Edição 27

Projeto Didático

FORMAR LEITORES: UMA AÇÃO CONJUNTA

Fabiana Tavares dos Santos Silva¹

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As propostas metodológicas citadas abaixo foram desenvolvidas em 2004, durante a concretização do Projeto de Leiturização², vivenciado no município do Cabo de Santo Agostinho/PE. A política de leiturização do referido município foi implantada pelo Prof. Dr. Hugo Monteiro Ferreira, desde 2003. Dentre as muitas atividades que esse profissional realiza, está a coordenação do Nellij (Núcleo de Estudos da Leitura e da Literatura Infanto-juvenil); faço parte dessa equipe e, a partir da relação do que estudávamos com o fazer pedagógico, construí dez sugestões metodológicas para trabalhos com a leitura.

Tive a oportunidade de concretizar todas as que elaborei, pois sempre concebi a sala de aula como espaço para o experimentar. São sugestões que foram adaptadas por professores de Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II, Ensino Médio e Educação Especial. Um trabalho construído em parceria, pois a orientação do Prof. Dr. Hugo Monteiro, a troca de informações entre os professores e a vivência com os alunos são elementos que também nortearam essas propostas.

Agora, convidamos você para conhecer nosso trabalho, ousar, experimentar e construir conosco um espaço onde a leitura propicie a interação leitor–autor–texto–contexto e se realize num processo dinâmico/ativo, o qual deve ser norteado pelo prazer e pelo desejo de quem o conduz. Através dessas propostas, você poderá perceber a realização da leitura em todas as suas instâncias e traçar os caminhos para tornar as estratégias metodológicas cada vez mais eficientes no que se refere à formação do intérprete.

E se ler é, verdadeiramente, “configurar uma terceira história, construída parceiramente”, façamos que a nossa experiência leitora seja uma oportunidade de, por meio da Literatura, construirmos uma história de dedicação, interação, autonomia e formação conjunta de leitores em construção, capazes de vivenciar a leitura em seu sentido mais amplo.

SUGESTÕES METODOLÓGICAS PARA AS SESSÕES DE LEITURA

O prazer, o lúdico, a sensibilidade são os elementos que devem nortear o planejamento das sessões de leitura. Estas estão baseadas nas teorias de Frank Smith, Stanley Fischer, Lev Vigotski, Jean Piaget, Morin, Maffesoli.

No planejamento das sessões, o professor deve organizar, além de recursos e estratégias atrativas para o leitor, um roteiro de perguntas direcionadas para as etapas de pré e pós-leitura. Essas etapas influenciam na formação do intérprete.

As sessões devem funcionar, inicialmente, uma vez por semana, com o objetivo de trabalhar a leitura de forma menos técnica e mais prazerosa. As sugestões metodológicas constituem apenas possibilidades de desenvolver este trabalho, inclusive não indicamos as séries para que são, pois o professor, conhecedor dos sujeitos escolares, é a pessoa mais apta para avaliar o que se adequa à sua clientela, no nível em que se encontram enquanto leitores e produtores.

formar_leitores1Sugestão 1
Material necessário: Uma caixa de sapatos.
Pré-leitura: Trazer o livro para a sala de aula dentro de uma caixa. Fazer esta caixa circular, fechada, pelas mãos dos alunos. Ao sinal do professor (palmas, por exemplo), o aluno que estiver com a caixa deve fazer uma mímica representando a idéia principal do título do texto para que os colegas tentem adivinhá-lo.
Depois, iniciar a etapa de previsões através do uso de perguntas pré-planejadas e problematizar essas previsões tendo, como ponto de partida, as respostas dos alunos.
Durante a leitura: O mediador, que deve ter lido/sentido o texto antes de levá-lo para a sala, deve realizar a leitura de forma prazerosa, ou seja, através de sua voz, possibilitar que o ouvinte-leitor vivencie experiências que, apenas por meio da Literatura, são possíveis: a alegria, o desânimo, a raiva, a saudade, a esperança, a vitória e a perda atingem uma outra dimensão, pois são vistas com os olhos do imaginário.
Pós-leitura: No desenvolvimento da pós-leitura, o educador pode pedir que cada aluno, através da expressão corporal, crie um “quadro” representando o fato que ele achou mais interessante. Os demais tentarão descobrir que passagem do texto está sendo representada.
O objetivo primeiro desta sessão de leitura é aguçar a curiosidade do aluno. Promover momentos em que o lúdico seja vivenciado e, conseqüentemente, a sensibilidade seja percebida. Quanto às expressões corporais, presentes nos momentos de pré e pós-leitura, estas constituem, quando bem direcionadas, uma porta aberta para que se alcance o imaginário infantil.

