Edição 106

Foco na educação

Foco na escola

Nildo Lage

Não admitir desacertos é característica do humano, pois progredir sobrepujando ininterruptamente é o preceito. Entre tropeços, subterfúgios e conflitos, ele se detém ante o dilúvio de questionamentos: é possível trafegar pelas veredas de um planeta que aborda a totalidade digital sem coordenadas que conduzam ao alvo almejado? É possível existir sem um ideal, uma formação que harmonize crescimento humano com profissional e pessoal? É possível viver numa sociedade esfacelada pelo aniquilamento de valores, onde espaços milimétricos são disputados, na maioria das vezes, com violência, onde o preço de uma vida é lhufas?

Retornos asseguram que não! Transitar sem tropeços decreta a definição da largada, da prudência e do foco. Não abdicar do caminho estabelece orientação, um ponto de chegada e foco. Para coexistir num mercado cada vez mais competitivo, é primordial ter conhecimentos que desenvolvam habilidades, competências e foco. Viver com equilíbrio institui um passo de cada vez, irrompendo os obstáculos arremessados pelo próprio eu, e foco. Ser feliz constitui em regar o amor dia após dia, reciprocidade e foco…. Do contrário, é suprimido pelas adversidades.

Sendo assim, o que é foco?

Um substantivo masculino que exprime clareza, maximiza o olhar para definir objetivos? Ou exercer a competência para adicionar habilidades que delineiem a carta geográfica de um propósito? Delimitar pontos de comedimento e intranquilidade para prevenir erros? Premeditar cada etapa que traça a linha para atingir o alvo?

Perguntas, dúvidas… Todavia, para transitar pelas trilhas do planeta educação, onde interrogações — igualmente — ecoam sem respostas, não podemos nos esquivar do questionamento que retine: o que nos impede de termos foco na escola?

Principiaremos pela genealogia dos achaques no espaço escolar: a inexistência de preceitos educacionais inclusivos. Inclusão institui foco, para delinear metas; habilidades, para obstruir barreiras; e competências, para gerar ações que rompam as distâncias incitadas pelo precipício sócio-cultural-religioso-familiar sem arranhar diferenças e atingir o eu do outro. Pelo visto, o radar do sistema não dispõe de tecnologias para captar e identificar o objeto gestão participativa, que vaga a esmo pelo universo educação à caça de um norte.

O percalço é que a escola que temos é escola de iguais. Tão análoga que as diferenças são atropeladas com a eliminação do individual, e, como não inclui professor e aluno em programas de formação, suprime a ciência de que sem inclusão não há aprendizagem satisfatória, tampouco desenvolvimento humano que promova superações e atenda às perspectivas pessoais… E, como em toda instituição sem ciência de estrutura para desempenhar as próprias obrigações, impera a subversão. A desordem é sincronizada e corresponde à hierarquia: políticos mandam, gestores impõem, pais desmandam, alunos fazem o que querem, e professores obedecem… Imperando o manda quem atina que está podendo e obedece quem, muitas vezes, necessita do trabalho para sobreviver.

A ressonância magnética funcional da crise revelou o hematoma, e não é preciso consultarmos especialistas, vilões, mocinhos ou heróis. Quem transita por essas veredas tem conhecimento de que a escola não reconhece, tampouco aprecia, a diversidade humana para fortalecer o eu perdido num universo escolar cognominado aluno. Tudo é improvisado, encaixado num arquétipo genérico — como se um fosse um todo; e todos, nenhum —, por termos uma educação oferecida para se cumprir direitos — de o aluno estar matriculado —, pois imperam disparidades e supressões.

Se alfinetarmos o comando — MEC —, a reação é instantânea. O MEC Show aciona a trilha sonora, abre as cortinas para salientar o espetáculo da nova temporada, cujo pano de fundo é a convergência do momento: um documento redigido criteriosamente para não deixar brechas em que transitem obstáculos para o cumprimento da meta “que assegura a igualdade na aprendizagem da Educação Básica” — BNCC.

Caiu em rede nacional, viralizou, e não é fake news… É inovação… Aos olhos do comando, é tudo formoso, perfeito, às mil maravilhas! Programas… Projetos… Aleatoriamente… Projetos… Programas… Como o Escola sem Partido — sobrepujado e conservado. O foco? Financiamento da educação. Todavia, o impacto foi tamanho. Segundo o MEC, “São inovações de uma ponta… a outra!” Que ponta? Do iceberg para perfurar o casco do barco da educação e consumar a tragédia?

