Edição 11

Matérias Especiais

Folclore

Você sabe como surgiu a palavra folclore?
Em 22 de agosto de 1846, o pesquisador e arqueólogo inglês Willian Jolm Thomas deu origem à palavra folclore. Ele atribuiu a dois vocábulos antigos: FOLK (significa povo) e LORE (significa conhecimento ou ciência). Que tal aproveitar a oportunidade e trabalhar um dos temas transversais mais legais: pluralidade cultural? Arregace as mangas e bom trabalho!

Falar do folclore brasileiro é dar um mergulho no passado. É perceber que o saber popular envolve uma cultura criada e divulgada pelo contato entre as pessoas.

A formação do folclore brasileiro teve suas origens na mistura de três elementos básicos: o índio, o branco e o negro. Consideramos, também, a chegada de outros povos que muito contribuíram nos períodos Colonial, Imperial e Republicano. A escola torna-se um meio facilitador dessa descoberta, onde cabe ao professor criar momentos para que os educandos sintam o desejo de resgatar no folclore as suas raízes e heranças.

Os temas folclóricos são ricos em personagens, que geralmente habitam matas e rios, retratando seres que habitam locais onde há barulho das tempestades, o silêncio das matas, o estrondo das pororocas e outros aspectos que envolvem os ciclos da natureza.

Vivemos hoje num ambiente urbano que nos dificulta imaginar os perigos que os personagens enfrentam nas matas e nos rios. São muitos os nossos mitos: a Iara, o Boitatá, a Mula-sem-cabeça, o Saci, o Curupira, a Cuca, entre outros.

Abrimos aqui um espaço para esclarecer esses conceitos. Deixamos bem claro que isso é apenas um grão nesse imenso mundo que envolve o folclore brasileiro. Leia o que diz Américo Pellegrini Filho em uma de suas obras, Literatura folclórica: “MITO – narrativa popular de caráter maravilhoso, com a presença de um personagem constante. São relatadas diferentes histórias sobre esse personagem mitológico e LENDA – narrativa popular de caráter maravilhoso, associada a determinado lugar e/ou determinado tempo passado”.

Manifestações folclóricas
O folclore abrange um campo muito vasto, que dividiremos, para facilitar o estudo, em vários setores. É importante notar que esta divisão não significa separação ou isolamento das formas que,
na vida real, estão intimamente entrelaçadas.

1. Sabedoria popular: manifestações da ciência do povo. Seu conhecimento sobre o universo, o homem, os fenômenos naturais relacionados com a vida cotidiana. Por exemplo: o plantio de plantas de acordo com as fases da lua, a medicina rústica, etc;

2. Artes folclóricas: manifestações de criatividade artística do gosto popular. Na maioria trata-se de trabalhos anônimos, repetidos inúmeras vezes, copiados e adaptados ao sabor das conveniências e da inspiração do momento. Exemplos:

a) Na linguagem e na literatura: apelidos, parlendas, adivinhas, poesias, trovas, desafios, trava-línguas, romances, literatura de cordel, acrósticos, etc;

b) No teatro: autos e representações diversas, mamulengos, casamento das festas juninas, embaixada das congadas, cavalhadas, etc;

c) Na música: cantigas de roda, modinhas, cantigas de trabalho, dorme-nenês, assim como os instrumentos musicais: cuíca, berimbau, viola, pífano, caxambu, marimbau, candongueiro, etc;

d) Nas artes plásticas: pintura, escultura, cerâmica, gravação em ouro, madeira, metal, ex-votos, etc; e

e) Na dança: frevo, maracatu, maxixe, assim como os folguedos: congada, Caiapó, Folia de Reis, etc.

3. Manifestações de religiosidade: rituais de cultuar os santos protetores e afastar os espíritos maléficos. Além de práticas diversas (festas religiosas, candomblés), encontram-se os mitos e lendas (Saci Pererê, lobisomem, mula-sem-cabeça), crendices, superstições, benzeções, mau-olhado, tabus, etc.

4. Ofícios e técnicas: relativas às várias profissões e aos sistemas de produção, troca e transformações dos produtos. Ex: cuidados com a boiada, modo de cultivar a roça, técnicas artesanais para bordados, tapeçaria, rendas, etc.

5. Alimentação: comidas e temperos típicos, receitas dietéticas, bebidas, chás. Ex: vatapá, acarajé, cuscuz, feijoada, batidas, etc.

6. Traje: roupas típicas da região ou de determinada profissão ou festa. Ex: Xiripaia gaúcha, roupas das baianas, trajes dos dançadores de congadas, maculelê, maracatu, caiapós, etc.

7. Direção do lar: modo de construir a casa (palafitas, pau-a-pique, adobe) e anexos (monjolos, moinhos, galinheiros), assim como o mobiliário, panelas, amassadeiras, ferro de brasa, etc.

8. Vida social: modo de se relacionar com as pessoas, sobretudo vizinhos. Relações de parentesco, apadrinhamento, maneira de receber os convidados em casa, festas de casamento, batizados, etc.

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