 

formar_leitores1Sugestão 2
Materiais necessários: Um envelope grande, papel crepom, álcool, papel ofício, fita adesiva (para fixar os quadros produzidos durante a pós-leitura).
Pré-leitura: Trazer o livro em um envelope para a sala de aula. Através do jogo da forca, conduzir os alunos para que descubram o título e o autor do livro. Após essa etapa, realizar os questionamentos que constam no planejamento da sessão, o qual deve estar norteado pela própria história.
Durante a leitura: Mostrar aos alunos as ilustrações do livro e estimulá-los a construir a história, oralmente, a partir das imagens. No segundo momento, o educador apresenta o enredo criado pelo autor. Já na pós-leitura, procura relacionar a história construída pelo grupo com o que, de fato, o autor quis dizer.
Pós-leitura: Utilizar papel crepom, álcool e papel ofício. Pedir que os alunos, na folha de ofício, reproduzam uma imagem, utilizando o crepom mergulhado no álcool, sobre a passagem do texto que mais lhes chamou a atenção. Depois, orientá-los para que coloquem um título nessa tela. Com estes trabalhos, será formado um painel. Neste momento, deve ser solicitado que os alunos organizem as telas de acordo com a seqüência de fatos do texto. Através do painel, o professor orientará a “arte de recontar”, realizada oralmente. E, depois, através da escrita.
Obs.: Na falta do papel crepom, solicitar, um dia antes, que os alunos tragam folhas e/ou flores, barro, enfim, elementos da natureza que possam extrair alguma coloração. Realizar, com eles, uma pintura rupestre. Explicar que esse tipo de pintura fazia parte do cotidiano do homem primitivo.
A função educativa do jogo oportuniza a aprendizagem do indivíduo, seu saber, seu conhecimento, sua compreensão do mundo. Por isso, é importante utilizarmos o jogo como atrativo para a sessão de leitura. O desafio de tentar adivinhar o título e o autor do texto, seja ele poético ou narrativo, leva os alunos a permanecerem concentrados e desenvolverem habilidades perceptuais. A atividade realizada durante a leitura — leitura do texto icônico — possibilita que o aluno:
*Perceba que no livro há linguagens diversas.
*Trabalhe a oralidade.
*Realize o confronto das suas previsões com a idéia do autor. Durante a pós-leitura, objetiva-se trabalhar, cognitivamente, a estrutura do texto de forma criativa; primeiramente através da oralidade e, posteriormente, da escrita.

 

