Edição 81

Espaço pedagógico

Descobrindo o prazer pela leitura: o incentivo a práticas de leitura desde a infância

Suênia Maria Batista de França

Introdução
O tema Descobrindo o Prazer pela Leitura: o Incentivo a Práticas de Leitura desde a Infância pretende mostrar que o contato da criança com o mundo da literatura deve se iniciar cedo, mesmo quando ela ainda não sabe ler, pois fará com que esta descubra no livro um brinquedo e que brincando muito poderá aprender.

A escola deve sempre estar presente durante todo o processo de alfabetização, promovendo atividades em que a criança se sinta desafiada a buscar em outros tipos de livro uma leitura complementar àquela realizada em sala. Para isso faz-se necessário que na instituição haja recursos que auxiliem o professor. A presença da família também é de extrema importância nesse processo, pois as relações afetivas e o incentivo que a mesma pode dar influenciam na construção do prazer pela leitura.

livro_aberto_Depositph_fmtO nosso objetivo aqui é mostrar que é possível promover essas estratégias junto ao alunado, ajudando-o nesse processo tão complexo. Buscamos para tanto, a partir de um levantamento bibliográfico, algumas sugestões como subsídio aos professores para que possam contribuir para esse processo, obtendo, assim, maior êxito.

Os primeiros contatos com o mundo da literatura

O prazer pela leitura é algo que pode ser conquistado a partir de práticas cotidianas, que melhor seriam aproveitadas pelas crianças se vivenciadas desde os primeiros anos de vida.

Desde idade muito tenra, a maioria das crianças adora que se leia para elas, e o modo como pais e cuidadores fazem isso pode influenciar sua capacidade de falar e, posteriormente, de ler (PAPALIA; OLDS, 2010. p. 94).

Nessas práticas, a mediação realizada pela família é de extrema importância, pois o incentivo ao contato com o livro deve acontecer de forma a proporcionar prazer e alegria, por esse motivo a afetividade existente nessas relações é muito valiosa.

Para muitas crianças, essas experiências começam quando elas são ainda bem pequenas, pois a leitura da literatura infantil que as embala na hora de dormir, realizada de forma clara e com um tom de voz adequado, ajuda a acalmá-las e faz com que já comecem a entrar no mundo da imaginação. Segundo Vygotsky apud Baldi (2009), é preciso que essa imaginação seja alimentada, e isso pode acontecer através do compartilhamento de leituras, pois oferece às crianças experiências que, além de construir a imaginação, possibilitam conhecer o mundo e a si mesmas, tornando-as mais críticas, sensíveis e criativas. Essa leitura ainda propicia uma maior interação afetiva entre os leitores, sejam eles pais ou educadores, e a criança, fazendo com que, mesmo de forma inconsciente, esse ouvinte tenha um contato inicial com as palavras.

É importante ressaltarmos aqui que quando lemos para uma criança estamos garantindo a ela o direito à cultura e à educação, pois através da leitura ela vai se familiarizando com as palavras e a escrita, podendo construir um vocabulário mais amplo e compreender melhor o mundo em que vive.

A presença da família também é de extrema importância nesse processo, pois as relações afetivas e o incentivo que a mesma pode dar influenciam na construção do prazer pela leitura.

A leitura de textos literários nas séries iniciais

Ao ingressar na escola, a criança se depara com um mundo diferente, cheio de novidades. Nesse momento, é importante que a escola tenha um projeto pedagógico voltado para a integração da leitura no seu dia a dia. Os professores devem estar preparados para lidar com estratégias que favoreçam essa prática, mesmo, e principalmente, nas séries iniciais, quando os pequeninos muitas vezes ainda não sabem ler, pois nesse período a curiosidade e a vontade de conhecer o novo podem ajudar a despertar o prazer pela leitura. Ou seja, cabe ao professor dos primeiros anos o papel mais importante, o de despertar o gosto pela leitura, de seduzir o leitor desde os seus contatos iniciais com os livros, antes mesmo que ele seja capaz de decifrar o código escrito (SILVA, 2008, p. 13).

familia_lendo_livro_De_fmtO uso do texto literário na escola não está relacionado apenas à ampliação do vocabulário e melhora da escrita, mas, como já foi dito anteriormente, a leitura de literatura estabelece um contato com o mundo interior que existe em cada um de nós, construindo um mundo imaginário onde tudo é possível. Claro que esse tipo de leitura colabora com a alfabetização, pois o aluno cria um vínculo entre a escrita e a leitura. No entanto, o foco não precisa necessariamente ser a construção da base alfabética, na qual o objetivo é decifrar o código, mas fazer com que a criança veja no livro um brinquedo recheado de magia e queira buscá-lo sempre.

