Edição 67

Como mãe, como educadora, como cidadã

Deixe de ser papel higiênico

Zeneide Silva

transitoQue alegria sinto ao passar para você, educador e educadora, meus momentos de reflexão, de silêncio interior, de indignação e também de alegrias.

Nesta edição, gostaria de relatar uma cena que reflete muito a prepotência, a sensação de superioridade das pessoas em relação ao outro.

Estava passeando com minha filha, Ana Luiza, e minha sobrinha Carina, quando elas pediram para comer um sanduíche na McDonald’s. Como o drive-in estava muito cheio, resolvi ir ao estacionamento enquanto elas entravam para lanchar. Fiquei observando uma cena envolvendo três carros: um querendo entrar e os outros dois querendo sair. O que pretendia entrar era um carro grande, importado, que, ao ser impedido de entrar, acendeu logo o farol alto para o carro pequeno que desejava sair. Este também acendeu o farol alto esperando que o outro cedesse, enquanto o terceiro carro esperava a decisão dos dois, em vão. Como percebeu que não havia acordo entre os dois, desceu de seu carro e foi negociar com os dois. Então, vi naquele senhor a coragem de lutar pela paz. “Corajoso este senhor”, pensei.

O senhor do carro pequeno cedeu, afastou um pouco e o carro grande entrou e estacionou ao meu lado. Era um rapaz aparentando uns 35 anos com a esposa e uma filha com cerca de 5 anos. Fiquei observando essa família e pensei: “Que exemplo esse rapaz deu para a sua filha? Prepotência? Orgulho? Superioridade?”. Ele não entende que isso não leva a lugar nenhum. Como será a fala desse rapaz diante de temas como convivência humana e valores?

Neste momento, lembrei-me de uma história que escutei em uma das palestras do Pe. Léo (in memoriam), da Canção Nova. Achei muito interessante ouvi-lo falar do orgulho do papel higiênico e pensei nas muitas pessoas que, por desejo próprio, não perceberam que podem terminar como o papel higiênico: sujo e no lixo!

Jose AS Reyes_shutter_fmt1Veja a história.

O papel higiênico é o bicho mais orgulhoso. Você entra no supermercado e ele tem uma ala exclusiva só dele — vip — enfileirado em pacotes de 2, 4, 6, 8 e 16 unidades.

Nas compras, ele é colocado em cima de todas as mercadorias. Você o pega por último ou coloca-o em um local reservado no carrinho. Ele já tem cara de orgulhoso. Na hora de passar as compras no caixa, logo é colocado no saquinho separado, porque ele não se mistura com os outros. É o único produto de limpeza que precisa de um cuidado especial.

Quando vai para o carro, você põe tudo embaixo, mas ele não; ele vai por cima, charmoso. Quando chega em casa, ele é colocado com cuidado em um local especial na dispensa.

Chegada a hora de ir para o trono, ele é colocado em uma casinha de acrílico ou numa casinha que até porta tem. Ele realmente é muito orgulhoso. Vem picotado, perfumado dos dois lados. Não conheço ninguém que fica cheirando papel higiênico. Quando alguém vai lavar o banheiro, toma bastante cuidado para não molhá-lo.

Mas um dia chega a grande hora dele. É usado. Tem gente até que não tem nem o trabalho de dobrá-lo depois de usar e deixa a mancha à mostra ao jogá-lo no lixo de qualquer jeito. Chegamos até a ter nojo do próprio papel que usamos. É realmente um produto muito orgulhoso. Enfim, pessoal, aí está o fim do papel higiênico: sujo e no lixo.

Concluo dizendo que seria tão bom que as pessoas entendessem que nós não nascemos para irmos para o lixo, e sim para o céu. Nossa prática constante é a de buscar as coisas do alto. Só assim podemos ser felizes e fazer o outro feliz.

Um grande abraço.

cubos