formar_leitores1Sugestão 3
Materiais necessários: Papel ofício, giz de cera, papel madeira (se não for possível, substituir por papel de pão, cartolina ou outro que a escola tenha disponível), grãos de arroz, cola, corante (pode ser anilina, tinta, crepom, suquinho em pó ou qualquer elemento que possa servir de corante para o arroz), álcool ou água, recipientes (por exemplo: garrafas descartáveis cortadas ao meio), folhas de jornal.
Pré-leitura: A partir do título do livro, pedir aos alunos que representem, através de desenhos feitos no papel ofício com giz de cera, o que eles acham que a história traz.
Cada um deve apresentar o seu trabalho esclarecendo suas previsões; neste momento, o educador participa problematizando essas previsões e, portanto, possibilitando a relação texto–vida.
Durante a leitura: O educador poderá ler a história solicitando que os alunos façam gestos que caracterizem as situações vivenciadas pelas personagens. Depois, em equipe, já na pós-leitura, irão montar painéis com três cenas que demonstrem o início, o desenvolvimento e o final da história trabalhada. E dar um novo título ao texto, de acordo com o que foi retratado nos painéis.
Pós-leitura: Com papel madeira ou papel de pão, cola e arroz colorido, solicitar que os alunos, em equipe de quatro pessoas, façam a colagem de grãos representando a história. Na sessão de leitura seguinte, cada grupo apresentará seu trabalho.
Obs.: Para a realização dessa atividade, os alunos precisarão colorir os grãos de arroz um dia antes. Para isso, podem ser utilizados diversos materiais, como tinta, anilina, suquinho em pó, crepom, e, como solvente, água ou álcool. A mistura deve ser colocada em recipientes diferentes. Após mergulhar as porções de arroz, escorre-se a água e espalha-se o arroz sobre folhas de jornal para que, depois de seco, possa ser utilizado nas colagens.
Através da imagem criada para suas previsões, a criança traduz a idéia do título do texto para a dimensão de suas possibilidades e necessidades. Assim, o objetivo desta sessão é encontrar pontos de ancoragem entre o texto, o conhecimento prévio do aluno e o imaginário dele. Além disso, trabalha-se, nesta sessão, a estrutura temporal do texto e o uso criativo da linguagem. O primeiro, através das telas que registram fatos que representam o início, o desenvolvimento e o clímax da narrativa. E o segundo, por meio da criação de um novo título para a história.

 

formar_leitores1Sugestão 4 
Materiais necessários: Uma caixa de sapatos, um instrumento musical qualquer, papel ofício.
Pré-leitura: Trazer o livro para a sala de aula em uma caixa de sapatos e um instrumento musical qualquer. Organizar os alunos em um grande círculo e, em dupla (nessa parceria, devem ficar abraçados, de forma que um utilize apenas a mão direita; e o outro, a esquerda no momento em que a caixa estiver circulando), pedir que eles passem a caixa. Um dos alunos ficará fora do círculo para dar o sinal e a caixa parar. A dupla que estiver com a caixa deve abri-la, sem mostrar aos colegas, ler o título do livro, silenciosamente, e atribuir uma cor ao título do texto, explicar a relação entre a cor e o sentido do título.
Durante a leitura: O professor, durante o planejamento da sessão, deverá construir fichas contendo o nome das personagens e outras com uma palavra que indique características destas. Realizar a leitura do texto. Posteriormente, fixar, no quadro, o nome das personagens. Distribuir as fichas que contêm as características físicas ou psicológicas dessas personagens e pedir que cada aluno vá ao quadro fixá-las corretamente.
Pós-leitura: Copiar, previamente, o nome dos alunos em papeizinhos para fazer um sorteio. Sortear um aluno para elaborar uma pergunta sobre o texto. Esse aluno indicará um colega para respondê-la. Surpresa! O professor diz que o próprio aluno que elaborou a questão terá de dar a resposta. Continuar a atividade até que ainda haja o interesse da turma.
A palavra-chave desta sessão é cooperação. Primeiro, o aluno é convidado a compartilhar com o outro a dificuldade de só poder utilizar-se de um dos membros superiores para manusear um material: a caixa com o livro; depois, ainda trabalhando em parceria, deve atribuir uma cor ao título do texto e fazer relação de significado; portanto, eles tiveram de, juntos, criar mecanismos para superar obstáculos. Assim também é a leitura: para realizá-la, o leitor necessita se concentrar, fazer acordos, parcerias, traçar metas, etc. Associar as características físicas ou psicológicas das personagens permite que trabalhemos tanto a identificação das personagens quanto suas respectivas identidades. O elemento surpresa vivenciado na pós-leitura toca em um ponto muito importante: Devemos doar ao outro aquilo que, para nós, é satisfatório. Podemos, ao término da sessão, propor essa reflexão.