A leitura prazerosa é algo pessoal, e cada um deve saber como obtê-la. É bastante comum que esteja associada à leitura de literatura, principalmente quando se trata de crianças, por segurar melhor a atenção delas através das figuras e do encantamento contido em suas histórias. Além disso, ler por prazer significa dizer que o leitor pode sentir-se mais à vontade com relação à sequência do texto, podendo elaborar critérios próprios para selecioná-los. Assim como Solé (1998) diz, “[...] o que importa, quando se trata deste objetivo, é a experiência emocional desencadeada pela leitura [...]”.

Sugestões e estratégias para o professor

mulher_professora_Depo_fmtSe a escola dispõe de uma biblioteca ou sala de leitura, é necessário que se faça uso dela, é muito importante que o aluno tenha acesso a ela, sendo sempre desafiado a buscar um livro novo com temas ainda não vistos e linguagens diferenciadas. E para um melhor aproveitamento é interessante que a criança possa levar o livro para casa, podendo assim compartilhar com a sua família essa nova experiência. No entanto, um trabalho de conscientização deve ser feito anteriormente, mostrando que o livro não deve ser “maltratado”, devendo voltar à escola em perfeitas condições.

Nesse processo, a família deve ser instruída a interagir com a criança, ajudando-a a produzir um desenho que represente a história ou mesmo um resumo do texto, por exemplo. Lembrando sempre que o elogio vindo dos pais levanta a autoestima, fazendo com que a criança se entusiasme a buscar novos livros sempre.

A promoção de saraus literários deve fazer parte das ações da biblioteca, acontecendo mensalmente ou mais vezes, conforme a disponibilidade da instituição, fazendo com que a criança tenha um contato contínuo com o acervo, usufruindo frequentemente de momentos de leituras compartilhadas. O momento de encontro de um grupo na biblioteca pode ser muito propício às trocas de indicações de leitura. O professor deve exercer o papel de mediador, incentivando as crianças a participarem dessa trança de informações. Assim sendo, é interessante que promova rodas de conversa, nas quais cada leitor traga o livro que leu para indicar a leitura, compartilhando, com o grupo, um pouco da história lida. Com isso, conclui-se que:

Não é possível encantar o aluno com uma massificação da leitura, ou seja, a tal da leitura obrigatória por bimestre [...]. Apostar na variedade também é uma forma de ampliar o leque de interesses! (SISTO, 2001, p. 102).

Suênia Maria Batista de França é graduada pela Universidade Estadual da Paraíba.
Endereço eletrônico: sueniapedagogia1@hotmail.com.

Referências

BALDI, Elizabeth. Leitura nas Séries Iniciais: uma Proposta para Formação de Leitores de Literatura. Porto Alegre. Projeto, 2009.

MELO, Glória Maria Leitão de Souza; BRANDÃO, Soraya Maria Barros de Almeida; MOTA, Marinalva da Silva (orgs.). Ser Criança: Repensando o Lugar da Criança na Educação Infantil. Campina Grande. Eduepb, 2009.

PAPALIA, Diane E.; OLDS, Sally W. Desenvolvimento da Linguagem. In: Pedagogia em Regime Especial: Coletânea de Textos Didáticos – XII. 2 ed. 2010.

SILVA, Vera Maria Tietzmann. Para Início de Conversa. In: SILVA, Vera Maria Tietzmann. Literatura Infantil Brasileira: um Guia para Professores e Promotores de Leitura. 2 ed. Goiânia: Cânone Editorial, 2009.

SISTO, Celso. Textos e Pretextos sobre a Arte de Contar Histórias. Chapecó. Argos, 2001.

SOLÉ, Isabel. Estratégias de Leitura. 6 ed. Porto Alegre. Artmed, 1998.

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