Chacotear é top, divertido, e como estamos zoando a galera… Vamos continuar brincando de fazer educação? As regras são simples: um para mim, dois para tu e cinco para eu… Para ela — a educação —, somente os 25%! Assim, não há perdedores, apenas uns ganhando mais, outros menos… Afinal, somos nativos do país das falácias, administrado por especialistas em preterir.

Como veem, inventariar os recursos da educação é fácil… Discutir? Ah! É moleza! Fazer educação, e educação de qualidade, é que é a provocação. Não é ficção, as nossas escolas estão largadas às traças, há casos tão críticos em que alunos estudam em palhoças, debaixo de árvores ou no pátio, com receio de o telhado desabar. Quando chove? É festa! “Pinga ni mim!”

Não adianta contrafazer; o sistema não tem mais tapete para camuflar cordilheiras de irresponsabilidades… A ausência de foco na escola é o calcanhar de aquiles. Degrada a Educação Básica, que é a base para alocar projeções, o descaso agencia a decadência da qualidade do ensino, colocando em xeque as próprias conquistas do professor que contempla, desolado, os seus esforços perdidos.

As vitórias destacadas não são suficientes para alterar a ótica dos desleixados, pois o foco dos comprometidos gera um feixe de luz que ilumina os privilegiados que encontraram, na trajetória escolar, o professor cujo foco é a vitória dos seus alunos, por acreditar que conquistas são frutos de metas alcançadas em nome de um todo. Todo que foi o foco, cuja gratificação é tão somente o prazer do dever cumprido.

Em meio ao motim, quem dos envolvidos no processo educacional investe?

O jogo de empurra — família-escola-sistema-governo —, de tão contumaz, enleia, desvirtua… Sem comando, o sistema não investe no humano professor. O investimento é só salário. E é inegável: incentivo e valorização do capital humano reconfigura o cenário, harmoniza com o enredo, cujo desfecho é benéfico a todos e o eco rebate com a resposta: qualidade!

Todavia, nessa teia tecida por mocinhos e vilões, desponta um divisor de águas: a inexistência de atitudes. Não podemos omitir, atitude é uma ação infrequente no planeta educação. O sistema, conhecedor desse entrave, transforma-se num dinâmico engenheiro mecatrônico. A eficácia das suas ferramentas desempenha a façanha de automatizar o professor a ponto de abdicar aspirações pessoais e profissionais.

É surpreendente! Simplesmente extraordinário como o professor permite ser robotizado, convertido num ciborgue cujos instrumentos são conectados e configurados com precisão para monitorar ações que o conduzem pelos labirintos da escola como um robô esboçado para obedecer comandos — graças à agilidade do sistema, que convenciona os equipamentos, reconfigura, bloqueia iniciativas por meio de algoritmos criptografados, ajusta os softwares para encaixá-lo no protótipo-padrão, emite o manual de instrução e o oferece à escola com um comando-senha: “Faça o que eu ordeno!”.

Com o chip configurado ao hodierno, o professor passa a obedecer o comando enunciado por um perito que o sistema cognomina de gestor, e este, com pose de imperador, desempenha papéis que radicam tudo: a própria resistência e o bacana. O professor se permite ser massacrado por um ex-colega, dando o melhor de si nos duzentos dias letivos e nas atividades extraclasse: além do planejamento, preenche diários… O tempo é curto, não foi suficiente para corrigir as provas e, para não sobrecarregar, leva o trabalho para casa, convertendo o lar numa extensão da escola.

A partir desse estágio, miscelânea de tudo: trabalho-família-vida pessoal… Com o tempo, deixa de ter vida social, familiar… O tempo transcorre… Conserva-se confinado numa sala de aula superlotada, sem um ventilador de teto para atenuar o clima… Rezinga, murmura… Às vezes, esbraveja… Reage… Diz que vai virar a mesa… O comando-senha. Silencia… Baixa a cabeça e se encaminha para a sala de aula, o seu universo de duelos.

Sem atitude, admite ser suprimido pelo gestor, golpeado por alunos, desrespeitado por pais… E, assim, a categoria mais cônscia do País se conserva como serva fiel cujo cativeiro é o próprio ambiente de trabalho. Escravidão? Nããããooo! Não admito ser submetido a trabalho forçado! As regras é que são, muitas vezes, duras. Levo uns empurrões e, em episódios extremos, uma facada, uma bala extraviada… Fazer o quê? São os ossos do ofício!

Até quando? Até ser suplantado pelos discípulos da escola da vida? Não é viável buscar um foco para ter segurança, condições dignas de trabalho… Valorização profissional? O que faltou? Foco em si mesmo! Foco para valorizar o próprio trabalho, cuja importância é o foco daqueles que buscam na educação uma direção para existir.