 

formar_leitores1Sugestão 5 
Material necessário: Papel ofício.
Pré-leitura: Selecionar nomes de quatro frutas, escrevê-los em pedaços de papel, de acordo com o número de alunos da turma. Depois, distribuir esses papéis e solicitar que os alunos não revelem aos colegas as frutas que pegaram. Explicar que, após o sinal (o qual pode ser produzido com um apito), todos devem circular na sala como se estivessem em uma feira, pronunciando, em voz alta, o nome das frutas que pegaram e juntando-se aos alunos que estiverem com a mesma fruta.
Uma vez formadas as equipes, o educador solicita que os grupos permaneçam sentados em silêncio e apresenta o livro, dando apenas informações sobre o autor (como, por exemplo, um dado biográfico importante, nomes de obras produzidas pelo escritor, inclusive citar, sem que eles percebam, o próprio nome do livro trabalhado na sessão, etc.).
Em seguida, mostrar a capa do livro (sem deixar que o título esteja visível) e as ilustrações. Cada equipe receberá uma folha de papel ofício para registrar qual o título que eles acham que o livro possui. Posteriormente, as equipes escolherão um integrante do grupo para apresentar o título à turma e explicar o porquê daquele título.
Durante a leitura: O educador realiza a leitura do livro dramatizando as falas das personagens. Depois, solicita aos alunos que, oralmente, façam sugestões sobre como poderiam modificar o final da história.
Pós-leitura: O professor deverá elaborar previamente algumas questões relacionadas ao texto e ao autor e fixá-las abaixo das carteiras dos alunos, sem que eles saibam, antes do início da sessão. Durante a pós-leitura, eles devem ser orientados para procurar as perguntas, ler, discutir no grupo formado inicialmente e lê-las para toda a turma apresentando as respectivas respostas.
O enfoque desta sessão de leitura é a interação, a criatividade e a produção do texto argumentativo. A primeira, porque através do trabalho grupal, realizado durante as etapas de pré e pós-leitura, os alunos são convidados a trabalhar em equipe, e esta experiência exige que façam acordos, que haja o respeito à opinião do outro, permite a troca de informações e o aprimoramento do conhecimento. E como é função da escola instrumentalizar o indivíduo para atuar na sociedade de forma crítica/interventiva, um trabalho como este possibilita a antecipação de vivências presentes no ambiente intra e extra-escolar.A criatividade é trabalhada, principalmente, quando os alunos são convidados a elaborar, oralmente, um novo final para a história; essa atividade confirma a afirmativa de que o texto nunca está pronto, pois o leitor é o tempo todo convidado a ser um co-autor do texto.Quanto ao texto argumentativo desenvolvido através da oralidade, tendo, neste caso, como ponto de partida, o enredo criado pelo escritor, é uma produção muito importante para o educando, porque, todo o tempo, ele, como componente de uma sociedade conflituosa, terá de fazer uso desse tipo de texto para que seus ideais e suas necessidades possam ser atendidos e/ou respeitados.

 

formar_leitores1Sugestão 6 
Materiais necessários: Papel ofício, bexigas, música instrumental, algum recurso, como pedaços de tecido, plástico colorido ou TNT, que sirva para vendar os olhos dos alunos.
Pré-leitura: O professor selecionará, previamente, duas obras de escritores distintos (de preferência autores de textos poéticos), fará a leitura e planejará roteiros de questões para a pré e pós-leitura. Chegado o dia da sessão, ele precisará utilizar bexigas e papel ofício na pré-leitura. O primeiro passo será escrever em pequenas fichas o nome dos livros e os respectivos autores. Depois, colocar essas fichinhas dentro das bexigas, distribuí-las entre os alunos e pedir que eles encham e amarrem as bolas.
Após essa etapa, orientar os alunos para que tentem estourar a bola do colega e, simultaneamente, defendam as suas bexigas. Ao estourarem todas as bolas, a última “salva” pelo aluno conterá o título do texto e o autor que será trabalhado. Perguntar aos alunos se eles têm o conhecimento de algum texto ou obra desse autor. Fazer um breve comentário sobre o autor e, posteriormente, apresentar o título do texto aos alunos para que estes façam suas previsões sobre a temática do poema.
Obs.: Se não for possível fazer uso de bexigas, pedir aos alunos que confeccionem pequenos envelopes. Realizar o mesmo procedimento, ou seja, colocar fichas contendo os nomes dos livros e respectivos autores dentro dos envelopes e lacrá-los. Nesse caso, em vez de estourarem as bexigas, os alunos tentarão rasgar os envelopes dos colegas.
Durante a leitura: Providenciar, antecipadamente, uma música instrumental para este momento. Pedir que os alunos fechem os olhos e escutem/sintam a música. Depois que todos tiverem conseguido se concentrar, o professor vai baixando o som aos poucos até desligá-lo. Fazer a leitura do poema. Colocar novamente o som.
Pós-leitura: Distribuir folhas de ofício e giz de cera. Colocar uma venda nos olhos dos alunos. Realizar novamente a leitura do poema e pedir que, com os olhos vendados, eles façam um desenho que represente o poema ouvido/lido. Posteriormente, tirar a venda dos olhos dos alunos; solicitar que contem, individualmente, a sensação que sentiram ao realizarem o desenho e relatem o que mais lhes chamou a atenção no texto poético. No último momento, fazer um painel com os desenhos dos alunos.
Os itens trabalhados nesta sessão de leitura são a concentração e a sensibilidade. Elementos importantes na formação do leitor, pois ler um texto literário é uma atividade que requer, além dos itens supracitados, o reconhecimento de que a leitura está além do texto verbal. Quanto ao poema, este atinge a dimensão da complexidade humana, pois o poeta é um catalisador da sensibilidade: expressa os anseios, as decepções e as realizações do homem numa linguagem singular. É necessário, portanto, que se perceba como tudo isso se faz presente no texto, inclusive nas entrelinhas. Ao solicitar que os alunos fechem os olhos, escutem/leiam/sintam a poesia, estamos oportunizando um encontro do aluno consigo mesmo, com o seu eu e com a beleza imagética do poema. Isso é possibilitar um encontro com o prazer!

