Edição 31

Matérias Especiais

Harmonizando Seu Filho ou Aluno

Alberto Jorge Filho

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Uma Atividade para Harmonizar Pessoas

Não é novidade para ninguém que o meio onde a pessoa vive reflete diretamente na formação do seu comportamento e caráter (mais comportamento que caráter). Afinal, a formação do caráter é mais complexa, mas comportamento é mais imediato e pode se dar ao luxo de acompanhar as modas e os costumes de cada época. É assim que comportamentos modais se transformam em hábitos que, por sua vez, induzem o indivíduo a tê-los como caráter por toda a vida.

É importante que os pais e educadores conheçam essas diferenças na hora de avaliar um filho ou aluno, pois isso é fundamental para definir a conduta a ser tomada quando se pretende educar ou apenas orientar.

Achamos que educação é algo feito de pequenas e constantes orientações, mais intensas na infância e, de forma diversa, do intenso ao moderado, ao longo de toda uma vida. Por não entendermos a natureza humana, normalmente seguimos as regras de educação, muitas vezes baseadas apenas em tradições sem origem definida, estas já estabelecidas por outros e que se tornaram lugar-comum, servindo quase sempre como regra geral para a conduta das pessoas.

Acontece que vários desses padrões e jargões, em sua maioria originários de outras épocas e de outras realidades, estão muito distantes do bom senso e mais trazem malefícios à personalidade que benefícios; não fosse assim, não haveria problemas comportamentais entre as pessoas passado tanto tempo.

E, assim, como meros repetidores incipientes e sem conteúdo através dos tempos, prosseguimos sem rumo ou sentimentos; só que coragem para admitir isso nos falta; na verdade, não é coragem, e sim falta de humildade. Mas, quando se tem sério interesse em educar, alguns podem até conseguir bons resultados. Isso acontece quando passamos a olhar nossos filhos e alunos sem conceitos didáticos preestabelecidos. Ao fazermos isso, eles voltam a ser seres humanos diante de nós, e não objetos-alvo dos “métodos inventados” por “educadores” do passado e que seguem de olhos fechados. Ao mudarmos nosso olhar, podemos então compreendê-los mais, e daí há uma chance de conseguirmos educá-los com maior eficácia.

Um dos maiores problemas dos seres humanos atualmente é, sem dúvida, a falta de confiança generalizada em si, o que gera insegurança, fobias, ansiedades, depressões, irritabilidades e intolerâncias entre as pessoas. Nos parece que a principal causa desse mal é a falta de um pequeno atributo que, apesar de o termos, nunca aprendemos a usá-lo da forma adequada.

Esse atributo, que, desde a infância, é cuidadosamente, dia após dia, destruído, está diretamente relacionado com todos os estados patológicos relacionados acima e é o responsável pela maioria dos males psicológicos que assolam todas as pessoas em todos os continentes e tempos. Como tudo na natureza é extremamente simples, esse também é: chama-se Atenção.

É a Atenção um dos mais importantes atributos que o ser humano precisa trabalhar e desenvolver em todos os dias da sua vida. É ela responsável pelo nosso aprendizado, autoconhecimento, cultivo da “boa” memória e desenvolvimento do discernimento. É esse atributo que nos livrará de todas as fobias e todos os distúrbios de comportamento e relacionamento e, de vez, da indiferença para com a vida disfarçada de austeridade.

Seu cultivo restabelecerá nossa confiança interior e nos reconectará com as mais sublimes formas de reflexões. Educará nosso pensamento, que, sem dúvida, ao viver sem controle, é o maior vilão da raça humana.

Existe, na tradição indígena brasileira — isso já há mais de 5 mil anos antes do descobrimento do Brasil —, uma reflexão que diz: “A doença começa quando pensamos nela, depois ela cresce, ganha forma e finalmente aparece fisicamente na pessoa”. Complementando esse aforismo, eles dão a cura: “Um corpo doente é o de alguém que perdeu a confiança em si, perdeu sua conexão com o Divino e, para ser curado, precisa ter sua confiança restaurada. Primeiro, cuidamos de restabelecer essa confiança, depois a doença sairá por si”.

O sair por si é mais uma forma de expressão. Eles querem dizer o seguinte: uma pessoa que perdeu a confiança em si torna-se negativa, e sabe-se que pessoas com pensamentos positivos jamais, em nenhum momento da história da psicologia antiga ou moderna, desenvolveram patologias psíquicas, como também sabe-se que as negativas são os hospedeiros desses males. Assim, uma pessoa negativa será sempre desanimada, sem motivação alguma sequer para tomar remédios ou procurar ajuda, e abrigo preferido de doenças.

Esses mesmos índios, os quais aprendemos a chamar de burros e preguiçosos ainda na escola, já tinham uma máxima entre os sábios da aldeia. Dizia o seguinte: “Se você quiser conseguir algo, o que seja, primeiro será preciso pensar nessa coisa sem parar por um tempo — se esqueceu um dia que seja, comece tudo de novo; feito isso, a coisa desejada vai ganhar forma e se concretizará, e, então, muitos chamarão a isso de milagre”.

