Edição 45

Matérias Especiais

GESTÃO ESCOLAR: Pensamento e autoavaliação

Marly Maria Weber

pensamento01

Lidar com avaliação é algo corriqueiro na vida de todo professor. É dele a obrigação de avaliar o aprendizado de seus alunos, bem como a produtividade da instituição onde trabalha. Classificar os conhecimentos e comportamentos alheios é tarefa de grande responsabilidade, porém muito mais comprometedor é ter de julgar a si próprio diante de quem quer que seja.

pensamento02Cabe ao professor dar bons exemplos. Por vezes, ele se torna o principal modelo de comportamento para muitos de seus alunos. Cada palavra, gesto ou atitude dele certamente irá gerar alguma repercussão. Ele deve saber eleger, dentre os conceitos, o mais apropriado à faixa etária com a qual trabalha. Mais do que isso, deve ter o compromisso de não mascarar as verdades — mesmo aquelas que, porventura,
venham a abalar suas próprias estruturas de pensamento.

Faz-se necessário aceitar a capacidade de expressão de cada indivíduo. O bom professor saberá reconhecer, de forma imparcial, mesmo que nas entrelinhas, o verdadeiro conhecimento adquirido por seus alunos. Saberá, também, comparar o contexto das respostas obtidas com o conteúdo exposto em sala de aula. Se a maior parte da turma não obtivesse êxito em determinada matéria, onde estaria o problema? Os alunos estariam aptos ao aprendizado do conteúdo? A didática adotada em sala de aula estaria sendo satisfatória?

O professor deve agir da forma mais honesta possível para com seus alunos, a começar por estar sempre atualizando seus conhecimentos, renovando sua didática e usando de criatividade para tornar mais fácil o aprendizado do conteúdo proposto. Boa vontade e respeito devem fazer parte desse processo. Uma dose de autocrítica também pode ser algo bastante positivo quando se deseja inovar e melhorar. Dequalquer maneira, quando a voz da consciência o abordar, seria interessante que ela lhe perguntasse sobre sua formação, seu planejamento e seus métodos de avaliação.

Eu planejo minhas aulas?
Procuro novas dinâmicas e técnicas para ensinar?
Procuro desenvolver o conteúdo de todas as aulas nos modelos conceitual, procedimental e atitudinal?
Sei quando o conteúdo que ministro desenvolve o físico, o social, o emocional e o cognitivo?
Exponho, em sala de aula, com simplicidade e clareza, o conteúdo? Procuro fazê-lo de maneira interessante e motivadora?
Sigo a lógica sem deixar de lado a criatividade?
Tenho paciência quando preciso repetir o conteúdo?
Evito desperdício de tempo e de material?
Transmito valores morais e sociais?
Reconheço meus limites?
Escuto meus alunos?
Trabalho com interdisciplinaridade?
Sou flexível?
Tenho domínio sobre a turma?
Incentivo meus alunos a realizarem pesquisas?
Ensino a elaborar projetos? Derek Jones
Quanto às avaliações, meus testes medem inteligência, raciocínio ou memorização?
A minha avaliação é transformadora ou tem por objetivo apenas diagnosticar?
Quando o aluno apresenta dificuldades, dou especial atenção a ele? Pergunto-me sobre os motivos pelos quais ele ainda não aprendeu?
Obedeço à lei educacional vigente no que diz respeito à avaliação?
Minha avaliação é contínua, sistemática ou cumulativa?
Avalio por mérito, relevância ou negociação?
Atendo as famílias quando sou procurado por elas?

Caso você ainda não se sinta satisfeito com os resultados do seu trabalho, procure se aprimorar e organizar seu tempo para frequentar cursos de atualização e extensão. Admita que sempre haverá a possibilidade de melhorar. Seja sincero para com você mesmo e surpreenda-se.

Marly Maria Weber é professora e pedagoga, com mestrado pela Universidade de Extremadura (Espanha), consultora e assessora pedagógica, além de autora de diversos artigos educacionais.

cubos