 

formar_leitores1Sugestão 7
Materiais necessários: Música, folhas de ofício, um lenço ou pedaço de tecido que sirva para vendar os olhos de um aluno, uma caixa de papelão, tesoura, tinta ou cola para cobrir a caixa, 3 tampinhas de garrafa.
Pré-leitura: O professor precisará selecionar, previamente, uma boa música para ser utilizada nesta sessão.
Distribuir folhas de ofício para os alunos. Depois, apresentar o livro, dando informações como título, autor, ilustrador. Em seguida, perguntar aos alunos: “O que vocês acham que a história traz?”. Solicitar que cada aluno escreva, no papel que receberam, as suas respostas. Em seguida, pedir que eles se organizem em círculo. Convidar um aluno a ficar no meio do círculo com os olhos vendados. Colocar a música. Ao parar o som, o aluno, com os olhos ainda vendados, escolherá dois colegas para que leiam suas respostas em voz alta.
Posteriormente, pedir ao aluno que estava no meio do grupo para apontar as idéias comuns e as diferentes nas respostas dos dois colegas. Repetir esse procedimento até que todos tenham lido suas respostas.
Durante a leitura: Antes de realizar a leitura do texto verbal, oportunizar a leitura do texto icônico, ou seja, mostrar aos alunos as ilustrações do livro e, em conjunto, realizar a leitura das imagens. Em seguida, efetuar a leitura do texto verbal, enfatizando as sensações sentidas pelas personagens.
Pós-leitura: O professor precisará confeccionar junto com os alunos uma televisão de papelão; seria interessante se isso fosse realizado um dia antes da sessão. Um trabalho simples; apenas recortar o fundo da caixa, deixando uma abertura quadrada, cobrir ou pintar a caixa. Colar alguma coisa que se assemelhe a botões, por exemplo, tampinhas de garrafa.
Organizar os alunos em equipes de três pessoas e orientá-los para que organizem um pequeno roteiro sobre a história lida para apresentarem em um “programa de TV”. Cada equipe escolherá um apresentador; aliás, as funções dos componentes do grupo devem estar bem definidas; um será o escritor, porém todos poderão contribuir; outro escolherá o nome do programa.
Quando todos terminarem de construir seus roteiros, as apresentações devem acontecer. Neste momento, o professor não precisa fazer intervenções; primeiramente, observa a seqüência em que eles apresentaram os fatos e, em um momento posterior, acrescenta ou esclarece fatos importantes que foram omitidos.
Obs.: Para realizar essa atividade, o professor precisará pedir, antecipadamente, aos alunos que consigam uma caixa de papelão.
É objetivo desta sessão, ao oportunizar a comparação de respostas dadas à pergunta realizada na pré-leitura, possibilitar que o educando perceba que um mesmo texto, neste caso o título do livro trabalhado, pode gerar expectativas diferentes, mas, de maneira contraditória, sempre terá um fator em que elas se tocam.Partimos, portanto, do pressuposto de que os alunos, compartilhando dos mesmos momentos de aprendizagem, no ambiente escolar, não estão totalmente assujeitados, ou seja, eles não se anulam, mas expressam sua voz; a subjetividade, a vivência, o conhecimento já construído são, acentuadamente, aparentes em atividades como esta.Além disso, levá-los a traçar semelhanças e diferenças em suas respostas é ajudá-los a reconhecer que as diferenças devem ser vistas como elementos que contribuem para o aprimoramento do grupo; portanto, elas não devem ser concebidas como uma porta aberta para o desrespeito das idéias do outro. Quanto à leitura do texto icônico, esta é de grande importância, pois sabemos que a ilustração não deve ser tratada como um simples ornamento do livro. Ela é arte. Por isso, está carregada de sentidos que precisam ser reconstruídos pelo leitor.O imaginário também é estimulado nesta sessão de leitura. Quando o aluno faz de conta que é roteirista, apresentador ou empresário, marca uma nova fase de lidar com a realidade. Traduz o mundo dos adultos para a dimensão de suas possibilidades.

