Edição 51

Gestão Escolar

Desafios do coordenador pedagógico

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Mais do que resolver problemas de emergência e explicar as dificuldades de
relacionamento ou aprendizagem dos alunos, o papel do coordenador é ajudar
na formação dos professores.

Muito se tem falado sobre o papel do coordenador pedagógico.
Afinal, por que ele é necessário? Quem dera coordenar
fosse simples como diz o dicionário: dispor segundo certa
ordem e método; organizar; arranjar; ligar.

O coordenador pedagógico, muito antes de ganhar esse status,
já povoava o imaginário da escola sob as mais estranhas
caricaturas. Às vezes, atuava como fiscal, alguém que
checava o que ocorria em sala de aula e normatizava o que
podia ou não ser feito. Pouco sabia de ensino e não conhecia
os reais problemas de sala de aula e da instituição. Obviamente,
não era bem aceito na sala dos professores como
alguém confiável para compartilhar experiências.

Outra imagem recorrente desse velho coordenador é a de
atendente. Sem um campo específico de atuação, responde
às emergências, apaga focos de incêndio e apazigua os
ânimos de professores, alunos e pais. Engolido pelo cotidiano,
não consegue construir uma experiência no campo
pedagógico. Em ocasiões esporádicas, ele explica as causas
da agressividade de uma criança ou as dificuldades de
aprendizagem de uma turma. Hoje, o coordenador organiza
eventos, orienta os pais sobre a aprendizagem dos filhos e
informa a comunidade sobre os feitos da escola.

Mas isso é muito pouco. Na verdade, ele se faz cada vez mais
necessário, porque professores e alunos não se bastam.
Além das histórias individuais que todos escrevemos, é preciso
construir histórias institucionais. É duro constatar a fragilidade
de tantas escolas que montam um currículo e uma
prática efetiva durante anos e perdem tudo com a transferência
ou a aposentadoria de professores. Construir história
nos torna humanos, e é de se estranhar que, justamente na
escola, tantas vezes tudo recomece do zero. O coordenador
eficiente centraliza as conquistas do grupo de professores e
assegura que as boas ideias tenham continuidade.

Além do que se passa dentro das quatro paredes da sala de
aula, há muito mais a aprender no convívio coletivo — no
parque, no refeitório, na rua, na comunidade. A distância
nesses espaços deve ser ritmada pelo coordenador. É preciso
lembrar, ainda, que só quem não está em classe, imerso
naquela realidade, é capaz de estranhar. E isso é ótimo! É do
estranhamento que surgem bons problemas, o que é muito
mais importante do que quando as respostas aparecem
prontas.

Só assim é possível que o coordenador efetivamente forme
professores (e este é o seu papel primordial). Ampliando a
significação do dicionário, eu diria que, no dia a dia de uma
instituição educativa, é preciso:

• Dispor, segundo certa ordem e método, as ações que colaboram
para o fortalecimento das relações entre a cultura
e a escola.

• Organizar o produto da reflexão dos professores, do planejamento,
dos planos de ensino e da avaliação da prática.

• Arranjar as rotinas pedagógicas de acordo com os desejos
e as necessidades de todos.

• Ligar e interligar pessoas, ampliando os ambientes de
aprendizagem.

Este é o sentido de ser um bom coordenador, não de uma
instituição, mas de processos de aprendizagem e de desenvolvimento
tão complexos como os que temos nas escolas.
Que os que desejam se responsabilizar por essa importante
função vejam aqui um convite para criar um estilo de coordenar.

Silvana Augusto é formadora do Instituto Avisa Lá e professora do
Instituto Superior de Ensino Vera Cruz, em São Paulo.

Fonte: Nova Escola. n. 192. ano XXI. São Paulo:
Abril, maio de 2006.

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