Edição 58

Professor Construir

Formar para a autonomia

O que significa formar as crianças “para a autonomia”?

Quando falamos de autonomia e de aprendizagens para o desenvolvimento da autonomia, referimo-nos, no âmbito educativo, a facilitar ao educando as estratégias que o vão tornando dono do seu projeto de vida.

Atualmente, formar as crianças para a autonomia é um dos desafios da Educação que começam logo no Jardim de Infância, preparando os menores para assumirem certas responsabilidades que pertencem à sua vida e fazendo-os participarem da sua própria formação.

Heteronomia e autonomia na Educação

No desenvolvimento pessoal das nossas crianças, a meta que pretendemos é que consigam tornar-se autônomas (segundo as perspectivas construtivistas), ativas e participativas nas diversas aprendizagens de todas as áreas.
A autonomia intelectual que vão desenvolvendo abre possibilidades para alcançar a autonomia moral. Partimos da heteronomia, ou autoridade centrada no educador, para chegar à autonomia, na qual a criança é artífice da sua autoformação e responsável no seu processo de aprendizagem; trata-se da passagem da moral estabelecida, dos moldes fixos, da passividade e receptividade, da norma, guia e imposição de um novo paradigma para uma perspectiva de partilha de responsabilidades, na qual a criança vai assumindo protagonismo e surge a possibilidade de crescer com maior liberdade e espírito crítico, implicado e ativo.

Como se trabalha com autonomia?

Utilizando autoinstruções: a criança sabe o que tem que fazer e sequencia, ela mesma, os passos que deve dar para atingir a meta. Vai-se autocontrolando progressivamente, planifica as suas estratégias de resolução de problemas, corrige os seus erros, reformula os seus acertos e valoriza os seus sucessos.
Fixando objetivos alcançáveis: a criança ordena as suas prioridades e baseia-se, realmente, no que fazer, conhecendo as suas limitações e apoiando-se nos recursos que o seu meio cotidiano lhe proporciona.
Sabendo agir regulando a conduta: a criança, em cada momento do seu processo de aprendizagem, vai agindo segundo o seu critério e, com a maior objetividade possível, vai-se adaptando à situação em que se encontra.

Um método de atuação: o trabalho por projetos

O trabalho por projetos, principalmente na Educação Infantil, desenvolve o currículo por meio de projetos de trabalho, proporcionando um novo modelo de escola, um novo papel docente e tornando a criança capaz de participar e criar todo o seu processo de ensino-aprendizagem. A motivação é o elemento fundamental do método de projetos; a liberdade de ação posta em tarefas concretas leva a criança à construção do conhecimento.

Nós, os educadores, devemos saber como abordar a planificação dos processos e refletir sobre o valor e a importância dos diferentes registros, contando com os interesses, as críticas e as alternativas propostas pelas nossas crianças. As atividades na sala devem ser intensas e convidar, em cada dia, a criança a participar com emoção e responsabilidade partilhada; essas atividades, nas quais a criança se implica e colabora, são as que dão realmente sentido ao projeto.

Sugestões para que se desenvolva um projeto

Diferenciar a planificação da programação e os efeitos que ela implica.
Analisar e refletir sobre o papel de cada uma das partes — os docentes, as crianças e as suas famílias — nessa metodologia.
Desenvolver modelos de intervenção que favoreçam a atenção pela diversidade, a aprendizagem significativa, o desenvolvimento das capacidades e a autonomia.
Relacionar a perspectiva construtivista e a aprendizagem por projetos.
Avaliar como se desenvolvem as capacidades da criança em função do seu potencial.

Como começamos?

Valorizando os diferentes meios de aprendizagem que surgem como consequência da utilização dos projetos como alternativa didática.
Estabelecendo o papel de facilitadores e mediadores no processo de aprendizagem tanto aos educadores como às famílias.
Tendo presente a necessidade de escutar para poder perguntar e reformular as palavras do outro, desenvolvendo, assim, a escuta ativa e as competências de tipo comunicativo em geral (linguísticas, matemáticas, de conhecimento e interação com o mundo físico, digitais e de tratamento da informação, culturais e artísticas, sociais e de cidadania, emocionais, de aprender a aprender, de autonomia e iniciativa pessoal).
Valorizando as técnicas de negociação e de tomada de decisões como bases pedagógicas.
Tomando como base a programação didática para chegar à planificação do projeto.
Otimizando a organização dos espaços e os tempos adequados ao projeto.
Sendo capazes de conseguir uma perspectiva diferente para o desenvolvimento do processo educativo.
Conhecendo a perspectiva construtivista e os seus princípios metodológicos.

Finalmente, para desenvolver um projeto:

Devemos assegurar-nos de que a sala é um espaço adequado e condicionado.
A proposta tem que ser apelativa e divertida e adequar-se ao nível das crianças com as quais trabalhamos, com novas formas de “fazer” e de “conhecer”.
A criança deve ser a protagonista, e o docente deve ser o mediador e motivador.
Fonte: Revista Educadores de Infância. n. 64, dez. 2010.

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