 

formar_leitores1Sugestão 8
Material necessário: Folhas de ofício.
Pré-leitura: Durante o planejamento da sessão, escrever, em uma folha de ofício, a pergunta: “De que você acha que o poema fala?”.
Organizar a turma em um grande círculo, apresentar o texto poético aos alunos, informando o autor e o título. Depois, solicitar a um aluno que responda à pergunta: “De que você acha que o poema fala?”. Quando o aluno responder à pergunta, o colega que está ao lado esquerdo deve continuar a resposta acrescentando mais uma palavra, e, assim, sucessivamente. O educando que esquecer da seqüência e errar deve “pagar uma prenda”.
Durante a leitura: O professor poderá fazer uma leitura ritmada do poema (ladainha, por exemplo) em parceria com os alunos; ou seja, após cada verso que ele recitar, os alunos repetem, seguindo a mesma entonação.
Pós-leitura: O professor colocará, em uma folha de ofício, a seguinte pergunta: “O que o poema nos trouxe?”. Ainda trabalhando em círculo, o educador passará essa folha para que cada aluno responda à pergunta com uma palavra. Quando todos responderem à questão, um aluno escolhido pela turma fará a leitura em voz alta.
memória é um dos principais tópicos trabalhados nesta sessão. Trata-se de um fator relevante para o leitor, porque é na memória que arquivamos o que, para nós, é verdadeiramente significativo. Na hora da escritura, da criação de um texto, ela é ativada; isso acontece de maneira inconsciente, natural, o indivíduo registra em sua produção oral ou escrita os falares de outros.

 

