Vargas indicam o crescimento de 29 milhões de pessoas para a denominada nova classe média.

Segundo o Censo Escolar de 2010, do MEC/Inep, a educação particular foi responsável por 14,6% (7.560.382 de um total de 51.549.889) das matrículas no Ensino Básico brasileiro. Isso representa um crescimento de 3,4% (cerca de 250 mil matrículas) na rede privada em relação a 2009.

A escolha pela escola particular determina um perfil de família comprometida com a educação dos seus filhos. Mesmo aqueles que não têm condições financeiras de manter seu filho na escola particular buscam bolsas estipuladas para alunos filhos de professores, alunos atletas, alunos que participam de olimpíadas (de Matemática, Xadrez, Química ou Física), alunos que têm grande potencial para seleções como vestibular, Enem, entre outras. Tudo atrelado a uma parceria entre escola e família, pais que apostam na educação de seus filhos como forma de ascensão profissional, em busca de um futuro promissor, com caminhos traçados ao Ensino Superior.

Diante desse contexto, a prioridade do envolvimento da família no processo de ensino-aprendizagem, a proposta político-pedagógica de cada instituição, as questões que permeiam o currículo, a metodologia de trabalho e o compromisso entre as partes farão do ensino um caminho de construção de conhecimentos, devendo ser vivenciado por todos os segmentos educacionais, independentemente de classes sociais.

Segundo pesquisa do professor Marcelo Neri, do CPS/FGV, “O custo médio por aluno em um ano, no Ensino Fundamental, gira em torno de R$ 2 mil. O cálculo vale tanto para escolas particulares como públicas. O valor estimado pelo Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi) para os primeiros anos do Ensino Fundamental é de R$ 2.194,56”. O professor também defende que, pelo mesmo custo, as escolas particulares oferecem um resultado melhor. Ele cita os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) como medida. Em 2009, o Ideb das séries iniciais do Ensino Fundamental nas particulares foi de 6,4, contra 4,4 das públicas.

Precisamos repensar um ensino de qualidade, independentemente de classe social, porém vinculado à formação do cidadão brasileiro. Temos que fazer da Educação uma prioridade.

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