Edição 52

Editorial

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Gol, pênalti, cartão amarelo, cartão vermelho, campeão 2010. Essas, entre outras palavras, com certeza estarão presentes no dia a dia de nossas escolas.  A Copa do Mundo de futebol da Fifa acontecerá na África do Sul no período de 11 de junho a 11 de julho, e é a primeira vez que o maior evento futebolístico tem lugar  em um país do continente africano, esquecido pela globalização, sob os olhares atentos de todo o planeta. Um dado curioso é que o técnico que comandará a seleção dos Bafana-Bafana (Rapazes-Rapazes, como a seleção sul-africana é chamada em isizulu) é um brasileiro,  Carlos Alberto Parreira, que, em 1994, levou a nossa seleção ao tetracampeonato nos Estados Unidos. Esse não é um dado supérfluo. Além da paixão pelo futebol,  brasileiros e sul-africanos compartilham outros valores culturais e também problemas. Acontece que, por alguma razão, sempre tivemos os olhos voltados para a Europa e os Estados Unidos. Muito desse distanciamento teve a ver, e ainda tem, com velhos preconceitos em relação aos povos negros, considerados inferiores e incapazes de produzir civilização, na linha de teorias disseminadas por toda a Europa (e no Brasil) a partir de meados do século XIX.

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O distanciamento não se justifica. Afinal de contas, o Brasil foi o país que mais recebeu africanos, em torno de 4 a 5 milhões, que vieram principalmente dos territórios onde ficam Guiné, Costa do Marfim, Benin, Congo, Angola e Moçambique.  Educador e Educadora, aproveitem essa oportunidade de trabalhar o tema Copa associado à Lei nº 10.639/2008, que estabelece a inclusão da temática História e Cultura  Afro-brasileira no currículo oficial da rede nacional de ensino. Tendo em vista a miscigenação, o conhecimento da África é um processo de autoconhecimento  para o indivíduo brasileiro. E assim, tendo como objetivo principal educar para a igualdade racial, leia atentamente os artigos.  Em relação à Copa do Mundo, procuramos enriquecer a revista com informações sobre a história das copas, dando a você subsídios para a elaboração de um projeto  sobre esse evento mundial. Enfim, acreditamos que a Copa do Mundo de 2010 seja uma oportunidade para a África do Sul e para outras nações do continente mostrarem ao planeta não só algumas conquistas obtidas nos últimos anos, mas também a realidade de uma região que está há décadas sob o descaso e a omissão dos principais atores políticos e econômicos globais.  Como outras nações que sediaram eventos esportivos dessa importância, a África do Sul espera tirar proveito do legado que a Copa do Mundo deixará para enfrentar seus enormes desafios e tentar virar o jogo para os sul-africanos. A partida está apenas começando.

Um grande abraço!

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