Edição 90

Como mãe, como educadora, como cidadã

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço

Zeneide Silva

Diariamente, assistimos noticiários sem conseguir acreditar que haja tanta maldade no mundo! Pais matando filhos, filhos matando pais! Terroristas matam pessoas inocentes, adolescentes atiram em seus colegas de sala, idosos sendo maltratados. Enquanto assisto, fico pensando: “Que mundo é esse em que estamos vivendo? Que mundo deixaremos para nossos filhos?”.

Fico sem resposta, passo a acreditar que não temos como mudar essa situação. Mas como mãe, educadora e cidadã não posso ter esse sentimento, tenho que lutar e acreditar em um mundo melhor, e que Deus nos dê essa esperança, pois, quando perdemos a esperança, a vida perde o sentindo, esvai-se a alegria de viver, e a tristeza toma conta.

Para que essa mudança ocorra, devemos começar com pequenas atitudes. A violência não aparece só nessas agressões físicas e psicológicas que menciono acima, mas também no dia a dia, quando desrespeitamos o outro, por exemplo.

Vou ilustrar este meu texto com um fato que aconteceu recentemente.

Fui a um aniversário de 40 anos de casamento. Chegando lá, ao me sentar, a senhora que estava comemorando seu aniversário de núpcias pediu a uma amiga que fosse buscar o marido aniversariante. A amiga não gostou, alegando que já estava acomodada e que seu carro estava bem estacionado. Escutando toda a conversa, prontifiquei-me a buscá-lo, chamando a amiga que reclamava para ir comigo.

Enfim, fomos, mas, quando chegamos lá, o marido disse que não iria conosco, pois já havia combinado de ir com seu filho.

Voltamos para a festa. Ao chegarmos, outra amiga que escutou o pedido ficou contrariada pela falta de respeito do “noivo”, que se atrasou tanto e não veio com a “noiva”. Ela ficava dizendo: “Mas comigo ele iria escutar”.

Estavam servindo um crepe. Dirigi-me à mesa, e, logo em seguida, essa mesma pessoa chegou furando a fila e separando em seu prato os recheios que gostaria em seu crepe. A menina que fazia o crepe olhava com indignação, pois ela é quem deveria separar o recheio a gosto do convidado. Na mesma hora, veio a imagem daquela que falava de respeito.

É isso aí. O mundo continuará violento enquanto tivermos a prática
de “Faça o que digo, mas não faça o que eu faço”.

Precisamos ser verdadeiros em nossas convicções e praticá-las. Só assim poderemos acreditar numa mudança.

verdadeiros.

Nossos filhos precisam de pais
Nossos alunos precisam de professores
Nossos amigos precisam de amigos
Nossos funcionários precisam de empregadores
A saúde precisa de profissionais
Nosso país precisa de líderes

Enquanto tivermos essa prática de “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, seremos uma nação de mentirosos, covardes e infelizes.

Peçamos a Deus que nos encha com a verdadeira esperança e que, assim, apesar de todas as dificuldades que enfrentamos neste mundo, possamos seguir firmes e confiantes numa mudança.

 

cubos