Então, sabendo que as crianças, quando adequadamente trabalhadas, são a base de uma cultura, os sábios indígenas criaram uma forma de desenvolver em suas crianças, desde a mais preliminar idade, o zelo, a atenção e a autoconfiança. Essas tradições foram perdidas quando o invasor europeu chegou ao nosso país e, apenas por não entender a língua e os costumes desses nativos, resolveu classificá-los como bárbaros.

Essas antigas tradições, que já existiam entre nossos antepassados, os índios, hoje começam a ser revisitadas pela moderna psicologia e medicina desses mesmos países “desenvolvidos” e, mesmo aqui no Brasil, estão sendo timidamente usadas, mesmo entre os adultos, com resultados surpreendentes, mágicos até, e alguns terapeutas, de tão espantados e extasiados com os resultados obtidos, não conseguem se conter e chamam a isso de milagre.

Uma dessas tradições, que temos usado com bons resultados, vamos lhes passar agora, e, apesar de ser extremamente simples, seu efeito é notável. É uma prática que serve tanto para adultos quanto para crianças. É bem tolerada e assimilada de imediato pelas crianças, até pela sua natureza exótica e seu ritual e pela força que, na hora, dá a cada uma delas. Seus efeitos sobre a Atenção e o restabelecimento da confiança em si são excelentes.

Essa prática tem, entre os seus alvos, o despertar, em cada um, da confiança adormecida e debilitada. Os próprios sábios índios já diziam: “As coisas mais importantes da vida são as mais simples. Veja, por exemplo, o ar que respiramos: sequer o vemos, e é nosso bem mais importante”.

Essa prática pode ser feita a qualquer hora, em qualquer lugar, em grupos ou isoladamente e tem por objetivo fortalecer e desenvolver a Atenção, a confiança interior e restaurar os estados de ânimo debilitados, geradores de ansiedades e da maioria das fobias que não estejam associadas a estados causados por patologias físicas. Sabe-se que, com a autoconfiança em dia, o indivíduo está identificado consigo mesmo e terá força suficiente para vencer obstáculos. Uma pessoa confiante será por natureza uma pessoa atenta ao presente e ciente dele.

Com a prática regular desse pequeno roteiro, os resultados se farão sentir. Também não esperem resultados mágicos no mesmo dia, mas, assim mesmo, isso até poderá ocorrer com alguns. Outra coisa importante é que, mesmo sem os fundamentos mágicos que todos buscam nas soluções, algo assim psicologicamente motiva a pessoa e pode funcionar como a mágica de um placebo¹.

Observação importante: essa prática não está fundamentada em argumentos científicos e serve mais como uma ferramenta de motivação pessoal que tem se mostrado muito eficiente no nosso dia-a-dia.

EIS A PRÁTICA:

harmonizando_filho2Cada pessoa tem um nome pelo qual ela é conhecida, o nome pelo qual todos se reportam a ela. Por exemplo, uma pessoa com o nome de Maria da Silva e que todos conheçam por Maria teria Maria como seu nome de força.

É esse nome sua assinatura de vida, sua alma, sua identidade divina e sua força. Assim, as vogais desse nome são consideradas palavras de força e o elo de equilíbrio com as energias da natureza.

Nesse caso, as vogais “aia” seriam as palavras de força para reequilibrar energeticamente essa pessoa. Assim, para fazer isso, deveria a pessoa simplesmente repetir essas letras pelo menos três vezes quando achasse necessário. Como nas práticas meditativas, fazendo-se isso de olhos fechados consegue-se, na hora, um efeito calmante em todo o corpo.

Uma excelente maneira de começar uma aula seria pedir a todas as crianças que repetissem, em voz alta, as vogais do seu nome antes do início da prática diária ou quando se achasse conveniente e orientá-las para que fizessem isso antes do início das provas ou da execução de tarefas de casa.

Por fim, as letras podem ser pronunciadas baixinho também. Devem apenas ter a duração de pelo menos 2 segundos de intervalo entre a pronúncia de uma e outra.

Alberto Jorge Filho trabalha com desenvolvimento de software educativo infantil.
E-mail: albjorge@yahoo.com.br

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[1] Placebo é um termo usado na Ciência Médica para designar o medicamento que não contém em sua composição princípio ativo algum, ou seja, é feito de trigo ou maisena. Assim, algumas vezes os pesquisadores, para medirem a participação do estado psicológico de um paciente em sua doença, fazem eles tomarem esses medicamentos sem princípio ativo. Para surpresa deles, muitos ficam curados tomando apenas esses remédios sem droga alguma em sua composição. Por essa razão, pesquisa-se, hoje em dia, os efeitos do Pensamento Positivo na cura de doenças graves como o câncer, por exemplo. Atualmente, os cientistas estão intrigados, pois descobriram que, algumas vezes, o placebo é mais eficaz na cura de alguns males do que a medicação normal com princípio ativo.

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