A FALHA DO ALICERCE

Não é papo de antigos. É ocorrência — e bem que poderia ser policial —: educação de valores principia no berço. A família não pode ser passiva. É primordial vigilância e ação, ou a educação de conteúdo, que prossegue na escola, será abortada.

Ao contrário do que proferem, educação não tem mistérios. Educar pode até ser um quebra-cabeça, todavia com as peças que se encaixam sequencialmente ao alcance das mãos dos envolvidos. Sistema, família e governo devem jogar limpo e honrar compromissos. Não adianta condenar o professor, engessar aqui, socorrer ali… A escola só assumirá postura de organização fomentadora de conhecimentos intrínsecos à formação do humano quando os responsáveis pela sua formação se envolverem para cumprir obrigações.

A família tem ciência de que ações da escola são tão somente disseminadoras de conteúdo. Se esquadrinharmos retornos para as proeminências, descobriremos a família como espelho, e isso não é suporte financeiro… É foco! Foco na educação do filho, por ambicionar que ele não pague um alto preço para existir, e, na retaguarda, um superprofessor. Superprofessor que sobrepujou os infortúnios de um espaço sobrecarregado e, mesmo mal remunerado e massacrado pelo desrespeito, focou naquele aluno que buscou o crescimento no espaço escolar. É assim que esses pontos isolados se tornam referenciais… Isso é foco do superprofessor.

Não é mito. Se o governo tiver foco, podemos alcançar índices surpreendentes, como os atingidos pelo município de Sobral, no Estado do Ceará, cuja maior parte da população, 51,76%, transita pela zona de vulnerabilidade, com renda mensal de R$ 255,00. O foco disseminou por terra um índice vergonhoso: 48% das crianças de até 7 anos sem serem alfabetizadas. O foco? Na educação!

Não adianta esquivar o olhar para se evadir do problema. Quando focamos na educação, atingimos um todo, e esse todo é gestão individualizada, valorização do professor e meritocracia! Quer o significado para aprender a lição? Os mais trabalhadores, os mais dedicados, os mais bem-dotados intelectualmente; em síntese, valorização, reconhecimento… O saldo? Desarraigamento do analfabetismo, fim da fuga escolar!

Como redirecionar a ótica para termos o foco na escola se o Brasil é um país sem escolas?

De tão positivo, o programa foi copiado pelo País por vislumbrar que o cumprimento de metas dos envolvidos no processo educacional aciona os mecanismos que proporcionam à escola a estrutura para cumprir a sua função social. Investimento? Elementar, meu caro sistema! Todavia, investimento sem foco é disparar no vazio, mesmo tendo o alvo ao abarcamento das mãos.

Sobral fortaleceu a base, gerando o superprofessor, que reflete nas atitudes em que o foco é mirar no objetivo do outro, planejar estratégias, centrar nos combates para que a inexperiência não se afaste do alvo formação integral… Pois as características do vencedor são, justamente, foco, persistência, resistência… Decisão, disciplina, ininterrupção… Foco é progredir com um propósito traçado para que as distrações e limitações não exponham em abdicações, mesmo que o caminho a ser percorrido seja ornado por espinhos e secas intermináveis ou entrecortado por abismos.

Se ambicionarmos progresso, temos que discutir a relação, determinar o encargo de cada um na formação do humano, mesmo entre farpas, e vislumbrar: se a sala de aula é um espaço onde retinem questionamentos e retornos que redirecionam olhares, transformam comportamentos, qual é a importância de compartilharmos responsabilidades? Se Sobral conseguiu, por que o Brasil não consegue?

#ativaodesconfiometrosistema… Ainda há tempo para arrebatar a máscara, pois cruzamos décadas e séculos maquiando. A temperatura ascendeu, e o blush se liquefez, salientando uma face macabra, refletida por números espantosos: 61,1% das escolas municipais não têm biblioteca; 96,7% desconhecem o que é laboratório de ciências e 62,1% laboratório de informática; 47,4% nunca receberam um sinal de Internet; 85,7% não possuem parque infantil; 71,4% estão sem quadra de esportes… Por que esse absurdo? Faltou foco na educação!

Como redirecionar a ótica para termos o foco na escola se o Brasil é um país sem escolas? Das que temos, a grande maioria… “é escola muito engraçada!”: não tem biblioteca, não tem quadras de esportes, não tem laboratório de ciências, não tem Internet, não tem laboratório de informática, não tem parque infantil, não tem aulas… E, apesar de ser não ser construída na Rua dos Bobos, número zero, é para fazer professores e alunos de truões, pois, como na canção, “não tem nada!”

