Edição 63

Texto para reunião de pais e mestres

Filhos que matam

Pe. Zezinho

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A Bíblia tem muitas histórias de violência em família. Caim matou Abel, e José quase foi assassinado pelos seus irmãos. Davi, em Hebron, teve seis filhos e muitas filhas de diferentes mulheres. Um deles, Absalão, matou seu meio-irmão Amnon porque violentara Tamar, sua meia-irmã. Comportamentos errados que, mesmo aceitos pela tribo, geram comportamentos errados não aceitos por essa mesma tribo. Sempre houve e sempre haverá insanidade e loucura no mundo. Quem mata sua própria família não faz só isso. Absalão tentou matar o pai, Davi, e roubar-lhe o trono. João Batista foi degolado a pedido de Herodíades, mulher do rei Herodes. Ela era sobrinha do marido, que a roubara do próprio irmão, Felipe. A moça se casara com os dois tios. Um a roubara do outro. Quem denunciou foi decapitado. Loucura ou choque de costumes?

Existe a maldade e existe a loucura. De resto, nem os psiquiatras nem os religiosos encontram respostas claras. Vontade de Deus não é. Ver o demônio em tudo é errado. Uma religião séria não sai por aí atribuindo ao diabo o mal que não entende. A loucura é um dáimon, uma coisa ruim, satã, mas tem de haver mais seriedade no trato com as pessoas feridas na mente e propensas à violência. Com esse assunto, não se brinca, nem de religião nem de psiquiatria. A loucura sempre desafiará os cientistas, os médicos e os religiosos. Pior ainda, quando alguns fanáticos, também eles loucos, tentam a loucura dos outros em nome de Deus, aí não morre um, mas trezentos ou oitocentos. Basta ter um Jim Jones por perto.

Pais de filhos violentos, que já se viram ameaçados por eles, já tiveram que interferir para que não matassem os irmãos, sabem que só seu amor, sua oração e sua paciência podem ajudar esses filhos mentalmente enfermos. Eles precisam de bons médicos, das drágeas certas na hora certa e de muita fé. Milhões de jovens só não se tornaram assassinos porque milhões de mães acertaram na dose de carinho e severidade na hora certa.

As notícias de filhos que mataram os pais fazem pensar. É um tipo de enfermidade que assusta, estarrece e torna os religiosos e os cientistas mais humildes nos seus pronunciamentos. Pais com filhos propensos ao crime devem buscar conselhos, não apenas com os religiosos, mas também com os psicólogos e os psiquiatras. Seus filhos precisam de oração, de milagre e de socorro médico. Às vezes, precisam também da polícia, que tem gente preparada para isso. Vivemos numa sociedade que, infelizmente, incentiva a loucura e a crueldade. Com o volume de violência que a TV espalha pelas casas todos os dias, fica ainda mais difícil ajudar os filhos violentos. Estamos vendo violência demais. E o pior é que chamam a isso de espetáculo! Para eles, não é?

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