Edição 25

Projeto Didático

Em Férias Também se Aprende? – Profa. Ester Malamut

ferias

A aprendizagem, levada a efeito de modo formal e informal, oportuniza ao indivíduo um crescimento progressivo no tempo e no espaço.
O encerramento de um ano letivo não implica, automaticamente, uma interrupção do processo educativo da criança. Por outro lado, não podemos negar o fato de que, vencendo ou não o estudo específico da série escolar que freqüenta, ao despedir-se temporariamente da escola, o aluno comum abandona os livros didáticos, esquece lápis e borrachas no fundo das gavetas, dá — quando não joga fora — cadernos, pastas, arquivos com seu material. O uniforme lançado longe simboliza quase que a retomada de sua liberdade. Nada mais normal. Todos nós necessitamos de um período de repouso de tempos em tempos, para fazermos aquilo que queremos, independentemente de horários ou de prazos para entrega de trabalhos. Todos nós necessitamos de férias, principalmente quando estamos naquela idade maravilhosa de pré-adolescência, idade em que vamos “descobrindo” e tentamos melhor nos adaptar ao mundo em que vivemos. E é precisamente essa necessidade de explorar a vida, de “esquecer” os estudos para apenas brincar e divertir-se, unida à constatação de que a aprendizagem não estaciona ao se entrar em férias, que dá ao educador uma rica e vibrante dimensão à tarefa a que se propôs.
Olhemos para trás. Vejamos o que passou e tudo aquilo que nossas crianças integraram à sua personalidade durante o ano escolar. E planejemos com elas o que poderão fazer durante as férias, o quanto e de que modo poderão revitalizar-se e crescer com novas experiências, com novas oportunidades de realização, de criatividade, de expansão construtiva da impressionante carga energética que possuem. Esse planejamento, desenvolvido com muito tato, num plano altamente socializado, não encontrará relutância ou desagrado por parte do aluno, desde que sua orientação tenha aquela flexibilidade, aquela atraente antecipação que caracteriza, por exemplo, os planejamentos das agências de turismo.

NOSSAS CRIANÇAS PODEM ORGANIZAR SUAS FÉRIAS?
Naturalmente, não devemos esquecer que férias são férias e crianças são crianças. Nossa atuação junto a elas será no sentido de desfazer aquela antiga idéia de que férias representam “fuga dos estudos” e de que só se pode aprender dentro de uma sala de aula. Mas sem perdermos, com isso, a consciência de que esse é um período de despreocupada recreação, de alegre liberdade, período em que se pode e deve atender à necessidade que as crianças têm de se sentirem “soltas”, à vontade para se distrair, correr, pular, jogar o quanto quiserem.
Deve-se alertar o professor de que é praticável reunir suas crianças, ouvi-las em seus projetos para depois de encerrado o ano escolar e, com elas, organizar, planejar um esquema das possibilidades que se apresentarão a cada uma, dentro de sua realidade existencial. É claro que o aproveitamento das férias será tanto maior quanto maior for a disponibilidade daqueles que a planejarem. Assim, todas as atividades propostas deverão partir daquilo que interessa à criança, bem como de sua maturidade socioemocional, seu nível de adiantamento e recursos físicos e materiais de que dispõe. Deixamos, pois, ao bom senso do professor, a utilização das sugestões apresentadas a seguir.

1. Ler um livro diferente, há muito desejado, mas que requeria mais tempo e atenção do que era possível dispor durante o ano letivo. Extrair dessa leitura todas as novas idéias e pensar bastante até chegar a uma conclusão, a uma interpretação pessoal. Depois desse, outro livro será desejado, depois outro e outro mais.
2. Fazer um aquário, um terrário, um viveiro, um pombal ou apenas uma pequena piscina onde passarinhos possam tomar banho e beber água.
3. Ouvir uma música apreciada, indo à casa de alguém que a saiba executar ou que possua a gravação ou, mesmo, pedindo ao encarregado de uma loja de discos que a faça tocar.
4. Pescar, observando os regulamentos que visam proteger e preservar nossos peixes.
5. Proceder ao reconhecimento dos lugares originais ou históricos da localidade, bem como aos estabelecimentos públicos antigos ou novos.
6. Coletar mapas, folhetos, gravuras da localidade ou dos lugares que visitar.
7. Coletar, improvisar, criando jogos, adivinhações, charadas, enigmas e palavras cruzadas para brincar durante a viagem ou em casa, nos dias chuvosos.
8. Ilustrar histórias, contos, anedotas, fábulas.
9. Escalar um morro, uma pedreira e admirar o panorama.
10. Acampar com uma turma organizada, fazendo piqueniques e pequenas expedições.
11. Olhar as estrelas, com uma luneta ou a olho nu, tentando distinguir as diversas constelações e observando, ainda, as fases da Lua.
12. Desenhar ou pintar locais pitorescos da cidade, animais, passarinhos, insetos, com seus ninhos ou abrigos, árvores diferentes, um colorido pôr-do-sol, um bonito amanhecer, uma estranha paisagem.
13. Recolher preciosidades do mar, tais como conchas, pequenos animais marinhos, amostras de corais, punhados de areia ou de cascalho.
14. Organizar um álbum com anotações, desenhos, fotografias das plantas, dos animais e de coisas diferentes encontradas nos lugares visitados.
15. Relatar a viagem e os episódios engraçados ou originais acontecidos durante as férias, numa espécie de diário.
16. Aproveitar o tempo disponível para visitar as lojas, os bazares e as demais casas comerciais da localidade.
17. Tirar fotografias ou desenhar os diversos tipos de nuvens, de ondas do mar, de pontes, de estradas, principiando a organização de um arquivo especial.
18. Fotografar, desenhar ou apenas escrever sobre os diferentes tipos humanos encontrados durante a viagem, sejam trabalhadores das estradas, motoristas de caminhão, agricultores ou pedreiros.
19. Visitar serrarias, serralherias, aeroportos, cais dos portos, rodoviárias, sítios e fazendas, exposições agropecuárias, orquidários, zoológicos, fábricas, reservatórios, represas, etc., fotografando, desenhando ou apenas anotando as observações feitas em um caderno especialmente destinado para isso.
20. Fazer mapas simplificados de praças, parques, mercados, feiras.
21. Praticar esportes, aprender a nadar, a pescar, a remar, a andar de bicicleta, a fazer ginástica ou apenas permanecer na assistência, torcendo.

Em suma, diríamos que nossas crianças poderão aproveitar suas férias, seja qual for o lugar em que as passem, para crescer em disponibilidade, para despertar a alma e a mente ao canto mágico da aventura do cotidiano, para responder com alegria e criatividade às solicitações constantes do mundo que integram, para desabrochar, em vibrante realização e vivacidade, o extraordinário encantamento que reveste a capacidade de fazer.

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