formar_leitores1Sugestão 9
Materiais necessários: Fichas com as últimas palavras dos versos do poema e folhas de ofício divididas em quatro partes (construir fichinhas que serão utilizadas na pós-leitura).
Pré-leitura: O professor esconderá o texto poético na sala de aula antes dos alunos chegarem. No início da sessão, desafiará os alunos a encontrarem o texto. Depois, pedirá ao aluno que encontrou o poema para apresentá-lo à turma, informando o título e o nome do autor. O educador complementa a apresentação, dando mais algumas informações sobre o autor e sobre outras obras produzidas por ele, aproveitando o momento para fazer o levantamento das previsões das crianças com relação à temática do texto.
Durante a leitura: Para desenvolver esta etapa, o professor precisará ter confeccionado, previamente, fichas com as últimas palavras de cada verso do poema.
Fazer a leitura solicitando que os alunos repitam, em voz alta, a última palavra de cada verso. Após o término do texto, distribuir com os alunos as fichinhas contendo uma dessas palavras. Posteriormente, pedir que os alunos procurem sua dupla, ou seja, a pessoa que está com a palavra que rime com a que ele recebeu. Agora, o professor irá solicitar que as duplas fiquem de frente para o grande grupo e leiam a estrofe de onde as palavras foram retiradas.
Pós-leitura: O educador precisará confeccionar, antecipadamente, algumas fichas. Fazer um jogo da memória que consiste no seguinte: cada aluno receberá uma fichinha para escrever uma palavra que represente o poema trabalhado. Depois, informará para a classe qual foi a sua palavra-chave. A partir desse momento, esquecerá do seu nome e se chamará de acordo com a palavra que ele escreveu. Em seguida, para iniciar o jogo, por exemplo, o educador chama um aluno pelo seu pseudônimo. Vamos imaginar que seja amor; amor responde: “amor não, saudade”, saudade responde: “saudade não, alegria”, e assim por diante. O aluno que estiver desatento e não perceber quando pronunciarem “o seu nome” deve recitar, de forma criativa — por exemplo, cantando, dramatizando ou através de expressões corporais — o poema trabalhado.
Desafio é a palavra de destaque desta sessão. Primeiro, os alunos são desafiados a encontrar o texto; depois, a construir o significado, pois é solicitado que reflitam e informem uma palavra-chave do poema; em seguida, a identificar elementos estruturais de um poema: rimas, versos eestrofes. E, em último momento, o desafio consiste em perceber a interpretação dada pelo outro através do (re)conhecimento da palavra-chave. Assim é a leitura do texto poético: o leitor é desafiado todo o tempo a descobrir e construir o significado do poema, e, quando consegue, o prazer é atingido de maneira significativa.

 

formar_leitores1Sugestão 10
Materiais necessários: Uma cartolina dividida ao meio, lápis grafite e de cor, giz de cera ou hidrocor (se possível, confeccionar um cartaz contendo o poema. Ver instruções registradas na etapa: Durante a leitura), papel ofício, elementos encontrados na natureza para a realização de pinturas rupestres (folhas, flores, barro, etc.) e carvão.
Pré-leitura: O educador divide a sala em dois grupos e distribui a metade de uma cartolina para cada equipe. Para uma das equipes, ele fornecerá o título do texto poético a ser trabalhado. Esta deve criar um enigma — por exemplo, fazer desenhos cujas sílabas iniciais formem as palavras contidas no título — para que o grupo “adversário” adivinhe qual é o título. A outra equipe recebe o nome do autor e terá de proceder da mesma forma, ou seja, criar um código — por exemplo, a partir da ordem do alfabeto, numerar as letras que compõem o nome do autor e entregar à equipe “adversária” o nome do autor representado por meio de números apenas.
Após as equipes conseguirem representar, através da criação de enigmas o título do texto e o nome do autor, respectivamente, devem trocar as cartolinas para que tentem descobrir as informações citadas anteriormente.
O professor inicia, por seu turno, o questionamento norteador da pré-leitura, que deve estar baseado no texto escolhido.
Durante a leitura: O professor realiza a leitura do poema omitindo a última palavra de cada verso. Fazer isso de forma alternada; por exemplo, recitar o primeiro verso completo, o segundo, sem mencionar a última palavra, e, assim, sucessivamente. Ao omitir a palavra, pedir que os alunos tentem descobri-la. Inclusive, seria interessante que o educador confeccionasse um cartaz contendo o texto trabalhado com lacunas alternadas nas últimas palavras dos versos; assim, os alunos teriam maior facilidade para encontrar palavras que rimassem com o verso anterior. Após esta atividade, o educador lê o texto tal qual ele foi composto pelo poeta.
Pós-leitura: Para realizar esta etapa, o professor pede que os alunos sentem-se no chão, formando um grande círculo; distribui folhas de ofício e solicita que eles realizem uma pintura rupestre representando a sensação sentida ao ler o poema.
Para extrair a tinta das folhas e flores, que devem ter sido pedidas um dia antes da atividade, basta que o aluno amasse-as e esfregue-as sobre o papel. Pedir que cada aluno explique o que retratou em sua pintura. Montar um painel com as telas dos alunos.
Obs.: Para realizar a pós-leitura, o professor precisará solicitar, com antecedência, que os alunos tragam para a sala, no dia da sessão, elementos da natureza, como folhas, flores de cores fortes, barro ou até mesmo carvão. Explicar a eles que a pintura rupestre era um artifício utilizado pelo homem primitivo para comunicar-se, registrar o que via, alertar as pessoas acerca de algum perigo. Lembrar que, naquela época, o sangue dos animais também era utilizado na realização desta atividade e explicar o quanto as pinturas rupestres, descobertas em cavernas, ajudaram o homem moderno a conhecer muitas curiosidades de seus antepassados.
criatividade é um elemento de destaque nesta sessão, porque o aluno é desafiado a construir um enigma e, num momento posterior, a encontrar/construir o significado do texto poético, o qual também se faz enigmático, considerando que cada leitor faz um percurso diferente para chegar ao sentido do que o autor quis expressar. Além disso, a interpretação da criança reflete seu conhecimento de mundo, experiências anteriores. O manuseio e a utilização de elementos da natureza dentro da sala de aula permitem que o aluno perceba quão grande é a diversidade de formas e cores presentes no meio ambiente. Possibilita que eles efetuem uma leitura verbal e sensorial do poema, pois poesia é para ser sentida, sendo sua leitura também uma atividade sensorial. Aguçar os sentidos para a leitura é ter uma visão ampla desta atividade: lê-se um gesto, um olhar, um sabor, uma cor, um cheiro, uma imagem; tudo isso instantaneamente, através de estímulos enviados ao cérebro

