Edição 33

Matérias Especiais

Família eh! Família ah! Família…

familia_ehUm dia, conversando com alguns alunos adolescentes, surgiu o assunto do “fico”. E veio em minha mente a indagação: o que eles achavam de se casar e formar uma família? Fiz a pergunta, e, em um coro só, vieram as respostas, em meio a risos e ironias. Então, não satisfeito, perguntei o porquê, e logo bateram o silêncio e outras tímidas respostas que me fizeram refletir: uma garota disse que não queria ficar como a mãe, sendo a empregada do pai e dos filhos; outra revelou que tinha medo de perder a liberdade; alguns meninos afirmaram que o bom era ficar com todas; outros, mais revoltados, falaram que família só para fotos.

A manifestação de um deles me chamou a atenção, quando declarou que não sabia realmente o que é família, pois quase não via o pai, encontrava a mãe rapidamente, e os irmãos, só para brigar.

Assim, veio a minha reflexão: a vontade de voltarmos a outros tempos, de que nem participei, em que, no final do dia, todos ficavam contando histórias no terreiro até o sono chegar. A família sempre reunida para tudo: plantar e colher, rir e chorar, brigar e perdoar e, principalmente, passar os valores morais que formavam homens e mulheres dignos.

Vi também que a velocidade do mundo deixa nossas crianças, nossos adolescentes e jovens mais inseguros de si, porque não existe apoio onde buscam, pois as famílias estão esfaceladas por quaisquer motivos banais, diante da grandiosidade que é ser mãe e pai. Diz Wilhelm Busch: “Tornar-se pai não é difícil; entretanto, ser pai o é”.

Será que podemos achar tudo isso normal? Ou mesmo sermos omissos em nossa missão de pais, formadores de seres pensantes e dignos? Deixamos o mundo vencer os valores plantados por nossos avós.

A cada dia que passa, eu vejo como nós, seres humanos, estamos ficando cada vez mais solitários, sem vida, pois a única forma de deixarmos um pouco de nós é em nossos filhos, não só na aparência, mas nos valores, no modo de agir, no falar e, principalmente, no amar. Porque só através do amor é que nossos filhos vão entender tudo o que queríamos passar para eles, vindo de geração a geração.

Retornando ao início, entendo que podemos mudar o pensamento dos nossos jovens e, a cada dia, em nossos lares, mostrar para eles a beleza de formar uma família.

Mas isso pelas nossas atitudes de respeito, compreensão, parceria, cumplicidade, harmonia e, principalmente, através do amor.

Não vamos fazer como expressa a música Epitáfio, dos Titãs: “Devia ter amado mais…”

Ame a cada momento e atitude, pois, assim, você estará feliz e fará sempre as pessoas felizes.

“Nossos filhos nos dão a oportunidade de sermos os pais que sempre desejamos ter tido.” Nancy Samalin

Bráulio de Araújo Silva é Vice-presidente da EP – Seccional Campina Grande/PB.

Escola de Pais do Brasil – Seccional de Campina Grande/PB – Revista Programa – Novembro – 2006 – Edição nº 14 – pág. 09

www.escoladepais.org.br

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