Edição 40

Editorial

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Prezado Educador/Prezada Educadora,

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Quando nos referimos ao tema violência nas escolas, logo vêm à nossa mente formas explícitas de violência: vandalismo, pichação, rixas e agressões contra professores e alunos. No entanto, esquecemos ou não temos conhecimento de que nossas escolas convivem com uma violência, muitas vezes, mais cruel e, quase sempre, ignorada pelos pais e pelos professores.

Estamos nos referindo ao fenômeno bullying, definido como um conjunto de atitudes agressivas, repetitivas e sem motivação aparente perpretadas por um aluno — ou grupo — contra outro, causando sofrimento e angústia; através do “isolamento intencional, dos apelidos inconvenientes, da amplificação dos defeitos estéticos, do amedrontamento, das gozações que magoam e constrangem, chegando à extorsão de bens pessoais, imposição física para obter vantagens, passando pelo racismo e pela homofobia, sendo ‘culpa’ dos alvos das agressões, geralmente, o simples fato de serem ‘diferentes’, fugirem dos padrões comuns à turma — o gordinho, o calado, o mais estudioso, o mais pobre”, como nos relata Mário Felizardo, oficial de Proteção da Infância e da Juventude do Poder Judiciário de São Paulo.

Todos os dias, alunos no mundo todo sofrem com um tipo de violência que vem mascarada na forma de “brincadeira”. Estudos recentes revelam que esse comportamento pode acarretar sérias conseqüências ao desenvolvimento psíquico dos alunos, gerando desde queda na auto-estima até, em casos mais extremos, suicídio e outras tragédias. Diversos trabalhos internacionais têm demonstrado que a prática do bullying pode ocorrer a partir dos 3 anos de idade, quando a intencionalidade desses atos já pode ser observada.

Diante dessa violência, sentimos uma grande necessidade de abordar o fenômeno bullying na Construir Notícias, apresentando para você, educador e educadora, os seguintes artigos: O que é bullying — Abrapia; Bullying, o crime do desamor, de Gabriel Chalita; Fenômeno bullying: prática pedagógica e violência escolar, de Genilson Capucho e Vera Capucho; Cyberbullying: uma nova modalidade de violência escolar, de Genilson Capucho e Vera Capucho; Bullying – violência disfarçada, de Antonio Clemente; O dilema de def inir violência escolar, de Fábia Geisa.

Apresentaremos, ainda, a matéria Como os tantãs na floresta, de Mônica Lima; além do Projeto Feira de Ciências, do Colégio Madre de Deus no Recife.

Temos também dicas de livros, dicas de filmes e o livro da vez: Educando e elogiando meninas — Educando e elogiando meninos, de Elizabeth Harher Brewer.

Concluímos deixando um alerta em relação à nossa preocupação sobre o fenômeno bullying, que vai mais além, pois precisamos tomar consciência da necessidade de colocar um ponto final em tantas formas de violência. É necessário que cada escola, cada educador, cada educadora e cada família reflita e apresente, através de ações concretas, mudanças contínuas e pacientes que possibilitem a educação para a libertação, isto é, que cada vítima encontre entendimento para seu sofrimento e que cada agressor se dê conta de sua transgressão, renovando, assim, a esperança de viver em uma sociedade justa e solidária.

Um abraço fraterno,
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