Edição 108

Espaço pedagógico

Escola: espaço legítimo a todos

Leandro Silva

É na escola que o estudante começa a ampliar seus horizontes quanto à sua identidade. Dessa maneira, restringir a sua atuação frente às questões do dia a dia, devido a qualquer deformidade física, é desacreditar, piamente, a capacidade de socialização desses estudantes. A escola tem o poder de amplificar a cultura, de expandir o conceito de cidadania e de construir novos saberes para que o estudante possa ter o sentimento de pertencimento. Ainda que sejamos seres únicos e singulares, fazemos parte de um grupo social que integra o todo — a escola.

Dentre várias funções dessa instituição transformadora, que tem por objetivo construir um mundo mais sensato, a escola tem a árdua missão de mostrar para qualquer estudante, tendo ele uma deficiência ou não, que ele pertence a um determinado grupo formado por indivíduos completamente diferentes. Isto é, concerne a essa instituição, portanto, incutir na mente de toda a comunidade escolar que a nossa vida deve ser feita de relações puramente respeitosas.

É bem verdade que o sistema que rege a educação brasileira, em comparação com os países de Primeiro Mundo, é totalmente tardio no que tange à educação inclusiva. Em algumas escolas, o estudante deficiente é excluído desse processo educativo devido à falta de profissionais qualificados e, principalmente, por uma questão de infraestrutura do local. Ter uma escola inclusiva é mover reformulação em todos os âmbitos, tanto no Projeto Político Pedagógico (PPP) quanto no Regimento Escolar.32

A fim de possibilitar o acesso a todos, a escola é formada por múltiplos profissionais que têm funções interdependentes — sejam elas de diretor pedagógico, coordenador, professor, orientador e supervisor, todos têm de se empenhar com o intuito de promover uma socialização entre os que estão envolvidos nesse processo. Para Durkheim (1977), as funções se especializam cada vez mais para manter a sociedade (nesse caso, a escola) em equilíbrio pela particularização de tarefas.

É nesse momento que aparece a figura de um colaborador de suma importância numa instituição escolar — o supervisor. Libâneo (2002, p. 35) narra a imagem do supervisor escolar como um “[...] agente de mudanças, facilitador, mediador e interlocutor”. Dessa maneira, esse profissional é a pessoa mais coerente para realizar uma interlocução entre a direção escolar, os educandos, os educadores e todos os que, direta e indiretamente, fazem parte da comunidade escolar. Compete, então, ao supervisor escolar uma ação mais incisiva quanto à readequação da prática educativa de uma instituição com o objetivo de atender a todos os estudantes, quer sejam deficientes ou não. Fundamentado nos escritos de Vygotsky (1989), “Um estudante com necessidades especiais não é simplesmente menos desenvolvido que os demais, apenas se desenvolveu de forma diferente”.

Para atingir resultados satisfatórios quanto à aprendizagem do seu alunado, independentemente do local em que a escola esteja fixada, são necessárias algumas ações, tais como: um planejamento que assegure a inclusão escolar; avaliação correspondente ao seu planejamento; e aperfeiçoamento de toda a equipe pedagógica.

Em síntese, a educação inclusiva ainda é uma problemática a ser discutida e, sobretudo, respeitada neste país, que pouco valoriza a educação. Ela também é uma das partes mais importante na formação de um professor. Muitas são as perguntas, dúvidas e inseguranças de como transformar uma escola num espaço que possa acolher todos os estudantes. Mas, para a efetivação da inclusão no ambiente escolar, será necessário, por parte da Direção, assim como da Supervisão, um trabalho de integração da equipe técnica.

Leandro Silva é autor do livro Pais e filhos, professor pela Universidade Gama Filho/RJ, graduando em Pedagogia pelo Centro Universitário Brazcubas/SP e é técnico em Secretaria Escolar e coordenador pedagógico.

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