Há foco? Sabemos que não! Governo e sistema são especialistas em maquiar. Todavia, não podemos ficar nesse troca-troca de maquiagem e apreciar crianças, adolescentes e jovens arremessarem os seus sonhos ao abismo por falta de foco na educação… Sobral se esquivou das convenções, juntou os ingredientes, montou a fórmula e a expôs ao País: é fundamental foco na educação se ambicionar sair do caos!

É desafio para titã, senhor Ministério da Educação. Ou Vossa Excelência convenciona a ótica para termos foco na educação, para, assim, arraigarmos a escola do abismo, ou o sistema não terá estrutura para suportar o desabamento, como sobreveio ao Sistema S — Sesc e Sesi —, que, ao invés de disseminar formação, espargiu polêmicas.

Foco na educação é delinear metas por meio de uma formação transformadora. Todavia, qual o foco do sistema? Uma nova metodologia de ensino? Uma tendência revolucionária, a exemplo da Steam? Sejamos racionais… Vamos agir com nexo… Poupar vidas… Há décadas, sistema e governo têm ciência de que tendência inovadora é tão somente um caminho, pois o sustentáculo, o aporte, a formação profissional do professor é o meio para conduzir a educação pela trilha da evolução. Foco é primordial… Reconhecimento… Valorização é tudo.

Foco na educação é focalizar no novo. Focalizar no novo é mirar no humano que evolui na cadência do planeta. Não podemos ficar plantados num cruzamento à espera de uma tendência inovadora passar… A evolução educacional tem que ser escoltada por inovações decretadas pelas tecnologias, pelas deliberações de um mundo que submerge no próprio desenvolvimento, arremessado pelas ferramentas tecnológicas.

Se o sistema acredita que essa carroça é evolução, em que despenhadeiro almeja arremessar alunos e professores? É preciso reflexão. Refletir metodologias de aprendizagem estabelece visão futurista. Nomear uma nova tendência institui responsabilidade… Responsabilidade no olhar. Olhar para estabelecer focos que atendam aos anseios de uma clientela que, para competir no mercado de trabalho, necessita de estrutura para suportar os tremores de um mundo cujo desenvolvimento salta aos olhos.

Retroceder o foco para o passado é volver o olhar para o ancestral com receio de perguntar ao futuro: que caminho seguir? Certamente os brados do mercado do futuro ecoarão ensurdecedores: profissionais com competências que insurrecionem o próprio futuro!

O fato é que Steam — que assegura ser a revolução para atrair o novo para a sala de aula — é descarte no país idealizador. Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática são primordiais para formar o raciocínio lógico… Mas até quando prosseguirá abrigando o velho para engessar fracassos?

EDUCAÇÃO SEM FOCO… ATÉ QUANDO?

Falta foco dos pais na formação, falta foco do sistema no professor, falta foco da escola no educando… E, principalmente, falta foco do governo na educação… É convergência, educação no Brasil não tem foco, são oferecidos serviços genéricos para cumprir convenções internacionais, como os números desfalcados do Ideb. Foco no livro didático. Foco numa televisão para atender toda a escola — como revolução tecnológica. Foco na merenda para alimentar os desnutridos. Foco no comparecimento para não perder o Bolsa Família. E assim, entre focos oblíquos, tribulações e trombadas, a educação é tratada como filho de pais separados. A mesada é X, nem um real a mais. A obrigação é 25%? Aceite os seus 25% e me deixe em paz! Cumpro o que estabelece a lei! Quem ambicionar mais que rale para pagar um ensino privado!

Para os desavisados, o fim do caminho é logo ali… Na ponta de lá, arremete a destruição… Na ponta de cá, os sonhadores — professores — servindo de esteio para impedir o desabamento. Se o olhar do sistema não acionar mecanismos tecnológicos que proporcionem suporte e aporte a educandos e professores e valorização profissional, proporcionando estrutura aos que buscam, no espaço escolar, oportunidades para dilatar olhares, sobrevirá o que incidiu à barragem de Brumadinho: o rompimento.

Quando discorro sobre tecnologias, não me refiro ao computador individual, robótica, Internet das Coisas, computação em nuvem, blockchain, inteligência artificial, tampouco gamificação na educação. Todavia, o mínimo de evolução, como uma plataforma educacional que aloque o trivial: conteúdos atrativos e ricos para promover uma aprendizagem ininterrupta, convertendo a educação conteudista em inserção de teores aplicados numa metodologia fascinante e, assim, atender a uma geração digitalizada, que ambiciona um aprendizado simétrico num ambiente acolhedor.

