Edição 73

Como mãe, como educadora, como cidadã

Eu juro que vi

Zeneide Silva

pag_56_HitToon.Com_shutters

Dentro dos muitos momentos que vivemos em família, tenho uma lembrança muito bonita de minha infância e não estou inventando história: eu juro que vi o Papai Noel!

Foi assim: Mamãe nos alimentou de muitas fantasias e sonhos de criança que nos deixavam maravilhados. No Natal, além da tradicional Missa do Galo, que acontece sempre à meia-noite (eu ficava de joelhos para as pessoas pensarem que estava rezando, mas, na verdade, eu estava era dando meu cochilo… Não estava entendendo nada mesmo), tínhamos a mesa decorada, a árvore de galhos enrolados com algodão na sala, o biscoito champagne, a galinha assada, o arroz branco, a farofa e o pote com bombons Sonho de Valsa; tudo lindo e perfeito para um casal que viveu sempre para os filhos.

Depois do jantar, era hora de ir para a cama, todos no mesmo quarto. Um beliche, uma cama de solteirão, com colchão de capim, e uma cama de lona verde (colchão de capim e cama de lona com xixi ninguém merece).

Essa noite foi especial. Fomos todos dormir, menos eu, pois queria ver Papai Noel. Meus irmãos Mané, Nane e Nado foram logo para o quarto, esperando o dia amanhecer para receber os presentes de Papai Noel. Nessa época, Jane, a caçula, ainda não havia nascido.

Lembro que fiquei escondida na sala quando vi — eu juro que vi — Papai Noel chegar e trazer nossos brinquedos. Que cena linda, ele andando nas pontas dos pés para não fazer barulho. Colocou nossos presentes, sorriu para mim e foi embora. Corri para o quarto e esperei o dia amanhecer.

Pela manhã, mamãe nos acordou cantando Deixei meu sapatinho na janela e dizendo que Papai Noel havia deixado presentes no sapatinho. Corremos para ver: para Mané, uma bola; para Nane, um boneco igual ao meu; para Nado, um carrinho azul de plástico. Ficamos maravilhados. Coloquei o nome de meu boneco Jorgito, e mamãe falava comigo e com Nane sobre como deveríamos organizar um “cozinhado” para poder batizar nossos filhos.

Papai, de longe, observava feliz a nossa felicidade e a alegria de mamãe, que, com certeza, vendeu muitos diademas e bolos para aquele momento.

Com a chegada de mais um Natal, continuo dizendo: eu juro que vi.

Todos os anos, ficava esperando a chegada de Papai Noel. Estava se aproximando mais um Natal. Lembro quando cheguei em casa correndo. Vinha da casa de uma amiguinha, Lucila, dizendo que a mãe dela iria levar a cartinha para Papai Noel para os Correios. Foi quando, sem jeito, mamãe me falou que este ano Papai Noel não iria passar, e eu perguntei: “Mas nem para Jane?”. Ela disse que, este ano, não. O papai verdadeiro e a mamãe verdadeira não tinham como comprar os presentes, mas que nossa mesa teria Sonho de Valsa.

Fiquei triste, mas entendi sem questionar, pois tinha a certeza de que eles sempre faziam o melhor. Compreendi naquele momento que existia um Papai Noel diferente.

Foi um Natal sem presentes, sem Papai Noel, mas com uma família presente, amor de pais, vestido novo, sapatos novos e Sonho de Valsa; com agradecimentos, brincadeiras e compartilhamento com os vizinhos.

Este ano é o primeiro Natal que passo sem meus pais verdadeiros (e sem meu Papai Noel). Eles agora estão na glória, intercedendo por mim e por meus irmãos.

Viveram 51 anos casados, foram felizes e formaram pessoas fiéis a Deus. Por isso, agradeço dizendo: Obrigada, papai e mamãe, por terem sido tão especiais em minha vida. Obrigada por me fazerem sonhar sonho de criança. Obrigada por me fazer gente. Obrigada pela família linda, por meus irmãos maravilhosos. Obrigada por me fazer acreditar em Papai Noel, que continuo sempre afirmando: eu juro que vi.

Bênção, pai.

Bênção, mãe.

Um grande beijo de sua filha Tita (Zeneide).

P.S.: Mané, Nane, Nado e Jane também pedem a bênção.

cubos