Edição 67

Em discussão

Educação sexual: saiba como orientar os alunos na escola

Karen Kaufmann Sacchetto

Alguns educadores e pais consideram a abordagem de questões sexuais na escola como algo não sadio, pois estimularia precocemente a sexualidade. Mas a pedagoga Karen Kaufmann Sacchetto é completamente a favor da Educação Sexual para crianças, pois, segundo ela, a vida sexual dos jovens está se iniciando cada vez mais cedo, e os estímulos vêm de todos os lados — música, TV, revistas, Internet. Para Karen, é muito difícil para os pais iniciar um diálogo com seus filhos, por isso acredita que a escola precisa passar informações corretas desde cedo, esperando que no futuro tenhamos jovens mais conscientes, que possam lidar seguramente com sua vida sexual. Na entrevista a seguir, Karen fala como a Educação Sexual nas escolas pode ser colocada em prática.

Quais os aspectos positivos e quais os negativos de se trabalhar a sexualidade na escola?

Abordando o tema desde cedo, as crianças aprendem a se sentir mais à vontade com relação a ele e, aos poucos, mais seguras para fazer questionamentos que num primeiro momento possam parecer constrangedores. Negativamente, acredito que seja a precaução que se deve ter para não se ir contra a filosofia da escola e os valores familiares.

E como deve ser essa Educação Sexual?

Deve-se partir do conhecimento e da informação que o grupo tem sobre o tema. Pode-se começar com uma conversa informal, utilizando-se uma história de base própria para a idade e a partir dela permitir os questionamentos. Primeiramente, selecionam-se as mais comuns para depois passar às mais complexas.

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Em que série ela deveria começar? E qual a melhor disciplina para abordar esse assunto?

O ideal é começar na Educação Infantil. Inicia-se, por exemplo, aos 2 anos, com a ideia do ciúme por um novo irmão. Aos 4 anos, passa-se para as histórias em que as crianças percebem que, para um ser vivo existir, deve haver um componente masculino e outro feminino. Aos 6 anos, trabalham-se as diferenças entre meninos e meninas.

Não existe uma disciplina ideal para se tratar do assunto, e ele pode ser abordado por aquele professor mais popular, que geralmente é idolatrado pelos alunos, ou pela professora regente, que passa a maior parte do tempo com eles.

Que temas podem ser trabalhados com as crianças do 2º ao 5º anos?

No Ensino Fundamental, é possível acrescentar assuntos mais específicos, como o respeito ao gênero e às escolhas individuais. Os temas namoro e atração, que vêm aparecendo cada vez mais cedo, também devem ser tratados colocando-se que é uma sensação boa, mas existe idade, hora e lugar para namorar. O educador deve buscar o que as crianças entendem por esses temas e abordá-los procurando esclarecê-los. Hoje, há inúmeros tipos de núcleos familiares, muito diferentes do patriarcado imperante de até pouco tempo atrás. É um gancho para se abordar como se formam as famílias e qual a sua dinâmica. No 5º ano, já é possível tratar mais abertamente o nome dos órgãos sexuais, populares e científicos. É necessário, também, esclarecer as ideias erradas sobre reprodução e apontar os riscos das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e de uma gravidez indesejada. É crucial estudar o público com o qual se trabalhará. Sabemos que, em alguns colégios, a realidade é que existem crianças de 10, 11 e 12 anos que, muitas vezes, já tiveram experiências sexuais. Daí a importância da abordagem da precocidade no início desse trabalho.

Que materiais os professores podem utilizar?

Livros e fantoches são muito bem recebidos pelos menores. À medida que vão crescendo e adquirindo autonomia, pode-se realizar projetos, dramatizações e fazer cartazes, palestras, jornaizinhos, etc.

Como responder às perguntas curiosas das crianças?

O importante é ser direto na resposta. Responder o que a criança quer saber e não se estender fazendo um discurso. Se a criança continuar curiosa, certamente virá com outro questionamento em seguida. Use sempre termos verdadeiros. Se a pergunta for muito constrangedora e o educador não souber responder, ele pode dizer: “Vou pesquisar e depois te respondo, ok?”. Mas atenção: promessa é dívida. Não a deixe sem resposta, pois, nesse caso, ela irá buscá-la em outro lugar.

E o professor deve comunicar aos pais sobre a iniciativa de conversar com as crianças sobre sexo?

É possível dizer aos pais o tema que será tratado e deixá-los à vontade para decidir se querem que seu filho participe. Porém, como sabemos da importância dessa conscientização, a escola e os professores podem fazer uma palestra prévia aos pais, mostrando-lhes a importância da iniciativa e como seria fundamental que todos pudessem participar.

Karen Kaufmann Sacchetto é mestranda em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Especialista (lato sensu) em Distúrbios de Aprendizagem (2007) pelo Centro de Referência em Distúrbios de Aprendizagem (CRDA).

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