E não faça show quando contemplar a sua escola deserta com a tradicional mão na cabeça: ‘‘O que faltou para sairmos do lugar-comum? Foco na escola?’’

A aversão à tecnologia chega à estupidez a ponto de a própria escola eliminá-la. Em toda escola há professores que criam alternativas para incrementar as suas aulas. O uso do celular como ferramenta pedagógica é o mais comum — por ser a única acessível ao aluno. Porém, há instituição que proíbe a entrada do aparelho, impedindo que o aluno tenha contato com a própria família por não conseguir controlar o uso, e com tais ações, converte-se numa facilitadora para difundir o analfabetismo digital num ambiente que deveria acolher as tecnologias como instrumento para facilitar o trabalho docente e ampliar os horizontes da aprendizagem.

Que protagonismo é esse, se alunos e professores são podados do acesso ao novo e impelidos a tragar conteúdos impostos? Que protagonismo é esse que não proporciona o crescimento humano por meio de competências para concorrer no mercado de trabalho? Que protagonismo é esse que não permite inovações?

Prossiga, sistema… Siga adiante, invista repelindo o foco da escola… Até vislumbrá-la perder-se no horizonte do descaso, pois não tardará para termos uma educação sem escola. Quando voltar o olhar, certificar-se-á — tarde demais — de que a escola tradicional foi um experimento fracassado. Se não tiver acesso ao tradutor online, pegue o dicionário para traduzir homeschooling e flexi schooling… Pode ser a nova tendência… Tendência sem escola… Aprender sem escola… Assim, não teremos escola, não teremos professor… Não teremos nada… Todavia, podemos ter aprendizagem.

E não faça show quando contemplar a sua escola deserta com a tradicional mão na cabeça: ‘‘O que faltou para sairmos do lugar-comum? Foco na escola?’’ Também! Contudo, os focos maiores foram repelidos. Repito: foco no professor, para que este não afugente o foco no seu cliente por ausência de estruturas técnicas, de reconhecimento profissional… Na cova dos leões, que chama sarcasticamente de sala de aula, o foco do professor é se conservar antenado, em estado de alerta máximo para resguardar a própria pele!

Sabemos que é difícil, professor, avançar com o tradicional “Sistema S”: sem motivação, sem segurança, sem reconhecimento, sem condições de trabalho, sem suporte, sem aporte… Contudo, é a sincronia de seus atos, os impactos das suas atuações, o fulgor das ideias que iluminam o planeta educação. O seu trabalho, de tão fundamental, torna-se progresso, pois traz, em sua caixinha mágica, os ingredientes que compõem todos os sonhos, o formato de todos os planos para impulsionar as carreiras… O impulso que impele sonhadores a buscar, ir além, na perseguição dos seus propósitos.

O País, com sua dedicação, caminha mal, imagina sem seu atuar… Imagina… A própria imaginação não pode perder o foco. Imagina a escola sem o seu “Sistema S”: sem sua coragem, sem seu desprendimento, sem seu agir, sem seu querer? Reaja! Assuma atitudes de quem não aceita o que o sistema lhe oferece… Grite: “NÃO!”. Não quero! Não desisto! São seus ideais, não os coloque em xeque… Muitos desistem, por não ter quem os auxilie… Se não tiver um superprofessor como mediador do conhecimento, a trajetória se torna mais árdua… Seu foco é o caminho que desvia passos do abismo; seus objetivos são impulsos que projetam vencedores, contudo o seu querer um mundo melhor por meio da educação é a ferramenta que rompe barreiras, abre passagens no impossível para redirecionar vidas e resgatar sonhos.

Suas ações são lições para cada um de nós e salientam que não é necessário perder tempo refletindo sobre a importância do foco na escola. Se for sucinto refletir, que reflita a relevância da qualidade do ensino sem questionar aos que buscam no espaço escolar a oportunidade para crescer: “o que” é foco? De tal modo, não se desfaça da armadura de superprofessor. A educação é esperança graças ao seu operar… O seu operar é o único diferencial na escola sem foco… Seu foco é a rota que orienta ambiciosos pelas veredas do crescimento… O seu foco é raio de luz que norteia os que esquadrinham um ponto de equilíbrio para não se perder no próprio universo.

O sistema bem que entende que é menos complicado proporcionar condições para que o foco de cada um o conduza ao ponto almejado. Não há o que discutir ou refletir: se não existir o seu foco, como os que necessitam de um norte traduzirão esse “o quê?”.

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