Edição 14

Lendo e aprendendo

Fogo e Água

Na província de Lu, havia um distrito governado por Chuang. Embora pequeno, o distrito havia prosperado bastante na gestão anterior à dele. Mas, desde que Chuang assumiu o governo, os negócios tinham se deteriorado. Confuso, Chuang subiu a montanha de Han em busca do mestre Mun-Sum. Ao encontrá-lo e explicar-lhe a situação, esperou a resposta do mestre. Mun-Sum, porém, não disse nada, dando um pequeno sorriso e, com um gesto, convidou-o a acompanhá-lo. Caminharam até que o rio lhes molhasse os pés. A outra margem não podia ser vista, tão largo ele era. Depois de meditar olhando as águas, Mun-Sum preparou uma fogueira e fez com que Chuang sentasse a seu lado. Ficaram ali sentados por longas horas, enquanto o fogo queimava. Quando as chamas já não dançavam mais, Mun-Sum apontou para o rio e falou:

— Agora você entende por que é incapaz de fazer como seu predecessor fez para sustentar a grandeza de seu distrito?

Chuang respondeu:

— Desculpe, mestre, mas não compreendi.

Mun-Sum, então, falou:

— Reflita, Chuang, sobre a natureza do fogo que queimava à nossa frente. Era forte e poderoso. Nenhuma grande árvore ou nenhum animal poderia igualar-se em força. Com facilidade, poderia ter conquistado tudo ao seu redor. Em contraste, Chuang, considere o rio. Começou como um pequeno fio nas montanhas distantes. Às vezes, rola macio, às vezes, rápido, mas sempre navega para baixo, tomando as terras baixas como seu curso. Contorna qualquer obstáculo e abraça qualquer fenda. A água quase não pode ser ouvida. Quando a tocamos, percebemos que ela dificilmente pode ser sentida, tão gentil é sua natureza. E, no final, o que sobrou daquilo que foi o fogo poderoso? Somente um punhado de cinzas. Por ser tão forte, ele destrói tudo à sua volta, mas também se torna vítima. Ele se consome com sua própria força. O rio não. Ele é calmo e quieto. Assim, ele vai rolando, crescendo, ramificando-se, tornando-se mais poderoso a cada dia e sustenta a todos. Da mesma maneira como na natureza, isso ocorre com os líderes. Há aqueles que são como o fogo, orgulhosos, poderosos e autoritários. Há também os que são humildes como a água, donos de uma força interior de grande alcance e capazes de capturar o coração das pessoas. Aqueles não constroem. Estes trazem uma primavera de prosperidade para suas províncias.

(Rangel, Alexandre. As 100 mais belas parábolas de todos os tempos: parábolas do Oriente e do Ocidente, antigas e atuais, criativas e inspiradoras. Uberlândia: O Autor, 2001. p. 65 e 66.)

cubos