Considerações finais:

A experiência leitora, quando mediada por um leitor de maior proficiência, aciona mecanismos psicológicos mais complexos e significativos, os quais contribuem para a construção subjetiva de um sujeito capaz de inscrever-se entre as palavras do outro e dizer a sua palavra. Essa mediação interpessoal (ocorre entre um grupo de pessoas que cooperam em uma atividade conjunta) permite que o educando e o educador construam, em parceria, o processo de mediação, em que o aluno (leitor menos experiente) passa mais tarde a empregá-la como encaminhamento individual.

O professor que concebe a Teoria de Andaime como fundamento para a ação de mediar o contato leitor/texto está aceitando a condição de ser um suporte para que o educando desenvolva habilidades leitoras. Nesse contexto, sabemos que o educador que assim o faz é um sujeito sensível, o qual já deve ter percebido que o fazer pedagógico é uma via de mão dupla e deve ser compreendido como espaço de interação e construção de todos os sujeitos escolares.

Baseando-nos nessas afirmativas, nas vivências e observações de algumas sessões de leitura em que o objetivo delimitado foi alcançado com reconhecido sucesso, podemos afirmar que, em parceria, poderemos, sem dúvida, minimizar as lacunas que impossibilitam a formação do leitor e, tradicionalmente, deixam suas marcas no indivíduo que necessita instrumentalizar-se com a língua para atuar de maneira ativa na sociedade.

Sugestão de leitura:
SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Trad. Claudia Schilling – 6 ed.- Porto Alegre: Artmed, 1998.

E-mails para contato:
Hugo Monteiro Ferreira: hmferreira@yahoo.com.br
Fabiana Tavares dos Santos Silva: fabianatsantos@zipmail.com.br
Palôve Karla de Sousa Ferreira : palokf@hotmail.com
Poliane Karla de Sousa Ferreira: polikf@yahoo.com.br

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¹ Graduada em Letras. Especializando-se em Literatura Infanto-juvenil. Componente do Nellij (Núcleo de Estudos da Leitura e da Literatura Infanto-juvenil). Professora de Língua Portuguesa (Ensino Fundamental II e Classes de Projetos Especiais – Escola Recanto – Recife/PE).

² A equipe, formada por: Palôve Karla de Sousa Ferreira, Poliane Karla de Sousa Ferreira, Mariano Medeiros de Oliveira, Fabiana Tavares dos Santos Silva, sob a orientação do Prof. Dr. Hugo Monteiro Ferreira, realiza as ações que constituem a proposta do Projeto de Leiturização. Há, inclusive, outras sugestões metodológicas para a sessão de leitura elaboradas pelo grupo.

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